upla

Toda terça-feira vai ao ar o programa Le Iene, baseado no Reservoir Dogs de Tarantino. É apresentado sempre pelos mesmos dois cômicos espertos, rigorosamente de terno preto e gravata, e por uma songa-monga, que antes era a pernalonga da, hm, esqueci o nome, e agora é a Miss Itália de dois anos atrás, bela e com a pior dicção que eu já ouvi na minha vida. Os repórteres que fazem os “serviços” (as reportagens) são espertos, irônicos, e donos de uma cara-de-pau invejável. Na edição de ontem deveria ter ido ao ar uma reportagem sobre o consumo de drogas no Parlamento (comentado pela Ane), mas, ridículo dos ridículos, foi proibido de ser divulgado. A desculpa esfarrapada foi “para proteger a privacy dos políticos testados”, uma justificativa idiota já que os testes não foram identificados e foram jogados juntos num caixote, servindo puramente pra dados estatísticos. Censura pura. E sinceramente o fato disso não ter podido ir ao ar é mais grave do que terem achado droga no Parlamento.

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Sempre no mesmo programa, uma das minhas repórteres preferidas plantou-se na porta do Senado com um jornal de grande circulação nas mãos. Perguntava aos Honoráveis (aqui político de alto escalão ganha o título VITALÍCIO de Onorevole, cof cof) coisas simples, tipo quem é Mandela?, o que é e onde fica Guantanamo?, o que significa “Darfur: façamos alguma coisa, e façamos rapidamente”. As respostas foram as mais estapafúrdias, e a vergonha da repórter era evidente, enquanto tentava ajudar mas mesmo assim não saía nada. De Mandela disseram que era um político brasileiro. Guantánamo disseram ser no Afganistão, pronunciado Af-dsfasjdlasdfdjkfjweioruoif-tan. Darfur, aquela parte do Sudão onde neguinho está se matando há anos, virou um estilo de vida, esse estilo de vida apressado de hoje, uma tristeza, tudo é tão corrido.

Ao contrário do que pode parecer, político ignorante e idiota não foi inventado no Brasil. Só temos nomes mais esdrúxulos, mas a farinha é toda do mesmo saco…

sopinhas

Uma das melhores coisas do inverno, se não a única boa coisa do inverno, são as sopinhas. Sempre que tomo sopa penso na minha avó, que é chegadíssima, e aqui a variedade não falta. Outro dia fiz sopa de ervilha, juntando um pedaço de abóbora como vovó faz, pra não ficar raspando na garganta. Diliça. E tem as minhas preferidas, as misturas de cereais e leguminosas: tem trigo, tem cevada, tem ervilha, tem vários tipos de lentilha, tem vários tipos de feijão, tem com cogumelo, tem com verdura desidratada, tem de tudo. A-do-ro. Quando um início de gripe ameaça chegar, claramente por causa do cansaço (vocês sabem que eu só adoeço quando estou deprimida e/ou incrivelmente irritada), então, é um bálsamo.

Nuovomondo

Fomos ver Nuovomondo com Gianni e Chiara em Foligno ontem, depois que voltei de Spello. Um filme esquisito, leeeeeeeento que dói, mas interessante e muito, muito, muito atual – conta a história dos italianos, melhor, sicilianos, que migraram pros Estados Unidos. Aqueles que saíam do meio dos cabritos, descalços e imundos, e passavam dias apertados no porão do navio até chegar na costa leste americana. Mais ou menos como acontece hoje com a cabeçada que chega de barquinho na Sicília.

O melhor do filme é que é todo falado em siciliano, com legendas em italiano. Pra quem lê Montalbano, como eu e Gianni, alguns termos são conhecidos, e demos muita risada ouvindo coisas tipo minchia!, vieni da mia!, qui sono, etc. Mas o ritmo é muito lento e se tivéssemos pego a sessão logo depois, teríamos dormido os quatro.

Mas o melhor veio depois: finalmente reabriu o Sfizio, depois de meses de reformas necessárias, porque antes era um buraco tenebroso. Simplesmente a melhor piadina do-mun-do. Toda vez que como coisas boas nesses lugares bizarros penso no meu irmão, que iria adorar esses negócios esquisitos. Tuco e Brunão.

boas novas

Vanessinha, que trabalhava lá na agência mas saiu porque não é boba, me arranjou um trabalho de intérprete lá pros lados de Spello. Um grupo de americanos que queria visitar um frantoio, o lugar onde fazem azeite. A zona de Spello, Trevi, Foligno faz o melhor azeite do país, porque o terreno é rochoso e as condições de temperatura e umidade são ideais, então melhor que isso, só dois isso. Lá fui eu, depois do almoço, encarar a estrada vazia, pegar a mesma saída da superstrada que pego todo dia pra ir trabalhar, e virar na outra direção, pra ir subindo a colina coberta de oliveiras. Cada casona maravilhosa no caminho, e quando finalmente cheguei no tal lugar, caramba! Anta, não levei a máquina fotográfica. Um bosque delicioso, um casarão antigo lindo, e dois cachorros fofos, Ton Ton, velha e manca, e Teodoro, meio labrador e meio golden feito o leguinho, mas amarelo bem clarinho, e com a mesma cara de mongo. A proprietária é uma mulher simpática mas não muito, e o irmão é o clássico escrotão com voz rouca de fumador e unhas sujas. Estavam cortando fatias de pão pra botar na brasa pra tostar, e me explicaram a história: era um grupo de americanos, velhos, da Filadélfia, que deveriam ter parado pra comer alguma coisa na estrada ou no hotel, mas como o vôo atrasou saindo dos EUA, vieram diretamente do aeroporto de Roma até Spello. Estavam todos morrendo de fome, lógico, e o motorista ligou do meio do caminho avisando pro pessoal botar mais água no feijão (no caso, lentilha) porque senão a velharia cairia dura de fome. Então quando cheguei estavam todos meio ensandecidos cortando ensacados e queijo e pão e abrindo garrafas de vinho (Sagrantino).

Finalmente o ônibus chegou, e desce a velhacaria. Eu me dou bem com velhos, desde os tempos do hospital. Gosto de ouvi-los e troco altas idéias. Não foi diferente dessa vez: enquanto eles almoçavam bruschetta aglio e olio, capocollo e prosciutto crudo fatti in casa, queijo de leite de ovelha feito em casa, ensopadinho de javali, lentilhas e depois torta de maçã com geléia de amora, me faziam mil perguntas. Quem me conhece sabe que quando eu ligo o explicador, sai de baixo, ainda mais se o interlocutor dá sinais de interesse, então já viu: lá fui eu explicar como é feito o presunto e o que é o capocollo (eu sei porque já cansei de ver o tio do Mirco fazendo), de onde vêm essas lentilhas tão pequeninhas daqui (de Castelluccio di Norcia), que tem javali no bosque no cucuruto do monte Subasio, que são bichos danados e que se você encontrar com um enquanto estiver fazendo jogging no parque é melhor botar o rabo entre as pernas e sair correndo, que o Sagrantino só pode ser plantado na região em torno de Montefalco, porque é uma variedade de uva estreitamente ligada ao território geográfico (isso eu lembro porque explicava pros clientes do Fabrizio o Louco na loja, e porque toda hora falam disso na televisão), e por aí vai. Acabaram se tocando que tinha alguma coisa errada, que eu não podia ser italiana porque italiano não fala inglês, e ao mesmo tempo era muito estranho eu conhecer o processo de fabricação do capocollo com tantos detalhes, e quando falei que era brasileira, os velhinhos todos com as mãos nas bochechas, ooooooooooh! Que coisa! Você fala que nem eu! (e eu pensando, sai pra lá, porque não gosto do sotaque da Filadélfia). Pronto, começaram a chover mais perguntas, dessa vez pessoais, como você veio parar aqui?, eles são meio mafiosos mesmo?, é verdade que só pensam em comer?, é verdade que a religiosidade dos italianos é da boca pra fora?, você viu Under the Tuscan Sun?, seu namorado é parecido com o motorista? e coisa e tal.

Acabou que o que era uma hora de trabalho virou duas, porque depois do longo almoço ainda fomos ver os tanques de vinho (ainda não está na época da colheita das azeitonas, que começa no fim de outubro, e o frantoio estava fechado). Aprendi um monte de coisas sobre azeite que eu não sabia, os velhinhos faziam aaaaaaah, oooooooh, e no final ainda dei uma mão pro pessoal comprar azeite e vinho na lojinha. Não perdi a prática que ganhei com o Fabrizio, porque os velhinhos se entupiram de vinho e azeite. A dona do lugar acabou me dando de presente uma garrafinha do azeite, que é uma delícia, e uma garrafa de Sagrantino, que pra mim dá de mil a zero no Brunello di Montalcino. Quando subi no ônibus pra me despedir da galera e dar meu cartão pro guia, que me pediu, foi aquele auê: Ciau, Letitzia! Aren’t you coming with us to Sportoletti? No, darlings, I’m not, but have fun anyway and careful with all that wine!

Eu não sou tímida. Já fui, não sou mais. De qualquer forma nunca tive problemas pra falar em público, desde que eu saiba do que estou falando, lógico. Mesmo assim às vezes me espanto com a facilidade com que me transformo da chata de galochas reclamona e irritável que sou normalmente em um ser performático digno do significado do meu nome. Quando um dos velhos, que era um pouco menos velho, veio me dizer que eu era realmente uma letícia (muitos deles tinham estudado um pouco de italiano, e pelo menos sabiam perguntar onde era o banheiro), fiquei pensando, filhinho, vê-se que você não me conhece… A vida é uma coisa engraçada mesmo.

De qualquer maneira, 60 paus, uma garrafa de azeite e uma de ótimo vinho por 2 horas de trabalho divertido não é nada desagradável, sabe. E se vierem outras coisas assim e eu vir que consigo criar um certo nível constante de trabalho, adiós maluca sem pré-molares! Simona está se empenhando em encontrar um bom trabalho pra mim antes do fim de novembro, quando termina o período de prova do meu contrato, e durante o qual posso ser mandada embora ou ir-me embora eu, sem dar motivo nem aviso prévio. Imaginem o susto da criança se eu me despeço numa sexta dizendo olha só, segunda não volto, estou pedindo demissão… 12 turmas ficariam sem professor, e a agência sem tradutora The Flash. Que sonho…

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She was a fat, jolly woman in those days, and she liked to see children pleased and happy around her. In this she was in no way exceptional, in Saint-Féliu or anywhere else, but she was exceptional for Saint-Féliu in that she succeeded – succeeded, that is, in making them pleased and happy when they were with her. It was not that she was clever – far from that. She was rather a stupid woman, and given to long spells of absence, during which she would stare in front of her like a glazed cow, thinking of nothing at all; but by some gift of being she was better at the management of a child than any woman in the quarter. It may have been her plumpness, for fat people are said to be calm of spirit, or it may have been some natural sweetness, but whatever the cause, the house never knew those screaming, tearing scenes that broke out three or four times a day somewhere along the street, those horribly commonplace rows in which a woman, dark with hatred and anger, may be seen dragging a child by the arm, flailing at its head, and screaming, screaming, screaming a great piercing flood of abuse, sarcasm and loathing right into its convulsed and wretched little face. These scenes were so ordinary in Saint-Féliu that anyone turning to stare would be known at once for a foreigner.

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Dominique could not be shocked by what she had seen for all her life – could not react from the normal – but she was exceptional, and she remained exceptional. She did not batter her little girl about, she did not pull her hair, she did not slap her legs and shriek abuse at her – her voice did not even possess the bitter scolding note of the daily shrew. this was something so rare that it would have earned her the dislike of the street (no people are quicker to resent an implied criticism) if it had not been for the fact that Madeleine was, in general, somewhat less irritating than the other children: therefore, of course, there was no virtue in Dominique’s not beating her. Not that Madeleine was what could by any distortion of the term be called a good child, whatever the neighbors might say: she was dirty (when she was a little girl), untruthful, and dishonest. But being less battered, she was less dirty, untruthful, and dishonest than the rest. Certainly she was less irritating, for not only was she endowed with a happy, affectionate nature, but also with a mother who was protected from the smaller vexations of the world by well-ordered nerves and a high degree of mental calm: for in the matter of irritation, it is essential that there whould be two people present; the worst-bred ape of a child cannot be irritating alone in a howling wilderness, and Madeleine, even at the worst, could not provoke a mother removed by a boundless expanse of absence, sitting at her counter or leaning on it, with her eyes round, wide open, and fixed upon nothing, nothing whatever.

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Yes, that would be his Uncle Thomas, called Menjé-Pé, a fanatical fisherman: he was fishing now. He was one of the few in the family who still had a current nick-name, Fish-eater, and who did not mind it: for most of the family the called-names had been left behind a generation ago. But Menjé-Pé was something of a throwback; was it because he always spoke Catalan or was it because he was a simple that they still called him Menjé-Pé? Not the latter, for Uncl Joseph was gaga, and he had no nickname. He was flailing about. Had he caught something? No. In all probability he had just caught up his hook and lead and lost them. Sixty years ago Menjé-Pé had started fishing; he was fourteen then, and he had the zeal and the lack of skill of his age. He still had the same zeal, but somehow he had avoided gaining any skill: he caught nothing but idiot fish.

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‘Oh, you are not going to start your piece of democracy again, are you, Alain? Of course, I know one has to say all kinds of fine things in public, but no one really believes it, do they? Except the lower classes. They are very good people, often, astonishingly good when you consider what kind of lives they lead, bt it is just hypocritical nonsense to pretend that they are not brutish, insensitive, gross, and terribly, terribly limited. There is just as much difference between a man of an educated family that has had money for two or three generations and a laborer as there is between a white man and one of your Hottentots, as anyone knows who has lived or worked among them.’

‘Is Madeleine a Hottentot?’

‘No. But her relations are: and staying here, Xavier would of necessity marry them all. (…)’

The Catalans (Patrick O’Brian).

argh

Se tem uma raça que eu detesto é vendedor.

Veja bem, o problema não é quem vende como profissão, mas quem se comporta como vendedor 24 horas por dia. C., a pessoa que agora é responsável pelas vendas na escola, é assim. Tem aquela fala tatibitati de quem quer falar com clareza pra te foder melhor, sabe, e fala coisas que obviamente não são verdadeiras, e me dá uma irritação tremenda só em escutá-la. Lógico que a coisa piora quando ela está efetivamente vendendo alguma coisa. Ontem, batendo papo com artificiais animação e gentileza com uma futura aluna em potencial, soltou a seguinte pérola: é que eu sou uma lingüista, sabe, e como lingüista sei que não adianta explicar só gramática, tem que falar também. Hein? Precisa ser lingüista, whatever that is, pra saber disso? E que lingüista é essa que fala “kleb” em vez de “club”? Mas faça-me o favor. De uma pessoa assim eu não compro nem bala Juquinha, imagina um curso de inglês de quase mil euros. Ouvia a garota falando e só pensava no Mirco, que é pior do que eu porque só entra em loja onde não tem vendedor, já que gosta de escolher sozinho. Eu ainda deixo pra lá, agradeço e despacho e acabo escolhendo sozinha, mas com ele não tem papo mesmo.

Mas o melhor foi quando a mãe de um aluno perguntou insistentemente onde estava a Simona, que pediu demissão semana passada – foi totalmente mobbed out, mas tudo bem – porque não agüentava mais o clima maléfico lá dentro. C. ficou sem saber o que responder, ainda mais quando a mãe do aluno disse que era uma pena, porque Simona era tão legal… E eu me segurando pra não rir, séria no meu computador, fingindo que não estava ouvindo. Ah, essas pequenas alegrias que a vida te dá…

na bota

Rapaz, a coisa aqui na Bota ferve. Depois que subiu ao poder a esquerda anda fazendo coisas estranhas (rings a bell?), tipo soltar prisioneiros etc. Agora resolveram tomar vergonha na cara e fazer uma faxina fiscal, aumentando os impostos de quem ganha muito e abaixando os de quem ganha pouco. Até aí tudo bem, concordo plenamente que quem ganha mais tem que pagar mais mesmo, mas o problema é que esses impostos depois não dão retorno ao cidadão (rings a bell?). O sistema de saúde é lento, as escolas são uma merda, o consumidor praticamente não tem direitos, a televisão é uma merda, embora seja a pagamento. Tenho um comentário positivo a fazer: estão implementando uma supertaxa pra quem tem SUV, além do “bollo”, equivalente ao nosso IPVA. Ora bolas, SUV nesse país não tem razão de existir, atrapalha o trânsito, ocupa vaga dos outros, consome combustível demais, e se você tem 50.000 euros pra comprar um SUV da Audi e mais outros tantos pra encher o tanque 8.0 de gasolina, então tem mais é que pagar supertaxa mesmo. Eu, hein.

O problema maior é essa maldita liberação dos presos, que não tem o menor sentido. Estão inclusive ameaçando de soltar o Monstro de Foligno, que há alguns anos estuprou e matou dois meninos MUITO pequenos, e que já avisou que se for solto, vai acabar fazendo a mesma coisa de novo. O único do governo que se opõe a essas maluquices é o meu querido Di Pietro, atualmente Ministro delle Infrastrutture, que na minha nada modesta opinião é a única salvação desse país mas jamais vai ser eleito porque não é politiquento, não sabe se vender, não sabe ser contundente quando fala. Me dá uma peninha danada.

De qualquer maneira, entre impostos e monstros o pessoal já começou a se irritar. Hoje tem greve de transportes públicos e no fim de semana vão ser os jornalistas a parar. Êeeeeeeeeee primeiro mundo!

livrinhos

Fin da allora temevo come la peste chi mi chiedeva di versare sangue per purificare la mia anima. Non volevo credere alle valli di lacrime né a quelle di tenebre: ci sono altri posti più affascinanti e meno irragionevoli intorno a noi. Mio padre diceva: “Chi ti racconta ch eesiste una sinfonia più bella del respiro che ti anima, mente. Odia quanto hai di meglio: la possibilità di approfittare di ogni istante della tua vita. Se parti dal principio che il tuo peggior nemico è colui che tenta di seminare l’odio nel tuo cuore, avrai conosciuto metà della felicità. Il resto ti basterà tendere la mano per raccoglierlo. Ricorda: non c’è niente, assolutamente niente, che valga la tua vita… E la tua vita non vale quella degli altri”.

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“Perché?” digrigno i denti, offeso dalle mie stesse parole. “Perché sacrificare gli uni per la felicità degli altri? Di solito sono i migliori, i più coraggiosi che scelgono di donare la propria vita per la salvezza di chi se ne sta rintanato al sicuro. Allora, perché privilegiare il sacrificio di quei giusti per consentire ai meno giusti di sopravvivere? Non trovi che così si deteriori la specie umana? Cosa resterà, tra qualche generazione, se sono sempre i migliori a essere chiamati ad andarsene affinché i vigliacchi, gli ipocriti, i ciarlatani e i farabutti continuino a proliferare come topi?”

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“La vita di un uomo vale molto di più di un sacrificio, per quanto supremo possa essere” confessa sostenendo il mio sguardo. “Perché la più grande, la più giusta, la più nobile delle cause sulla Terra è il diritto alla vita…”

L’Attentatrice, de Yasmina Khadra (nom de plume de Mohammed Moulessehoul).

Aliás, falando em música. Cês sabem que eu detesto música italiana, mas de vez em quando rolam umas coisas legais. Ultimamente tem duas tocando nas rádios de que eu gosto muito. Uma é do Zucchero, que é foda, toca há anos com peixões da música internacional, e tem arranjos fenomenais. A outra é da Gianna Nannini, que só por ter esse nome cheio de enes já me irrita, e que tem um outro defeito grande que é sempre, sempre, sempre arrumar um jeito de gritar nas suas músicas. Mas essa última é muito legal. Não me perguntem o nome porque não sei, porque rádio aqui é que nem no Brasil, os locutores interrompem as músicas e só dizem o nome do cantor ou da canção horas depois, e você fica sem saber o que está ouvindo. Procurem aí porque as duas valem a pena.