perugia em guerra… tolinhos!

9 de maio de 2012

Acordei hoje de manhã com meu Facebook entupido de comentários dos meus ex-colegas de faculdade em Perugia, apavorados com a “guerrilha” que rolou ontem à noite na cidade.

Nós não frequentamos o centro histórico de Perugia há anos. Nos meus primórdios aqui no Zaire a gente ia bastante; às vezes ao cinema, às vezes só pra tomar um sorvete e dar uns rolés pelo Corso Vannucci (“Corso” é sempre uma rua de pedestres no centro histórico das cidades por aqui). No verão o Corso fica entupido de gente, jovens, velhos, casais com filhos, todo mundo subindo e descendo a rua, bem diversão de minhoca mesmo (“minhoca” sendo o termo que se refere ao pessoal “ali da terra” e que não tem nada de melhor pra fazer na vida a não ser desfilar, arrumadíssimos, pela rua principal). Ano passado fomos à Eurochocolate, um verdadeiro pesadelo, com Moreno, Marta e Petulla, que obviamente nunca tinha ido. Ao longo dos anos fomos notando que o público que frequentava o final do Corso (ou o começo, dependendo do ponto de vista), ali onde fica a famosa Fontana, considerada um dos mais belos chafarizes da Itália, estava ficando meio esquisito. A escadaria da igreja, bem em frente ao chafariz, ficava sempre povoada de “zeccheroni” (de “zecca”, carrapato, porque é gente que não toma banho) – ripongas, rastas, pseudopunks. Uma nuvem de maconha pairava no ar. E volta e meia ouvíamos histórias de brigas entre tunisianos e albaneses, rivais no tráfico de drogas que é muito intenso em Perugia, como em qualquer cidade universitária. Às segundas de manhã a escadaria acorda coberta de lixo e não é difícil encontrar seringas usadas. Não costumo ler jornais locais, mas às vezes ficávamos sabendo de bares depredados, brigas com gente que foi parar no hospital, vitrines quebradas e tal.

Pois ontem chegou a rolar tiroteio e uma pessoa foi esfaqueada. Quase todos os meus ex-colegas de faculdade estavam por ali, porque toda a vida social da cidade se dá no centro, e fiquei preocupada até ver que todos estavam bem, embora muito assustados. Nos comentários, muita gente comparando Perugia às favelas do Rio, de modo que achei que a coisa tinha sido realmente seríssima. Até que fui ver os vídeos do tiroteio que neguinho estava postando. Tipo esse.

Devo estar ficando surda e cega, mas não ouvi nenhum tiro nem vi nada de particularmente escabroso. Veja bem, não estou menosprezando o pânico das pessoas nem a preocupação dos habitantes, que estão gradualmente perdendo o centro histórico da cidade pros tunisianos e albaneses, estrangeiros que ninguém quer (nem eu). Eu já tenho pavor de gente gritando e ameaçando brigar, imagina ver, de verdade, uma pessoa ser esfaqueada na sua frente. Mas tenho a impressão que se o autor do artigo tivesse assistido a Tropa de Elite pensaria duas vezes antes de escrever “guerrilha”…

domenica linguistica

6 de maio de 2012

A palavra em português que faz falta em outras línguas do dia é: CAFONA (vai ter post sobre isso essa semana)

O false friend do dia é: INVESTIRE (em italiano quer dizer “atropelar”, além do normal “investir”)

A expressão maravilhosamente útil em italiano dia dia é: E MO’? (que pode ser “e agora?” ou “e aí?”, mais conhecido como “e o Kiko?”)

eu e os eosinófilos, os eosinófilos e eu

30 de abril de 2012

Aconteceu. Não é oficial, porque não fiz nenhum teste, mas os sintomas não deixam dúvidas: virei uma pessoa alérgica. Pior, uma alérgica pertencente à categoria de alérgicos que não sabem a que coisa são alérgicos. Sabe aquela pessoa que passa o dia espirrando, você pergunta se ela está resfriada e ela responde que não, é alérgica. Segue a pergunta óbvia, alérgica a quê?, e a pessoa responde “não sei o quê, sou só alérgica”. Essa sou eu.

Sempre detestei o assunto alergia. Detesto coisas idiotas, e alergia é uma reação exagerada – logo, idiota – do seu corpo a coisas que não fazem mal a uma imensa parcela da população. Nunca fui alérgica a nada na vida, mas aparentemente conforme a idade vai avançando, meu corpo vai me traindo mais e mais.

A primeira vez foi há mais ou menos um mês, quando fui visitar os pais da menina israelense da turma da Carol. Eles moram literalmente depois da casa do caralho, lá nas colinas; o lugar é deslumbrante, mas eu, que já tinha acordado com o nariz entupido e achei que fosse um início de gripe, fiquei com o nariz completamente tapado depois que cheguei lá. Pode ter sido qualquer coisa: ciprestes, feno, pólen, pois roça tem uma cacetada de alergênicos. Só comecei a pensar que pudesse ser alergia quando os olhos começaram a arder e quando vi que quando tentava assoar o nariz, não saía nada, ou seja, era um edema da mucosa e não produção excessiva de muco. Xinguei todos os meus eosinófilos, um por um, mas no dia seguinte passou e esqueci do assunto.

Ontem tive o mesmo problema, que pelo jeito vai continuar por um bom tempo porque hoje acordei toda entupida de novo. Só consigo desentupir o nariz com um remedinho da Vick que é viciante e desconfortável de usar, praticamente um jato de eucalipto narinas acima que ainda deixa um sabor residual na garganta. E os olhos estão ardendo de novo.

Alergia é uma coisa difusa por aqui. Não sei se tem a ver com o fato da exposição aos agentes alergênicos ser esporádica, porque é só nesse começo de primavera que as plantas produzem pólen feito doidas. Fato é que o negócio é tão sério que em alguns canais aparece, além do homem do tempo, o homem do pólen, que dá previsões “meteorológicas” específicas sobre a presença do pólen. Você olha o mapa da Itália, procura a sua região, lê a legenda e sabe se o lugar onde você mora vai estar entupido de pólen nos próximos dias ou não. Sempre achei isso divertidíssimo, embora entendendo perfeitamente a utilidade pra quem sofre de alergia crônica. Agora vou ter que passar a prestar atenção também. E vou ter que ir conversar com a substituta da minha médica vesguinha (é uma pediatra siberiana que está no lugar dela; já a conhecia porque o filho dela tem mais ou menos a idade da Carol e brincaram juntos algumas vezes no parquinho) pra ver o que ela pode me dar pra aliviar essa merda. Não dá pra ficar jogando eucalipto na fuça o dia inteiro e piscando os olhos como um recém-nascido pra espantar a ardência, e, pior, não dá pra viver com o nariz entupido, que acabei de decidir que é o sintoma mais irritante do mundo, dentre todos os que existem, junto com a coceira. Acho que nem vou fazer teste de nada porque as coisas que devem estar causando a minha alergia são inevitáveis – essa zona é cheia de ciprestes, tem feno em tudo que é lugar, as árvores TODAS jogam coisinhas alergênicas no ar – de modo que seria só por curiosidade mesmo. Vamos ver o que a siberiana vai dizer…

domenica linguistica

29 de abril de 2012

A palavra em português que faz falta em outras línguas do dia é: FRESCURA

O false friend do dia é: PALESTRA (em italiano quer dizer “academia de ginástica”)

A expressão maravilhosamente útil em italiano dia dia é: AMBARADAN (ou AMBARADAM), que significa confusão, monte de coisas. Tipo: “já resolvi todo aquele ambaradan, tá?, não precisa se preocupar”.

brinquedos

27 de abril de 2012

Entreter criança não é mole. Como diz a minha mãe, é mais cansativo que quebrar pedra. E isso porque a Carol é uma criança light, brinca bem sozinha por períodos de tempo admiráveis, tem boa capacidade de concentração e não precisa mudar de brincadeira a cada dez segundos, não é birrenta. Mesmo assim ficar enfurnada com ela em casa não é mole, e infelizmente esse ano foi cheio de dias de enfurnamento porque o tempo ficou uma merda por meses a fio. As alternativas não são muitas. Posso levá-la pra correr em algum lugar fechado, tipo o Ipercoop. Ou pra brincar num lugar como o Ramba Zamba (“como” não é o termo certo, já que só tem o Ramba Zamba num raio de muitos quilômetros quadrados), que é uma espécie de casa de festas que não abre só pra festa, digamos assim; tem brinquedão gigante, cama elástica e outras coisas maravilhosas cansadoras de criança, mas é carinho, não tem as fulaninhas que tomam conta das crianças, ou seja, tenho que ficar em pé na entrada dos brinquedões de olho nela, e ela fica brincando sozinha porque não conhece as outras crianças que estão lá e obviamente as crianças que a gente conhece não vão a lugar nenhum, nunca. Essas duas alternativas são altamente cansadoras, mas conseguir acertar o timing delas é meio complicado, como todo mundo que tem criança sabe: quando ela acorda depois do almoço tem que lanchar pra não ficar com fome na rua em horários esdrúxulos, e comer leva horas; troca de roupa, sai de casa, volta porque esqueceu o cachorro de pelúcia, prende na cadeirinha do carro, vai pra lá, solta da cadeirinha do carro, entra, ela fica tímida no início e perde uma meia hora colada na minha perna sem coragem de sair correndo, corre, brinca, cansa, e pouquíssimo tempo depois está na hora de voltar correndo pra casa pra ela jantar e tomar banho. É uma trabalheira danada pra pouco tempo efetivo de diversão. Então acabamos ficando em casa, muito frequentemente.

Em casa as alternativas são limitadas porque eu não sou uma mãe artista que fica inventando brinquedo do-it-yourself. Então ela pinta/desenha um pouco na mesa da sala, depois quer ler uma história, depois brinca na cozinha dela fazendo chá pra deus e o mundo, depois quer que eu fique tocando o pianinho de brinquedo enquanto ela dança vestida de Bela, e depois não tem mais nada pra fazer.

Entram os brinquedos da Orchard Toys.

Como muitas das coisas lindas da minha vida ultimamente, descobri na Amazon. Obviamente não lembro mais o que estava procurando, mas eles sugeriram esses brinquedos e fiquei apaixonada. Comprei logo um monte, que vou tirando do armário um a um conforme os outros vão cansando. Na verdade quando eu vou me cansando, porque ela ainda não aposentou nenhum definitivamente.

Os jogos são ótimos, inteligentes, pra criança realmente aprender brincando. Feitos no Reino Unido e não na China, o que por si só já conta pontos no meu score, são robustos, inclusive as caixas, porque pais não-chatos deixam a criança guardar os próprios brinquedos, o que significa que as caixas apanham bastante, coitadas. Bem coloridos, os desenhos são alegres mas não cafonas, as regras simples pra criança começar a aprender a seguir regras e entender o conceito de esperar a sua vez, enfim, maravilhosos.

Um dos preferidos da Carol é esse, o Dotty Dinosaurs.

Cada cartela é um dinossauro e tem dois lados, um com formas e outro com cores, pra duas brincadeiras diferentes. Tem dois dados, um pras formas e um pras cores; você escolhe o do jogo que quiser jogar. Por exemplo, se quisermos o jogo das cores deixamos os dinossauros com as cores viradas pra cima, jogamos o dado das cores, pegamos a cor que saiu no dado e colocamos no lugar no dinossauro. Uma espécie de bingo das cores, por assim dizer, e o mesmo com as formas. Quem completar o dinossauro primeiro é o vencedor. CLARO que o ideal é que várias crianças joguem juntas, mas mesmo só nós duas é divertido (pelo menos nas primeiras vinte vezes). Mas nessa ela aprendeu toda as formas, há muito tempo. E você pode brincar de falar as cores em outra língua, por exemplo.

O queridinho atual é o Spotty Dogs, pra aprender a contar.

Você roda a seta e vê o número que saiu. Por exemplo, se saiu o 3, tem que pegar uma carta com o cachorro que tem 3 pintinhas. Do outro lado da carta tem o desenho de uma caminha de cachorro, com 1, 2, 3 ou nenhum biscoito de ossinho. No final contam-se os ossinhos das cartas que cada um tem e quem tem mais ossinhos é o vencedor. Ainda tá cedo pra ela aprender a somar, lógico, mas ela adora contar e se diverte horrores.

Os quebra-cabeças deles também são geniais. Temos esse maior, o do avião, que ela AMA e já monta com o pé nas costas, e esse, menor, bom pra viajar e que ainda por cima tem dois lados, ou seja, dois em um. O legal é que tem tanta coisa interessante no desenho que dá margem a várias conversas. Que cor é o ônibus? Qual é o número da placa/do avião? Como se chama o moço que dirige o ônibus/avião? E a moça que tá na escada do avião pra receber os passageiros? O que a gente precisa mostrar pra moça pra poder entrar no avião? Pra onde você já viajou de avião? Que bichos você tá vendo no ônibus? Enfim, as possibilidades são infinitas. Pra não falar da facilidade de inventar histórias se baseando nos desenhos: era uma vez um macaco que dirigia um ônibus cheio de bichos…

Nem são tão caros assim, considerando quanto são bem feitos e quantas horas de distração (e aprendizado) oferecem. Sugiro altamente.

parabéns

17 de abril de 2012

pra mim. Hoje é o meu aniversário e blah blah blah.

Sem mais,

Leticia

quem sou eu? onde estou?

16 de abril de 2012

Me mudaram pra Suécia e não me avisaram?

Fui ao Ipercoop hoje aproveitar as promoções de primavera pra comprar plantas. Tinha um certo tempo que eu não ia porque tenho estado enrolada durante a semana e no fim de semana a coisa é inviável de tão lotada. Como a manhã hoje foi tranquila e às nove e meia eu já tinha feito ginástica, tomado banho, levado a Carol na escola e dado uma agilizada no almoço, resolvi dar um pulo por lá.

A primeira surpresa veio no carrinho, que estava com um pequeno suporte de plástico branco perto da barra onde seguramos. Minha primeira reação foi “Genial, botaram um porta-celular nos carrinhos!”, imediatamente seguida de “Anta, claro que não é pra celular, é pequeno demais pra um iPhone e grande demais pros telefones velhos que muita gente ainda usa, tipo Startac”. Entrei pronta pra perguntar o que diabos era aquilo, e qual não foi a minha surpresa ao encontrar um stand com duas mulherzinhas vestidas de amarelo bem na entrada do supermercado. Atrás delas, uma espécie de estante cheia de coisinhas parecidas com celulares. Pra variar, a maioria das pessoas passava batido; eu parei pra perguntar o que era. E o que era, senhoras e senhores, é uma das coisas mais lindas do mundo.

Trata-se de um leitor de código de barras portátil. Funciona assim: você chega no supermercado, passa o seu cartão fidelidade no leitor de código de barras fixo dessa espécie de estante, o sistema escolhe um leitor portátil pra você e acende uma luz verde embaixo dele pra você identificar qual é. Você vai lá, pega o bichinho, bota no suporte do seu carrinho e começa a fazer as suas compras. Cada coisa que você comprar você passa no leitor portátil antes de botar no carrinho. Quando você chega na caixa já está com todos os itens devidamente passados; só precisa apertar de novo o botão do leitor portátil pra ativar o laser, de modo que ele seja lido pela caixa self-service, e depois é só seguir as instruções na tela – usou alguma sacola de plástico ou não, confirmar o valor, forma de pagamento, senha do cartão se for cartão, enfiar o dinheiro se for cash. A maquininha cospe a nota fiscal, que você tem que passar num outro leitor de código de barras na saída, e pronto. CLARO que muita gente vai se enrolar e no começo vai acabar tendo fila do mesmo jeito enquanto o fulaninho procura o botão certo, cata o óculos no buraco negro da bolsa pra poder enxergar o display e coisa e tal, mas, caramba, cês tão entendendo o nível da revolução? Tão entendendo a magavilha que vai ser viver livre do medo de cair na caixa mais lerda do supermercado inteiro? Tão entendendo a coisa linda que vai ser depois que neguinho se acostumar e fizer o processo todo de olhos fechados, gastando tipo uns 30 segundos no total pra pagar as compras?

Pro mundo ficar perfeito agora só falta abolirem as zonas diferentes dos DVDs e todos os países passarem a utilizar exatamente o mesmo modelo de tomada.

furacão na política

10 de abril de 2012

Rapaz, o negócio tá pegando fogo aqui na Bota.

O causo é o seguinte: a Lega Nord é um partido de extrema direita xenófobo e católico (interessante como esses dois adjetivos frequentemente andam juntos…), que desde sempre deseja a separação da Padania – invenção deles, lógico; seria a área da Pianura Padana, ou Planície Padovana, uma grande área de planície ao redor da cidade de Pádua e irrigada pelo rio Po, que por sinal era um deus pagão – do resto da Itália. A cor da bandeira do partido é verde e os seus membros estão sempre usando alguma coisa verde na roupa – gravata, lenço no bolso etc. A quantidade de energúmenos desse partido é uma coisa impressionante, lógico. E o chefe-mor o partido é, desde sempre, Umberto Bossi, chamado “il Senatur” (“o Senador” em dialeto lombardo), membro do altíssimo escalão da política italiana. Que sofreu um AVE há alguns anos que o deixou com algumas sequelas, inclusive com problemas pra falar, mas que não larga o osso nem fodendo.

A família Bossi meio que comanda o batatal lá no norte. A mulher dele é vice-presidente do Senado (acabou de renunciar…), além de aparentemente mandar no marido lá das coxias. E já tem um tempinho que o Umberto começou a enfiar o filho, Renzo, na política. O apelido do filho é “il Trota”, “o Truta”, nunca tentei me informar sobre o motivo mas a cara de peixe morto poderia ser uma boa justificativa, quê que vocês acham?

(na foto, il Trota e o pai, provavelmente cantando o hino da Padania ou coisa assim)

Pra dar uma ideia do quão ridícula é a coisa, há um tempo atrás rolou uma polêmica eLorme porque o Bossi falou em uns comícios dizendo que se recusava a cantar o hino italiano porque há um verso que diz “escrava de Roma [a Itália]/Deus a criou”, enquanto que o norte se recusa a obedecer a Roma. Então tá.

Enfim. Essa semana o Bossi pai renunciou à sua posição de presidente da Lega Nord por causa de uma história de desvio de verbas. Ficou-se sabendo que sei lá quem estava pagando as reformas da casa da família Bossi, uma megamansão, e a resposta do Bossi pai? “A gente não sabia de nada”. Aliás, essa é uma desculpa que anda na moda aqui ultimamente; um figurão da máfia pagava o aluguel de um apartamento em Roma, com vista pro Coliseu, pra um político famoso, e ele respondeu que não sabia da nada. Hilário. Mas então; a secretária do Bossi pai já prestou depoimento falando que é claro que a família sabia de tudo, que recebia dinheiro de um monte de gente em troca de favores políticos, que usava os fundos que o governo dá aos partidos pra pagar as despesas da família, pra investir em contas em Chipre e na Noruega e coisa e tal. Neguinho começou a fazer pressão e ele renunciou.

Aí agora começam a aparecer os mil podres do filho, esse sem queixo com cara de banana. O garoto, que acabou de renunciar ao cargo de Conselheiro Regional da Lombardia (whatever) com a desculpa oficial de que “cansou da coisa”, apesar do salário mais alto do que o de um parlamentar europeu, é uma anta. Mas anta, anta, anta mesmo. Repetiu de ano duas vezes na escola e parece que o diploma que ele finalmente conseguiu ou é falso ou foi comprado. Agora o seu motorista particular prestou depoimento e soltou inclusive um vídeo no qual il Trota aparece contando dinheiro, o que deveria ser verba pra administração do partido mas que ele gastava como queria.

Tá pensando que essa casa da mãe Joana na política é só no Brasil, bem? Né não…

Pra quem quiser mais detalhes, há uma lista dos artigos recentes sobre o assunto (em italiano) aqui.

olá, bom dia, tudo bem? – só sir david salva

4 de abril de 2012

Fiquei longe por problemas logísticos mas já vortei.

Viciei todo mundo aqui em documentários aqui em casa. Sempre adorei, mas vamos combinar que em Blu-ray são outros quinhentos, de modo que só comecei a comprá-los recentemente. O Mirco viciou, embora não entenda tudo porque só compro em inglês, e ainda bota toda vez que vem alguém comer aqui em casa.

O negócio começou inocentemente, com o Human Planet, que descobri na Amazon através de um link do preview no YouTube que alguém postou no Facebook (já nem sei mais quem amaldiçoar nessa história, pois o fato é que esse episódio iniciou uma bola de neve de esvaziamento de conta corrente).

Se você ainda não viu, interrompa o que quer que você estiver fazendo agora e vá comprar. AGORA.

Mais recentemente saiu o amiguinho dele, o Frozen Planet, que também é maravilhoso.

E acabei comprando também esse, esse, esse, esse, esse, esse

O que a maioria desses DVDs têm em comum é a narração, quando não a apresentação, de Sir David Attenborough, que é a coisa mais fofa do universo. Outra característica de todos esses é que a qualidade das imagens, feitas com novas técnicas de filmagem, é de assustar, de babar, de ajoelhar e chorar de emoção. E outra ainda é que estão muito longe de serem os clássicos documentários com guepardo caçando/urso polar fofinho/pinguim rebolando/camaleão mudando de cor. Tem tudo isso, sim, mas de um jeito diferente de tudo o que você já viu, sob um enfoque muito diferente, com várias coisas nunca captadas em filme antes, comportamentos bizarros antes desconhecidos e coisa e tal. Eu já vi todos várias vezes e nunca me canso. O Human Planet, em particular, que fala de gente e não de bicho ou planta, é absolutamente sensacional. Aqui em casa usamos como educador dos nossos amigos “pangarés”, como diz a Fabiola, que nada sabem de coisa nenhuma, pra mostrar que em outros lugares do mundo as pessoas vivem de maneiras radicalmente diferentes do que nós estamos acostumados, e passam muito bem, obrigada.

Falando de seres humanos, tenho esse aqui também (ainda não tinha em Blu-ray quando comprei), que é antigo mas BEM interessante. Uma senhora aula de história bem diferente do que estamos acostumados a ver, com enfoque na arte. E esse outro, que fala dos primórdios da civilização, também muito bom.

Criamos uma nova rotina, eu e a Carol: a soneca depois do almoço não é mais na cama, até porque normalmente eu vou pro escritório onde ela dorme, pra trabalhar enquanto ela tira a sonequinha dela. Deitamos no sofá da sala – ela em cima de mim; ainda bem que é magrela – e botamos um documentário qualquer. Ela consegue ver uns 10 minutos e depois capota (um dia vou entender por qual motivo a soneca da tarde é tão simples e o sono à noite tão complicado); eu vejo o resto do episódio, levanto com cuidado, boto uma cadeira colada no sofá pra ela não cair e vou trabalhar. Adoro.

carolinices

16 de março de 2012

- Mamãe, não quero mais usar fralda pra dormir não.
- Ah não?
- Não. Porque não dá pra coçar a bunda de fralda.

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- Amanhã, quando eu ficar grande, vai crescer um rabo de sereia em mim.

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- O Cristian é muito chato.
- Por quê, Carol?
- Porque ele me machucou aqui na minha ganganta.

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- Hoje eu não quero botar o jaleco.
- Ué, por quê?
- Porque esse casaco que eu estou usando é muito lindo e eu não quero tirar.

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Três e meia da manhã.
- Mamãe… Viu que tá tudo molhado aqui?
(tinha feito xixi na cama)

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- Eu quero ir de Crocs pra escola hoje.
- Mas esse tá ficando apertado, não dá pra usar de meia, Carol. E ainda não tá calor o suficiente pra andar por aí sem meia.
- Então eu quero levar na mão.
- E vai botar onde? Não dá pra levar pra sala de aula.
- Eu boto no bolso do jaleco.

Detalhe: o bolso é microscópico.