Merda de gripe desgraçada.
da gorditude da alma
13 de janeiro de 2012Continuando o assunto de ontem, hoje quero filosofar um pouco.
Todo gordo é infeliz por ser gordo e gostaria de ser magro. Se um gordo vier dizer pra você que está ok com o seu corpo, não acredite. É mentira. Ninguém, por mais hippie que seja, passa incólume pelo bombardeio antigordo, pró-magreza que há anos reina na nossa sociedade. Teria que ter um sangue de barata que nem um psicopata tem; não acredite.
Logo, todo gordo gostaria de ser magro. Mas esse ano (2011) eu me dei conta de que a ambição número 1 do gordo não é ser magro, é se libertar da alma gorda, da escravidão da comida e do trabalhão que dá perder peso. Só que eu não tinha organizado isso direito na minha cabeça. Só fui pensar seriamente no assunto quando li esse livro da Geneen Roth.
A história dela é mais ou menos a seguinte: depois de uns 30 anos de altos e baixos de peso, alternando dietas e pés na jaca, ela decidiu que não queria nunca mais fazer regime na vida, não aguentava mais. Passou um mês à base de cookies, só cookies, que era o que ela tinha vontade de comer. Engordou um pouco, mas não tanto quanto ela imaginava que teria engordado. Depois de um tempo ela viu que cookie não era uma comida mágica que resolvia todos os problemas do mundo enquanto era comido; a vontade de comer cookies passou e ela pulou pra outras comidas, cada vez mais saudáveis, até que se estabilizou no peso saudável dela (não o peso ideal no sentido de caber naquela calça que ela usava quando tinha 15 anos; um peso em que ela estava saudável e não precisava se esforçar pra manter). E então ela começou a desenvolver uma teoria sobre o ganho de peso, no caso das pessoas com compulsão alimentar: é a restrição que leva ao comportamento de binge eating (o pé na jaca). Na verdade nada mais é do que aquela velha história da grama do vizinho, do fruto proibido e tal. Tudo o que é proibido ganha, aos nossos olhos, um valor que na verdade não tem. Quando a sua dieta proíbe cookie, em um dia de leve descontrole emocional a primeira coisa que você vai ter vontade de comer é cookie, desesperadamente, como se comer um cookie resolvesse todos os problemas da sua vida no instante em que você está comendo o bichinho, e você vai comer todos os cookies que estiverem na sua frente, até vomitar. Pelo mesmo mecanismo, quando você decide que vai começar a dieta na segunda, no domingo você come feito um javali, como se pudesse estocar o prazer de comer pra usar durante a dieta, onde prazer não há.
Eu chorei rios lendo o livro, porque só um comedor compulsivo entende as maluquices de outro comedor compulsivo. Eu já fui pra garagem comer sorvete escondido da faxineira. Uma leitora da Geneen jogou fora um pacote de biscoitos mas voltou no outro dia pra pegar o pacote do lixo – detalhe, havia chovido durante a noite, então estava tudo ensopado e murcho – e comeu. O gordo come escondido de todo mundo, inclusive de si mesmo. O gordo perde horas planejando as escapadas, que desculpas vai dar pra se esconder num canto pra comer, as oportunidades de comer isso ou aquilo quando for aqui ou acolá, quando sabe que vai viajar fica semanas sonhando com as comidas que vai comer, fica nervoso quando tem comida proibida perto mas outras pessoas também, de modo que não pode cair de boca mas tem que esperar o pessoal sair, e, pior do que tudo isso, perde horas se sentindo o cocô do cavalo do bandido depois de ter comido o que não devia. Como me disse uma amiga, isso não é vida! Essa escravidão tanto da comida quanto da tristeza por comer demais é absolutamente terrível, desgastante. Desgastante. É uma coisa que consome uma quantidade enorme de tempo e de energia. É horrível, e é disso que o gordo quer fugir. O gordo quer usar o seu tempo e a sua energia pra fazer outras coisas que não comer, sonhar com comida, se sentir mal porque comeu, planejar as começões desenfreadas, planejar as desculpas, planejar a dieta, pesar comida, comer a comida que deve comer enquanto sonha com a que gostaria de comer. Porque, muito simplesmente, há coisas melhores pra se fazer na vida.
Por isso a técnica da Geneen envolve, entre muitas outras coisas, legalizar todas as comidas. Ela diz que quando fala isso nos workshops que organiza pra comedores compulsivos as pessoas entram em pânico. Como assim, elas se perguntam, como assim não existem comidas proibidas? Como assim, posso comer o que quiser? Eu vou comer até morrer! Não posso!
Pode, diz a Geneen. Um dos exercícios que ela dá consiste na pessoa comer uma comida que não come há anos porque é considerada proibida. Sei lá, um Cinnabon, por exemplo, aquela coisa medonha que americano adora e que tem mais calorias do que todas as refeições que um etíope come em um mês inteiro. Aí a mulher, que sonha com Cinnabon há anos mas há anos se proibiu de comer porque engorda pra cacete, a mulher que passa na frente da loja de Cinnabon quase chorando, sentindo o cheiro, a mulher que diz não quando alguém lhe oferece um Cinnabon mas só às custas de muita, muita disciplina, essa mulher vai lá e compra o Cinnabon, senta à mesa, se concentra pra curtir o momento, dá uma mordida… E não acha muita graça. Normalmente essas comidas proibidas acabam sendo muito menos gostosas do que a gente imaginava, pelo simples fato de que era a proibição que a tornava tão deliciosa na nossa imaginação.
Outras coisas importantes: só comer sentada, sem nenhum estímulo externo (TV, livro, música, computador etc), pra você realmente apreciar o que está comendo (pra mim essa é uma das coisas mais difíceis); treinar o cérebro a não desviar o olhar nem lançar desaforos quando se olhar pelada no espelho, um pouquinho a cada dia (essa, então, é impossível); aprender a diferenciar fome de craving (segundo ela, as pessoas nos workshops começam a rir quando ela diz isso, porque não sentem fome há anos, visto que passam o dia inteiro comendo) e a só comer quando se está com fome; só comer até a fome passar; e, o pulo do gato, quando estiver com fome, parar, pensar, definir EXATAMENTE o que você quer comer naquele momento, e comê-lo. Acordou de manhã morrendo de fome, parou pra pensar e decidiu que quer sorvete? Come sorvete. Ou frango assado? Come frango assado. Ou cookie? Come cookie. O lance, segundo ela, é comer sempre exatamente o que você está com vontade de comer, porque senão acontece o que eu sei que acontece mesmo porque comigo rola toda hora: você come o que sabe que DEVE comer e depois, não conseguindo tirar a comida desejada da cabeça, come a comida desejada TAMBÉM, cheia de culpa.
O livro tem um monte de exercícios e é muito interessante, e os depoimentos de outras pessoas com o mesmo distúrbio é muito reconfortante, porque você entende que a sua maluquice não é só sua, ou seja, não é maluquice, é uma doença propriamente dita. Não tem cura, porque é que nem alcoolismo e dependência de drogas ou jogo ou qualquer outra coisa: você pode nunca mais botar uma gota de álcool na boca, mas vai sempre continuar a ser alcoólatra, pois vai ter que passar a vida se controlando pra nunca mais botar a tal gota na boca. Não existe ex-alcoólatra, não existe ex-drogado, não existe ex-gordo. Existe alcoólatra controlado, drogado controlado, gordo controlado. Mas o controle é possível, pelo menos segundo a Geneen – e também segundo a dieta low-carb high-fat que a Maria mencionou, porque as gorduras boas mantêm os cravings sob controle. Teoricamente. Vamos ver qual caminho vai ser melhor pra mim.
gorda, sim, mas intelectual
12 de janeiro de 2012Cara, juro que eu acredito que há poucas coisas piores na vida do que ser gordo. Porque logicamente você vai querer deixar de ser gordo, e a quantidade de informação discordante sobre o assunto é apavorante.
Estou quase no fim da Fase 1 da South Beach Diet. A Fase 1 são duas semanas muito hardcore de proteína, verduras e poucas gorduras boas. Nada de fruta (amém), nada de amido. Fica um tédio só, até porque estou combinando com a dieta da psoríase, então a lista das coisas que eu POSSO comer tem assim uns quatro itens. Saco.
A teoria é meio doida: você tem que ficar um tempo sem comer starches (amidos, que são os carboidratos do mal) pra poder perder a vontade de comer starches. Mas pra você conseguir ficar sem comer starches tem que superar a vontade de comer starches. Entendeu o horror de ser gordo?
Teoricamente a coisa funciona e depois de um certo tempo os cravings (aqueles desejos incontroláveis de comer uma coisa específica, que parece que se você não conseguir comer vai sair matando gente a paulada na rua) desaparecem. Estou esperando até agora. Não estou seguindo as receitas do livro porque eu teria que substituir tantos ingredientes por causa da psoríase que no final das contas saiu mais em conta eu só levar em consideração a lista das comidas permitidas, riscando as que não posso comer pela psoríase e inventando o que quiser com as outras. Posso ser sincera? Não estou sem energia, não me sinto fraca, não fico com mais ou menos fome (até porque o meu problema não é fome). Mas estou esperando até agora que passem os cravings.
Depois de uma reclamação no Facebook, a Maria foi lá dar uns pitacos no que virou uma longa conversa entre nós duas sobre esse lance da comida. Ela está vivendo sem amido há dois anos e achando tudo um mar de rosas; eu choro só de pensar na ideia. Mas como ela já está supersafa nesse jeito de comer, levei a sério a opinião dela: ainda estou com cravings porque não estou comendo gordura o suficiente. Não sou vidrada em azeite; como, mas regar comida com azeite pra mim não melhora tanto assim o gosto se eu já não for muito chegada na coisa to start with. Tenho pavor de abacate, infelizmente, porque é considerado superfood e tem gorduras de ótima qualidade. Não posso exagerar nas frutas secas, porque, sim, têm gorduras boas, mas também têm carbs. PUTA QUE ME PARIU! Daqui a pouco a gente vai ter que fazer que nem aquela fulana que falava que vivia de luz. Afe!
Bom, oficialmente a Fase 1 termina no domingo, e a partir daí posso começar a introduzir starches gradualmente e em pequenas quantidades. Mas, como eu já disse antes, as farinhas são um poderoso gatilho de começão desenfreada, então vou tentar ficar sem. Batata não pode pela dieta da psoríase. Sobra o arroz, que segundo a Maria eu deveria abandonar também, mas, caramba, que vida triste é a vida sem arroz! Eu prefiro macarrão a arroz, então talvez tente usar massa de arroz, sem glúten, mas um franguinho ao curry com um arroz esperto é tudo de bom, e sem o arroz esperto pra absorver o molhinho o bicho fica sem graça que dói. De modo que ainda vou pensar no assunto e decidir se abandono totalmente ou não todos os carboidratos que não vierem de verduras. De qualquer maneira, a minha resolução pra próxima semana vai ser desencalhar os sopões com leguminosas que tenho congelados, dando como janta pro Mirco e pra Carol, e fazer um novo sopão só de verduras pra tomar inclusive como lanche ou pra quando bater o comedor, pelo menos entope logo o estômago e não dá pra comer mais nada nem querendo.
A Maria me deu esse link aqui, que ainda não explorei por inteiro, mas já achei um mundo de coisas interessantes nesse post aqui. Lá no final ele fala de como exercícios que trabalham mais de um grupo muscular ao mesmo tempo são mais eficientes porque liberam mais hormônios blah blah blah Whiskas sachê (vão lá ler, eu já comprei o livro e depois faço um review aqui), e lembrei que o programa de musculação da Chalene, o ChaLEAN Extreme (ignore o trocadilho pelamordedarwin), funciona assim, embora eu não acredite que ela tenha desenvolvido o programa com esse propósito específico em mente, porque não tem nada disso escrito em lugar nenhum do livro que vem com o programa. O fato é que o ChaLEAN Extreme (CLX pros íntimos) funciona de verdade; pegar peso é um saco e a terceira fase do programa tem umas combinações de movimentos doidas que gordo não consegue fazer, tipo plank position com triceps extension, hello?, então larguei. Agora estou fazendo Turbo Fire, que eu AMO e pretendo completar direito, pra depois fazer a versão híbrida TF + CLX. Segundo o autor do livro que o dono do blog mencionou, quem vai me fazer emagrecer é o CLX e não o superaeróbico e anaeróbico TF. Staremo a vedere.
Aí, nos reviews da Amazon, que atualmente são a minha mais importante fonte de informação sobre absolutamente tudo, apareceu alguém criticando o tal livro e mencionando o famosérrimo The China Study, que eu já quase comprei mas desisti. E logo depois apareceu alguém dizendo que o China Study já foi jogado pra escanteio pela autora de Wheat Belly (olha o trigo dando o ar da graça maléfica aí de novo). Só nessas horinhas pesquisando essas coisas rapidamente eu já aprendi uma tonelada de coisas.
Eu não sou, definitivamente, intolerante ao glúten, mas essas quase duas semanas sem já deram uma melhorada bem significativa na coceira do couro cabeludo e das pernas, as escamas do couro cabeludo diminuíram de tamanho e agora parecem “só” uma caspa mesmo (antes saía cada pedaço de pele do tamanho da unha do meu mindinho), o interior das orelhas não está mais parecendo pele escaldada. Uma conhecida do meu irmão se curou da psoríase eliminando o glúten. Então acho que vou tentar seguir por esse caminho, embora eu ache que não seja capaz de viver sem amido que nem a Maria. Tenho a impressão que vou acabar ficando com os grãos alcalinizantes da dieta da psoríase (quinoa, milhete e amaranto) e, se der, um arrozinho de vez em quando pra eu não morrer de tédio.
Amanhã vou falar de não-dieta, senão esse post aqui vai ficar comprido demais e vocês vão acabar me mandando praquele lugar.
Beijomeliga.
para todo mal há multa
11 de janeiro de 2012Foi só eu falar que nunca tinha sido multada e pronto, fui.
Hoje foi uma manhã atarefadíssima: deixei a Carol na escola, fui aos correios pagar uma conta pro Mirco, fui à acupuntura em Perugia, de lá fui direto pra Assis pro Commissariato pedir informações sobre a renovação do meu permesso di soggiorno, passei na livraria pra pegar a primeira impressão-teste (não sei como se chama isso em português) de um livro que eu traduzi pra fazer as últimas correções e estava voltando pra casa, apertadíssima pra fazer xixi, quando fui parada pela polícia. Me pegaram com o radar a laser.
Eu estava vindo pela Via Campiglione, “il Campiglione” para os íntimos, uma estrada que sai lá do meio do monte onde fica Assis e vai direto pra Bastia sem passar por Santa Maria. Saindo daqui pra Assis a vista da Basílica é linda, dos fundos, que normalmente não é a parte mais fotografada. Vindo de Assis pra Bastia, primeiro tem uma ladeira em descida (lógico, porque Assis fica no alto e Bastia na fundo do vale) em meio a oliveiras e vinhedos, que depois vira um retão, e só lá pra frente é que aparecem algumas casas e hotéis. Não entendo o limite de velocidade de 50 km/h, porque apesar de ter casas e hotéis eu NUNCA vi ninguém andando a pé por ali, porque não tem comércio nenhum a não ser uma loja de material de construção. Mas sempre respeitei. Hoje, apertadíssima e com pressa de começar a preparar o almoço antes de sair de novo, dali a 20 minutos, pra pegar a Carol, peguei meio pesado. A guarda fez sinal com aquela plaquinha vermelha, dei a seta e encostei.
- Bom dia.
- Documentos, por favor.
- Aqui estão.
- A senhora estava indo a 74, o limite é 50.
- Ui. Peço desculpas.
Ela ficou desconcertada.
- Infelizmente vou ter que multá-la.
- Claro!
- São 150 euros e três pontos da carteira.
- Paciência, quem mandou superar o limite.
Ela ficou parada olhando pra minha cara.
- Eu achei que o limite de 50 começasse um pouco mais à frente, mais perto dos hotéis.
- Não, é lá atrás, tem placa.
- Não vi, estava concentrada em chegar logo em casa pra fazer xixi.
- Bom, vou ali com o meu colega preencher a notificação, ok?
- Ok.
Lembrei que o endereço na minha carteira ainda é aquele antigo, de Cipresso, e fui lá avisar a eles.
- O boleto pra pagar chega em casa?
- Não, senhora, vou preencher agora pra senhora.
- Ok.
- A senhora tem 30 dias pra reclamar.
- Reclamar do quê? Era eu quem estava dirigindo, a placa está lá, fui eu que não vi. Errei, fazer o quê. Pago hoje mesmo pela Internet.
O policial começou a rir.
- Esse bom senso da senhora anda em falta na Itália…
- Ahá, mas eu não sou italiana, seu pulissa… Aliás, falando em bom senso, cês podiam dar uma apertada no pessoal que estaciona igual à cara deles, que tal?
- Pra multar todo mundo que estaciona errado a gente precisaria praticamente de um policial pra cada cidadão…
E foi assim que ganhei a minha primeira multa por infração de verdade desde que comecei a dirigir. Paciência.
as novidades, essas desconhecidas
9 de janeiro de 2012Que os italianos são resistentes às novidades vocês estão carecas de saber. A fila pra pagar pedágio em dinheiro com o hominho dando troco é muito mais longa do que a fila pra pagar com cartão de crédito, porque até hoje neguinho tem medo de cartão. Os internautas italianos são pouquíssimos e não compram quase nada online. Quando preenchi o formulário do censo online pra minha vizinha ela ficou me olhando com dois zoião como se eu fosse um E.T.. Então as novidades introduzidas pelo novo governo na tentativa de dar uma esquentada nas vendas foram uma paulada na cabeça da galera.
O negócio é o seguinte: liberou geral, não há mais horários fixos pra abrir lojas e supermercados, cada um abre quando quer, cagando solenemente pra domingos e feriados, comme il faut. Uhu. Pro consumidor é uma maravilha, porque quem antes precisava sair correndo pra fazer compras na hora do almoço (isso recentemente, hein, porque quando eu cheguei aqui os supermercados ainda fechavam pro almoço) porque é o único horário em que dá, agora vai ter sempre um lugar que abre até, sei lá, meia-noite. Aqui há uns poucos anos um supermercado, caro e feio, pertinho da casa da minha sogra, passou a abrir aos domingos: vive absolutamente lotado, e não só de turistas (fica perto da estação). Obviamente depois desse outros passaram a abrir também, senão faliam. Hoje praticamente todos os supermercados da zona abrem aos domingos – e tem SEMPRE gente.
O engraçado é o tom das reclamações dos pequenos comerciantes. Porque é lógico que os grandes supermercados e shoppings e lojas famosas vão ter muito mais facilidade em abrir em horários, digamos, não convencionais, então pode ser que um dia uma determinada mercearia perca o meu dinheiro porque eu acabe indo a um grande supermercado aberto num domingo, por exemplo, quando não tiver tempo de ir à mercearia no horário bizarro em que eles abrem. Essa reação eu entendo, mais ou menos. Mas, como disse um espectador no rádio outro dia, em resposta a um comerciante que se queixava exatamente disso: CONTRATA ALGUÉM, CACETE!
Porque como eu já expliquei antes, a IMENSA maioria das empresas italianas é de “conduzione familiare”, ou seja, só os membros da família trabalham nelas. E o maior protesto desses microempresários, pasmem, é que se, por exemplo, passarem a abrir na hora do almoço, a família não vai mais poder almoçar toda junta.
HELLO?
Eu acho isso absolutamente hilário. Lembro que uma vez, comentando com alguém a estupidez do BANCO fechar na hora do almoço, esse alguém me respondeu que os bancários também têm direito a almoçar.
HELLO? Rotação, anyone? Você vai almoçar e eu fico na caixa, depois vou eu e você fica? Lembro que esse alguém ficou pasmo com essa tática revolucionária de recursos humanos que eu descrevi. Simplesmente nunca passa pela cabeça das pessoas que é possível se alternar no trabalho. Porque, sabe, o horário de almoço é 13:30, quem é que vai querer almoçar antes ou depois disso, né, destrói a sua vida almoçar meia hora antes ou depois. Ó céus.
A mesma coisa acontece com o almoço em família. Porque requentar comida é heresia na Itália, logo a mamãe escrava tem que ficar de plantão na cozinha pros feitores machos comerem o macarrão escorrido há 2,8 segundos, senão passa do ponto. Então nem pensar botar o filhinho feitor pra almoçar macarrão requentado uma hora depois, enquanto o papai feitor volta pra loja. A sociedade italiana vai se desintegrar se todos os membros não almoçarem mais juntos, sem trocar uma palavra enquanto assistem ao TG1 dizendo o que a porra do papa comeu no café da manhã, ou então falando animadamente de temas relevantes como o novo carro do vizinho ou quem casou com quem e quantos primeiros pratos serviram na festa do casamento. Por isso a liberalização foi uma péssima ideia, porque vai acabar com o núcleo básico da sociedade italiana, que é a família. Afe!
CONTRATA UM FULANO, cruzes! Eu sei que manter um funcionário custa muito dinheiro – as despesas de impostos que o Mirco tem com INPS são absurdas, por exemplo – mas, cara, não tem tu, vai tu mermo, né não? Aliás, acredito que um dos objetivos dessa liberalização tenha sido justamente esse, ver se neguinho começa a empregar pessoas pra poder ficar aberto em horários adicionais, gerando empregos. Um outro ouvinte que mora em Londres comentou isso, que nas grandes cidades europeias normais, ou seja, não italianas, ainda existem muitíssimas pequenas lojas e mercados nos quais ou tem gente contratada trabalhando ou tem os membros da família se alternando nos turnos, o que é absolutamente normal, vamos combinar. Ninguém fechou nada e todo mundo trabalha e ganha o seu pãozinho. E o consumidor não fica desesperado procurando uma dúzia de ovos às dez da noite sem encontrar. Civilização é isso aí.
domenica linguistica
8 de janeiro de 2012A palavra em português que faz falta em outras línguas do dia é: CHULÉ
O false friend do dia é: GALERA (em italiano quer dizer “prisão”)
A expressão maravilhosamente útil em italiano dia dia é: MA VA’ A MORI’ AMMAZZATO! (literalmente, vai morrer de morte matada!)
o maior defeito italiano
5 de janeiro de 2012(Não, não é falar gritando, que pra mim é gravíssimo).
Eu falei outro dia que o governo tá caindo matando em cima dos sonegadores de impostos. Aí resolveram dar uma blitz em Cortina d’Ampezzo, cidade de montanha famosa pelos VIPs e ricaços que frequentam a sua estação de esqui. Como sempre, havia muitos políticos e artistas. E choveram multas. Um cliente do Mirco estava lá e disse que viu oficiais da Guardia di Finanza de butuca na porta de joalherias e lojas de casacos de pele; o freguês que saía da loja com sacola na mão era parado imediatamente, tinha que mostrar os documentos, que depois serão usados pra cruzar os dados do valor da compra e da renda declarada pra ver se são compatíveis, e a nota fiscal.
Um dos personagens políticos mais odiosos da Itália, a plastificadérrima Santanché, reclamou, junto com muitos outros políticos, dizendo que essa blitz foi muito discriminatória, feita em Cortina “só porque é uma cidade rica” (maddai?), que foi uma coisa arbitrária e coisa e tal (provavelmente deve ter falado que foi coisa de comunista também, não sei), que prejudica o turismo da cidade e consequentemente a economia local. Ao que o responsável pela operação respondeu: imagina, nós fizemos foi muito bem à economia local, visto que o faturamento registrado foi 300% maior do que no mesmo dia no ano passado… Hohoho! (Claro, todo mundo que nunca bate nota fiscal começou a bater com medo de ser pego pela Finanza). Morri de rir.
Mas esse é um bom exemplo do que eu considero o maior defeito italiano: a mania de ficar puto da vida quando está errado. Cara, que ódio que isso me dá, vocês não têm noção! É o que acontece no trânsito, toda hora: o cara encosta o carro todo torto na baia do ônibus pra mulher descer pra comprar jornal na banca, o ônibus quer encostar no ponto e não pode, buzina, e o desgraçado no volante ainda fica puto! Bota a mãozinha pra fora, Italian-style, e pergunta “ma che cazzo vuoi?”. Como assimmmmmm? Tá errado, bota o rabo entre as pernas e cala a boca!
Uma vez, na nossa pizzaria preferida, entrou um fulano todo esbaforido avisando que tinha um guarda multando os carros estacionados na calçada. Veja bem, estamos falando de uma cidade com 15.000 habitantes, com um único sinal de trânsito, engarrafamento zero, nenhum problema pra estacionar o carro, mas TODO MUNDO prefere estacionar em lugar proibido só pra não ter que caminhar duzentos metros se parar um pouco mais longe. Então o guarda tava passando dando canetada na galera. Saiu todo mundo correndo da pizzaria pra tirar o carro da calçada – cena mais ridícula é difícil de imaginar – enquanto nós, que tínhamos parado meio longe mas logicamente em vaga permitida, ficamos lá rindo e comendo nossas pizzas quentinhas. Gradualmente o povo começou a voltar pras suas pizzas já frias, e de repente entra um muito puto da vida, as jugulares pulando, os amigos segurando, querendo brigar com o guarda porque ele não apitou antes de multar? Hein? Peraí, então o guarda tem que avisar antes de multar pra você ter tempo de tirar o carro? E você que estava com o carro EM CIMA DA PORRA DA CALçADA se acha no direito de ficar puto com o que quer que seja? Caraca, que raiva. Se eu tivesse um cacetete tinha ido lá dar umas porradas no cara. Vai ser incivil assim na China, putz!
Até hoje só levei uma multa, por estacionamento. O negócio é o seguinte: aqui as vagas sinalizadas com faixas azuis são a pagamento, e as brancas são gratuitas. Um dia estacionei na ruazinha em frente ao supermercado, numa vaga onde sempre parávamos quando íamos ao cinema em Bastia (hoje em dia moramos mais perto e vamos de bicicleta). Como depois das oito da noite não se paga pra estacionar nem nas vagas azuis, a gente parava o carro e ia embora, sem nem olhar pro parquímetro nem pra cor das faixas no chão, então eu simplesmente nunca tinha percebido que a tal da vaga era azul. No dia em que fui ao supermercado parei o carro e fui-me embora sem nem olhar também, exatamente como sempre fazíamos à noite. Quando voltei, exatamente 13 minutos depois, tava lá a multa no meu pára-brisas. Olhei imediatamente pras faixas azuis no chão, pensei “anta”, e dali fui direto aos correios pagar. Tenho o direito de ficar puta? Não, né, visto que eu estava errada, embora em boa fé; foi falta de atenção mesmo. Se fosse outra pessoa teria contestado na Justiça, usando essa ou aquela justificativa. Conheço duas pessoas que contestaram multa porque na foto do pardal não dava pra ver quem tava dirigindo, embora eles soubessem exatamente que eram eles mesmos no volante. É muito mau caratismo ou sou eu que sou moralista?
londres e outros bichos
4 de janeiro de 2012Como eu disse ontem, passamos uns dias em Londres semana passada. Já comentei aqui que a primeira vez em que estive lá não gostei da cidade, na segunda vez desgostei um pouco menos, e dessa vez já comecei a gostar. Claro que estar com gente do lugar ajuda, e em boa companhia nem se fala, mas não é só isso. Acho que à medida em que envelheço sinto cada vez mais falta de um pouco de cosmopolitismo – e da bagunça também, admito. Em Paris, quando fiquei responsável pela navegação, já que meus sogros não entendem nada de coisa nenhuma, nem de francês, nem de metrô, nem de mapas, e que o Mirco se perde até dentro do banheiro se deixar, notei que simplesmente ADORO a maluquice logística de cidade grande. Até em lugares onde o transporte público funciona igual à minha cara, como o Rio, me divirto horrores calculando rotas pra chegar em tal e tal lugar. Mas é o metrô mesmo que me deixa doida.
Vocês sabem como eu sou chegada num mapa. Não posso ver mapa que fico doida, não importa muito de onde seja. Tenho vários espalhados pela casa inteira: um de Paris na sala, um mapa-mundi adesivo na parede do corredor, um da França em forma de quebra-cabeças no escritório e mais um do Parque Nacional do Monte Subásio (o Monte Subásio é onde fica Assis), ímãs de geladeira e canecas com mapas de metrô, e já tem um tempo que estou de olho nesses aqui. Na casa da minha mãe no Rio tenho uma reprodução de um mapa antigo de Londres que aquela maluca da Tatiana me deu várias eras glaciais atrás. Gostaria imensamente de um mapa do Rio, mas até hoje só vi coisas tropicalmente cafonas e desisti de procurar (quem achar um bem estiloso e quiser me dar de presente, acho ótimo). Meu iPhone tem os mapas de metrô de tudo que é lugar do mundo, e volta e meia me pego estudando um ou outro só pelo prazer de olhar praquelas linhas coloridas cheios de nomes de estações que não conheço. Adoro nomes em mapas, adoro, adoro. Livro de fantasy pra mim sem mapa já perde vários pontos logo de cara.
Mas então. Qualquer deslocamento em cidade grande é complicado e demorado, mas é tão mais divertido. Sentar com um mapinha do metrô, escolher a estação de chegada, calcular a rota, levar em consideração as estações fechadas por um motivo qualquer, ler as placas nas estações, pra mim isso tudo é divertidíssimo e compensa até a chatice de ter que subir e descer escada com carrinho de criança.
E as lojas diferentes de tudo o que temos aqui? E os restaurantes “étnicos” (palavra idiota, putz)? Comemos um curry bem normal na véspera da viagem de volta e fiquei deliciada; aqui não tem nenhum restaurante indiano nenhum, os únicos diferentes são os chineses, todos uma merda. E as pessoas com as caras e cores mais diferentes, caminhando pela cidade? E o jeito completamente diferente de viver a cidade, dependendo de onde se vai? E, no caso de Paris, o desafio de pedir ou ler informações em uma língua que se conhece pouco? Fico toda arrepiada só de pensar :-) Eu sou um bicho urbano, não adianta. Na próxima encarnação vou vir como ratazana de metrô.
amiguinhos
3 de janeiro de 2012No primeiro post do retorno depois do breve hiato blogal de quase um ano eu comentei que 2011 foi foda, e não no sentido positivo da palavra. Mas na verdade, apesar de eu estar há muitos meses me coçando inteira absolutamente sem parar o dia todo, foi um ano muito bom do ponto de vista dos amigos. Quase todas as viagens de 2011, e foram muitas, foram com os MEUS amigos, pela primeira vez desde que vim morar na Vaticália. E isso me faz muito bem. Sem ter passado tanto tempo com tantos amigos queridos (e isso porque teve muita gente que eu amo de paixão mas que não consegui encontrar, por um motivo ou por outro – em particular devo muitas desculpas à Newlands) provavelmente eu estaria ainda pior.
Por isso gostaria de agradecer de coração (baixou a pomba-gira da cafonice aqui, guenta firme que já já passa) aos meus calegas de faculdade que viraram irmãos, apesar da distância geográfica e desses anos todos. A viagem a Orlando com o povo todo foi maravilhosa, ri horrores, foi ótimo pras meninas e até o Mirco, o único gringo do grupo e cujo português capenga só dá o ar da graça depois de umas cervejas, se divertiu tanto que ficou puto com a Sabrina por ter engravidado de novo, porque ele queria ir à Disney agora em fevereiro outra vez. No Rio passei muitos fins de semana com Sabrina & Bernardo + Pfaender & Raquel, o que me fez muito bem, considerando o contexto bizarro geral da viagem, morte da minha avó, tia e prima filhas da puta, 300 kg a mais etc. Na casa deles me sinto como se estivesse na minha, e isso não tem preço. Revi outros queridos no churrasco de formatura (Oi Alexandre! Oi Pinho! Oi Curvelo! Oi AJUG!), e, apesar da situação esquisita (foi o dia em que a minha avó morreu, long story, don’t ask), foi muito bom encontrar com eles. Em outubro fomos a Boston com Sabrina e Bernardo de novo, e embora a Manu não tenha ido, o que tornou a viagem chatinha pra Carol, pra mim é sempre ótimo estar na companhia deles.
Semana passada, entre Natal e o réveillon, fomos a Londres. Ficamos na casa do Hiro e da Barbara, e foi ótimo. O Jonas ainda é pequeno e não fala, mas a Carol brincou muito com ele e, chiquérrima, passou horas correndo pra cima e pra baixo na rampa da Tate em vez da rampa da igreja da praça de Bastia Umbra. Bati altos papos muito construtivos e interessantes, como sempre, e espero que eles venham pra cá em breve pra gente repagar a hospedagem.
E em maio o Pfaender e a Raquel vêm pra Zoropa. Vamos passar uma semana juntos em Paris, que já sei que vai ser ótima (até porque não tem muito como estragar Paris, néam), e depois eles vêm ficar alguns dias aqui em casa. O Pfaender é como um irmão desde os tempos de faculdade, e a Raquel, que não era da nossa turma, virou irmã também (além de santa). A Marina é uma figura e a Carol vai se divertir. Estou contando os dias.
Então, meus queridos, só queria dizer que amo-vos todos e que agradeço muito muito muito mesmo por tudo. Tenho a impressão de que esse ano não vamos nos encontrar tantas vezes, mas também tenho a impressão de que vai ser, no geral, um ano melhor pra mim, então tá valendo. Beijos a todos.
*Fabio Jr mode off*
escolhas
2 de janeiro de 2012Teve uma época em que eu achava que queria ser advogada, como praticamente todo o resto da minha família. Mudei de ideia pra medicina, embora até hoje ainda esteja procurando o que eu quero ser quando crescer. Mas acho que fiz bem em abandonar a ideia de fazer Direito, porque a quantidade de situações espinhosas nas quais eu venho reparando me deixa perplexa.
Outro dia li em algum jornal italiano a história de um casal italiano, que mora há muitos anos na França, que teve uma filha, à qual deram o nome de Andrea. Quando foram registrar a garota na Itália, deu merda: em italiano Andrea é nome masculino, o funcionário da prefeitura não tinha certeza se podia aprovar o nome ou não (na verdade há outras Andreas mulheres na Itália mas a coisa sempre cria confusão), relatou o fato à Província e o juiz não autorizou – aliás, mandou mudar pra Andrée (que não existe em italiano, detalhe) pra identificar o nome como feminino.
Fiquei dividida e não tenho opinião formada até agora. Não tenho dúvida de que os pais são duas antas que foram buscar sarna pra se coçar, né, vamos combinar; tudo bem que no resto do planeta inteiro Andrea é nome de mulher, mas na Itália não é, e os dois, sendo italianos, estão carecas de saber disso. Tenho ódio mortal de gente que dá nomes malucos aos filhos (e ódio particularmente mortal a quem dá nomes estrangeiros sem necessidade, principalmente quando as modificações ortográficas pioram ainda mais a coisa – veja-se o nome Katiusha, que eu já vi escrito italianizado Catiuscia porque o “sc” tem som de “sh”). Puxa vida, estamos falando de uma coisa séria, associada a você pelo resto da vida, uma palavra que você vai ouvir todos os dias trezentas vezes por dia, a sua identidade! Pelamordedarwin, um mínimo de bom senso! Eu conheço uma que tem um filho chamado Storm – mas vai te catar, né não?
Por outro lado, restam dois fatos sacrossantos: a liberdade de expressão, que inclui a liberdade de ser um babaca e de botar um nome babaca e/ou problemático no filho, e o princípio de autodeterminação, tão em baixa aqui na Vaticália, onde o Estado, por influência desses trastes da Igreja Católica, tem mania de meter o bedelho em todos os aspectos das vidas das pessoas. Pra não falar do fato que a justificativa dada pelo juiz, a de que Andrea é nome de homem na Itália, ignora solenemente que no resto do mundo – inclusive na França, país onde mora a garota – esse nome é feminino. Vai ser alérgico ao cosmopolitismo assim na China.
Outra história que me chamou a atenção foi essa aqui. Resumindo, a criatura é programadora em uma escola católica, é solteira, fez inseminação artificial pra engravidar e por isso foi mandada embora, com a justificativa de que o que ela fez não está de acordo com a doutrina católica, que ela deveria seguir conforme estabelecido no contrato de trabalho. A coisa toda é too stupid for words à primeira vista, mas na verdade rolam várias considerações marromeno complexas aí. Ela sendo programadora, esse comportamento “que vai contra a doutrina católica” *yawn* na verdade não tem a menor relevância em termos práticos, pois ela não tem nenhum contato com os alunos, que provavelmente não têm nem ideia de que ela existe. Também não sei se esse tipo de restrição maluca com justificativa religiosa escrita em contrato (por isso que eu continuo repetindo: liberdade religiosa my ass) é constitucional nos EUA – na Itália não seria, pelo menos teoricamente. Por outro lado, se ela assinou o raio do contrato significa que aceitou as condições descritas, malucas ou não, e teoricamente deveria estar disposta a se comportar come Dio comanda, whatever that is. Não gostou das regras? Vai trabalhar em outro lugar, ou então muda de religião. Tudo bem que coerência não é o ponto forte das religiões em geral, e menos ainda dos fiéis, que tendem a adotar só as regras que acham mais legais e fáceis de seguir, mas nesse caso trata-se de uma parada enorme!
Eu, sendo advogado de qualquer uma das partes envolvidas nas duas histórias ou o juiz que tem que decidir, jogaria a toalha. Normalmente eu tendo a punir a estupidez (inclusive quando sou eu mesma que cometo o ato estúpido), mas quando a coisa é muito complexa eu não sei o que fazer.