Arquivo de outubro de 2006

“the world before and after jesus”

terça-feira, 31 de outubro de 2006

Whoever the Beloved Disciple was – that is, the Johannine church’s original eyewitness – he had a sharp eye and a keen ear, for he picked up on details ignored by the other evangelists. In many of Jesus’s encounters, the dialogue has the quick, prickly humor of the Greek theatrical comedy. After Philip is called by Jesus, he runs into Nathaniel (to be identified perhaps with the Bartholomew of the Synoptic tradition) and exclaims:

“We’ve found the One that Moses
wrote about in the Torah and the
prophets wrote about, too – he’s
Jesus bar-Joseph from Nazareth!”

“Nazareth! Please. What good
ever came out of Nazareth?”

Desire of the Everlasting Hills, de Thomas Cahill

Adorei esse pedaço. Mas não vejo a hora de acabar; que livro chatinho. Acho que vou encarar outro Dawkins depois, pra amenizar os efeitos jesuíticos desse aqui.

filmim bão

segunda-feira, 30 de outubro de 2006

Resolvemos ir ao cinema em Bastia depois do expediente. Saí do trabalho e fui direto pro centro. Parei no estacionamento da Coop e caminhei os dois passos até o cinema. Logo depois Gianni e Chiara apareceram, e finalmente Mirco com meu jantar, um misto quente. Esqueci que o dia seria longo e não levei almoço “sério” pro trabalho, comi só um pedaço de pizza de batata e alecrim que Mirco tinha comprado sábado. Já sei que amanhã vou ter enxaqueca porque não posso jejuar assim por tanto tempo (jamais poderia fazer o que a Maura fez).

Mas enfim, o filme era The Departed, do qual eu não sabia absolutamente nada. Mas A-DO-REI. Adoro filmes em que se vê a mão do diretor, nesse caso o Scorsese. A edição é ótima, o roteiro é bom, o conflito bom-que-se-finge-de-mau e mau-que-se-finge-de-bom é original, os atores estão todos ótimos (apesar da cara de Meu Bebê do di Caprio, sempre achei o menino um bom ator), a música é perfeita. Gostei, gostei, gostei, e vou ter que pegar o DVD pra poder curtir os sotaques originais. Vão ver! Agora! Tchau!

r.é.t.n.v.

domingo, 29 de outubro de 2006

Então acordamos cedão e fomos pra Roma de carro. A fila já estava gigantesca quando chegamos, às oito, pouco depois do museu abrir. O problema é que os Musei Vaticani normalmente não abrem aos domingos, o que é ridículo, mas no último domingo do mês abrem de grátis. Então imaginem a fila, entupida de muquiranas como nós. Eu e Chiara ficamos na fila enquanto os meninos foram estacionar no viale Giulio Cesare, onde eu e Valeria pegávamos o ônibus pro albergue da juventude. Em duas horas e meia de fila aconteceu de tudo: um grupo de estudantes fedorentos do leste europeu furou a fila na nossa frente, dois indianos discutiram atrás de nós, veio a polícia pra empurrar o pessoal de volta pra calçada, porque já tinha neguinho fazendo fila no meio da rua, e, cerejinha no chantilly, esse japonês solitário fez uma longa sessão de limpeza dos ouvidos. Com um palito.

O nosso objetivo era mesmo a Capela Sistina, que só eu tinha visto com as cores fortes depois da restauração. Mas cara, como é difícil ser turista num mundo cheio de turistas. Tem gente demais em tudo que é lugar, parece que a gente tá em Pequim. O que não é exatamente um elogio. E ainda por cima neguinho é mal educado pacas: se tá escrito que não pode tirar foto, NÃO TIRE FOTOS, oras. Mas não: um monte de gente se fingindo de boba e apontando as máquinas fotográficas pra cima. E o hominho do museu gritando No photo, No photo! E o outro hominho fazendo shhhhhhhh porque, afinal de contas, é uma capela, e em lugares religiosos o silêncio é sinal de respeito, até eu sei e obedeço. Mas toda aquela falta de educação foi nos cansando e acabamos indo embora sem ver as outras partes do museu. De qualquer maneira, uma das minhas partes preferidas sempre foi o corredor dos mapas, porque eu A-DO-RO mapas, não interessa de onde. Mapas de lugares estranhos me fascinam pelos nomes bizarros, e mapas de lugares conhecidos me deixam maluca porque é legal reconhecer lugares familiares. Perdemos uns 20 minutos dando risada com os antigos nomes das cidadezinhas aqui do interior da Suazilânda. Tinha até Bastia, meio apagadinha, perto de Ospedalicchio, aqui do lado, que se chamava Spedaletto. Olha Assis como é grande, com aquele crucifixão! C.nuovo é Castelnuovo, onde fomos jantar na sagra com mamãe e Margareth. T. d’Andrea é Tordandrea, terra da mãe do Mirco. Bettona a gente vê aqui de casa, e é onde vamos comer todo ano na festa do ganso. : ))))

Morrendo de fome, pegamos um táxi, que nos sugeriu uns nomes de restaurantes no Trastevere. É um bairro delicioso, perto do ghetto judeu, ao longo do rio, e é famoso pelos muitos bons restaurantes e trattorie. O primeiro nome que o taxista deu foi La Cisterna, que tava fechado. Então fomos comer no Ivo, que apesar da decoração cafona, falso-antiga, nos serviu muito bem. Comi tagliatelle com lingüiça, ervilhas e cogumelos. Mirco e Chiara comeram tonnarelli (que aqui no interior se chamam spaghetti alla chitarra, é uma espécie de spaghetto quadrado em vez de cilíndrico) cacio e pepe, ou seja, com queijo e pimenta-do-reino, um prato típico de Roma. Tudo delicioso e em porção muito mais generosa do que a média. Os meninos ainda encararam um secondo de peito de frango e verdura, e depois do almoço voltamos a pé pro centro. Viemos passando por ruazinhas pouco badaladas até chegar nos fundos do Pantheon, que eu não me canso de olhar (e babar). Mas só fomos lá mesmo porque atrás do Pantheon, na via Maddalena, tem aquela sorveteria, aquela, onde eu sempre tomo sorvete de maracujá. Hoje não foi diferente. O sorvete é caro, 2 euros contra os 1,30 aqui do interior, mas, cacete, como vale a pena! Aqui na Itália ninguém toma sorvete de um sabor só, não existe, então a casquinha menor é sempre “due gusti”. Eu tomei maracujá e doce de leite com Nutella. Estava uma coisa de louco, mas depois me arrependi de não ter provado o chocolate fondente (meio amargo). Fica pra próxima.

Ainda demos mais uma volta por ali mesmo e depois fomos visitar a tia solteirona do Gianni, que mora perto do Vaticano, num apartamento de porão, estilo Nova York, sabe, com janelas que só deixam ver os pés das pessoas. Se eu disser quanto vale esse apartamento no porão, entre o apartamento do zelador e o estúdio de gravação daquela mala sem alça do Pino Daniele, vocês vão chorar de nervoso, então não digo. Mas essa tia é muito engraçada, não é a clássica solteirona infeliz. Sempre trabalhou, sempre curtiu muito a vida, badala pra burro, viaja, vai ao teatro, ao cinema, aos museus, e tem muita história pra contar. Só que ela fala sem parar e eu via o Gianni desesperado querendo achar um espacinho pra interromper o monólogo e dizer que tínhamos que ir embora porque tava ficando tarde, e nada. Finalmente ela parou pra respirar e nos despedimos.

A viagem de volta foi tranqüila. Mirco comeu um sanduíche qualquer quando chegamos em casa, vimos metade de um episódio de Dr. House e capotamos.

p.s.: Tem outras fotos aqui.

fofocation

sábado, 28 de outubro de 2006

Depois das duas notícias bombásticas de ontem, ou seja, que tanto V. , do setor comercial, quanto Marco, o tradutor austríaco, se demitiram do manicômio, resolvemos jantar com Marcolino pra entender melhor essa história. Ele é um a-mor de menino, que por algum motivo misterioso a J. (chefe dos tradutores e que traduz mal para cacêtchi, como diz o Mirco) detesta. Educadíssimo, fala devagar, seu italiano tem uma leve entonação gringa mas é muito bem falado (o pai é italiano), e é um ótimo tradutor, daqueles teimosos que não sossega enquanto não achar o termo justo. Ele e José, o espanhol, salvavam minha vida enquanto eu trabalhava lá em cima, porque são divertidos, gentis e ótimos companheiros de trabalho. Sempre demos muita risada juntos, e esse é o único ponto negativo de ter sido transferida pro andar de baixo, na escola, onde passo o dia INTEIRO sozinha, sem ouvir ninguém berrando, sem ouvir telefone tocando e sem sentir fedor de cigarro.

Mas então: apesar de ter feito 6 anos de faculdade – 4 de curso e mais 2 de especialização – ele foi contratado como aprendiz e ganha uma merreca. Além de detestar o modus operandi da agência, o que qualquer pessoa de bom senso também sente. Então vai-se embora. Só não foi antes porque o contrato de aluguel da casa lá na casa do chapéu onde ele mora requer aviso prévio de três meses antes do cancelamento. Então Marcolino vai-se, provavelmente pra Roma, que é tudo na vida, pra trabalhar não sei onde. Emprego não vai faltar porque ele é muito profissional.

E fomos até Nocera, onde ele se esconde, pra jantar e basicamente falar mal da chefa maluca. Fiquei sabendo de outras coisas cabeludas, entendi por que é que J. se submete à loucura da chefa há quatro anos (antes era faxineira, e ali virou “Responsabile Ufficio Traduttori”, apesar de traduzir igual à cara dela. Um belo pulinho.), entendi por que o José ainda não pode se demitir também (mas disso não posso absolutamente falar aqui). Reclamamos de modo geral de como os italianos trabalham e dirigem, elogiamos a comida italiana, falamos mal da TV italiana e da mamma italiana e seus filhos mammoni e superdependentes, falamos bem de Roma e Florença. Foi uma soirée produtiva, mas tivemos que voltar cedo porque amanhã cedo resolvemos ir a Roma, que é tudo na vida, tentar entrar no Vaticano de graça. Veremos.

socorro

sexta-feira, 27 de outubro de 2006

Acabamos de voltar do jantar de aposentadoria do Ettore. Mirco resolveu fazer no Giovanni, aquele lá na casa do cacete onde fomos alguns domingos atrás, depois da IKEA. Só pra vocês darem uma choradinha básica de inveja, o menu, em detalhes:

- De entrada fria, a tradicional tábua de queijos e frios que eu não sei onde ele arruma, porque tudo é delicioso. Tinha: salame de ganso, de javali e de cervo, mortadela de javali, um tipo de salame chamado finocchiona, temperado com funcho, que eu abomino, e capocollo. Tinha dois tipos de pecorino, um fresco e um maduro, tinha caciotta com nozes, com azeitonas, com pimenta-do-reino e com peperoncino.
- De entrada quente, mozzarella derretida enroladinha como um charuto em uma fatia de bacon fresco, uma ameixa enrolada no bacon com uma minifolha de hortelã por cima, e uma espécie de pastelzinho de forno com recheio de lingüiça e uva.
- Depois outra entrada quente, um aspargo enrolado em presunto, gratinado com um molho de queijo.
- Depois uma acqua cotta (água cozida) maravilhosa. A acqua cotta, como o nome sugere, é um dos muitos pratos da cozinha pobre italiana, que é uma delícia, justamente por ser tão simples. Aquela história: quem não tem cão caça com gato, e em períodos de vacas magras neguinho saía inventando receitas com coisas simples pra enganar o estômago, e saíam coisas ótimas. A acqua cotta é uma espécie de sopa boba que pode ser feita com um monte de coisas. Essa era de grão-de-bico e batatas, e era uma das melhores sopas que eu já tomei na minha vida.
- Depois o primo piatto, clássico risoto de cogumelos, muito gostoso.
- Depois o secondo, stinco di maiale (a batata da perna do porco) assada com batatas. Eu gosto, mas já não agüentava mais, então provei só um pedacinho.
- Salada, que dispensei.
- A primeira sobremesa: bavaroise de vinsanto, aquele vinho doce onde você mergulha aqueles biscoitos duros de amêndoas, os cantucci. As sobremesas do Giovanni nunca têm chocolate, então eu dispenso.
- A segunda sobremesa: uvas embebidas em chocolate branco com gotinhas de chocolate amargo por cima. Comi só as gotinhas. E ainda tinha pedacinhos de torta de damasco.
Tudo isso regado a vinho tinto e branco, e finalizado com grappa, limoncello e licores. E carne de vitela pros dois muçulmanos da oficina, Mustafa, marroquino, e Hussein (esse é da Croácia, go figure).

Rolem de inveja, mortais.

domesticidades

quinta-feira, 26 de outubro de 2006

Não sou como a Adriana, que tem verdadeira alergia às tarefas domésticas. Pelo contrário, até me divirto, se estiver de bom humor e não-exausta, claro. Mas as roupas… Cacete, são definitivamente as partes mais chatas da administração doméstica. Detesto todas as fases: a fase de separar a roupa suja em coloridos, brancos, roupa de trabalho do Mirco manchada de tinta, roupas de lã que não vão na máquina; a fase de encher o cesto e ir lá fora, mesmo quando não tá frio, encher a máquina de lavar; estender a roupa, que porreeeeeeeeeeeee; e passar, que graças aos céus agora a faxineira resolve pra mim porque passar roupa É UM SACO. Além de ser uma perda de tempo absurda.

Então quando começou a passar na televisão o comercial da nova secadora de roupas da Rex, que funciona a vapor e deixa a roupa praticamente passada, quase babei. Mas ainda não tive coragem de ver o preço. Tenho medo…

codice della strada

quarta-feira, 25 de outubro de 2006

Desde que o Mirco, num raro momento de estupidez injustificada, comprou o rádio pro meu carro, passei a fazer parte da odiosa categoria de motoristas que não sabem que a pista da esquerda é pra ultrapassar e não pra passear. É que o rádio é tão vagabundo que pula com qualquer buraco no chão (aliás, pula até nas curvas, mas é detalhe), e as estradas do interior do Malawi são uma merda. A pista da direita, freqüentada por caminhões, é uma coisa assim estilo Rio-Santos, sabe. Então eu tô lá cantando com o George Michael e de repente um solavanco e a bicha pára de cantar, e só volta tipo 3 minutos depois. É muito irritante, sabem. Então eu fico na esquerda, que é mais lisinha, sempre com o zoio no retrovisor, e quando vejo alguém vindo desembestado pela esquerda, dou a seta e volto pra buracolândia.

Pergunta se alguém deixa de piscar o farol pra mim, mesmo depois que eu já dei a seta avisando que vou dar passagem?

ho ho

terça-feira, 24 de outubro de 2006

O clímax do dia foi o programa Le Iene, falando sobre a construção da linha TAV (Treno Alta Velocità). Tipo assim, uma comédia, se não fosse trágico. O projeto TAV custa na Itália muitíssimo mais do que nos outros países europeus onde já existe. Não houve licitação, mas concessão, que, olha só, foi dada à empresa de um ex-Ministro da Infra-Estrutura. No meio tem a Ferrovie dello Stato, tem a Fiat, tem subsidiárias da FS, tem empresas privadas. O projeto foi feito igual à minha cara e alguns trechos já tiveram que ser refeitos. O impacto ambiental é grave em algumas áreas. A coisa já saiu com uma dívida tão grande que, pensem, SE A ITÁLIA TIVESSE COMUNICADO QUE NÃO TINHA 66 BILHÕES DE EUROS PRA BANCAR O PROJETO, NÃO TERIA ENTRADO NA COMUNIDADE EUROPÉIA. Tão sacando a gravidade da coisa? Fica melhor ainda: o órgão que controla as obras pertence, tchãrãaaaa, não a terceiros imparciais, como seria de se esperar em qualquer país civilizado, mas aos diretamente envolvidos. E a divisão de 40% de fundos bancados pelo governo e 60% pela indústria privada é uma mentirona, porque essa indústria privada pegou empréstimo… do governo!

Gente, isso aqui é só um Brasil que come mais macarrão. Juro.

segunda-feira, 23 de outubro de 2006

Foi um dia meio bizarro, lasciatemi perdere.

hm

domingo, 22 de outubro de 2006

Comecei Desire of the Everlasting Hills, sempre do Cahill, sobre o mundo antes e depois de Jesus. Eu, que não entendo nada dessas coisas, estou aprendendo pra burro. Mas estou achando tudo tão parcial… Meio jesuítico, sabe. Tenho a sensação de estar dentro de um livro de catequismo. Uma certa irritação. Mas conhecimento nunca é demais.