Arquivo de fevereiro de 2008

tédio

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Imaginem a cena: uma paca bem manquinha que vocês conhecem bem está atualmente relendo LotR pela 14a vez, entre outras coisas porque conhecendo a história praticamente de cor a compulsão de largar o trabalho pra lá pra saber o que acontece na próxima página é estatisticamente, hm, 2 (compulsão literária zero não existe no meu planeta, vocês sabem). A paca está, nesse exato momento, vesguinha de tanto dar copy-paste no último manual da maldita máquina que poda videiras, uma tradução que tem que ser terminada HOJE pra poder estudar Diritto Internazionale amanhã o dia inteiro (a prova é na quinta). A paca está de saco cheiíssimo e não agüenta mais ouvir falar de videira ou de grupo de corte ou de joystick ou de trator ou de dead man’s switch. O que faz a paca pra se distrair um pouquinho e repousar os olhinhos?

a) Corrige o dever de casa de italiano da mãe
b) Googla “Haldir is gay”
c) Bota a segunda parte de TTT em loop eterno no DVD (a primeira parte deu problema com o áudio e não deu pra queimar)
d) Passa aspirador de pó na casa toda e depois pano com Mastro Lindo para pavimentos frios
e) Todas as respostas acima, não necessariamente nessa ordem

Um Bacio Perugina pra quem acertar.

mudei

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Mudei de Ed. Com pena dos vizinhos, passei pro Eddie Vedder, outra voz que eu amo. O CD é Ten, também na minha lista de CDs Completamente Fodas. É velho, mas obras-primas não têm idade, certo.

..

Não sei se vocês já perceberam, mas a minha disciplina pra trabalhar em casa é absolutamente ze-ro. E se enrolação desse medalha, eu precisaria de um baú gigante pra guardar todas.

live. de novo.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

(porque eu sou obsessivinha, vocês sabem)

Tentando melhorar a chatura que estou traduzindo essa semana, o manual de instruções de uma máquina que poda videiras (sempre melhor que a pomada pra hemorróida…), subi todos os meus CDs do Live pro iTunes e taquei no iPod. Estou ouvindo a voz do Ed desde as dez da manhã. Não vou mais comentar quanto eu acho a voz dele uma das mais bonitas, senão A mais bonita, atualmente no mercado, e como ele poderia cantar a lista de compras e eu me derreteria toda. É que pra me distrair da maldita máquina de poda perdi uma meia horinha (aham) lendo os depoimentos dos fãs que foram aos shows mais recentes deles, e todo mundo notou a mesma coisa: que tá na cara que eles AMAM o que fazem, que eles são caras normaizinhos, que os fãs são light, que as letras e a música deles são muito, muito touching, que o Ed é um po-ço de charme e tem abdominais espetaculares, que todo mundo sai do show soltando faíscas de endorfina com os olhos e acorda no dia seguinte como quem sonhou com mousse de chocolate a noite toda (i.e. totalmente feliz e realizado). Isso me fez lembrar de duas coisas.

Uma foi quando ouvimos Live pela primeira vez. Estávamos, eu e meu irmão, nos Estados Unidos com meu pai. Tínhamos comprado um aparelho de som e como o vôo atrasou um dia e tivemos que dormir num hotel perto do aeroporto, abrimos a embalagem e aproveitamos pra gravar umas músicas que a gente gostava que tocavam sempre no rádio. Uma delas era Pain Lies on the Riverside. Não lembro como, mas descobrimos quem cantava e qual o CD, e, já no Rio, compramos o Mental Jewelry. Gostamos e depois passamos pro Throwing Copper. Não lembro onde compramos (o Tuco deve lembrar; deve ter sido na Galeria River), mas lembro perfeitamente que passamos o dia INTEIRO ouvindo o raio do CD até decorar as letras e trocando comentários. Meu irmão já era músico (porque sempre foi) mas acho que ainda não sabia, e por isso ficamos impressionados em intensidade igual. Hoje em dia eu fico só achando tudo muito maneiro na minha santa ignorância, enquanto ele vai pro aspecto técnico da coisa.

Não precisa nem dizer que só de pensar em tudo isso me dá uma saudade danada do Tuco.

A segunda coisa foi o show do Live em São Paulo, há muuuuitos anos. Ia ter show no Rio mas foi cancelado. Eu ainda tava trabalhando no Flash. Ficamos sabendo que ia rolar em São Paulo, a Hunka resolveu ir com a gente (eu ouvi as músicas do Secret Samadhi pela primeira vez no carro do irmão dela, assim que o CD começou a tocar nas rádios), compramos as passagens da ponte aérea não sei nem como, o Tuco me encontrou na cidade, pegamos uma daquelas vans tabajara, e… TUDO PARADO. Tinha tido um acidente hardcore pelo caminho e o trânsito não andava. Nós dois ficamos enlouquecidos de nervoso com medo de perder o vôo – coisa que, por sinal, só não aconteceu porque o piloto também estava empacado no mesmo engarrafamento. Chegamos suuuuuper em cima da hora, saímos correndo pelo aeroporto em SP feito um bando de malucos, não sei como conseguimos chegar ao local do show (que eu não lembro onde foi), e quando finalmente entramos a coisa tava acabando de começar. Muita música do CD novo, que eu ainda não tinha decorado, mas berrei MUITO nas que eu conhecia. O Ed deu umas reboladas estranhas, pois gringo não sabe dançar mesmo, mas sim, ele é MUITO, MUI-TO charmoso – uns olhos penetrantes fenomenais, e aquela vooooooooooooz. Não lembro todas as músicas que eles tocaram, mas lembro que saí de lá muito, muito feliz. Voltamos pro Rio de buzum, dormindo, e eu ainda tive aula na faculdade no dia seguinte. Cirurgia, se não me engano.

Tucomel, se eles tocarem aqui na Europa esse ano você vem? Pra matar dois coelhos com uma cajadada só? [em italiano diz-se pegar dois pombos com uma fava só] No site não tem nada escrito ainda, mas como eles vêm pra cá praticamente todo ano (tem muito fã deles na Holanda, eles sempre vão a Amsterdã) é muito provável que role. Hein? Hein?

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Tá frio. ODEIO frio.

da série “perché l’Italia mi ha proprio rotto i coglioni”

sábado, 16 de fevereiro de 2008

Domingo passado o napolitano do andar térreo veio bater aqui na porta. Antes de bater aqui tocou na vizinha, a Mulher Mais Feia do Mundo, que é toda amiguinha e o convidou pra entrar. Como eu estava de pijama (era quase hora do almoço mas eu estava estudando há horas na minha poltrona Poang, com preguiça de trocar de roupa), fiquei quietinha e não abri. Mais tarde, na garagem, a caminho da Arianna, encontramos com ele. Tinha tocado pra perguntar se queríamos contribuir com uns eurinhos pra comprar velas antivento pra procissão do dia 15. Mirco falou que não, que éramos non credenti. O velho fez uma cara de quem não acha que isso seja compatível com a vida, mas não fez nenhum comentário.

No mesmo dia, à tarde, apareceu no quadro de avisos da portaria um papel explicando que a procissão passaria dia 15, pedindo pra que as pessoas interessadas em contribuir colocassem seu nome na lista logo abaixo, e principalmente pra que não se estacionasse na rua pra não atrapalhar. Não resisti; pesquei uma caneta da bolsa e escrevi: “É mais civilizado deixar a rua livre o ano todo, e não só quando passa a procissão, né?”. Mais tarde, a resposta: alguém escreveu “Essa pessoa que deixa esses comentários deveria ir morar sozinha no alto de uma montanha, né?”. Demos uma gargalhada quando vimos, mas quando caiu a ficha bateu uma tristeza. Porque o ditado “os incomodados que se mudem” é a coisa mais injusta e irritante desse mundo. Tem um estacionamento eLorme a quinze metros aqui do prédio, mas neguinho estaciona em frente à entrada, praticamente em frente à garagem, em cima da faixa de pedestres, ocupando duas vagas (ao longo da calçada oposta ao prédio tem vagas marcadas no chão, mas são poucas). Tudo bem que aqui não tem movimento nenhum, mas TEM UM ESTACIONAMENTO ALI DO LADO, hombre! Por que não fazer as coisas direito, até pra dar um exemplo legal pros seus filhos? Puta que pariu! Vai gostar de fazer coisa errada lá em Nápolis! Além disso deixam a porta do prédio aberta, jogam papel de bala e guimba de cigarro nas escadas, falam berrando, andam de salto alto dentro de casa… Quer dizer, eu que sou civilizadinha é que sou convidada a me retirar, sacaram?

Isso já aconteceu comigo n vezes aqui. Há alguns meses fui levar um DVD pra devolver, de bicicleta, e vi que depois da passagem de nível o trânsito tava todo parado. Desci da bici e fui empurrando pra ver o que era: simplesmente um cretino tinha parado o carro ao longo da calçada, sem seta nem nada, bem no ponto em que tinha um caminhão carregando entulho no outro lado da rua. Ninguém passava! Fiquei parada, abobalhada, até que o dono do carro voltou de sei lá onde é que ele tinha ido. Viu a minha cara de tsk tsk tsk e ficou puto: “tá olhando o quê? O quê que você queria que eu fizesse?” Incrédula, ainda tive forças pra dizer que o engarrafamento que ele estava causando já tava chegando lá na padaria Mela – a essa altura tinha gente buzinando por todos os lados – e que bastava ele esperar dois minutos no estacionamento em frente à farmácia, EXATAMENTE DO OUTRO LADO DA RUA, que logo alguém liberaria uma vaga e ele poderia estacionar. Depois dos primeiros xingamentos do cara eu desisti. Não tem como discutir com selvagens.

O retrato do italiano médio é exatamente esse. É o cara que pára o carro no meio da rua pra mulher ir comprar cigarro no bar, não dá seta nem nada, e quando alguém que vem atrás buzina, bota a mãozinha pra fora à moda siciliana e diz, com o cigarro pendendo dos beiços e oculões Dolce e Gabbana cobrindo todos os seios da face, “ma che cazzo vuoi?”.

Esse país anda me dando nos nervos ultimamente.

live

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

O Brunão postou, há muito tempo, sobre a sua epifania musical, no caso com a música Lightning Crashes, do CD Throwing Copper, do Live.

Acontece que o Live é uma das minhas bandas preferidas, se não A mais preferida de todas. E o Throwing Copper é um dos melhores álbuns do mundo na minha opinião, junto com Achtung Baby do U2, Smash do Offspring, Dookie do Green Day, Ten do Pearl Jam, Cor de Rosa etc da Marisa Monte e poucos outros. O CD inteiro é maravilhoso, inteiro, inteiro, inteirinho, de cabo a rabo. Há meses só dá ele no meu carro, e a viagem até Foligno passa rapidinho comigo berrando junto com o Ed Kolskwzzjffdjsy (inserir sobrenome polonês impronunciável). Lightning Crashes é realmente foda, mas a minha epifania pessoal vem com Pillar of Davidson, apesar da letra. Boto a música altíssima e pego a E45 direção Foligno berrando a plenos pulmões, SHEPHEEEEEEEEEEEEEEEEEERD WON’T LEAVE ME ALONE, HE’S IN MY FACE AND I… etc. Meno male que é sempre noite e os outros motoristas não me vêem me esgoelando dentro do carro.

O Live tem uma música epifanística em cada CD, praticamente. No caso de Mental Jewelry, o primeiro deles que eu tenho, é Pain Lies on the Riverside, que não é balada mas é uma coisa de louco. Throwing Copper tem essas duas, a do Brunão e a minha. Secret Samadhi, também bárbaro, tem Turn My Head, em que o Ed dá um suspiro tão sexy que dá vontade de sair correndo na rua e dar uns amassos no primeiro que passar. The Distance to Here tem Run to the Water, que apesar das letras que não têm o menor sentido (as letras deles são muito bizarras) tem os versos “we’ll cut through the madness/of these streets below the moon/with a nuclear fire of love in our hearts” e “it’s a place and the home of ascended souls/who swam out there in love!” que eu absolutamente amo. Tudo isso cantado com a voz espetacular do Ed Kslkfjwzsfdy (inserir sobrenome polonês impronunciável). Birds of Prey eu tenho mas não me entusiasmou muito e não tenho uma preferida, e dali por diante eles meio que mudaram de rumo e começaram a tocar uns negócios esquisitos, mudaram o estilo e não gostei mais.

Mas de Mental Jewelry até The Distance to Here eu recomendo-endo-endo.

yo hablo

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Pronto, me rendi. Não acho mais o espanhol uma aberração da natureza. Estou adorando as aulas, apesar do ritmo ser lentíssimo porque obviamente nem todos os meus colegas têm a minha facilidade pra línguas, nem mesmo os de língua materna da família do latim. A professora é uma figura, amiga da Begoña, engraçadíssima, um amor. Além das 6 horas semanais de espanhol na faculdade (das quais perco a metade porque cai bem no horário do curso dos policiais em Foligno), faço 45 minutos com a Begoña às sextas-feiras, depois de 45 minutos de conversa em português pra ela não perder a prática.

Lendo o La Sombra del Viento me dei conta de que estou gostando MESMO da língua, descobrindo jogos de palavras, modos de dizer, combinações de sons que eu estou amando aprender. Já superei a fase de ler em voz alta pra me familiarizar com os fonemas e agora já cheguei ao ponto de falar sozinha em espanhol no carro pra treinar a entonação. Cês vão ver como daqui a pouco eu vou estar hablando que é uma beleza.

acabou-se o que era doce

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Os átomos reciclados de Darwin ouviram as minhas preces! Kate, o último bastião de sanidade mental que restava lá na agência, finalmente se demitiu. Parece que só não foi um evento mais bombástico do que a minha demissão junto com a Patrizia porque não tinha público, como no nosso caso. Em compensação, foi chamada de maluca, de frustrada sexual e outras delícias. Justo a Kate, que é um doce de menina, um amorzinho, toda quietinha e sorridente! Bom, pelo menos ela finalmente se livrou daquele horror.

O único porém é que agora ficamos sem espiões infiltrados, já que todo mundo que sobrou lá dentro está do Lado Negro da Força. E conseqüentemente perderemos pérolas da Chefa Escrota, do tipo, o J., tradutor de espanhol que eu custei a convencer a se mandar, tem um irmão casado com a Cristina Aguilera. Gente, tinha muito tempo que eu não ria tanto assim, mas quando a Kate contou essa história no jantar aqui em casa, semana passada, eu quase engasguei de tanto gargalhar. A Chefa Escrota tinha que ser estudada pela ciência, bicho. Nunca vi um cérebro tão nonsense, tão mitômano, tão criativo para o mal, tão, tão…

A Chefa Escrota é a única pessoa que eu já conheci para a qual eu desejo tudo, tudo, tudo de ruim. Se eu a visse atropelada, ensangüentada, fraturada e eviscerada no meio da rua cuspiria em cima e continuaria no meu caminho, saltitando de felicidade e mastigando um Trident Frutas Tropicais. Juro.

Mas o azar é todo dela: a agência de tradução que o Careca, dissidente do setor de vendas da agência dela, abriu em Perugia agora conta com J., S., V., S., F., e, se não bastasse, comigo como tradutora externa. Vários clientes já foram roubados; dou um pulo de alegria cada vez que abro um documento e reconheço o cliente de outros carnavais. Coisa linda de mãe.

a salvação da lavoura

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Peguei a mania de traduzir ouvindo música clássica, ou vendo DVDs de. Achei uns DVDs do Karajan com a Filarmônica de Berlim, tocando todas as sinfonias do Beethovão, e normalmente vou com esses. Também desencavei um das 4 estações de Vivaldi, a Música Mais Batida do Mundo mas que eu absolutamente AMO (principalmente o Verão), com a Mutter de solista. Eu tinha isso gravado em vídeo lá no Rio, há muito tempo (foi a abertura da temporada de concertos de 87), porque lembro não só da cara de muitos dos músicos como do longo rosa-choque que a Mutter estava usando.

Claro que me distrai ligeiramente – é por isso que eu ouço pouquíssima música, porque absorve toda a minha concentração e não consigo fazer mais nada; se é pra escolher uma atividade monopolizante, prefiro ler – mas pelo menos o tempo passa rápido e os manuais chatos acabam voando. Bom, muito bom.

Também baixei umas coisas de Mendelssohn, com o qual fiquei encantada depois de ir àquele concerto em Perugia ano passado, lembram. Mas meus ouvidos não são muito refinados e me sinto mais confortável com músicas batidas que conheço bem. Devagarzinho vou ampliando o repertório. E assim me livro da escravidão da televisão, que no caso particular da Itália é um queimador de neurônios de altíssima geração. Você liga e quase dá pra ouvir os neurônios explodindo, pluf, pluf, pluf, um por um, em meio a muita dor e desespero.

atonement

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

O livro dispensa comentários, mas o filme eu só fui pegar em DVD agora. Achei leeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeento. A bem da verdade eu já li o livro há tanto tempo que nem lembrava direito da história – tinha uma vaga memória da cena no chafariz e da Briony enfermeira – mas tenho certeza que o romance não era devagar quase parando, até porque nenhum dos outros livros dele é estilo cágado. Meus comentários, além da lerdeza:

- Vocês me desculpem, mas eu não agüento o bico da Keira Knightley. Aliás, nunca fui com a cara dela, porque além do bico ela tem um nome ridículo, e vocês sabem que eu não perdôo nomes ridículos. Nem bico.
- Ela é realmente magra mas tem umas pernonas grossas totalmente nada a ver.
- O vestido verde que ela usa é um des-bun-de.
- Eu amo toda e qualquer história que se passa no English countryside.
- A Lola é feia que nem a fome, com aquelas bochechas gigantes. Os gêmeos ruivos são ótimos.
- Quando começaram a atirar nas cabeças dos cavalos eu quase vomitei, apesar de obviamente não aparecer nada. Só de pensar me dá vontade de vomitar de novo.
- Preciso voltar a escrever.