sabadão

Sabe o que é um dia sem fazer nada? Não fiz nada. Na-da. Coisa boa!

Depois do jantar fomos pra casa do Gianni ver a Roberta, que veio passar o fim de semana aqui no interior do Gabão. Quando ela foi trabalhar na Ferrero, em Torino, eu avisei pro Gianni que no início ela viria toda hora “pra casa”, mas que à medida em que arrumasse a sua vida por lá “casa” passaria a significar Torino, e as visitas aqui no Cambodja ficariam cada vez mais raras. Agora que o estágio foi transformado em contrato a tempo indeterminado, o namorado é novo e o trabalho é sempre mais interessante, a garota só dá as caras aqui uma vez a cada dois meses e olhe lá. Gosto muito da Robi, mas torço muito por ela também, porque é uma garota esperta e boa, e dou a maior força pra ela ficar por lá mesmo e sumir desse buraco.

Mas o lance é que estamos nos programando pra ir a Viena no feriado da Madonna (8 de dezembro), e Robertinha também vai, com o novo namorado. Dicas são bem-vindas.

Perugia

Saí cedo de casa. Deixei o carro no estacionamento do mercado em Ponte San Giovanni e peguei o ônibus das 8 e quinze pra subir pra Perugia. Fui me matricular, de novo. Acho que dessa vez vai. Que horas vou estudar, não se sabe, mas um jeito a gente sempre dá. Faltava um documento, que até o ano passado não servia, então voltei pra casa só com o comprovante de pagamento e tenho que mandar todos os documentos juntos pelo correio.

Acendam velinhas.

passa-parola

Por sorte essa semana todos os últimos estudantes cancelaram tudo ao mesmo tempo, e posso voltar pra casa em um horário mais humano. O que significa passar na Rita pra comprar verdura fresca pra grelhar pro jantar. Também significa receber recado de uma das minhas ex-alunas, as Oche Farmaciste. Essa até que é a menos oca, anzi, é boazinha e sei que gostaria de aprender inglês direito. A gente já tinha se encontrado na Rita antes porque ela trabalha na Farmacia Comunale ali perto. Uma amiga sua precisava de um professor de inglês pra filha, deixou recado com ela, que, não sabendo meu telefone, deixou recado com a Rita, que deixou recado com a Arianna, que me ligou avisando. Roça é isso.

livrim

Besides the innovation of speaking the unspoken moral law aloud, one should note the lesser – but hardly unimportant – innovation of the weekend, which got its start in the Jewish Sabbath (or “Ceasing”). No ancient society before the Jews had a day of rest. The God who made the universe and rested bids us do the same, calling us to a weekly restoration of prayer, study, and recreation (or re-creation). In this study (or talmud), we have the beginnings of what Nahum Sarna has called “the universal duty of continuous self-education”, Israel being the first human society to so value education and the first to envision it as a universal pursuit – and a democratic obligation that those in power must safeguard on behalf of those in their employ. The connections to both freedom and creativity lie just beneath the surface of this commandment: leisure is appropriate to a free people, and this people so recently free find themselves quickly establishing this quiet weekly celebration of their freedom; leisure is the necessary ground of creativity, and a free people are free to imitate the creativity of God. The Sabbath is surely one of the simplest and sanest recommendations any god has ever made; and those who live without such septimanal punctuation are emptier and less resourceful.

The Gifts of the Jews, de Thomas Cahill

Nem de longe tão interessante quanto o How the Irish… Mas é porque eu tenho uma quedinha pelos celtas, eu sei.

anta

Acordei mas não consegui me levantar. Entrei em coma enxaquecoso até a hora do almoço, quando, IMBECIL, troquei de roupa e fui trabalhar. As aulas foram as mais longas da minha vida. Idiota. Repitam comigo: em caso de enxaqueca, NÃO SAIA DE CASA ATÉ QUE AS 48 HORAS DA CRISE PASSEM. NÃO SAIA DE CASA ATÉ QUE AS 48 HORAS DA CRISE PASSEM. NÃO SAIA DE CASA…

hm

Acho que finalmente estou entendendo o mecanismo da minha enxaqueca. Porque no meu caso tem a ver com o sono, mais do que com a alimentação. Desde a primeira crise anoto TUDO o que eu como, todos os dias, e nunca achei nenhum padrão que pudesse explicar a enxaqueca. Hoje acordei meio assim assim, à tarde tive que me dar uma injeção de Voltaren, e pesquisando na internet descobri que sono desregulado – pra mais ou pra menos – pode desencadear as crises. E comecei a reparar que quando durmo à tarde, nos fins de semana, ou durmo muito pouco, geralmente depois a crise vem.

O problema é que eu durmo no fim de semana porque durante a semana estou sempre agitada demais e não consigo dormir direito, nem em termos de quantidade nem de qualidade. O que fazer, ó céus…

Ai que maravilha se o tempo ficasse assim o ano inteiro! Depois de almoçar torta al testo com lingüiça na Arianna fomos dar uma volta em Santa Maria com os cachorros (só Leguinho e Demo, porque o Leo tá velho e não quer passear, além de nunca ter se acostumado à coleira. Fica todo paranóico, ô cachorro chato). Uma diliça. A dormidinha básica depois do almoço é muito mais justificada quando você sabe que caminhou quilômetros antes… ; )

Fomos jantar em um restaurante idiota em Rivortorto, idéia de jerico do Marco. Mas pelo menos domingo é dia de ver o Alessandro, o filhinho deles, que é um amor e muito engraçado. Pena que a probabilidade de continuar esperto durante o crescimento é muito pequena, no que depender dos pais. Michela NUNCA leva brinquedo nenhum pro garoto, que passa o tempo rasgando guardanapos. Moram numa casa sem livros, sem filmes, sem computador, sem esportes, sem música nenhuma além do Vasco Rossi, que é um dos muitos cantores italianos que gritam, sem fotos, sem bichos, sem viagem. E pensar que o garoto tem tanto potencial… Cacete.

Foi um sábado produtivo. Fui levar o lixo pra reciclar lá na Isola Ecologica, fui pegar minha saia preta lá nas napolitanas gordas de Santa Maria que consertam roupas, comprei speck fresco pra fazer um risoto com espinafre e scamorza pro almoço, passei no contador pra tirar umas dúvidas sobre o meu contrato. À tarde não fiz la-da porque estava cansadíssima; li e dormi. À noite fomos com Moreno e Marta comer sanduíche de peito de frango no Pans and Company e depois ver WTC. Só o Moreno mesmo pra me tirar de casa pra ver World Trade Center! Como era de se esperar, é um porre. POR-RE. E completamente desnecessário, lógico.

Detesto ver filme chato, fico de péssimo humor.

potocas

. Acabei de roubar um pepino gigante do vizinho lá da escola. Aquele que deixou todas aquelas ameixas lindas apodrecerem nos ramos. Da minha escrivaninha eu não vejo nada lá de fora, mas quando fui abrir a porta pro policial que veio pedir pra levarem embora o Renault Twingo da Elisa que estava estacionado em frente ao portão de outro vizinho, dei de cara com aquele pepinão pendurado (não riam). A planta do pepino é trepadeira (ho ho) e se deixar vai subindo toda vida (ha ha). Estava lá trepada no pessegueiro, toda florida. Não tô brincando, é um pepinão de uns 30 centímetros. Eu detesto, mas o Mirco ama – neguinho aqui adora pepino, as crianças ficam loucas – e o Leguinho idem, então não resisti e roubei. Há outros seus colegas ainda em fase inicial do crescimento, e já que estão crescendo todos pro lado da escola, vão todos acabar na minha geladeira. Com certeza é um destino melhor do que apodrecer no chão.

. Já estão pintando as paredes externas da casa nova, ou melhor, do prédio novo. Está ficando uma lindeza.

. Já comprei minha agenda Moleskine pro ano que vem. Junto com outro livro do Dawkins.

. Comecei The Gifts of the Jews, do Thomas Cahill, aquele que escreveu How the Irish Saved Civilization, um dos meus preferidos. Vamos ver se esse também é bom.

. Estou gripada, sem saco e com uma tradução enorme pra fazer. Que tal?

. Hoje o jantar vai ser frango de padaria. E o pepino do vizinho.

hmpf

Aproveitei que já tinha terminado uma tradução com data de entrega semana que vem, e li rapidinho, no trabalho mesmo, French Women Don’t Get Fat, de Mireille Guiliano. Una cazzaaaaaaaaaata. Sei lá, acho que eu estava esperando algo na linha dos livros de Peter Mayle, uma coisa mais culture clash, não sei. Mas o livro é cheio de francesismos, cheio da promoção do French lifestyle, mas não do modo divertentemente arrogante e resmungão dos franceses. Parece propaganda mesmo. Se você for contar quantas vezes aparece “we French women” no texto, vai dar vontade de vomitar. Mas a última gota foi mesmo “isotonic exercises are very French”. !!!!!!!!!!!!!!!

Vale só pelas receitas.