adeus, clinique

Todo mundo aqui tá careca de saber que tenho psoríase. Ela vai e vem (normalmente vai embora de um lugar e vem pra outro), e é diferente nas diferentes partes do corpo afetadas. Por exemplo, tenho placas avermelhadas e que descamam nos cotovelos e na canela direita (já pegou a esquerda também, depois passou; já pegou os dois joelhos, depois passou; o cotovelo esquerdo ficou limpo por muito tempo, mas agora está acometido novamente), descamação e vermelhidão intensas mas sem crostas nas orelhas, e MUITA descamação e MUITA coceira no couro cabeludo. Há pouco tempo li em algum lugar sobre a necessidade urgente de criar clínicas do prurido, equivalentes às clínicas da dor, porque aguentar coceira O TEMPO TODO, 24 HORAS POR DIA, TODOS OS DIAS é de enlouquecer. Se eu não tomar meu anti-histamínico todos os dias simplesmente viro um cachorro sarnento e não faço outra coisa que não me coçar, chegando a acordar de madrugada por causa do prurido. Se esquecer de tomar, o corpo coça também, coisa que normalmente não acontece, e aí não consigo trabalhar, porque passo metade do tempo com as mãos ocupadas me coçando. Pra não falar do aspecto estético, néam. Enfim, uma be-le-za de doença.

Vamos pular pra cabelância da Carol, que é praticamente indomável (juro que já já a relação entre esses dois assuntos vai ficar clara). Sei bem como é porque eu também chorava horrores quando minha mãe penteava meu cabelo, até que ela, desesperada inclusive por causa das infinitas vezes que tive piolho, resolveu cortar meu cabelo curto. Como eu não tinha orelha furada, e além disso era uma criança medonha, TODO MUNDO perguntava se eu era menino ou menina. A coisa me traumatizou tanto que eu lembro da cara de todo mundo que me fez essa pergunta. Marcou a minha vida pra sempre, não posso nem pensar nisso que me dá vontade de chorar (ainda), e embora a Carol seja linda e esteja de orelhas furadas, não quero que ela corra o risco de passar por isso. Então vou testando tudo que é creme que aparece, pra ver se algum deles dá jeito na juba. Comecei a notar que os poucos cremes que realmente ajudavam a desembaraçar o cabelo demoravam MUITO pra sair. Ela fica lá de molho embaixo do chuveiro e nada do creme sair (tenho que enxaguar tudo, senão ela fica com a cabeça coçando). Cara, não é possível, pensei. Tem que ter um esquema melhor pra cuidar do cabelo.

Há alguns anos eu comprei um vidro de Wen nos EUA, mas não tinha coragem de usar porque você tem que usar MUITAS bombeadas pra fazer efeito, e com a minha quantidade de cabelo não era economicamente viável. Depois que cortei curto passei a usar, no lugar do shampoo. Quando comprei, mandei um e-mail pra eles explicando que tenho psoríase, couro cabeludo que coça e descama, cabelo ultra seco etc, e eles responderam rapidinho, recomendando o Tea Tree Oil (que não estou vendo no site agora, mas na Amazon deve ter). Gente… Que coisa mais linda. Primeiro que o cabelo fica hidratado legal, e com uma ótima sensação de limpeza, apesar do produto não ser/conter sabão. Segundo que a coceira diminuiu, pela primeira vez desde 2006, quando a psoríase apareceu na minha vida. Foi uma revelação. Mas o vidro começou a acabar, e fui procurar outras soluções.

Entra a Marcia, amiguinha de internet há muitos anos. Quando linkei o post sobre o meu cabelo curto no Face, ela me recomendou um livro no qual eu já tava de olho há muito tempo, mas achava que não ia adiantar nada (porque afinal de contas NADA resolve um cabelo merda). O livro era esse aqui (linkei pra Amazon brasileira, tá), e acabei comprando. A burralda aqui simplesmente não tinha percebido que uma das autoras é a criadora dos produtos Deva Curl, alguns dos quais eu já tinha testado. Uso esse aqui na Carol há o maior tempão e funciona muito bem, apesar do cheiro estranhíssimo. São SUPER caros, mas valem a pena. Se eu tivesse notado que a Lorraine era a autora do livro, já teria lido há séculos. Anta. Enfim, o livro é bem interessante, apesar das mil piadinhas amarelas com termos capilares, pelamordedeus, não queiram saber. No frigir dos ovos, a lição mais importante que eu aprendi com ela foi simplesmente continuar sem usar shampoo.

Parei de usar shampoo pra lavar a cabeça da Carol. Parei de usar esses cremes de supermercado (ou não; já usei muito creme/shampoo francês caro também, tudo igualmente merda) cheios de silicones, parabenos e coisas poluentes e tóxicas. E catando daqui, catando dali, acabei caindo nesse site, que é italiano mas que manda os produtos da Áustria.

Viciei TOTALMENTE. Agora aqui em casa eu e Carol só usamos tudo orgânico. Lavo a cabeça da Carol com esse creme, que tem um certo cheiro de remédio e não facilita muuuuuuito o desembaraçar, mas sai com uma enxaguada rápida e não resseca (já é alguma coisa). Estou lendo os reviews de outros produtos pra tentar achar um que realmente facilite o pentear, porque a Carol chora toda vez que lava a cabeça e tem que pentear, mesmo eu usando os dedos pra desembaraçar, segundo os ensinamentos do livro. Como leave-in, uso aquele da Deva Curl que linkei acima, misturado com algum óleo (a mais recente novidade é esse aqui). Passo o óleo no cabelo dela inclusive nos dias em que não lavamos a cabeça, e dá uma boa segurada no frizz. Esse aqui funciona super bem com a Carol, mas comigo não. Minha mãe usa há tempos e foi ela quem me deu a dica, é produto de salão mas consegui comprar o mega vidrão na Amazon inglesa. Só que de natural não tem nada, então só uso de vez em quando, pra mudar a rotina mesmo.

Estou usando esse óleo pra massagear o couro cabeludo pra ver se ajuda com a coceira e estou achando que, junto com o Wen (na verdade, junto com a ausência de shampoo), está ajudando sim. Tem um cheiro exótico, de especiarias, que acredito que nem todo mundo goste, mas não me incomoda. Passo à noite e no dia seguinte lavo. De qualquer maneira, a descamação melhorou MUITO.

Pra tomar banho estou usando o sabonete líquido orgânico da Coop, meu supermercado preferido. Abandonei o de lavanda da Granado da Carol (AMO AMO AMO AMO o cheiro, mas resseca bastante a pele e é totalmente químico) e ela está usando esse da Coop também. Não resseca, o cheiro é quase inexistente e não interfere com cremes ou perfumes, rende pra cacete e não polui o ambiente. Melhor que isso, só dois isso.

No corpo uso esse gel (que é líquido demais pra ser chamado de gel, mas vem com bombinha spray que resolve o problema) de babosa só nas áreas afetadas pela psoríase, e no resto do corpo um creme de hemp da The Body Shop que a vendedora me recomendou, em Orlando – ela também tinha psoríase e achava que hidratava bem. O cheiro é bizarro, mas me acostumei. E também estou usando esse aqui de vez em quando: é duro que nem uma pedra, quando você abre acha que vai morrer intoxicada com o cheiro fortíssimo (e maravilhoso) do óleo de lavanda, mas infelizmente o perfume dura pouquíssimo. Mas é pura manteiga de karité com puro óleo de lavanda, hidrata direitinho e não tem química bizarra nenhuma dentro. Por último, comprei esse óleo de jojoba também, que estou usando como hidratante pra área ao redor dos olhos. Várias usuárias relataram que os cílios cresceram e aumentaram de volume usando desse jeito, ainda estou esperando pra ver.

Pro rosto, uso esse soro aqui (três gotas são suficientes pro rosto e pro pescoço), que dá uma leve sensação de pele esticada, e depois esse creme aqui, que hidrata muito bem. Não vou dizer que funciona contra as rugas, porque todo mundo sabe que ruga não tem remédio, creme nenhum do mundo diminui ruga, mas que a pele fica ótima, isso fica. Simplesmente o melhor creme que eu já usei. Provavelmente nunca mais vou querer outro.

Depois de me dar muito bem com essas coisas todas, resolvi testar a maquiagem orgânica. Resultado: aprovada com louvor. Uso esse blush (testei esse também, mas é ruim de aplicar, fica concentrado num lugar só, é difícil de espalhar), um BB cream de uma marca que não estou mais vendo no site mas que acabei de achar aqui (bem denso e meio chato de espalhar, mas com resultado final ótimo), rímel da mesma marca (nada de orgânico é à prova d’água, mas fora isso o produto é ótimo). Batom não testei porque uso pouco e ainda tenho muitos da Clinique (vieram de brinde com outras coisas desnecessariamente caras que comprei há tempos) na gaveta dando sopa. Lápis de olho infelizmente ainda não testei, porque eu só gosto dos retráteis, e não achei nenhuma marca de orgânicos que fizesse esse tipo de lápis. Então uso os da Sephora mesmo, que por mais que você lave e use removedor sempre te deixam com cara de guaxinim no dia seguinte, mas é só lavar de novo que sai. São maravilhosas de aplicar e as cores são lindas. Aproveitei a promoção do dia das mães pra comprar praticamente um de cada cor com um belo desconto, mas olhando agora no site americano estou vendo que lá tem mais cores do que no site italiano. Morry! Tenho a pele extremamente sensível mas nunca me deram alergia. Um rímel magavilhoso que a Marcinha (a dos cachorros; mwah, amiga!) me deu, da L’Óreal, me deu DOR nas pálpebras uma vez, então só uso quando sei que vou ficar pouco tempo maquiada.

Enfim: viva o orgânico. Nada é testado em animais, quase todos os fabricantes usam matérias-primas oriundas de esquemas eticamente sustentáveis, poluem pouco ou nada o ambiente, e, não sei se vocês notaram, custam MENOS do que as coisas de marca. Óbvio: o preço não inclui propaganda com celebridades photoshopadas e nem pesquisas mirabolantes de laboratório que resultam em produtos que nada fazem além de hidratar a pele, alguns mais, outros menos. As embalagens dos produtos orgânicos costumam ser simplesmente horrorosas, de dar pena mesmo, mas parece que gradualmente estão aprendendo que não é só porque uso creme natural que tendo à cafonice hippie, e agora alguns rótulos estão vindo mais bonitinhos. Se tudo isso ainda me ajudar a me coçar e descamar menos, o meu nível de satisfação vai às estrelas. Se melhorar, estraga. Recomendo altamente.

P.S.: Comprei pasta de dentes orgânica pra Carol também e ela adorou. E ninguém mais usa desodorante aqui em casa, só bicarbonato de sódio (descoberta da minha mãe também).

minha saga capilar

Eu detesto cabelo enrolado. DETESTO. É chato de pentear, se tiver particularmente feio em um certo dia você tem que lavar de novo, em vez de dar só uma escovada básica, e, o pior de tudo, dá um ar selvagem que eu abomino. Parece que a pessoa está eternamente naquele momento em que acabou de acordar. Odeio, odeio. Sempre odiei, desde pequena, continuo odiando e vou morrer odiando. Há anos venho dizendo que um dia vou ficar tão de saco cheio do meu cabelo que vou raspar a cabeça. Não raspei ainda, mas dei um corte radical ano passado. BEM curto. Curto mesmo, não dá pra prender nem em rabinho cotó, cortado bem curto com máquina atrás e uma pseudofranjona mais comprida na frente, que nem chega na ponta do nariz. Curto, pois.

Gente, que revolução na minha vida. Coisa mais linda. A quantidade de tempo que eu ganhei é uma coisa incalculável. Lavo a cabeça a cada banho, seco em dois segundos esfregando a toalha em vez de ficar tomando cuidado pra não desmanchar as porcarias dos cachos, não uso mais creme, pente, leave-in, óleos, o cacete a quatro. Lavo com o shampoo que tiver, não levo mais nada desses apetrechos cabelais quando viajo, perdi a paranóia do elástico everywhere (na verdade ainda levo um elástico em cada bolsa, na carteira, na nécessaire, pra prender a cabelância da Carol quando a juba tá muito descontrol), ESQUECI que o cabelo existe. Uso um arco (qualquer um) só pra não ficar cabelo caindo na testa, que me incomoda horrores, e mais nada. ESQUECI QUE O CABELO EXISTE.

Vocês não têm ideia do quão libertador é. Nunca imaginei que fosse fazer assim tanta diferença na minha vida. Sempre ouvi dizer que era prático, mas prático doesn’t quite cover it. Gente, o tempo que nós mulheres perdemos com essas bobeiras é uma coisa enlouquecedora. Se investíssemos o que gastamos de tempo, dinheiro e energia nos preocupando com a depilação, o buço, as sobrancelhas, o cabelo, as unhas, a maquiagem, a barriga, a celulite, as rachaduras nos calcanhares, o cacete a quatro, em coisas mais úteis, seríamos nós a dominar o mundo, e não os homens. Nós somos é um bando de idiotas por nos submetermos a essa maluquice, a essa escravidão da beleza. Um bando de idiotas. É a gente contando calorias e eles ganhando dinheiro. Somos umas antas.

meus pitacos cubanos

Eu bato nessa tecla há trocentos anos: a gente precisa fazer as coisas pelos motivos certos, senão cedo ou tarde dá merda. Dou sempre o exemplo, bem italiano e brasileiro, do fulano que estaciona na vaga direitinho só quando sabe que tem guarda multando, em vez de estacionar SEMPRE na vaga direitinho porque assim não incomoda ninguém. Pois isso se aplica também, a meu ver, a essa história dos médicos cubanos.

Vou logo adiantando: sou contra. Mas é aí que entra a minha teoria: as pessoas (principalmente os médicos brasileiros) são contra pelos motivos errados.

A ideia de que os cubanos sejam comunistas infiltrados pra estabelecer uma ditadura de esquerda no Brasil é risível, obviamente. Ora bolas, o Brasil é governado pela esquerda há dez anos, por que haveria de inventar infiltração de esquerda quando tudo estava indo bem (até onde eu sei esse projeto Mais Médicos é anterior às manifestações de junho)? Então não tem sentido ser contra os médicos cubanos com essa desculpa paranóica de complô comunista. Não é o motivo certo pra ser contra.

A Cora postou uma coisa interessante sobre o lance da revalida (perdi o post, catem no FB dela) – basicamente segundo ela não tem problema os médicos cubanos não terem intimidade com as modernidades da medicina porque não vão trabalhar com modernidade nenhuma lá nos cafundós do judas. Concordo em parte: se por um lado vejo com desconfiança gente formada em um país onde trocar ideias com colegas estrangeiros é complicado e onde tudo cai aos pedaços, por outro lado é verdade que lá nos buracos do tatu pra onde serão mandados eles vão precisar de bem poucos conhecimentos técnicos, já que as condições de trabalho são nível interior da Namíbia. Mas também é verdade o que alguns memes dizem, que é sacanagem não exigir um certo nível de competência dos médicos que vão trabalhar lá na puta que pariu só porque vão trabalhar lá na puta que pariu. De qualquer forma, acho que protestar contra a vinda dos estrangeiros usando o lance da revalida como argumento não tem sentido, até porque isso não ameaça os médicos brasileiros (pelo menos em teoria), que não vão lá pra puta que pariu.

Outra coisa que a Cora falou foi que a barreira linguística não é um problema. Ela cita como exemplos os Médicos Sem Fronteiras e outros profissionais que trabalham em zona de guerra. Em teoria, concordo. Na prática, não – uma necessidade IMENSA dessas áreas carentes é a medicina preventiva, e explicar uma coisa a uma pessoa que fala outra língua é muito diferente de operar um paciente baleado em zona de guerra, que está desacordado e não precisa entender nada mesmo. Eu, particularmente, tenho grande dificuldade em entender o espanhol sul-americano (não ouvi todas as variantes, mas de pelo menos uns 4 países, sim, e não entendo nada). E acho que, por uma questão de justiça até, se todo profissional de qualquer área precisa provar que fala a língua local quando vai morar fora, não vejo por que os médicos desse projeto estão livres disso. E se é verdade que a necessidade faz o ladrão, não podemos comparar a situação dos cafundós brasileiros com a de uma região em guerra. Se em caso de emergência realmente não importa que língua o médico está falando, o mesmo não pode ser dito de uma situação que é, sim, crítica, mas definitivamente longe de ser um campo de batalha. De qualquer forma, a barreira linguística pode ser contornada e não é um motivo certo pra protestar contra a vinda dos médicos estrangeiros.

Muito se fala sobre os médicos “coxinhas”, que não querem largar o conforto do eixo Rio-SP pra ir lá pra puta que pariu. Minha primeira pergunta é: por que essa cisma com os médicos? É só de médicos que os cafundós precisam? Ou é de enfermeiros, de engenheiros, de dentistas, de PROFESSORES também? Não é só uma questão de querer, mas de ser remunerado pra isso. Tenho colegas de faculdade que se despencaram lá pro fim do mundo, atraídos por salários decentes, mas simplesmente PARARAM DE RECEBER e tiveram que voltar. Você ficaria num lugar onde não há nada pra fazer, com infra-estrutura zero, condições ridículas de trabalho, sem ganhar NADA? Duvido. Minha segunda pergunta é: há algo de errado nisso? No mundo inteiro populações migram há séculos dos cafundós pras cidades. É uma coisa natural, porque ninguém quer morar em lugar bunda. Não há nada de errado em não querer ir morar em lugar bunda. Se você quer que neguinho vá pra lugar bunda, vai ter que pagar. Se não pagar, neguinho não vai. É uma equação bem simples. Aí você vem com aquela entrevista do médico cubano que diz que vai trabalhar nos cafundós por amor à profissão. E eu respondo assim: VAI PENTEAR MACACO, VAI. TO-DO mundo trabalha por dinheiro, senão não se chamaria trabalho, mas sim voluntariado. Lógico que há quem ame o que faz e consiga juntar o útil ao agradável, mas vamos combinar que são uma minoria ínfima. Lógico que há muitos médicos (e outros profissionais) que dedicam parte do seu tempo a atividades pro-bono, mas se fizessem só isso morreriam de fome. Então não me venham com essa de ir lá pra puta que pariu por amor à profissão que comigo não cola. Quem vai pros cafundós vai pra ganhar dinheiro, pra ganhar experiência, pra ganhar currículo, porque foi obrigado a ir, porque esse é o único jeito de sair do seu país (hint hint). Eu só acho o seguinte: acho pouco provável que os médicos estrangeiros fiquem muito tempo lá nos cafundós. Aposto que em breve as grandes cidades estarão cheias deles.

Quanto ao comentário da jornalista que falou que as médicas cubanas têm cara de empregada doméstica, infelizmente ela tem razão. Não sejamos hipócritas – no Brasil, onde nível social e etnia estão indissoluvelmente ligados, onde a elite é branca e onde preto só usa o elevador de serviço, ninguém olha pra uma pessoa de cor e acha que ela é formada em alguma coisa, porque de acordo com as estatísticas ela provavelmente não é mesmo. Com o lance das cotas nas universidades a tendência é isso mudar, felizmente, e espero que em um futuro próximo tenhamos médicos, advogados, engenheiros, professores universitários, jornalistas, designers negros em número suficiente pra que a sua própria existência não nos surpreenda mais. Ainda não chegamos nesse nível, mas acredito que em breve estaremos lá. Por enquanto, acho que uma coisa positiva da vinda dos médicos cubanos vai ser fazer a gente pensar no porquê de preto, no Brasil, ser sinônimo de pobre. De repente isso ajuda a mudar alguma coisa, ajuda a ficha cair, ainda mais considerando o contexto atual de manifestações e de saco cheio generalizado.

(Parênteses pra lembrar do espanto dos pacientes do Gaffrée ao serem atendidos pelo Hamilton, nosso colega angolano que passou no vestibular no Brasil, andava alinhadíssimo e era um verdadeiro lord. O impacto inicial com os pacientes era meio estranho mas ele era de uma gentileza ímpar e todos gostavam dele. Não me lembro do sobrenome pra procurá-lo no FB, infelizmente).

Muito tem se falado também sobre o corporativismo dos médicos com relação ao Ato Médico. Que querem manter o poder, que se sentem superiores e coisa e tal. Vamos fazer um pouco de matemática juntos então: pra se formar em medicina no Brasil é necessário superar um vestibular absurdamente difícil (vamos deixar de lado o fato de que vestibular é uma coisa idiota, mas é o que temos pra hoje) que dá uma bela filtrada, dar plantão por fora pra aprender na prática, fazer 6 anos puxados e mais 2 ou mais de especialização, ganhando uma ninharia e ralando que nem um corno (eu não me especializei mas todos os meus amigos comeram o pão que o diabo amassou durante residências em várias especialidades diferentes). Outros profissionais de saúde enfrentam vestibulares fáceis e fazem cursos mais curtos e menos puxados. Quem você acha que é mais preparado? Quem estudou mais ou quem estudou menos? O que eu lia de barbaridade escrita por enfermeira no meu hospital-escola não tá no gibi. Claro que há médicos incompetentes, mas se uma pessoa que estudou esses anos todos pode sair um profissional ruim, imagine quem estudou a metade disso. Minha experiência real dentro da medicina foi curta, mas naqueles 4 anos de hospital (os 2 primeiros são teóricos) eu vi o suficiente pra nunca querer ser diagnosticada por outro profissional de saúde que não seja um médico, e mesmo assim olhe lá. Vejam bem, não é questão do médico ser ótimo e os outros uns merdas, é uma questão de um sistema educacional que é simplesmente um cu. Num país decente, todos os profissionais de saúde teriam ótima formação e poderiam perfeitamente dividir poder e responsabilidades. Não sou contra o Ato Médico a priori; sou contra o Ato Médico no Brasil, onde delegar poderes desse nível a quem não teve a oportunidade de se preparar pra isso, porque o sistema educacional é um cu, é ideia de jerico. Vai dar muita merda isso aí. Geral iatrogenia, uhuuuu.

Uma vez paramos pra abastecer em um daqueles plazas ao longo da estrada, aqui na Itália. Descemos do carro pra esticar as pernas e vimos uma placa – oficial, não improvisada – avisando pra não comprar objetos dos vendedores ambulantes porque costumam ser itens roubados. Na hora pensei: então assim, a solução deles pro problema dos roubos é avisar pra neguinho não comprar? O certo não seria IMPEDIR AS PORRAS DOS ROUBOS? Essa solução de importar médicos, a meu ver, segue essa linha de raciocínio. Porque o problema certamente não é falta de médicos nos cafundós, é o fato de que os cafundós são tão cafundós, e as verbas são tão desviadas, que ninguém quer ir pra lá. E aí você resolve importando médicos? Isso é solução desde quando? Pra mim isso é que nem botar placa avisando que uma estrada é esburacada, em vez de TAMPAR AS PORRAS DOS BURACOS. Ah, sim, mas a necessidade de médicos nos cafundós é urgente, urgentíssima, então tem que tapar o buraco de alguma maneira antes de resolver a causa do problema – não é urgente urgentíssima porque a situação lá pra cima sempre foi precária, e com a presença de médicos importados aí sim é que nada vai mudar mesmo. Colocada a placa, considera-se o problema resolvido, deixam-se os buracos, e os desavisados que se desviem. Legal, né.

A solução pra TO-DOS os problemas do Brasil é uma só: NEGUINHO PARAR DE ROUBAR. Porque não adianta o governo federal mandar verba que depois some. Vou desenhar, mesmo sendo repetitiva: o problema não é faltar médico que queira ir pros cafundós, o problema é a existência dos cafundós. Não deveriam existir cafundós, entenderam a diferença? É só por isso que sou contra a vinda dos médicos, cubanos ou de onde quer que sejam: não vão resolver o problema PORQUE O PROBLEMA NÃO É FALTA DE MÉDICOS, O PROBLEMA É QUE NEGUINHO ROUBA TANTO QUE TUDO QUE NÃO SEJA RIO E SP VIRA UM CAFUNDÓ DO JUDAS. Vai acabar o programa e aí? E aí? Resolveu-se o quê? E mesmo enquanto o programa estiver rolando, vai haver alguma providência anti-cafundó, na opinião de vocês? Ou será que os prefeitos, deputados, governadores ladrões, responsáveis pelo cafundosismo dos lugares que administram, vão considerar a vinda dos médicos importados como as placas avisando sobre os buracos, uma desculpa pra continuar não fazendo o que precisa ser feito? Algo me diz que a segunda opção é mais provável.

a jmj, o papa, os capiau, a praia

Vocês tão carecas de saber que eu detesto esse papa. Aliás, detesto todos; quem é “pope material” já sai com vários pontos negativos no meu conceito. Sabem também que acho o fim da picada a gente pagar pra esse velho de saia vir pra cá. Sim, tem seus lados positivos – o pessoal que vem costuma ser tranquilo, os ambulantes fodidos vão vender mais, talvez role uma discreta esquentada no comércio, pode ser que muitos desses visitantes de apaixonem pela cidade (porque vamos combinar, quem nunca, né?) e voltem outras vezes, enfim. Mas acho a despesa grande demais pra uma idiotice idem, e nem adianta dizer que a despesa é grande por causa da Mamação da Coisa Pública onipresente e tipicamente brasileira; o governo não poderia, na minha opinião, pagar nem meia mariola pra esse marketeiro que não paga imposto. Mas não era disso que eu queria falar.

A cidade está cheia de gente vindo pra essa JMJ. Todos com aquelas mochilinhas vagabundas verdes, amarelas ou azuis, com garrafa-saquinho de água pendurada na mochila com mosquetão, com caras simpáticas e boazinhas, muitos com aquele olhar pasmaceiro de quem nunca teve uma ideia original na vida e tem o Q.I. médio de uma uva sem caroço mas é feliz assim, então bom pra eles. Já dei informações pra alguns deles nas ruas, e tive sempre a impressão de que não são só jovens, são incrivelmente infantis. Minha impressão foi confirmada agora na praia, de onde acabei de voltar com a Carol. Bem na minha frente tinha um grupo bem grande de jovens, acredito eu já na casa dos 20, com jeito de criança de 12. Meninas altas, magras, bonitas, algumas bem branquelas, de sutiã de biquini e SHORT dentro d’água pulando desengonçadérrimas que nem a minha filha, que não tem nem 5 anos. Uma delas entrou de óculos de grau na água. Não vou dizer que fiquei com pena, porque elas estavam claramente se divertindo horrores, mas que foi engraçado foi.

considerações academico-ginasticais

Não sou uma esportista. Nunca fui. Mesmo quando estou fazendo um exercício do qual eu gosto, como Les Mills Combat ou spinning; mesmo lembrando de como me sinto bem depois do exercício, quando as endorfinas invadem a corrente sanguínea; mesmo sabendo que se eu não malhasse estaria mais gorda ainda; mesmo adorando sentir os músculos dos braços ficando mais fortes; mesmo curtindo a dor muscular do dia seguinte, quando mal consigo sentar pra fazer xixi ou levantar os braços pra prender o cabelo de tanto ferro que puxei; mesmo assim, se você me perguntar se eu preferiria estar fazendo outra coisa em vez de malhar, eu vou responder com duas páginas de coisas que considero mais aprazíveis. Mas não tem jeito, então eu malho.

As vantagens de se exercitar em casa são múltiplas. Primeiramente, não tem espelho. Segundo, malho na hora em que quiser (o que também é uma desvantagem, porque a tentação de deixar pra depois é muito grande). Terceiro, posso malhar de top e short (eu suo muito pouco, então MORRO de calor) em vez de bermuda e camiseta. Quarto, é muito mais barato. As desvantagens, bastante óbvias, são a necessidade de ter disciplina, a possibilidade de se machucar fazendo movimentos errados por não ter ninguém pra te corrigir (mas eu tenho ótima propriocepção e conhecimentos anatômicos razoáveis; nunca me machuquei), a ausência de socialização, que pra mim é a pior parte porque eu tenho meus momentos de eremita mas adoro bater papo.

Cheguei a frequentar academia na Itália, no meu primeiro ano lá. A academia mais famosa de Perugia, pertinho da estação de onde eu depois pegava o trem pra Santa Maria, dava desconto pra quem estudava na Università per Stranieri, e aproveitei por alguns meses. Depois nunca mais fiz, malho em casa desde então. Mas quando venho ao Rio me matriculo e vou pra academia, pra fazer coisas que em casa não posso ou não tenho saco – spinning, ioga, alongamento. Não faço step, que eu adoro, porque na minha filial não tem. E ainda não consegui fazer muay thai porque o horário é ruim pra mim, mas gostaria de pelo menos experimentar. O pessoal da Proforma é ótimo, as aulas são todas boas, os professores são uns a-mo-res, a estrutura é ótima. E até o ambiente de ratos de academia, que costuma irritar muita gente, me faz dar muitas risadas. Porque academia é que nem homem: é tudo igual, só muda o endereço, né. Os personagens se repetem num esquema praticamente shakespereano: tem o cara que urra a cada repetição na musculação, tem a piriguete que usa aqueles leotards medonhos da Kitanga, tem as velhas que MORAM na academia (normalmente fazem localizada, com caneleiras do peso de um rottweiler enroladas nos tornozelos), são íntimas dos professores e contam as repetições pra eles, tem os gordos que quando sobem na bicicleta os outros acham que vão pedalar dois minutos e cair estrebuchando no chão com insuficiência cardíaca mas que fazem tudo direitinho (essa sou eu), tem os adolescentes magrelos com a franja penteada pra frente que levantam pesos tamanho cotonete na esperança de ganhar corpo, tem os megamarombeiros que se alimentam praticamente de Amino 2222 e mais nada, tem velhos coroquérrimos que chegam se arrastando na academia mas todo dia estão cedinho lá puxando seus ferrinhos pra se manter de pé (na minha turma de spinning tem uma senhora de trocentos anos que vai de sapatilha especial pra spinning e pendura os oclinhos no guidon, botando-os nos olhos de vez em quando pra conferir o Polar; sensacional).

A fauna dos professores também segue um certo padrão: tem o professor que dá aula de localizada há anos pras mesmas velhas ressequidas e se comunica por código porque todo mundo já sabe a aula de cor, tem o pessoal da musculação que passa corrigindo os alunos que malham sozinhos e só falam de futebol, tem a personal que pariu anteontem e hoje já tá toda sequinha chicoteando a aluna que faz abdominal no BOSU, tem os entediados que ficam na sala de cardio sem fazer nada espiando as telas das alunas que fazem transport vendo Friends, tem sempre um professor velho destrambelhado ex-alguma coisa e grosseiro que dá a mesma aula há anos mas que todo mundo adora (no caso da minha academia, esse é o Juca, ex-professor de balé clássico que dá uma aula sem pé nem cabeça muito legal com um monte de exercícios de balé misturados com música francesa). Eu me divirto horrores e se deixar passo o dia na academia. Atualmente faço musculação cedo segundas, quartas e sextas, imediatamente seguida de spinning com o Fred, aula ótima com trilha sonora muito boa; às terças e quintas, spinning com o Fabão quando dá tempo, depois da natação da Carol, e ioga maravilhosa com a Bernadete seguida de alongamento mágico com a Lara à noite. Volto pra casa dormindo em pé de tão relaxada, e minha flexibilidade, que sempre foi boa, melhorou horrores. Só não perco peso, mas isso é um detalhe.

Mas as perguntas que não querem calar são: por que, ó céus, a pessoa entra na sala de spinning e vai direto sentar na ÚLTIMA bicicleta lá do fundo? Por que a pessoa passa a aula inteira no seu próprio ritmo, ignorando a música e as instruções do professor, e nunca volta pro banco? Se é pra fazer como lhe dá na telha, por que diabos não compra uma bicicleta e malha sozinha em casa? Por que, ó céus, ainda tem gente que insiste no maldito meião até o joelho? Por que, meldels, ainda tem mulher que malha de cabelo solto? (felizmente são poucas, pra ser sincera, mas me dão um nervoso indescritível). Por quê? Por quêeeeee?

dom quixote

Como de hábito depois da última terça-feira do mês, aqui vai meu parecer sobre o balé da noite anterior, assistido no cinema. Como não interessa a ninguém, é mais um diarinho pra mim mesma, pra não esquecer.

– Nunca tinha assistido antes. É um balé muito alegre, não há adágios, os pas de deux são poucos, breves e alegres, tem muita pantomima, poucos tutus e coreografia muito interessante.

– Figurinos bonitos, mas continuo achando o Bolshoi bem inferior ao Mariinsky, ao Royal Ballet, ao La Scala, ao Opéra de Paris nesse quesito. Entendo o uso dos tons quentes, mas chega uma hora que cansa.

– A Osipova é a coisa mais deliciosa do mundo de assistir, parece ter nascido pro papel de Kitri (e funciona muito bem como Copélia também), embora não consiga imaginá-la em papéis mais dramáticos. Não é esquelética, é muito expressiva, tem ótima extensão e putaquepariu como salta! A entrada dela em cena no primeiro ato é de matar de felicidade.

– O Vasiliev, que faz o Basilio, é MUITO bom, mas é microscópico e desproporcional, com coxas excessivas. Não é o rei do ballon mas salta muito bem, arrancou muitos aplausos da plateia (inclusive de nós poucos gatos pingados no cinema).

– A história é completamente sem pé nem cabeça e Dom Quixote aparece só como elemento de conexão entre os atos, mas foi uma experiência interessante. Não foi paixão amor eterno fulminante à primeira vista como La Bayadère ou Le Corsaire, balés que eu saí do cinema e encostei na parede ali mesmo pra comprar o DVD imediatamente pela Amazon porque pre-ci-sa-va ver de novo. Mas é muito alegre, tecnicamente interessantíssimo de ver porque as coreografias são rapidíssimas, cheias de saltos e muito diferentes dos balés mais tradicionais, não há um ato de ballet blanc, a música é bem diferente também. Gostei.

– As cenas dos bastidores são sempre ótimas. Aprendo um monte de coisas sobre o balé e sobre o Bolshoi – por exemplo, é a única escola de dança que tem a matéria Danças Características, de modo que os bailarinos aprendem danças típicas do mundo inteiro. Ver os bailarinos se aquecendo com moletom e Uggs por cima dos tutus e das sapatilhas de ponta é muito engraçado; o espetáculo abriu com o Gamache todo paramentado vestido de rico bebendo água de um bebedouro no corredor enquanto uma bailarina chegava de jeans e bota. O público no teatro pediu tanto bis que chegou uma hora que a Osipova, por trás da cortina, fez com a cabeça uma cara de “não, chega, pelamordedeus, num guento mais”. Aliás, ela é um amor, mas parece que usa dentadura ou aparelho fixo na arcada superior, fica fazendo um negócio estranho com a boca como que pra esconder os dentões com o lábio.

– Mês que vem tem La Bayadère, que espero que seja com a Zakharova. Já sei o balé de cor e a Carol também adora (principalmente a parte da cobra), mas eu só tenho a versão do La Scala e parece que a do Bolshoi é bem diferente. Mal posso esperar :)

“haters gonna hate”, my ass

Vocês sabem que eu adoro a Chalene. Adoro como fitness instructor; acho-a ótima motivadora, os programas dela são deliciosos de fazer, as músicas são maneiras. Mas desde que ela passou a se concentrar mais no mundo da auto-ajuda, ficou insuportável. Diz minha amiga americana que agora nos Turbo Camps (que mudaram de nome e viraram Camp Do More, bem focalizados nas palestras de auto-ajuda mesmo e muito menos na malhação) ela cobra até pra tirar foto, e que anda com dois guarda-costas, como se fosse o Tony Stark. Sigo a mulher no Instagram porque ela posta fotos ótimas de exercícios diferentes, de comidas, de roupas. Mas com esse lance de investir na motivação, nessa palhaçada de que é só querer que você consegue tudo e que a gente tem que melhorar o tempo todo e coisa e tal (estou lendo um livro ótimo sobre isso, falarei dele em outro post), ela criou um culto à personalidade que chega a ser assustador. TU-DO o que a mulher posta – QUALQUER COISA – gera instantaneamente uma infinidade de comentários mais ou menos desse teor: “OMG I SO WANT THAT!”, “OMG that’s gorgeous!” “OMG you’re gorgeous!” “OMG you’re my inspiration I want to be like you so much it hurts”, “OMG that’s ab fab!”. Mas sabe TU-DO? Ela pode postar uma foto de um copo de shake de proteína com um canudo que neguinho pergunta onde ela comprou o copo, o canudo, o shake e se bobear o guardanapo também. E ainda pedem link pro aplicativo que ela usou pra editar a foto. Um dia ela postou uma foto dela com a melhor amiga, uma feia que nem a fome (de origem colombiana, tem bem aquela cara de asteca mesmo) mas engraçadíssima, usando roupas parecidas e tamancos anabela gi-gan-tes-cos. Imediatamente neguinho começa: “OMG I want those wedges!” “OMG where did you get those?” e por aí vai. Eu, que gosto muito das roupas, bolsas e jóias que ela posta mas tenho pavor do cabelão B-52’s que ela usa e mais pavor ainda de plataforma, dei um like mas comentei que pra mim plataforma = drag queen. Aaaaaaaaaaaaaaaaaah, pra quê. “Don’t you listen to her, haters gonna hate!”. “She’s envious of your bod Chalene!”. “Jesus will forgive you anyway hun!”.

A mesma amiga americana que me apresentou aos programas da Chalene é a pessoa que mais complica a própria vida que eu já conheci. Atualmente ela se encontra em uma baita sinuca de bico porque largou o emprego antigo, começou a trabalhar com outra empresa que exigiu que ela se mudasse pra Califórnia e logo depois a demitiu, e agora está desempregada, com problemas de saúde, sem seguro, sem um puto no bolso, com o leasing da casa feito junto com a namorada dela, uma louca que recebe como inválida porque é mentalmente instável. Enfim. Um dia ela diz que adotou um segundo gato. Fiquei quieta. Depois comprou um Yorkshire. Fiquei quieta. Depois de um tempo, já nessa merda financeira total, ela comenta que precisa cortar o cabelo mas não tem dinheiro porque a porra do cachorro precisa ser tosado. Fico quieta. Uma semana depois ela conta que COMPRARAM outro cachorro. Comentei no thread que quem não tem dinheiro pra cortar o próprio cabelo precisa de tudo nessa vida, menos de outro cachorro. Pronto. Começou o desfile de comentários na linha “haters gonna hate”.

Estava vendo um vídeo de balé no YouTube e lendo os comentários, que costumam ser bem civilizados e muito instrutivos. Dessa vez alguém criticou a bailarina, que no vídeo fazia uns fouetées tortos e desequilibrados, terminando a série praticamente do outro lado do palco. Aí vem logo o idiota da vez respondendo “quero ver você fazer melhor!”. Felizmente o dono da crítica inicial foi educado mas manteve a sua posição de maneira firme. Ora bolas, só porque eu não sou bailarino não sou capaz de entender quando alguém fez um passo errado? Não tem nada de subjetivo no meu comentário; se você observar onde ela começou a girar e onde terminou vai ver que ela viajou um metro inteiro, e isso é um dado objetivo que nada tem a ver com a minha incapacidade ou não de fazer melhor que ela.

Pois então que essa síndrome de haters gonna hate vem me irritando deveras ultimamente. Não se pode criticar nada, não se pode ter uma opinião negativa sobre nada que logo vem alguém mandando você ir lá então fazer melhor. Qualquer crítica que você faz passa a significar que você tem inveja do outro. Qualquer sacode que você dá no amigo que tá fazendo merda vira “energia negativa”. Energia negativa de cu é rola, perdoem-me o galicismo. (Aliás, tem um artigo ótimo sobre essa palhaçada de pensamento positivo que li há alguns anos, vou tentar achar de novo porque vale a pena) Que porre! Como se não bastasse a chatura que virou viajar de avião agora tem essas modas chatonildas também! O mundo tá ficando um lugar muito chato de se morar, vou te contar. Só com muito brigadeiro de panela pra aturar, viu.

que parto

A Fabiola postou esse vídeo aqui hoje, que me deixou em lágrimas.

Chorei porque detesto ouvir gente contando que foi tratada mal por médicos e enfermeiros em um momento tão significativo. Mas acho que neguinho anda exagerando muito com esse negócio de “o parto é da mulher”, “parto ideal” e coisa e tal.

Vamos combinar uma coisa? O parto humano NÃO é legal. Ponto. Não cabe subjetividade aqui. Não é legal por um motivo muito simples: somos os únicos mamíferos que andam em posição ereta. Nossos cérebros se desenvolveram, precisávamos das mãos livres pra fazer coisas maneiras como temperar a carne assada, enfiar miçangas e bater no tambor, tivemos que ficar em pé. Mas a nossa esperteza aumentou muito mais rapidamente do que a nossa bacia foi capaz de se adaptar, de modo que hoje nós humanas sofremos o diabo a quatro pra parir, enquanto que todas as outras mamíferas vão ali, dão umas voltinhas, aparecem as perninhas do rebento e em dois minutos pluft, caiu no chão um filhote inteirinho e todo pimpão, que logo logo fica em pé e sai pulando sobre a crosta terrestre. O parto humano é uma merda. Cheio de fluidos nojentos – tem líquido amniótico, tem xixi, tem cocô, tem sangue, tem pedaço de placenta. No-jo. Quem fala que parto é uma coisa linda ESTÁ MENTINDO – ou pra si mesmo ou pros outros, pra parecer cool. O que é lindo é o neném que nasce, é o ato de dar vida a um outro ser humano, mas o processo todo até chegar lá é abominável e incrivelmente doloroso. Ou alguém acha que cagar na cara do obstetra é suuuuuper legal? Que é uma coisa linda escancarar as pernas ou acocorar pra criança sair? Que é o maior barato dar luz à placenta? Isso pra não falar nas complicações. Quem falar que parto é uma coisa natural só não vai levar uma trauletada porque claramente nunca estudou obstetrícia. Se o parto humano fosse uma coisa “naturalmente fácil” não haveria uma altíssima taxa de mortalidade de mulheres no parto em países sub, até hoje, e no mundo inteiro, ao longo da história da humanidade. Vai lá ver se tem vaca toda hora morrendo de parto. Tem não senhor. Claro que tem gente que tem partos mais lights – o meu, que foi relativamente light, já doeu pra cacete, imagina quem fica sei lá quantas horas ou dias em trabalho de parto. Mas a maioria sofre, porque contração DÓI para caráleo. Dói, dói, dói. As minhas duraram só umas quatro horas e mesmo assim pedi epidural, por um motivo muito simples: ninguém merece.

Olha só: dor é um sintoma. Sentir dor não enobrece porque a dor não serve pra absolutamente nada a não ser pra avisar que há alguma coisa muito errada acontecendo em alguma parte do seu corpo (se o que acontecer depois dessa dor vai ser positivo ou não é indiferente; seus receptores pra dor são democráticos e não fazem distinção). Todo o respeito do mundo por quem tem alta resistência à dor, dilata rápido e por isso prefere encarar sem anestesia, ou por quem tem fobia de agulha. Um pouco menos por quem acha que tem que sofrer pra “estar presente naquele momento”, porque acha que é mais mãe se sentir tudo, porque sei lá o quê. Eu não teria feito a menor questão de estar presente no meu próprio parto, se tivesse sido possível; só queria pegar a minha filha no colo assim que ela nascesse, mas não preciso sentir dor – nem as pernas – pra isso. Eu quero estar presente na vida dela, na educação dela. Se a mãe estava acordada ou não quando o filho nasceu não vai fazer a menor diferença na vida da criança, e sinceramente não vejo por que deveria fazer diferença na vida da mãe. Aliás, acho até que parto voluntariamente com dor tem consequências psicológicas a longo prazo bem negativas, porque EM ALGUM MOMENTO esse sacrifício todo vai aparecer e ser devidamente jogado na cara. Ou vão dizer que nunca ouviram uma mãe falar pro filho “puxa vida, eu aguentei nove meses de gravidez, X horas de trabalho de parto pra você agora me tratar assim?”. Minha mãe nunca me disse isso, mas eu já perdi a conta das vezes em que ouvi outras mulheres falando coisas desse tipo. Coisas que nunca, jamais deveriam ser faladas, sabe. Sentidas, sim, normal; mas faladas, não. Nunca. Mas na hora em que o calo aperta a gente bota o ressentimento pra fora, porque somos humanos. Então um grande viva ao parto sem dor. Detesto masoquismo.

Aí entra o lance da cesariana. Faz-se cesariana demais no Brasil? Não há dúvidas. O parto cesáreo é esse bicho de sete cabeças que neguinho fala? Nem de longe. Então por que essa choração toda se não deu tempo de fazer normal e teve que rolar cesáreo? Em outras palavras, WHAT THE FUCK é a diferença? A criança nasceu? Nasceu bem? Nasceu com saúde, Apgar maneiro, foi logo pro colo da mãe? Então neguinho está reclamando do quê??? Porque lhe foi negada a escolha? Pode ser; também fico puta quando não posso escolher. Mas a mulherada está levando essa parada ao extremo. Tem horas que parto normal simplesmente não é a melhor alternativa (se ainda não entendeu que o termo “normal” é completamente enganoso, volte e leia lá a parte das vacas), e a famosa escolha à qual elas acham que têm direito simplesmente não existe. Fico puta com histórias como a que uma das entrevistadas relatou – o médico marcou a cesárea pras cinco da manhã porque ele queria ir à praia depois. Pelotão de fuzilamento pra esse desgraçado. Sou contra cesárea com hora marcada, mas não sou contra cesárea. Acho inclusive mais civilizado, se vocês querem saber. Na verdade o que me deixou muito puta nesse lance toda desse vídeo foi a falta de respeito generalizada comum a todas essas histórias. A mulher que foi largada na sala de parto sozinha por três horas me deixou soluçando. O médico que entra na sala pra fazer um parto e não sabe o nome da paciente é um filho da puta. Mas tem horas que realmente só o médico sabe qual é a alternativa melhor, e nessa hora não dá mesmo pra ficar discutindo alternativas, de modo que cada caso é um caso e que o termo “violência obstétrica” não se encaixa em todas as situações. Pra quem quer uma analogia, normalmente pacientes leigos, por mais bem informados que sejam, não ficam discutindo técnica operatória com o cirurgião que vai lhes tirar um tumor/cisto/pinta/catarata/unha encravada. Acredito que informar e tratar com gentileza são coisas cruciais, e o oposto disso é, sim, uma forma de violência (leia-se abuso de autoridade, complexo de jaleco, como quiserdes), mas deixar a escolha nas mãos do paciente leigo, que aparentemente é o que neguinho quer, pelos comentários que leio por aí, já é um pouco demais.

Essa história toda rendeu um breve thread no FB (quem quiser seguir dê uma olhada aqui) com um ponto de vista muito interessante da Amandita. Se as mulheres fossem melhor informadas sobre o que é a gravidez e como é um parto provavelmente não haveria esse debate todo, esses extremismos todos e esses traumas todos. E eu teria que aturar muito menos gente falando que gravidez e parto são coisas lindas. Porque gravidez é outra coisa altamente idealizada, né. A percentagem de mulheres com gestações ultra light é minúscula. Os sintomas mais comuns da gravidez incluem dor nos peitos, enjoo, vômitos, prisão de ventre, hemorróidas, varizes, burrice temporária (baby brain), excesso de emotividade, azia, insônia, sono durante o dia, edema generalizado, prurido (perguntem à Fabiola), aumento definitivo do tamanho dos pés, dor nas costas, hipersensibilidade a certos cheiros, gases e meteorismo, entre outros. Quero ver alguém ter coragem de dizer que passar quase um ano – porque estamos falando de 40 semanas marromeno; quase um ano, portanto – sentindo pelo menos uma dessas coisas é legal. Olha só, o que eu estou dizendo é que uma coisa é dizer “vale a pena passar um ano inchada, arrotando, enjoada, fazendo xixi a cada meia hora, com os peitos doendo e vomitando, faço tudo pelo meu filho” e outra, completamente diferente, é juntar as mãozinhas e recitar “ai, gravidez é uma coisa tão linda”. Façam-me o favor, né. Tanto não são coisas legais, gravidez e parto, que o nosso cérebro faz com que a gente se esqueça da intensidade das sensações desagradáveis desses dois eventos, porque senão mulher nenhuma teria mais que um filho. Tem que ser muito cara-de-pau pra dizer que a-do-rou ficar grávida. Eu achei maneiro o ato de estar dando origem a uma nova vida, porque realmente é muito maneiro, inclusive do ponto de vista biológico, mas todo o resto é só um grandíssimo pé no saco, e não deixa de ser pé no saco só porque o objetivo é a coisa mais linda do universo (porque todos os filhos são, claro). Eu acho que não é um conceito muito difícil de entender, mas eu tendo a fazer contorcionismos mentais meio bizarros. Bear with me please.

Di orecchini e babbo natale

Mia figlia non ha le orecchie bucate per gli orecchini. Devo ammettere che ci ho riflettuto parecchio prima di decidere di non farlo quando era neonata. In Brasile tutte le bimbe escono dall’ospedale già con gli orecchini installati. A me non l’hanno fatto; ho deciso di farmele forare, le orecchie, quando ero già grande, a forza di sentire altri bimbi chiedere a mamma se ero maschio o femmina perché portavo sempre i capelli corti e non ero particolarmente carina. Ho deciso io ed è stato un episodio epico nella mia vita: mi ricordo il vestito che portavo quel giorno, la farmacia, il dolore (ho vomitato, da quanto mi ha fatto male), la rottura di zebedei che è stato prendersi cura dei buchi appena fatti perché non si infiammassero (e tanto si sono infiammati lo stesso). Se me l’avessero fatto appena nata non avrei sentito tanto dolore (e probabilmente nessuno avrebbe chiesto a mamma se ero maschio o femmina), ma non rimpiango questa loro scelta. Anzi, li ringrazio per avermi rispettato. Perché credo che la libertà di scelta sia una delle cose più importanti che un genitore possa regalare a suo figlio – entro i limiti della ragionevolezza, ovviamente. Oggi sono una patita di orecchini e quando ne esco senza, normalmente per fretta, mi sento mezzo nuda e passo il giorno a toccarmi il lobulo, come se gli orecchini fossero degli arti fantasma.

Mia figlia ha quasi quattro anni e qualche giorno fa le ho detto che Babbo Natale è solo un personaggio fittizio. Personalmente non me lo ricordo come traumatico, il momento in cui ho scoperto che in realtà era un cugino che si travestiva ogni anno per portarci dei regali, che ci compravano i nostri genitori e nonni. Ma non ho neanche ricordi particularmente fenomenali dell’attesa per Babbo Natale. Forse perché né io né mio fratello eravamo molto focalizzati su questa cosa di regali. Ci piacevano, ovviamente, ma a noi basta poco per renderci felici (a me, in particolare, una penna colorata già mi rende la giornata più gioiosa). E quindi abbiamo deciso di dirlo subito a Carolina che Babbo Natale è un personaggio inventato, così come i Barbapapà, Nemo, le principesse Disney e tanti altri. Le abbiamo spiegato che i regali per Natale li comprano i genitori, e che visto che il Natale è, per noi, semplicemente un giorno in cui non si va a scuola e nient’altro, e considerando che lei ha già un mucchio di giocattoli e libri, che compriamo semplicemente quando li vediamo in giro e li troviamo interessanti, tutte queste cose di Natale, regali, Babbo Natale, Gesù Bambino e Befana sono una grandissima boiata. Il mondo è già abbastanza magico senza che abbiamo bisogno di raccontare le balle ai bambini, che si meritano decisamente più rispetto.

E parlando di rispetto (or lack thereof), un altro aspetto delle feste di fine anno che mi fa venire la spuma in bocca è la mania orrenda, idiota e antipedagogica di associare regali (e dolcetti) alle buone azioni. Come se alcun bambino si fosse mai comportato “bene” durante tutto l’anno solo con il pensiero di guadagnarsi un giocattolo e un torrone a Natale. E poi il concetto di “comportarsi bene” che cazzo significa? In Italia, o almeno in Umbria, comportarsi bene vuol dire non sporcarsi, non sudare, non correre. Mia figlia invece fa tutte queste cose – orrore, orrore, gioca addirittura con l’acqua a casa e si bagna tutta! – ed è felice, indipendente e intraprendente. Per me comportarsi bene vuol dire non rompere le scatole agli altri, punto. Categoria che ovviamente esclude “non sudare” e altre assurdità che sento spesso in giro. E quindi solo chi non si sporca ha diritto a regali? Con i quali giocheranno pochissimo, tra l’altro, visto che i bimbi si stufano subito e che è molto più divertente giocare, che ne so, con una stecca di legno? Bisogna essere come i soprammobili, reprimendo tutti i loro istinti infantili più primitivi di correre, saltare, ridere, imitare, fare i versi strani, per poter mangiarsi un ovetto Kinder? Ma fatemi il favore.

Non voglio nemmeno entrare più di tanto nell’argomento battesimo, che considero la più grande mancanza di rispetto nel confronto dei bambini. Sono completamente, totalmente atea, ma anche se non lo fossi non credo che avrei battezzato mia figlia. Perché le decisioni che ci cambiano la vita, come bucarsi le orecchie e entrare a far parte di una setta, sono assolutamente personali e fatte con cautela e cognizione di causa. Trovo il battesimo dei bambini una pratica schifosa (e con “battesimo” voglio dire l’inserimento del bambino in qualsiasi realtà religiosa, con o senz’acqua in testa). Il mio disprezzo per le religioni – tutte, senza eccezione – non è una novità per chi mi conosce, ma ho particolare antipatia per questa imposizione religiosa ai bimbi. La trovo disgustosa, e mancante di rispetto tanto quanto dire ai figli che è la Befana che gli porta i dolcetti. Non si mente ai bambini, punto. Non per paura di creare dei traumi irrisolvibili, ma perché non si fa, per principio. Mentire è brutto e se diciamo a loro di dire sempre la verità, con quale faccia tosta gli lanciamo queste bugie natalizie e bibliche? Io questa faccia tosta non ce l’ho. E quindi niente Babbo Natale, niente Befana, niente Bambino Gesù (che secondo me Carolina ha sentito nominare solo in mezzo alle bestemmie del padre e del nonno). Non abbiamo nemmeno un albero di Natale, che anche se è microscopico non riesco a trovargli un posto; preferisco occupare gli spazi della sala con la cucinetta di legno di Carolina e la sua propria Billy piena di libri e DVD. Capisco l’importanza, per l’essere umano, di feste e rituali, ma, come dico sempre, una cosa buona fatta per il motivo sbagliato, per me, è meglio non farla proprio. Facciamo festa quando ci sentiamo di farla. Per festeggiare un compleanno, un viaggio, la bella canzone che abbiamo ascoltato in macchina. Basta e avanza, no?

de música, eutanásia e fim do mundo

Ontem calhou de ler esse post da Dri e de ouvir essa música

no mesmo dia, e comecei a pensar sobre o assunto morte. Não de maneira mórbida (engraçado que “morbido” em italiano quer dizer “macio”); eu sou uma pessoa pragmática, com formação médica e non-believer até a raiz dos cabelos, de modo que encaro a coisa de maneira muito natural. Nosso destino é virar húmus, e não consigo imaginar nada de mais nobre e poético. De modo que deixo aqui, em público, pra todo mundo ver, minha vontade de, quando chegar a hora, que logicamente espero que demore muito pra vir, 1) ser eutanasiada, se for o caso; não acho que sentir dor enobrece e passar anos feito um pé de couve murcho numa cama não é pra mim; 2) ser cremada, porque ocupar espaço depois de morto é totalmente out, néam; 3) OBVIAMENTE não ter missa de nada, senão eu volto do além pra puxar a perna de quem tiver encomendado um só rosário que seja; e 4) que qualquer que seja a cerimônia de adeus, por favor toquem essa música acima (caprichem no coral, tá) e/ou essa aqui, também deles, que tem uma letra linda.

“With a nuclear fire of love in our hearts” é um dos versos mais lindos que eu já li. As letras do Live são todas meio malucas, porque o Ed tende ao esotérico-espiritual-era de aquário, mas ele já escreveu tantos versos lindos que eu volta e meia me pego repetindo uma frase dele, como um mantra. Run to the Water, em particular, sempre me traz lágrimas aos olhos. Como disseram num thread de comentários de outro vídeo deles no YouTube, a sensação que a música deles me dá não é de tristeza; não são lágrimas de tristeza ou de felicidade ou de raiva, mas de sentimento puro e simples. Tinha muito tempo que eu não ouvia Live. Não vai acontecer de novo de passar tanto tempo assim sem ouvi-los; de vez em quando preciso de umas sacudidas sentimentais assim pra acordar.

Run to the Water

Oh desert speak to my heart
Oh woman of the earth
Maker of children who weep for love
Maker of this birth
‘til your deepest secrets are known to me
I will not be moved
I will not be moved

“don’t try to find the answer
When there ain’t no question here
Brother let your heart be wounded
And give no mercy to your fear”

Adam and eve live down the street from
Me
Babylon is every town
It’s as crazy as it’s ever been
Love’s a stranger all around

In a moment we lost our minds here
And lay our spirit down
Today we lived a thousand years
All we have is now

Run to the water
And find me there
Burnt to the core but not broken
We’ll cut through the madness
Of these streets below the moon
These streets below the moon

And I will never leave you
‘til we can say, “this world was just a
Dream
We were sleepin’ now we are awake”
‘til we can say

In a moment we lost our minds here
And dreamt the world was round
A million mile fall from grace
Thank god we missed the ground

Run to the water
And find me there
Burnt to the core but not broken
We’ll cut through the madness
Of these streets below the moon
With a nuclear fire of love in our hearts

Yeah, I can see it now lord
Out beyond all the breakin’ of waves
And the tribulation
It’s a place and the home of ascended
Souls
Who swam out there in love!

Run to the water
And find me there
Burnt to the core but not broken
We’ll cut through the madness
Of these streets below the moon
With a nuclear fire of love in our hearts
Rest easy baby, rest easy
And recognize it all as light and rainbows
Smashed to smithereens and be happy
Run to the water (and find me there)
Run to the water