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carolina e o sono

sábado, 10 de julho de 2010

Como eu disse, muito obrigada pelos conselhos. “Chill out” foi o melhor que eu recebi, de um leitor cuja filha começou a dormir direito do nada. Como segundo a minha mãe tanto eu quanto meu irmão só fomos dormir decentemente aos 4 anos, presumivelmente sem que ninguém tenha mudado nada na nossa rotina, é possível que essa coisa de dormir mal seja uma fase que um dia vai passar espontaneamente, até porque eu já tentei tudo o que li/ouvi/pesquisei/inventei sobre o assunto, fora deixá-la chorar.

De qualquer maneira, a Carol começou a dormir melhor. Do nada. Começou dormindo direto duas noites seguidas, sem que eu tivesse feito nada de diferente, e acordando de madrugada no resto da semana mas caindo no sono de novo no máximo meia hora depois e sem fazer a confusão toda dela de me arranhar, fazer down dog, ficar passando os pés nas barras do berço pra fazer barulho, essas sandices suuuuperlegais de aturar de madrugada. Na manhã do segundo dia ela só acordou pra tomar a mamadeira às oito da manhã, e como parecia estar bem desperta aproveitei o ensejo e não a coloquei de novo pra dormir. Adiantei o almoço, adiantei a soneca da tarde e adiantei o jantar e a hora de dormir à noite. Ficamos nesse esquema a semana passada toda, eu acordando a coitada às nove e meia da manhã, dando almoço às onze e meia, meio-dia, ela tirando a soneca de uma a duas e meia mais ou menos, lanchinho logo depois, jantar às seis, no máximo seis e meia e cama às nove. Ela continuou acordando de madrugada, mas no mesmo esquema de levar menos tempo pra pegar no sono e sem arranhar a minha mão toda me levando à loucura. Em duas ocasiões ela vomitou a mamadeira TO-DA junto com o jantar e acabou indo pra cama de barriga vazia. Eu achava que ela acabaria acordando com fome lá pra meia-noite, mas ela aguentou firme e só mamou às seis, que é o horário de café da manhã de pedreiro dela. Não tem coisa mais nojenta do que a sua camisola e o seu cabelo pingando vômito de espinafre e mozzarella de búfala, mas pelo menos o vômito serviu pra gente saber que ela consegue dormir só com o jantar, sem a mamadeira depois. De modo que a mamadeira da noite foi sumariamente abolida, totalmente sem traumas.

Já faz duas semanas que ela pega no sono sozinha, sempre, sem encher. Ainda não tenho uma amostra grande o suficiente pra comprovar estatisticamente se ela dorme melhor quando vai pra cama mais cedo, mas aparentemente é isso mesmo. A minha teoria é a de que quando fica cansada demais ela não consegue fazer nada direito, nem mamar e nem dormir. O cansaço também acaba comigo, fico (mais) insuportável e demoro (mais ainda) a pegar no sono, mas infelizmente não me impede de comer; aparentemente, portanto, ela é muito parecida comigo no quesito resistência física à falta de descanso. A diferença é que ela precisa de muitas horas de sono, enquanto que pra mim bastam poucas, mas boas. Hoje ela dormiu às OITO e venho notando que chegar até as nove é um pequeno suplício pra ela. Acho que vou deixar que ela durma mais meia hora de manhã pra ver se ela aguenta firme até as nove, porque ir pra cama às oito da noite é sacanagem, o Mirco chega em casa às oito e meia… Agora são dez e meia e ela deu uma chorada mas parou sozinha. Vamos ver o que a madrugada dirá.

carolinices

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Carol está na fase dos tantrums (leia-se “ataques de pelanca”). Tantrums acontecem porque crianças obviamente não sabem como lidar com frustrações, pois até pouco tempo atrás nada lhe era negado pois ela de pouco precisava – leite e fralda limpa, basicamente. Conforme a criança cresce e começa a querer coisas, você obviamente começa a dar limites e negar quando preciso, criando situações às quais ela não está acostumada e logicamente não entende. Logo o tantrum. Um pé no saco, mas totalmente normal, só que eu acabo sempre dando risada porque a cara que ela faz é TÃO engraçada, com o beiço pra fora, a cara fica logo toda vermelha, aqueles cabelos balançando, aquela cara de criança mais velha que ela tem, eu não aguento. Não cedo, mas tenho que virar a cara pra ela não me ver rindo e achar que é tudo uma brincadeira.

Ela anda chatíssima. Segundo a pediatra é o maldito molar saindo, pois dá pra ver aquela coisa branca e dura ali enchendo o saco, doida pra aparecer e nada – o detalhe é que ela tem os 4 incisivos superiores e só os dois centrais inferiores, que ainda por cima são nanicos. Os molares vão aparecer antes dos caninos e dos incisivos laterais, tenho certeza, só pra deixar tudo mais ridículo ainda e pra me dar mais vontade de rir quando ela abre a boca durante os ataques de pelanca. Outra causa da chatice provavelmente é a frustração de não falar – porque ela não fala uma palavra, senhores, nem não, que normalmente é a primeira, nem ma-ma, nem nada. Aponta pras coisas, dá grunhidos, faz sim e não com a cabeça, mas falar que é bom, nada. Imagino o quanto isso não deve ser chato pra ela (pra não falar pra gente, que fica se esforçando pra entendê-la). Fase chata, vou te contar.

s.o.s. sono

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Preciso de ajuda. Não estou conseguindo regularizar o sono da Carolina, e o resultado óbvio é que estou à beira de um colapso nervoso.

Vou descrever a situação só pra dar uma ideia.

Ela toma a mamadeira da manhã às 6 (mas ultimamente acorda sempre um pouco antes; fico enrolando até as 6). Meia mamadeira, troco a fralda com ela em pé pra que ela arrote, termina a mamadeira, outro arroto enquanto dou uma enxaguada básica na mamadeira e jogo a fralda fora, vamos pro quarto, ela encosta a cabeça no meu ombro imediatamente, logo depois se deita no colo mesmo, ganha um beijo e vai pro berço. Vira de bruços, eu saio, fecho a porta e ela dorme sem dar um pio até as 11:30, com picos de 12:30. Esse soninho da manhã é que me salva, porque consigo dormir se não tiver dormido à noite, malhar, deixar o almoço engatilhado, tomar banho, dar uma geral na casa, trabalhar quando estou a fim. Perfeito, porque eu sou totalmente antivampiro, só funciono de dia e por mim iria pro caixão dormir assim que o sol se põe.

Acorda, troco a fralda, troca de roupa, brincamos um pouco, vamos na rua levar o lixo na caçamba, voltamos, almoço (normalmente vendo Aladdin). Quando o Mirco chega pra almoçar mais tarde ela fila um pouco da comida dele também. Depois começa a ficar agitada, de modo que ou fico brincando com ela até ela sentir sono ou, quando o sol não está esturricando, vamos dar uma volta, ela brinca à sombra das árvores do Percorso Verde e talz. Voltamos, rola um lanche – fruta, iogurte ou biscoito, dependendo da vontade da madame – e aí sinto muito mas é hora de dormir. Normalmente a coisa rola lá pras quatro: vamos pro quarto, ela começa a se agitar porque não quer dormir mesmo estando cansada, seguro firme no colo, ela fica quieta rapidinho, vai pro berço acordada, saio e fecho a porta, ela chora por tipo 10 segundos e capota. Dorme mais ou menos uma hora e meia, às vezes mais.

Acorda de novo, brincamos, lemos historinhas, tento evitar que ela destrua todas as plantas da varanda, jantar. Quando o Mirco chega ela fila o jantar dele de novo, ele dá banho nela, pijama, historinhas. Ela entra num estado de agitação extrema até as dez, quando toma a mamadeira e vamos dormir. Às vezes capota no meu colo e vai pro berço sem traumas; às vezes não tem santo que a faça dormir e eu tenho que deitar na cama-fouton ao lado do berço, com a mão dentro do berço pra ela ficar beliscando e arranhando. Lógico que depois de uns 40 minutos dessa palhaçada eu começo a me irritar e ficamos as duas loucas no escuro, ela rolando na cama tentando dormir sem conseguir, apertando os nós dos meus dedos com as unhas, e eu gritando/sussurrando PELAMORDEDEUS PARA COM ISSOOOOO! FECHA O OLHO E DORME! FICA PARADA, COMO E’ QUE VOCE VAI CONSEGUIR DORMIR FAZENDO DOWN DOG, SUA MALUCA?

Alternativamente, eu dou banho rápido depois do jantar (dela) e saímos pra jantar fora. Ela fila o jantar da gente no restaurante também, e dependendo do lugar corre pra lá e pra cá feliz da vida rindo e dando gritinhos de alegria ou então fica irritada na cadeirinha dela resmungando sem parar e querendo pegar tudo o que está na mesa, obviamente ignorando todos os seus próprios brinquedos e livrinhos. Pijama no próprio restaurante. Se estiver muito cansada, dorme no carro; em casa vai direto pro berço enquanto eu boto o pijama, escovo os dentes, faço xixi, boto o relógio (pra saber que horas são quando acordo de madrugada com ela, vocês sabem que eu fico nervosa se acordar e não souber que horas são), preparo a mamadeira. Tiro a madame do berço, ela muito puta da vida, mas termina a mamadeira, arrota e capota imediatamente.

De madrugada as possibilidades são três.

1) Ela dorme a noite inteira sem acordar nunca, coisa que acontece tipo por uma semana a cada dois meses, mais ou menos.

2) Ela acorda de madrugada, quase sempre mais de uma vez, porque perdeu o raio da chupeta. Entro no quarto, rechupeto a menina e ela dorme de novo rapidinho. Essas noites assim são pouco traumáticas pra mim porque faço tudo em modalidade zumbi e nem lembro direito de ter me levantado da cama de madrugada.

3) Ela acorda uma vez, sempre num horário que não é mais tarde da noite nem cedíssimo de manhã, ou seja, o horário que mais me deixa destruída no dia seguinte (das 2 às 4 da manhã, digamos), e fica naquela loucura de me beliscar.

Não sei o que fazer. Já tentei tudo, menos deixar ela chorando (na verdade deixei uma vez, mas depois de 2 minutos, quando eu já estava quase tendo um treco, ela vomitou de tanto se esgoelar). Já chegamos à conclusão que a qualidade/quantidade do sono dela não tem absolutamente nada a ver com o cansaço ou com o nível de atividade durante o dia. Tem dias em que ela não dorme à tarde (normalmente é na Arianna que isso acontece), passa o dia na horta com a avó ou brincando com os cachorros ou na casa da vizinha da Arianna, uma prima deles, comendo cereja e correndo na rua (não passa carro), e mesmo assim não dorme. Tem dias em que ela faz tudo isso e dorme feito uma pedra. Tem dias em que não saímos de casa porque realmente não tenho forças e ela capota; em outros dias semelhantes ela dorme mal.

Vejam bem, não é que ela não queira dormir. Ela quer; fica rolando na cama, esfregando os olhinhos, não fala, não ri, não levanta, não pede coisas, nada disso. Ela não quer brincar, quer dormir mas não consegue. Não consigo entender o motivo.

Qualquer sugestão é bem-vinda.
Grata,
leticia

carolinices e a era da pracinha

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Carol anda uma ferinha. Aprendeu a subir na poltrona e nas cadeirinhas de plástico tamanho criança que ficam na varanda. Há semanas tenta pegar o paninho de pia Perfex-like, se esticando toda nas pontas dos pés. Começou a fase dos tantrums quando não consegue o que quer, e quase sempre tenho ataque de riso porque o beiço estica todo pra frente e com aquela cabelação toda a cara dela fica muito engraçada. Anda tentando se vestir sozinha, o que na verdade significa que ela pega qualquer coisa de tecido que vê pela frente, inclusive toalhas e tapetes, e bota na cabeça, puxando pra um lado e pro outro como se eventualmente a eventual gola do objeto fosse passar pela cabeça dela e ela acabasse vestida. Eventualmente. Tem dias que só come se for sozinha, logicamente fazendo uma lambança danada. Eu nem olho pra não ter um treco. Tem loucura por cachorro, porque quando vai pra Arianna aquele pamonha do Demo se joga no chão na frente dela pra ela ficar lá dando tapinhas nele, puxando as orelhas, coçando a barriga, puxando o pelo, beliscando as costas, então tenho que segurá-la toda vez que passa um cachorro na frente, pra ela não sair correndo atrás. Aprendeu a piscar o olho (leia-se fechar os dois olhos) quando a gente diz “pisca”, a esfregar a barriga quando eu digo “lava a barriga”, a botar a língua pra fora quando a gente diz “como a Virgola bebe água?”, a fazer sim com a cabeça. Conhece todos os seus livros preferidos pelo nome e vai lá pegar quando a gente pede. E por aí vai.

E com o tempo melhorando começou a era da pracinha. Aqui atrás de casa tem um parquinho, mas não rola. Porque fica nos fundos dos prédios desvalorizadores de bairro aqui do meu, uma espécie de conjunto habitacional quadradão estilo mussolínico, infelizmente habitado pela pior gente que há: os napolitanos. Desconfiei logo na primeira vez em que fomos lá: muitas, muitas crianças gordas, usando roupas cafonas, meninos pequenos de cabelo comprido, mães gritando nomes equivalentes aos Jennifers e Wellingtons brasileiros (uma desgraçada botou o nome de Illia no filho, pena de morte nela), crianças comendo bolinho Ana Maria tabajara do Lidl e jogando a embalagem no chão. E foi aí que comecei a ouvir o sotaque. Socorro. Logo depois houve um encontro de primeiro grau muito, muito estranho. Um menino lourinho de óculos fundo de garrafa, de uns oito, nove anos, se aproximou da Carolina, sorriu e PREPAROU UM CHUTE na direção dela. “Ma sei scemo?”, exclamei, “Tá maluco, meu filho?”. Olha a resposta do psicopatinha: “Quero que ela chore pra eu descrever suas lágrimas”. WTF??? “Faz isso de novo e você vai ver quem vai sair chorando, seu louco!”, gritei, e saí literalmente correndo.

Então passei a frequentar o parquinho atrás da escola primária, no centro da cidade. Outro nível, embora viva cheio de romenas perpetuamente grávidas e rodeadas de crianças ranhentas. De muçulmanas não vemos nem a cor, porque a coitadas não podem se dar ao luxo de ficar passeando por aí sozinhas, mostrando a figura na medina (vamos repetir o mantra “a religião é uma merdammmmmmmmm a religião é uma merdammmmmm”). Mas a maior parte é de italianas mesmo, coisa que pode ser vista pela qualidade das roupas das crianças, os carrinhos de marcas conhecidas e não genéricos de supermercado que parecem frágeis como se fossem feitos de canudos de plástico, pelos nomes normais dos pimpolhos, pela ausência de gritos histéricos e inúteis à distância típicos de mães que estão cagando pro que os filhos estão fazendo, porque quando você realmente está tentando educar seu filho vai lá e diz o que tem que dizer em vez de ficar berrando “Giovanniiiiiiiiiiiiiiiii” a três quilômetros de distância sabendo que o Giovanni vai cagar e andar e continuar batendo no coleguinha.

O parquinho é grande e vive entupido de crianças de todos os tamanhos, de modo que a Carol fica entretidíssima, andando feito uma barata tonta de lá pra cá, pegando folhas e pedrinhas que ela leva de um lugar pro outro, de olho na bola dos meninos, querendo pegar os parafusos (don’t ask) das bicicletas dos outros e molhar a mão na torneira de água potável perto dos bancos. Volta pra casa exausta e começa a beliscar o próprio pescoço (sinal de que está com sono) já às sete da noite. Ainda não conversei com nenhuma mãe porque ela ainda não interage com as outras crianças e fica perambulando sozinha, mas sei que daqui a pouco vai rolar. Por enquanto tá bom assim: queimo muitas calorias power walking até o parquinho, paro na Coop pra fazer compras se precisar, ela vai falando “boyoboyoboyoboyo”, “manhamanhmanhamanha”, “atcheatcheatcheatche” sem parar na volta, e chegamos em casa devidamente exercitadas.

Incidência de TSI em espécimes de Carolinus filhadepacae

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Abstract

O presente estudo analisa a incidência e o caráter de Terríveis Semanas Insones (TSI) em espécimes de Carolinus filhadepacae, com o objetivo de determinar suas causas e de identificar possíveis soluções. Episódios de TSI tem grande importância econômica e de saúde pública, visto que genitores com déficit de sono rendem menos no trabalho e tendem a dirigir mal, comportar-se mal com terceiros, comer mal e pular sessões de exercícios físicos.

Materiais e métodos

O estudo foi realizado observando um espécime de Carolinus filhadepacae no seu habitat natural, em dois meses consecutivos (outubro e novembro de 2009).

Descrição

No mês de outubro de 2009 o espécime em questão apresentou somente uma TSI, após a qual voltou a sleep through the night (STTN) como vinha fazendo anteriormente. Durante a TSI de outubro o espécime não só despertava várias vezes durante a noite, mas não era capaz de adormecer novamente, permanecendo por longos períodos (de 1 a 3 horas) em um estado que os observadores chamaram de “assanhamento intenso”. Tal estado incluía ficar em pé, falar, rir, escalar os genitores e procurar brinquedos. Entretanto, era claro o estado de necessidade intensa de sono, pois o espécime continuava a esfregar os olhos com as mãos e a coçar a cabeça, sinais claros de vontade de dormir.

O episódio de TSI no mês de novembro de 2009 durou quase o mês inteiro, mas assumiu um caráter completamente diferente. De fato, não houve poucos episódios de despertar total com assanhamento intenso e atividade física acelerada, mas sim numerosos episódios de leve despertar, não necessariamente relacionados à perda da chupeta, rapidamente resolvidos com apenas alguns segundos de colo.

Conclusão

A diversidade dos episódios e a ausência de relações óbvias com eventos particulares levou os observadores a concluir que sua possível causa seja o aparecimento da primeira dentição, que apresenta sintomas claros (esfregação das gengivas, excesso de salivação, irritabilidade, resmungos contínuos).

Mais estudos são necessários para determinar possíveis soluções para o problema, visto que os tradicionais geis contra dor nas gengivas e paracetamol não foram eficazes. Espera-se, contudo, que não haja mais episódios de TSI nos próximos meses.

ainda carolinices

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Carol não pode ficar pelada (leia-se só de fralda) porque ela ABRE a merda da fralda. Então tenho que botar um biquini por cima, o que a Lulu deu ou o que a Chiara deu, e aí ela fica olhando pras bolinhas do biquini e esquece das abas da fralda.

Já estamos conseguindo ajoelhar segurando nas barras do berço! (Ela desistiu de ficar em pé no berço depois que bateu com a cara nas barras). Fico com ela sentada no tapetão da IKEA com bichos bordados, joaninhas que apitam etc, e ela começa a me escalar, empurrando com os pés até ficar em pé. Outro dia empurrou com tanta força que acabou voando por cima da minha perna e bateu com a cabeça no chão – não deu tempo de segurar. Chorou, mas foi por causa do susto porque desde então já deu outras cabeçadas e não reclamou mais. A irritação por ainda não conseguir ficar em pé sozinha, sem apoio, é intensa.

Obsessão total e desenfreada pelas seguintes coisas: minhas Havaianas roxas, o revestimento de borracha do controle remoto da sala e uma embalagem de Ovomaltine vazia.

Estamos gostando de Shaun the Sheep, que passa todos os dias depois de Two and a Half Men.

Quando ela não quer mais comer, das duas uma: ou finge que está com sono ou fica olhando pra baixo fingindo que não é com ela. Que ódio.

carolinices

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

. Ontem fiz papinha de legumes com truta. Porque aqui tem papinha de truta, salmão, linguado, avestruz, coelho, cavalo, essas coisas.

. Altas tentativas infrutíferas de engatinhar pra frente. De marcha a ré até que vai, mas pra frente tá difícil.

. Entramos naquela deliciooooosa fase de jogar coisas no chão. Vinte vezes seguidas.

. É a mesma fase da criança que rola ensandecidamente assim que você tira a fralda suja. Tipo, vontade de atirar dardos tranquilizantes na fera pra poder trocar a fralda, saca.

. Ainda não aprendemos a sentar, mas estamos quase lá.

. Quando não havia controles remotos nem celulares, no que é que as crianças ficavam vidradas, hein?

relou!

sábado, 2 de maio de 2009

Falta de saco pra escrever é foda, né. É que ando sem tempo também, lógico. Porque não são só as coisas óbvias de bebê que tomam tempo; a Carol é particularmente time-consuming porque não mama no peito então tem que adicionar todas aquelas coisas chatas de mamadeira, esterilizar, lavar, esquentar, you name it.

Ela já fez três meses e melhorou muito, em tudo. Ela sempre soube a diferença entre noite e dia, tanto que mesmo nas primeiras semanas, com o Maldito Refluxo, de madrugada ela nunca deu escândalo. Agora ela mama à noite, entre dez e meia-noite, dependendo da hora em que voltamos pra casa (de casa de amigos ou de jantar fora), e só acorda de manhã cedo – passou um tempão acordando suiçamente às cinco todos os dias, mas já tem três dias que ela parece estar preferindo o turno das seis e meia. Depois passa a manhã inteira mamando e dormindo, mamando e dormindo, até mais ou menos a hora do almoço. Dificilmente dorme à tarde, mas não importa. Ficamos conversando – porque ela fala PRA CARALHO – ou lendo livros juntas ou treinando tirar e botar a chupeta na boca, essas coisas. Ela é tão interativa e engraçada e simpática que quando acontece dela dormir várias horas seguidas eu sinto falta da companhia dela. Além de ser cabeludérrima (já dá pra botar fivelinha e tudo), ela é muito expressiva e risonha, parecendo ser beeeeem mais velha do que é. Não sou eu quem estou dizendo, tá, antes que venham me encher; em TODOS os lugares onde vamos neguinho pergunta quantos meses ela tem, porque ela é pequena (parecia geneticamente impossível, mas, senhores, ela não tem fome) mas tem essa cara de senhorita, e todo mundo responde “três meses!!! Parece que tem três anos!!!”. Com pouco mais de um mês ela já tinha perdido aquela cara de bebê Estrela inexpressiva que recém-nascido tem.

Ela fica com a pele ao redor dos olhos vermelha quando faz xixi e imediatamente depois fica com soluço. Ela adora tomar banho. Ela empurra a mamadeira pra longe delicadamente com as mãos quando precisa parar de mamar pra dar um arroto básico. E dá um tapão na mamadeira se você for idiota, não entender o gesto e insistir. Ela ADORA ver televisão. Ela ri pra todo mundo. Ela já coça a cabeça. Essa semana aprendeu a puxar o nosso cabelo. Ontem quase rolou no berço; mais alguns dias de prática e consegue. Ela fica com a cabecinha em pé durinha há muuuito tempo. Ela entrou na fase de enfiar as mãos – às vezes ao mesmo tempo – na boca. Ela puxa a chupeta da boca pela fitinha do prendedor de chupeta. Ela tem cabelos impenteáveis, com vontade própria, que crescem pros lados e pra cima. Ela testa o sabor do leite com a língua antes de mamar, que não é boba. Ela ri pra gente quando ficamos de frente pro espelho com ela no colo. Ela não é muito chegada em carrinho; gosta mais disso aqui. Ela não fica nem dois minutos com a fralda molhada, de modo que provavelmente a primeira palavra que ela vai falar vai ser “xixi”. Ela adora o bercinho dela e ultimamente só cai no sono quando é colocada lá. Tudo isso, notem bem, sem ja-mais ter deixado a garota berrar. Nada de método cry-it-out aqui; bebê tem que ser acudido quando chora E PRONTO.

O único defeito grave dela é essa aversão à comida. Não só é completamente peitofóbica, mas nem mesmo com a mamadeira rola uma refeição em paz, ela fica se remexendo, virando a cabeça, dando tapa na mamadeira, rindo e tentando falar e mamar ao mesmo tempo, um verdadeiro porre. Isso pode vir a ser útil no futuro, já que a última coisa que eu desejo pra ela é ser compulsiva com comida, gorda e complexada que nem eu, mas por enquanto está sendo um problemão. Embora não seja exatamente magricela, também não é cheinha, e não está ganhando peso como deveria. Vamos ter que desmamá-la mais cedo, porque de repente rola algum problema com o raio do leite que vai desaparecer com a entrada dos sólidos.

Digamos que atualmente a única coisa que eu pediria a deus é tempo pra 1) ler e 2) malhar. Porque estou eLorme de gorda. O tempo horroroso lá fora não ajuda, já que não dá pra sair com ela no meio do vento gelado e chuva. Acabamos ficando em casa, eu logicamente me entupindo de besteira, praticamente compensando tudo o que ela não come. Socorro.

A burocracia pra gente viajar não anda ajudando, mas provavelmente iremos ao Rio no final de maio, pra passar uns dois meses. Dedinhos cruzados, faz favor.

de amamentação

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Não sei por que ninguém explica isso pras grávidas logo no começo: amamentar não é fácil. Nem toda criança já nasce sabendo o que fazer e pega o peito direito, arrota e capota. Amamentar também é doloroso: o peito racha, quando você tá cheia de leite o peito dói, tem mulher que tem mastite, e outras mazelas. Amamentar suja tudo: eu não tenho uma cascata de leite que esguicha só de pensar na minha filha, como acontece com algumas mulheres, mas de qualquer maneira quem está amamentando sempre corre o risco de vazamentos e tem que usar aqueles absorventes malditos pros seios. Eu descobri o LilyPadz há muito tempo, porque a Chalene usa pra achatar os mamilos e evitar o efeito “farol alto”, e depois a Lu comentou no blog e eu lembrei da existência do negócio e comprei (pela internet, lógico, que aqui no Zaire não existem essas modernidades). Recomendo altamente.

Eu conhecia a La Leche League nos EUA mas não sabia que elas estavam presentes no mundo todo. Dei mole, pesquisei tanta coisa na internet mas não sei por que negligenciei esse aspecto da maternidade. E agora estou com um bebê que tem pavor do peito por motivos compreensíveis, mas que quando está de bom humor e aceita, só pega o esquerdo. Impressionante como não há santo que resolva: o direito ela não quer de jeito nenhum. Pesquisando por refluxo acabei caindo no site da LLL italiana, e entrei em contato com a orientadora deles em Foligno. No primeiro sábado de março vou ao encontro mensal pra ver se me dão algum conselho útil. No dia anterior temos uma ultra marcada pra avaliar o nível do refluxo e ver se é necessário usar outros remédios mais fortes, embora a pediatra tenha dito que dificilmente vai ser o caso da Carol, já que ela tá ganhando peso normalmente. Paciência, paciência, tem que ter paciência.

A Dri tava falando que se um dia tiver filho vai tacar logo uma fórmula se o bebê não for do tipo que já nasce programado pra mamar, pra evitar essas encheções de saco. Entendo completamente. Só que leite artificial só tem desvantagens: além das mais óbvias, a falta de anticorpos naturais, a falta de bonding com o bebê e a grana que se gasta, há outras. A lavação e esterilização de mamadeiras e bicos é um porre e toma um tempo enorme. A fórmula preparada tem que ser consumida em pouquíssimo tempo, senão tem que jogar fora. Se o bebê começa a mamar mas deixa uma certa quantidade na mamadeira e dorme, você tem que jogar fora o resto, pois em pouco tempo o leite fermenta e estraga (ou perde as propriedades nutricionais, não entendi direito). A sua diaper bag, já entupida de fraldas, lenços umidecidos, mudas de roupa, chupeta, changing mat etc, vai ficar mais entupida ainda com mamadeiras, recipiente pro leite em pó, garrafa de água mineral. Leite artificial tende a dar uma certa prisão de ventre. E no caso específico da Carol o leite artificial é a maior roubada, porque demora duas vezes mais pra ser digerido. Se ela já leva uma vida pra digerir o meu, imagina o artificial! A coitada da garota ia ficar que nem galinha fabricadora de ovo em granja, de olhos esbugalhados acordada o dia inteiro só comendo e fazendo cocô. Não rola. Vou insistir no peito até quando der, e começar com sólidos assim que possível. E torcer pra ela ter saído mais italiana do que brasileira e a-do-rar uma saladinha, em vez de comer só por obrigação moral como eu.

de amizades gravídicas

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Então você tem uma amiga que está grávida.

Faça um favor a ela e dê seu presente logo, antes do bebê nascer, pra ela poder se programar e só comprar o necessário e não ficar com zilhões de coisas a mais ou repetidas, e pra poder dar tempo dela trocar o presente se não gostar. E se o bebê for uma menina, POR FAVOR ESQUEÇA O ROSA. Porque as pessoas em geral não têm muita imaginação e praticamente todo mundo vai dar algum presente cor-de-rosa. Eu comprei um monte de coisas lilás, creme, cinza com detalhes coloridos, mas praticamente todos os presentes que ganhei foram cor-de-rosa. Putz.

Faça um favor maior ainda e NÃO VÁ VISITÁ-LA ANTES DO BEBÊ FAZER UM MÊS. Se possível, não antes dos três meses. Porque como eu disse antes, no início você não tem tempo nem pra fazer xixi. Se você aparecer pra visitar, mesmo telefonando antes, é altamente provável que 1) ela esteja amamentando (no meu caso, só de pensar em amamentar em público eu choro de nervoso, tenho que sair correndo e me esconder), 2) a criança esteja dormindo, o que significa que a mãe vai querer aproveitar pra dormir também, 3) a criança esteja berrando e você não vai conseguir conversar e ainda vai ficar um clima superchato, 4) os pais vão estar ocupados com outras coisas bebezais, tipo trocando uma fralda cagada, e não vão poder nem querer te dar atenção, 5) a casa vai estar uma zona, 6) tudo isso ao mesmo tempo. Mãe nenhuma do mundo está pronta pra socializar no primeiro mês. Sua amiga vai ligar quando estiver pronta pra receber visitas novamente. Eu não atendo nem o telefone, no máximo respondo a SMS e mesmo assim só quando dá tempo e/ou estou com vontade.