Arquivo de setembro de 2009

rio 2016

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

A data da escolha tá chegando, e é LÓGICO que estou torcendo pelo Rio. Gosto de Madri mas, sinceramente, não a vejo como uma cidade esportiva. Chicago acho que deve ser sem graça (o logo é a coisa mais corporativa que eu já vi). Tóquio é longe demais, por favor. Rio, Rio please. Pra não falar que seria assim, “não, Francesca, esse mês não estou aceitando trabalhos porque estou no Rio, sabe. Aliás, dá licença que agora eu vou descer a rua pra ver a final de canoagem aqui na Lagoa, tá? Se eu vou a pé? Sim, sim, claro. Amanhã tem final de [inserir esporte qualquer aqui] no Maracanã e hoje vou dormir na casa da minha avó que fica pertinho, sabe, e vou lá ver o jogo/a competição/whatever. E depois de amanhã tem competição de [idem] lá no complexo da Barra e vou dormir na casa do meu pai pra chegar lá cedo. Foi mal aê pra vocês na Itália.” Abalou Bangu total.

Seria uma roubalheira daquelas estratosféricas? É ca-laro, até aí nenhuma novidade. Mas eu acho que o saldo seria positivo de qualquer maneira, embora com certeza aquém do possível, como sempre. Acredito que rolaria uma levantada de moral, uma sacudida forte, algo que acordaria o povo e faria com que as pessoas exigissem mais de quem os governa. Pode ser sonhação acordada minha, wishful thinking total, mas sei lá. Acho que uma cidade tão absurdamente phoda merece.

(Na minha opinião, a primeira providência a ser tomada, a primeiríssima da lista, seria eliminar aquela abominação que anuncia os voos no Galeão. Aquela com voz de propaganda de motel. Aquela tão preocupada em parecer sexy que ninguém entende o que ela diz. Sim, aquela mesma. Morte pra ela.)

Não preciso nem dizer que se o Rio ganhar eu vou chorar moooooito.

o atentado em Cabul

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Semana passada morreram acho que 6 paraquedistas italianos em um atentado em Cabul. Superchato, também acho, mas os caras morreram 1) a trabalho e 2) não exatamente de maneira inesperada, já que ir ao Afeganistão nesses tempos não é exatamente como dar uma volta a pé num vilarejo na Provence. Por isso acho absolutamente, ridiculamente desnecessário o drama que se criou ao redor dessa história.

Funerais de estado, com direito a tiro de canhão e coisa e tal. Foram todos promovidos post-mortem, teve minuto de silêncio no Senado, a agência nacional de notícias fez um minuto de silêncio, ou seja, sem mandar notícias, o funeral teve cobertura ao vivo de não sei quantos canais de televisão. Le Frecce Tricolori (a Esquadrilha da Fumaça italiana) voando nos céus de Roma. Os caras foram promovidos a heróis nacionais. Só que, até onde eu sei, estar ajudando a levar a democracia (cof cof) lá pros cafundós do Judas, e não defendendo a pátria de perigos externos, não tem nada de heróico (acho que esse heróico perdeu o acento mas estou com preguiça de procurar). Até porque eles são muuuuuuuuuito bem pagos por isso; não deixa de ser uma espécie de mercenarismo moderno. Essa mania de transformar em mártir tudo que é soldado que morre em guerras idiotas anda me irritando deveras. Soldados em guerra morrem, cacete! Pra mim é muito mais merecedor de funerais de estado o peão que morre caindo do andaime enquanto estava construindo ponte porque o empregador não deu equipamento de segurança.

Ora, façam-me o favor.

alimentação e bodybugg

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Em três semanas de bodybugg perdi 3 quilos. Ótimo, exatamente dentro do meu objetivo, até porque mais de um quilo por semana não é saudável.

Como eu já disse antes, acaba-se aprendendo muito sobre alimentação. Eu, por exemplo, aprendi que termino o dia SEMPRE com déficit de carboidratos e excesso de proteína. Isso porque, como também já comentei, meu lanche é sempre uma barrinha de cereais ou um iogurte, já que fujo de fruta feito o diabo da cruz. Mas isso não tá dando certo; às vezes me sinto sem energia e também não quero desmanchar o meu café da manhã (leite, pão com presunto e queijo; proteína pura) que eu adoro pra poder entrar na percentagem certa de proteínas.

A solução inicial foi roubar a papinha de maçã com banana da Carolina (não a papinha tradicional que tem amido de milho pra transformar a coisa num creminho, mas uma variedade que só tem a fruta mesmo, além do ácido ascórbico pro negócio não escurecer). Agora descobri que a Valfrutta lançou uma linha do que eles chamam de “mousse”, e que logicamente mousse não é, de 100% de fruta. Fora a combinação maçã-damasco, que acho meio bizarra (além de não gostar de damasco, lógico), o resto eu encaro numa boa. Vou experimentar, mas tenho a impressão que vai salvar a minha vida.

Olha, eu sou chata pra comer, admito. Mas melhorei muito desde que me mudei pra Itália e como trocentas coisas hoje que eu jamais sequer cogitaria há alguns anos. Mas não tem jeito, fruta não rola. Simplesmente não rola. A única fruta que eu como feliz da vida é banana, no Rio vão-se umas três por dia, mas a banana d’água amadurecida no porão do navio que vendem aqui não merece nem ser chamada de banana; só o cheiro me dá enjoo. Até as frutas das quais eu gosto, tipo morango, cereja, uva sem caroço, ficam mofando na geladeira porque o meu gostar delas é uma coisa assim muito distante, sabe, se deixassem de existir eu com certeza não ficaria de luto. Maçã, pera, tangerina, eu só como uma vez na vida outra na morte, e tenho que fazer um esforço eLorme pra terminar. E não é só preguiça – porque, convenhamos, não existe coisa menos prática do que algo que você tem que lavar, descascar E descaroçar pra comer, e que ainda por cima suja as suas mãos. Não gosto mesmo, ponto. Infelizmente não gosto. I’ll have a power bar any day. Então vou ter que enganar o meu céLebro com essas moussezinhas de frutas, pra ele pensar que eu estou comendo uma coisa industrializada superprática e deliciosa e que não deixa as minhas mãos meladas. Saco.

ah tá

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Venho traduzindo, há vários meses e em doses homeopáticas, emails e memorandos sobre… Bom, não sei bem sobre o quê, visto que a linguagem é a mais enrolada possível. Fala-se muito de recursos humanos de Universidade, Instituição (tudo assim, com maiúscula), de competências; há várias coisas desnecessariamente sublinhadas, o que me dá um certo nervoso, e muitos, muitos lugares-comuns. O problema é que eu não tenho a menorrrrrrrrrrrrr ideia do que se trate. Veja bem, conseguir escrever textos longos e sem sentido por meses a fio é uma tarefa hercúlea da qual nem todo mundo é capaz! Mas sem sentido MESMO; perguntem ao meu irmão. Parágrafos e mais parágrafos do mais puro, mais inspirado nada.

Hoje descobri que trata-se de um curso de gestão de RH para universidades de uma certa ordem católica.

Tudo fez sentido.

ainda carolinices

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Carol não pode ficar pelada (leia-se só de fralda) porque ela ABRE a merda da fralda. Então tenho que botar um biquini por cima, o que a Lulu deu ou o que a Chiara deu, e aí ela fica olhando pras bolinhas do biquini e esquece das abas da fralda.

Já estamos conseguindo ajoelhar segurando nas barras do berço! (Ela desistiu de ficar em pé no berço depois que bateu com a cara nas barras). Fico com ela sentada no tapetão da IKEA com bichos bordados, joaninhas que apitam etc, e ela começa a me escalar, empurrando com os pés até ficar em pé. Outro dia empurrou com tanta força que acabou voando por cima da minha perna e bateu com a cabeça no chão – não deu tempo de segurar. Chorou, mas foi por causa do susto porque desde então já deu outras cabeçadas e não reclamou mais. A irritação por ainda não conseguir ficar em pé sozinha, sem apoio, é intensa.

Obsessão total e desenfreada pelas seguintes coisas: minhas Havaianas roxas, o revestimento de borracha do controle remoto da sala e uma embalagem de Ovomaltine vazia.

Estamos gostando de Shaun the Sheep, que passa todos os dias depois de Two and a Half Men.

Quando ela não quer mais comer, das duas uma: ou finge que está com sono ou fica olhando pra baixo fingindo que não é com ela. Que ódio.

sonho

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Não sou de contar sonhos, mas esse foi divertido demais.

Rio de Janeiro, mais precisamente Copacabana. Só que no sonho a Nossa Senhora de Copacabana era suspensa sobre o mar, azul azul, uma coisa linda.

Lulu, que na vida real não dirige, no sonho dirigia um Mini Cooper conversível de uma cor horrorosa, aquele azul-geladeira-de-pobre, sacam, que na frente tinha uma pá tipo de trator-escavadeira. E eu e ela saíamos pela cidade da seguinte maneira: ela dirigindo o carro e eu sentada na cadeirinha vermelha da Carol (a que a gente bota no banco de trás do carro), na tal pá.

Corta.

Eu, ainda sentada na cadeirinha vermelha, segurando na lateral de um circular qualquer da São Silvestre, o cara a mil pela Nossa Senhora passando por cima do mar e eu na cadeirinha arrastando no chão. Lembro que quando cheguei em casa ainda comentei “puxa, mas isso desgasta demais a cadeirinha, que saco!”.

Corta.

Eu e Lulu, de novo no Mini Cooper, tentamos virar na Sacopã mas tinha um carro dos Carabinieri parado na entrada da rua. Abrimos o vidro e o carabiniere-mor, um grisalho bonitão mas logicamente irreal porque estava sem quepe, nos diz, em italiano:

- Signore, mi dispiace ma non potete salire perché stanno intervenendo.

(”Senhoras, infelizmente as senhoras não podem subir porque a polícia está fazendo uma intervenção”. Detalhe pro gerúndio que em italiano quase não se usa; deve ter sido uma interferência do português)

Corta.

Eu e Lulu no Cooper, no Rebouças, sem trânsito (ô sonho!). Paramos pra descansar, não sei do quê, e vem vindo um hippie de cabelão comprido e um terno verde surrado com uma garrafa de batida de coco na mão. Pergunta pra gente se não temos mais vodka pra dar um upgrade na batida dele que não tava lá essas coisas. A Lulu diz “lógico, querido” e passa uma garrafa de vodka pra ele.

Acordei.