e a copa, hein?

4 de julho de 2010

Bom, fodeu tudo, né. Sinceramente nunca acreditei muito na nossa seleção, mas o Brasil era dado como favorito aqui em todos os programas de futebol, de modo que a derrota pra Holanda foi realmente um banho de água fria.

Foi lindo ver a Argentina perder daquele jeito. E não só porque eles me são incrivelmente antipáticos e arrogantes, mas porque acho o Maradona uma das figuras mais odiosas da face da Terra e merecia um tapa na cara bem estalado. Não consigo entender isso do cara ser um ídolo mesmo sendo um idiota. Nunca fui capaz de entender a supremacia do talento (ou do esforço) sobre a integridade de caráter. O cara jogava pra cacete, granted, mas É UM FILHO DA PUTA! Drogado! Arrogante! Desonesto! Cara, se tudo isso não anula completamente o talento que ele tinha então eu não quero mais viver nesse mundo não.

Isso me lembra uma conversa que tivemos uma vez à mesa do jantar na casa da Arianna. Estávamos falando de um ex-funcionário do Mirco, que chegou a ser muito amigo dele, que é completamente maluco. O Ettore dizia que não entendia por que ele nunca namorava, porque era tão trabalhador. Oi? Ele é maluco, ma-lu-co, desequilibrado, inconsistente, louco! Quem é que atura isso? “Mas ele trabalha tanto!”, repetia o Ettore, como se isso resolvesse todos os problemas do mundo. Já ouvi coisas desse tipo de muitas outras pessoas. “Ah, ele pode ser burro/chato/desonesto/mulherengo/sujo/mau com os filhos/violento com a mulher/etc, mas é tão trabalhador!” SOCORRO! As pessoas aqui levam a primeira frase da Constituição a sério demais (”L’Italia è una repubblica fondata sul lavoro…”). Detesto esse conceito de botar o trabalho no centro do universo. Sou só eu que considero o trabalho um mal necessário? Um meio pra chegar aos fins? Coisa mais chata isso de ter uma vida tão vazia que só resta trabalhar; estou de saco cheio dessa gente ignorante. E não estou falando só dos meus sogros não, que não são capazes de contar uma história direito, muito menos de explicar o que estão vendo na televisão porque mal sabem escrever; temos amigos da nossa idade cuja vida se resume a trabalhar e nada mais importa. Gente que passa a vida juntando dinheiro sabe-se lá pra quê, já que nunca o aproveitam, e nunca o aproveitam porque não saberiam o que fazer sem trabalhar, pois nunca fizeram outra coisa. Coisa mais chataaaaaa!

menu de verão

3 de julho de 2010

Eu sinceramente nunca entendi essa coisa do apetite das pessoas seguir as estações, mas aqui isso é levado muito a sério. A minha vontade de tomar sorvete não diminui nada no inverno, e tampouco no verão tenho menos vontade de comer massa ou outras coisas que como sempre. Mas aqui é só falar de carne no verão e todo mundo começa “aaaaaaaaaaah, tá calor demais pra comer carne… Eu no verão só como mozzarella, melão com presunto etc”. Meu estômago deve ser temperature-insensitive or something.

A coisa boa do verão é poder comer fora – fora no sentido de do lado de fora de casa. Aqui em casa comemos na varanda sempre que vem gente pra jantar. Na Arianna o verão inteiro é almoço e jantar na mesa do quintal, inclusive nos dias tórridos nos quais eu daria um dedo mindinho por um ar condicionado. Pra Carolina é uma bênção, porque ela fica perambulando pra lá e pra cá enchendo o saco dos cachorros e jogando restos de alface dentro da casinha dos gansos, doida pra destruir as plantas confusas da Arianna mas sabendo que não pode, então apontando e fazendo “ahn? ahn?” e depois fazendo “não não não não não” com o indicador, às vezes vindo até a gente na mesa pra filar um pedaço de qualquer coisa. Ela continua comendo pouco, e entrou naquela fase pentelha de gostar de uma coisa num dia e nem querer olhar pra ela no dia seguinte, mas algumas constantes existem, como a mozzarella, azeitonas, tomate e um cream cracker dos Vigilantes que encontrei estranhamente por aqui (o Weight Watchers italiano fechou há anos por má administração) e que prefiro aos crackers normais porque tem menos sal e gordura e é de farinha integral. Essas coisas ela nunca recusa. Todas as outras coisas dependem do humor do dia. Sacoooo.

Enquanto isso, todo mundo continua me perguntando por que é que ela nunca tomou sorvete nem comeu doce nem batata frita. Hello? A garota já não come quase nada, vou ficar enchendo a barriga dela de coisas de valor nutricional zero? Pra que acostumá-la com essas coisas? Tudo o que nunca aparecia lá em casa quando eu era pequena eu não como até hoje – bala, chiclete, fritura, cachorro-quente. Refrigerante quando eu era pequena chegava a estragar; hoje eu tomo Coca de vez em quando, e admito que tomaria mais frequentemente se a coisa não fosse praticamente venenosa, mas corto sem sacrifícios nas minhas fases de contagem hardcore de calorias. Todos os outros refrigerantes do mundo por mim poderiam perfeitamente nunca ter sido inventados. Detesto doce de padaria. Não como nem brigadeiro. Por que vou ficar dando essas coisas pra minha filha? Não entendo. Na porchetta de aniversário do Ettore uma senhora que eu nunca tinha visto, uma daquelas parentas que aparecem uma vez na vida e outra na morte, trouxe uma barra de Galak pra Carolina. Prestem atenção, a velha trouxe 400 g DE CHOCOLATE BRANCO, que nem chocolate de verdade é, pra uma criança de nem um ano e meio!!! Sou eu que sou louca ou pára o mundo que eu quero descer? Isso em um país onde as pessoas vivem pra comer e o fazem muito bem, obrigada; em um país de pessoas que não morrem nunca provavelmente graças à dieta mediterrânea; em um país onde ainda é normal voltar pra casa pra almoçar e onde as avós fazem macarrão em casa nos fins de semana e onde as pessoas só comem carne vermelha muito de vez em quando porque “faz mal”, onde não se frita praticamente nada, onde a comida que encontramos nos supermercados é super-hipermega controlada e vem cheia de selos e carimbos e autenticações pra gente ter certeza do que está comendo. Juro que não entendo.

carolinices

2 de julho de 2010

Carol está na fase dos tantrums (leia-se “ataques de pelanca”). Tantrums acontecem porque crianças obviamente não sabem como lidar com frustrações, pois até pouco tempo atrás nada lhe era negado pois ela de pouco precisava – leite e fralda limpa, basicamente. Conforme a criança cresce e começa a querer coisas, você obviamente começa a dar limites e negar quando preciso, criando situações às quais ela não está acostumada e logicamente não entende. Logo o tantrum. Um pé no saco, mas totalmente normal, só que eu acabo sempre dando risada porque a cara que ela faz é TÃO engraçada, com o beiço pra fora, a cara fica logo toda vermelha, aqueles cabelos balançando, aquela cara de criança mais velha que ela tem, eu não aguento. Não cedo, mas tenho que virar a cara pra ela não me ver rindo e achar que é tudo uma brincadeira.

Ela anda chatíssima. Segundo a pediatra é o maldito molar saindo, pois dá pra ver aquela coisa branca e dura ali enchendo o saco, doida pra aparecer e nada – o detalhe é que ela tem os 4 incisivos superiores e só os dois centrais inferiores, que ainda por cima são nanicos. Os molares vão aparecer antes dos caninos e dos incisivos laterais, tenho certeza, só pra deixar tudo mais ridículo ainda e pra me dar mais vontade de rir quando ela abre a boca durante os ataques de pelanca. Outra causa da chatice provavelmente é a frustração de não falar – porque ela não fala uma palavra, senhores, nem não, que normalmente é a primeira, nem ma-ma, nem nada. Aponta pras coisas, dá grunhidos, faz sim e não com a cabeça, mas falar que é bom, nada. Imagino o quanto isso não deve ser chato pra ela (pra não falar pra gente, que fica se esforçando pra entendê-la). Fase chata, vou te contar.

under heaven

1 de julho de 2010

Então. Como eu já tinha comentado aqui, eu tava me coçando toda pra ler Under Heaven, do Guy Gavriel Kay, meu escritor de fantasy preferido. Altas expectativas. Fui lendo meio aos trancos e barrancos, sabe como é, arrumar tempo pra fazer qualquer coisa que não seja Carolina-related é muito difícil, mas consegui. Gostei MUITO, ele escreve muito bem e tal, mas sinceramente não entendi o fuzuê todo ao redor do livro. Achei Tigana bem melhor; é um livro absolutamente sensacional. Não dá pra comparar os dois muito bem porque Tigana é bem mais fantasy (embora o fantasy do GGK seja pouco convencional), mas de qualquer forma continuo achando Tigana a obra-prima dele.

Quando acabei fiquei meio assim sem rumo e acabei seguindo o conselho da Meritxell, minha aluna de português (ela é espanhola; o nome dela é catalão. A quem interessar possa, o “e” se pronúncia “a” em catalão, segundo ela, de modo que o seu apelido poderia ser Mari): comecei La Catedral del Mar, de Ildefonso Falcones. Comprei há muito tempo aqui mesmo na Libreria Grande, depois vi a tal catedral em Barcelona e os meninos chegaram a comentar sobre o livro e disseram que eu absolutamente tinha que ler, mas não sei por que o bichinho ficou esquecido por aqui. Boba! Deveria ter lido antes! Estou adorando, adorando, adorando! Que mané The Pillars of the Earth o quê. Como jeito de escrever nem é nenhuma Brastemp (pense nas maravilhas que escreve o Zafón, por exemplo), mas a história é daquelas que colam e que você PRECISA continuar lendo pra saber o que acontece depois. Está acabando com a minha coluna, porque o livro é grosso e pesado e eu ainda levo um dicionário italiano-espanhol (comprado em Buenos Aires; uma merda mas é o menorzinho que eu tenho de espanhol) junto com ele pra cima e pra baixo. Mas vale a pena, vale a pena.

panqueca de arroz com lentilha

26 de junho de 2010

Mirco tem mania de comprar. Ontem ele saiu rapidinho pra comprar vassoura pra oficina com a Carolina pra eu poder malhar e voltou uma hora e meia depois com um caixote de cerveja, quatro livrinhos pra Carolina e quatro livros de receitas pra mim. Livros tabajara, daqueles vagaba de supermercado, mas fuçando sempre dá pra achar alguma coisa interessante. Um é sobre risotos, outro sobre tapas, um é uma enciclopédia de azeites e vinagres (tenho HORROR a vinagre, só um whiff é suficiente pra me fazer vomitar) e o último sobre comida indiana. Peguei esse pra folhear enquanto ele dava banho na Carolina e achei uma receita que me chamou a atenção, que é essa do título do post. Porque eu não posso ver uma lentilha que me assanho toda, e o mesmo vale pra palavra panqueca (ou crêpe). O detalhe é que a lentilha e o arroz não são o recheio, senhores, mas os ingredientes da massa!

Achei sensacional. Estou de saco cheio de trigo e tenho a impressão de que ele é o culpado de todos os problemas ponderais da minha vida, porque tudo o que leva farinha é gatilho de compulsão pra mim (e não só pra mim). Ultimamente ando com o comedor aberto, um desespero alimentar só experimentado quando eu estava grávida (não estou, tá) e que está difícil de segurar. Como estou com outros sintomas de descontrol hormonal, essa semana marquei endócrino pra ver o que pode ser exatamente, e enquanto isso vou tentando eliminar o trigo da minha vida. Felizmente a Barilla tem uma linha de massas feitas com outros grãos, inclusive lentilha, e são deliciosas. Também felizmente eu não tenho um apego gustativo particular a carboidratos brancos e realmente prefiro as coisas integrais, o que prepara a minha linguinha pra esses sabores “alternativos” sem trigo. Quem sabe assim eu consigo desligar o comedor. Porque entre batata, arroz e macarrão, sou fã incondicional do macarrão, que por sinal é muito mais prático também.

De qualquer maneira, fiquei doida pra fazer as tais panquecas. Vou dar a receita, mas atenção: não testei ainda, portanto não garanto.

200 g de lentilhas
15 g de fermento em pó
50 g de arroz (o livro diz pra usar basmati, mas acho que o nosso branco vai bem também)
páprica doce em pó
óleo

Deixe a lentilha de molho por pelo menos 4 horas e o arroz por pelo menos 30 minutos, separados.
Bata os dois ingredientes no liquidificador ou triturador até obter uma massa homogênea. Junte o fermento e uma pitada de páprica e deixe a massa descansar por 30 minutos.
Cozinhar como crepes normais na panela com pouco óleo, só pra não grudar, e depois enrole-as em uma colher de pau para que formem tubos.

Pela foto não dá pra saber direito que textura que fica, mas esse conselho final de formar tubos me leva a pensar que elas ficam mais pra durinhas, e portanto não exatamente recheáveis. O livro diz que são ótimos acompanhamentos pra pratos de peixe e carne, coisa mais ambígua impossível, mas vai depender muito da textura final. Quando testar a receita eu aviso aqui como ficou.

s.o.s. sono

25 de junho de 2010

Preciso de ajuda. Não estou conseguindo regularizar o sono da Carolina, e o resultado óbvio é que estou à beira de um colapso nervoso.

Vou descrever a situação só pra dar uma ideia.

Ela toma a mamadeira da manhã às 6 (mas ultimamente acorda sempre um pouco antes; fico enrolando até as 6). Meia mamadeira, troco a fralda com ela em pé pra que ela arrote, termina a mamadeira, outro arroto enquanto dou uma enxaguada básica na mamadeira e jogo a fralda fora, vamos pro quarto, ela encosta a cabeça no meu ombro imediatamente, logo depois se deita no colo mesmo, ganha um beijo e vai pro berço. Vira de bruços, eu saio, fecho a porta e ela dorme sem dar um pio até as 11:30, com picos de 12:30. Esse soninho da manhã é que me salva, porque consigo dormir se não tiver dormido à noite, malhar, deixar o almoço engatilhado, tomar banho, dar uma geral na casa, trabalhar quando estou a fim. Perfeito, porque eu sou totalmente antivampiro, só funciono de dia e por mim iria pro caixão dormir assim que o sol se põe.

Acorda, troco a fralda, troca de roupa, brincamos um pouco, vamos na rua levar o lixo na caçamba, voltamos, almoço (normalmente vendo Aladdin). Quando o Mirco chega pra almoçar mais tarde ela fila um pouco da comida dele também. Depois começa a ficar agitada, de modo que ou fico brincando com ela até ela sentir sono ou, quando o sol não está esturricando, vamos dar uma volta, ela brinca à sombra das árvores do Percorso Verde e talz. Voltamos, rola um lanche – fruta, iogurte ou biscoito, dependendo da vontade da madame – e aí sinto muito mas é hora de dormir. Normalmente a coisa rola lá pras quatro: vamos pro quarto, ela começa a se agitar porque não quer dormir mesmo estando cansada, seguro firme no colo, ela fica quieta rapidinho, vai pro berço acordada, saio e fecho a porta, ela chora por tipo 10 segundos e capota. Dorme mais ou menos uma hora e meia, às vezes mais.

Acorda de novo, brincamos, lemos historinhas, tento evitar que ela destrua todas as plantas da varanda, jantar. Quando o Mirco chega ela fila o jantar dele de novo, ele dá banho nela, pijama, historinhas. Ela entra num estado de agitação extrema até as dez, quando toma a mamadeira e vamos dormir. Às vezes capota no meu colo e vai pro berço sem traumas; às vezes não tem santo que a faça dormir e eu tenho que deitar na cama-fouton ao lado do berço, com a mão dentro do berço pra ela ficar beliscando e arranhando. Lógico que depois de uns 40 minutos dessa palhaçada eu começo a me irritar e ficamos as duas loucas no escuro, ela rolando na cama tentando dormir sem conseguir, apertando os nós dos meus dedos com as unhas, e eu gritando/sussurrando PELAMORDEDEUS PARA COM ISSOOOOO! FECHA O OLHO E DORME! FICA PARADA, COMO E’ QUE VOCE VAI CONSEGUIR DORMIR FAZENDO DOWN DOG, SUA MALUCA?

Alternativamente, eu dou banho rápido depois do jantar (dela) e saímos pra jantar fora. Ela fila o jantar da gente no restaurante também, e dependendo do lugar corre pra lá e pra cá feliz da vida rindo e dando gritinhos de alegria ou então fica irritada na cadeirinha dela resmungando sem parar e querendo pegar tudo o que está na mesa, obviamente ignorando todos os seus próprios brinquedos e livrinhos. Pijama no próprio restaurante. Se estiver muito cansada, dorme no carro; em casa vai direto pro berço enquanto eu boto o pijama, escovo os dentes, faço xixi, boto o relógio (pra saber que horas são quando acordo de madrugada com ela, vocês sabem que eu fico nervosa se acordar e não souber que horas são), preparo a mamadeira. Tiro a madame do berço, ela muito puta da vida, mas termina a mamadeira, arrota e capota imediatamente.

De madrugada as possibilidades são três.

1) Ela dorme a noite inteira sem acordar nunca, coisa que acontece tipo por uma semana a cada dois meses, mais ou menos.

2) Ela acorda de madrugada, quase sempre mais de uma vez, porque perdeu o raio da chupeta. Entro no quarto, rechupeto a menina e ela dorme de novo rapidinho. Essas noites assim são pouco traumáticas pra mim porque faço tudo em modalidade zumbi e nem lembro direito de ter me levantado da cama de madrugada.

3) Ela acorda uma vez, sempre num horário que não é mais tarde da noite nem cedíssimo de manhã, ou seja, o horário que mais me deixa destruída no dia seguinte (das 2 às 4 da manhã, digamos), e fica naquela loucura de me beliscar.

Não sei o que fazer. Já tentei tudo, menos deixar ela chorando (na verdade deixei uma vez, mas depois de 2 minutos, quando eu já estava quase tendo um treco, ela vomitou de tanto se esgoelar). Já chegamos à conclusão que a qualidade/quantidade do sono dela não tem absolutamente nada a ver com o cansaço ou com o nível de atividade durante o dia. Tem dias em que ela não dorme à tarde (normalmente é na Arianna que isso acontece), passa o dia na horta com a avó ou brincando com os cachorros ou na casa da vizinha da Arianna, uma prima deles, comendo cereja e correndo na rua (não passa carro), e mesmo assim não dorme. Tem dias em que ela faz tudo isso e dorme feito uma pedra. Tem dias em que não saímos de casa porque realmente não tenho forças e ela capota; em outros dias semelhantes ela dorme mal.

Vejam bem, não é que ela não queira dormir. Ela quer; fica rolando na cama, esfregando os olhinhos, não fala, não ri, não levanta, não pede coisas, nada disso. Ela não quer brincar, quer dormir mas não consegue. Não consigo entender o motivo.

Qualquer sugestão é bem-vinda.
Grata,
leticia

iron man 2

4 de maio de 2010

Aproveitamos o domingo lerdo pra deixar a Carol na Arianna e ir ao cinema, coisa que não fazíamos desde que ela nasceu. Fomos a Foligno, na sessão das 4 pra voltar cedo, e estávamos animadíssimos porque o primeiro Iron Man é absolutamente sensacional – tenho o DVD e já revi um zilhão de vezes, it’s that good.

Que desperdício de filme, pelamordedarwin. Roteiro sem pé nem cabeça. Mickey Rourke fazendo o mesmo papel que fez em The Wrestler, só que com dentes de ouro, e mesmo assim hipermal aproveitado. Pepper completamente esquecida. Samuel L. Jackson como Nick Fury e a S. Johanssen como a sua ajudante (cujo nome não entendi) totalmente sem sentido, sem nenhuma explicação, background ou diálogos inteligentes. Nem vou comentar o cabelo efeito Jucileyde-que-usa-litros-de-leave-in-pra-realçar-os-cachos da coitada da Johanssen, que emagreceu mas continua com bundão. Don Cheadle desperdiçadíssimo. Sim, os efeitos especiais são foda (ele bêbado dançando de armadura é o ó, puro molejo), a armadura dele é tudo na vida e eu também quero, mas o filme é uma MERDA. Saí do cinema irritadíssima porque poderia ter sido um filmaço e não foi. Gostaria de saber que curso de merdificação de filmes esses diretores fazem antes de filmar os sequels, puta que me pariu.

carolinices e a era da pracinha

30 de abril de 2010

Carol anda uma ferinha. Aprendeu a subir na poltrona e nas cadeirinhas de plástico tamanho criança que ficam na varanda. Há semanas tenta pegar o paninho de pia Perfex-like, se esticando toda nas pontas dos pés. Começou a fase dos tantrums quando não consegue o que quer, e quase sempre tenho ataque de riso porque o beiço estica todo pra frente e com aquela cabelação toda a cara dela fica muito engraçada. Anda tentando se vestir sozinha, o que na verdade significa que ela pega qualquer coisa de tecido que vê pela frente, inclusive toalhas e tapetes, e bota na cabeça, puxando pra um lado e pro outro como se eventualmente a eventual gola do objeto fosse passar pela cabeça dela e ela acabasse vestida. Eventualmente. Tem dias que só come se for sozinha, logicamente fazendo uma lambança danada. Eu nem olho pra não ter um treco. Tem loucura por cachorro, porque quando vai pra Arianna aquele pamonha do Demo se joga no chão na frente dela pra ela ficar lá dando tapinhas nele, puxando as orelhas, coçando a barriga, puxando o pelo, beliscando as costas, então tenho que segurá-la toda vez que passa um cachorro na frente, pra ela não sair correndo atrás. Aprendeu a piscar o olho (leia-se fechar os dois olhos) quando a gente diz “pisca”, a esfregar a barriga quando eu digo “lava a barriga”, a botar a língua pra fora quando a gente diz “como a Virgola bebe água?”, a fazer sim com a cabeça. Conhece todos os seus livros preferidos pelo nome e vai lá pegar quando a gente pede. E por aí vai.

E com o tempo melhorando começou a era da pracinha. Aqui atrás de casa tem um parquinho, mas não rola. Porque fica nos fundos dos prédios desvalorizadores de bairro aqui do meu, uma espécie de conjunto habitacional quadradão estilo mussolínico, infelizmente habitado pela pior gente que há: os napolitanos. Desconfiei logo na primeira vez em que fomos lá: muitas, muitas crianças gordas, usando roupas cafonas, meninos pequenos de cabelo comprido, mães gritando nomes equivalentes aos Jennifers e Wellingtons brasileiros (uma desgraçada botou o nome de Illia no filho, pena de morte nela), crianças comendo bolinho Ana Maria tabajara do Lidl e jogando a embalagem no chão. E foi aí que comecei a ouvir o sotaque. Socorro. Logo depois houve um encontro de primeiro grau muito, muito estranho. Um menino lourinho de óculos fundo de garrafa, de uns oito, nove anos, se aproximou da Carolina, sorriu e PREPAROU UM CHUTE na direção dela. “Ma sei scemo?”, exclamei, “Tá maluco, meu filho?”. Olha a resposta do psicopatinha: “Quero que ela chore pra eu descrever suas lágrimas”. WTF??? “Faz isso de novo e você vai ver quem vai sair chorando, seu louco!”, gritei, e saí literalmente correndo.

Então passei a frequentar o parquinho atrás da escola primária, no centro da cidade. Outro nível, embora viva cheio de romenas perpetuamente grávidas e rodeadas de crianças ranhentas. De muçulmanas não vemos nem a cor, porque a coitadas não podem se dar ao luxo de ficar passeando por aí sozinhas, mostrando a figura na medina (vamos repetir o mantra “a religião é uma merdammmmmmmmm a religião é uma merdammmmmm”). Mas a maior parte é de italianas mesmo, coisa que pode ser vista pela qualidade das roupas das crianças, os carrinhos de marcas conhecidas e não genéricos de supermercado que parecem frágeis como se fossem feitos de canudos de plástico, pelos nomes normais dos pimpolhos, pela ausência de gritos histéricos e inúteis à distância típicos de mães que estão cagando pro que os filhos estão fazendo, porque quando você realmente está tentando educar seu filho vai lá e diz o que tem que dizer em vez de ficar berrando “Giovanniiiiiiiiiiiiiiiii” a três quilômetros de distância sabendo que o Giovanni vai cagar e andar e continuar batendo no coleguinha.

O parquinho é grande e vive entupido de crianças de todos os tamanhos, de modo que a Carol fica entretidíssima, andando feito uma barata tonta de lá pra cá, pegando folhas e pedrinhas que ela leva de um lugar pro outro, de olho na bola dos meninos, querendo pegar os parafusos (don’t ask) das bicicletas dos outros e molhar a mão na torneira de água potável perto dos bancos. Volta pra casa exausta e começa a beliscar o próprio pescoço (sinal de que está com sono) já às sete da noite. Ainda não conversei com nenhuma mãe porque ela ainda não interage com as outras crianças e fica perambulando sozinha, mas sei que daqui a pouco vai rolar. Por enquanto tá bom assim: queimo muitas calorias power walking até o parquinho, paro na Coop pra fazer compras se precisar, ela vai falando “boyoboyoboyoboyo”, “manhamanhmanhamanha”, “atcheatcheatcheatche” sem parar na volta, e chegamos em casa devidamente exercitadas.

sleeping 101

29 de abril de 2010

Tem gente que não sabe dormir. Não falo do ato de dormir em si, mas da técnica envolvida. Porque tudo nessa vida tem técnica, não é mesmo.

Quando acontece do Mirco capotar no sofá e não acordar de madrugada pra voltar pra cama, eu acordo, levanto, simplesmente puxo a ponta da coberta pro lugar e ecco, a cama está feita. Porque eu sou uma pessoa que tem técnica pra dormir, sabe. Quando mudo de posição, rolo por baixo da coberta, e não levando a coberta junto comigo, como faz o Mirco. Volta e meia acordo de madrugada porque fui mudar de posição e senti o contato direto com o edredom, porque o Mirco consegue desvincular totalmente o lençol de cobrir do edredom. A coisa me dá um nervoso sem precedentes, e lá vou eu sentar na cama e ajeitar as cobertas antes de voltar a dormir. Saco. Não precisa nem dizer que pela manhã a cama está um ninho de rato. Ódio.

Minha mãe também é assim. Quando levanta a impressão é a de estar em um quarto cheio de cobertas espalhadas por todos os lados, travesseiros e almofadas idem. Gente que não sabe dormir consegue criar a ilusão de bagunça infinita mesmo em cômodos espartanos; uma coberta amarfanhada fica parecendo dez, um travesseiro torto fica parecendo doze, e a aparência do quarto fica um horror.

Acho que vou começar a oferecer cursos. “Como dormir de modo a gastar 10 segundos pra fazer a cama no dia seguinte”. “Como rolar por baixo das cobertas e não com elas”. Será que cola?

odontoplebe

18 de abril de 2010

Meus queridos, meu dia chegou. Saí da reduzidíssima elite de indivíduos totalmente desprovidos de cáries desde o nascimento e entrei pra gigantesca torcida do Flamengo que é maioria cariada.

Eu não percebi nada. A coisa estranha é que não percebi nada. Quando vi, estava cariada. Fui percebendo uma sensação desagradável em algum dente inferior esquerdo, mas juro que não me toquei. Cansaço, estresse, sono atrasado, pegar no sono na cama ao lado da Carolina, com a mão dentro do berço pra ela deitar em cima e beliscar até dormir, ficando portanto várias horas depois do jantar sem escovar os dentes, you name it. O fato é que quando finalmente fui olhar dentro da boca com calma achei não uma cárie, mas uma CRATERA entre os dois últimos dentes (não sei nome de dente nenhum e nem pretendo pesquisar sobre o assunto, thank you). Dei um ataque: comé que eu não vi isso, gente? Cega! Anta! Desleixada! Sujona! Ca-ri-a-da!

Meu dentista, que tem agenesia de dois dentes da frente e portanto parece desleixado, sujão e desdentado, inspirando muito pouca confiança em quem não sabe da história, disse pra eu relaxar porque a maldita começou entre os dentes e por baixo, ou seja, ninguém, nem ele nem nenhum outro dentista e muito menos eu, teria notado a bichinha antes dela criar o dano gigante que causou. Porque, queridos, a minha estreia no mundo dos cariados não foi pra menos: a cratera quase chegou no nervo e havia risco de ter que desvitalizar o dente (!!!!!!!!!!!!!!!), e, pasmem, a cratera não estava sozinha! Havia outra cárie, praticamente gêmea, exatamente na mesma posição, mas na arcada superior. Essa era a irmã menor, digamos assim, felizmente.

Sei é que estou horrorizada. Toda vez que mastigo tenho a impressão que há buracos em todos os outros dentes da boca que a obturação vai explodir ou se desintegrar, que vou precisar de coisas cujos nomes sempre foram misteriosos pra mim – ponte, coroa, implante. Coisas de odontoplebe, sabe como é.

Não nasci pra ter doença nenhuma não, vou te contar.