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vita da casalinga (vida de dona-de-casa)

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Mais ou menos, já que a faxineira vem duas vezes por semana pra dar aquela geral, minha mãe passa roupa e no final das contas o que eu faço de trabalho de casa é só cozinhar. Também só faltava eu ter que fazer mais alguma coisa, com a Carol sendo assim tão time consuming. A parte da dona-de-casa entra no setor intelectual da minha vida atual. Porque embora eu esteja tentando trabalhar um pouquinho, passo a maior parte do tempo sentada no meu acampamento no sofá da sala, ou dando mamadeira pra Carol, ou tentando dar o peito, ou esperando que ela arrote, ou trocando fralda. E nessa logicamente a televisão fica ligada o tempo todo, de modo que acabo assistindo aos programas que as donas-de-casa assistem.

Eu e minha mãe já demos tanta, tanta risada com o nível de “cafonismo” (TM mirco) e de hediondidade da televisão italiana que a Carol chega a acordar quando está no colo de uma das duas. Eu sei que vocês já tão carecas de saber que a TV italiana é o horror, o horror, mas eu juro, tem que ver pra crer. Os cabelos, as golas, os sapatos, a maquiagem… Jisúis! Por isso que esse país tá desse jeito. Não tem absolutamente LA-DA de interessante pra ver o dia inteiro! Acabo vendo e revendo os mesmos filmes over and over. Aliás, a coisa mais chata de bebê (além de sleep deprivation, é claro) é que você nunca, nunca fica com as duas mãos livres ao mesmo tempo. Freqüentemente não fica nem com uma só das mãos livres. E conseqüentemente não dá pra ler. De madrugada, durante as mamadas interminavelmente lentas e quando eu prefiro não ligar a TV pra ver se a Carol aprende que à noite não se faz nada além de dormir, seria maravilhoso poder ler alguma coisa. Qualquer coisa. Mas tá na cara que tão cedo não vai dar. Que puxa…

um dia de fúria

sábado, 27 de dezembro de 2008

Eu me considero uma motorista muito civilizada. Não buzino, dou a precedência sem rancor, sempre ligo a seta antes de virar, de sair de uma vaga ou numa rotatória, paro na faixa de pedestres pro povo atravessar, não supero o limite de velocidade, não estaciono onde não devo. Não incomodo, enfim. Mas tem o seguinte: quando eu sei que estou com a razão, eu peito. Não me interessa se quem tá errado é um caminhão jamanta gigante (a única exceção são caminhões que transportam animais vivos, esses eu não peito por motivos óbvios): se o cara tá errado, eu encaro. Quer furar fila? Na minha frente não passa DE JEITO NENHUM. A única vez que me pegaram, digamos assim, foi um dia em que um idiota me pegou distraída e me ultrapassou na rampa de saída pra Foligno, já na parte zebrada, muuuitos metros depois do fim da faixa tracejada que dava direito à ultrapassagem, e obviamente me deu um susto danado. Jurei que nunca mais aconteceria, e desde então fico ligadona toda vez que pego uma saída da estrada. Se vejo alguém vindo desembestado pela minha esquerda com pinta de quem quer me ultrapassar na rampa, jogo o carro pra esquerda coladinho na faixa. Meu sonho é um dia empurrar um filho da puta desses pra esquerda até ele bater com a fuça no guardrail a 120 km/h. Se depender dos motoristas italianos, um dia vou conseguir.

Mas então. Isso dito, estava eu hoje saindo do estacionamento do Ipercoop muito placidamente, sem pressa nenhuma. Desde que ampliaram o estacionamento, parece que nem eles conseguem dar jeito no labirinto que aquilo ficou, e toda vez que vou lá mudaram alguma coisa na conformação das saídas. Hoje, por exemplo, a saída do estacionamento coincidia com a fila de entrada no posto de gasolina, que vende combustível com desconto pra quem tem a carteirinha do supermercado. Então tá, né, não tem jeito, vamos encarar a fila. Parei no sinal de Stop e liguei a seta, pedindo que alguém deixasse eu passar. Só que no carro que poderia ter dado permissão pra eu passar, que não estava na minha frente mas bem pra minha direita, o motorista estava ocupado contando dinheiro, com direito a lambida no polegar e tudo. Atrás dele, uma fila gigantesca de motoristas putos da vida, já todos com as mãozinhas fazendo o gesto italiano de “ma che cazzo succede?”, internacionalmente traduzido como “wtf?”. E aí eu, apertadíssima pra fazer xixi, fiz uma coisa antipática, mas não necessariamente errada: fui e passei. Veja bem, não atrapalhei ninguém, não furei a fila, não dei fechada em ninguém. Simplesmente considerei a distração do cara como permissão pra passar, que mais cedo ou mais tarde ele ou alguém teria me dado mesmo. Passei e o cara nem percebeu, tanto que as buzinas começaram a tocar só um momento depois e o cara ainda demorou um pouco pra chegar na bunda do meu carro. Pelo retrovisor vi que ele tava putinho, gesticulando feito um doido. Juntei as mãozinhas e inclinei a cabeça, indicando que só passei porque ele tava dormindo no volante feito um dois de paus. Caraca, o homem virou bicho! Quando vi que ele tava soltando o cinto de segurança corri pra fechar o pino da porta. Bem na hora, porque ele veio até o meu carro e tentou abrir! Eu olhando muito pacatamente pra cara dele, e ele gesticulando feito um maluco: “eu tava dormindo, é? Agora quem espera na fila tá dormindo, é?”. E eu imitando o que ele estava fazendo, fingindo que contava dinheiro. O cara ficou lá agitando os braços e eu: “vai me bater? Vai me bater?”. Até que ele cansou e voltou pro carro, e lá ficamos nós parados na fila, eu ouvindo minha musiquinha e ele fazendo gestos de “Mas veja só, macacos me mordam”.

Na próxima vez juro que eu desço do carro correndo antes do cretino e me coloco em posição de combate de caratê (na verdade vai ser uma pose da Chalene mas ninguém precisa saber disso) no meio da rua. Com a raiva que eu fico quando essas coisas acontecem, claramente visível na minha cara, du-vi-do que alguém tenha coragem de me encarar.

hihihi

sábado, 20 de dezembro de 2008

Estou com preguiça de sair de casa e mandei o Mirco passar no supermercado antes de vir pra casa almoçar. Deixei a lista com ele – escrita em português.

- Alô.

- Sou eu. Não tô entendendo uma coisa aqui na lista.

- Hm.

- Pipi de micro…

- Pipoca de microondas.

- Tá. “Pa” e um rabisco…

- Pão. [o rabisco era o til]

- “1 dz de o” e um rabisco.

- Uma dúzia de ovos. [aqui não se compra NADA em dúzias]

- “Forma de papa”…

- Forma pra pudim.

- Ahn?

- Aquelas formas redondas com um buraco no meio, pra fazer pudim, bolo etc.

[silêncio]

- Entendeu?

- Não.

- Aquelas grandes que a Arianna usa pra fazer bolo.

- Ah, não as pequenininhas pra muffin então?

- Não, essa eu tenho. A minha de pudim tá vazando, por isso preciso de outra nova.

- Mas é feita de quê?

- Cacete, é uma forma, Mirco, vai no forno. De alumínio, antiaderente, de silicone, tem vários tipos.

- Eu tô aqui nas panelas mas não tô vendo nenhuma forma.

- Mirco, onde tem panela também tem forma. Não tem nem aquelas quadradas?

- Tem uma que tá escrito “lasanheira”.

- Então perto dessa deve ter pelo menos uma redonda.

- Não tem.

- Se tiver sem buraco, traz que eu boto um copo no meio. Basta que seja redonda.

- Não tem!

- Tem aquelas retangulares altas pra fazer pão?

- Tem.

- Tem aquelas redondas baixas com as bordas trabalhadinhas pra fazer torta de fruta?

- Tem.

- Então tem que ter uma de bolo também, como eu tô dizendo.

- Não tem.

- Não tem nenhum funcionário do supermercado pra perguntar?

- Não.

- Então vai lá pegar o pipi de microondas e vem almoçar.

- Tá.

Conhecendo a figura, ele não vai sossegar enquanto não comprar uma forma, qualquer uma. Se bobear é capaz de chegar em casa com uma em formato de ursinho ou coisa parecida.

dezembro, mês do desgosto

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Acho essa coisa do Natal um porre. Porre, porre, porre. Parente da alegria forçada do Carnaval, sabe. Só que pelo menos Carnaval tem desfile, aquela cafonalha que eu adoro. Natal, nem isso. Presépios ridículos representando uma cena idiota que nunca existiu. Músicas chatas, chatas, chatas. A proliferação de coisas hediondas verdes e vermelhas. Presentes que nunca, nunca agradam. Nem das comidas de Natal eu gosto: aqui praticamente só sou fã de cappelletti in brodo, e mesmo assim prefiro cappelletti com molho de tomate do que em caldo de galo castrado.

Sim, estou de péssimo humor. Esse mês tem sido UM SACOOOO. Só trabalhos chatos. O tempo não ajuda; não pára de chover há semanas e eu vou ficando mais e mais rabugenta. Hoje até que abriu um solzinho, mas todo mundo já sabe que amanhã volta a chover e não se sabe quando vai parar. A sensação é que não vai parar nunca.

Ontem saí de casa tipo às dez da manhã pra comprar um lápis de olho urgente que o meu acabou e ir ao supermercado comprar pão, banana e sorvete porque veio gente jantar aqui em casa*. Imaginei que no meio da manhã de uma terça-feira não haveria confusão em Bastia Umbra. Doce ilusão. As ruas entupidas de gente, todo mundo de carro porque chovia a cântaros, e todo mundo estacionando à italiana, ou seja, onde dava na telha. Da minha casa até o centro, distância tão ridícula que quando não chove a cântaros eu cubro a pé ou de bici e que quando sou forçada a pegar o carro percorro em exatamente três minutos, levei dez. No estacionamento minúsculo da Coop, páro e ligo o pisca-alerta enquanto espero alguém sair e liberar uma vaga. Não passam dez segundos e uma Lancia Musa buzina forte atrás de mim, querendo entrar na vaga pra deficientes físicos que tinha acabado de ser liberada (estranhamente, por um carro de deficiente físico). Contei até vinte pra não sair e cobrir a mulher de porrada – ela não precisava buzinar porque tinha espaço atrás de mim pra manobrar, e não deveria ter estacionado ali porque A PORRA DA VAGA ERA PRA DEFICIENTES FÍSICOS. Finalmente sai uma senhora do supermercado com um carrinho com tipo três coisas dentro. Levou duas horas pra botar aquilo na mala da Panda e mais duas pra enfiar o carrinho na fila e pegar a moeda de volta. Estaciono, mas a vaga era apertada porque o cretino à minha direita tinha estacionado o BMW velho feito a cara dele. Consigo abrir a porta só um pouco, e sair dali com 1) casaco, 2) guarda-chuva (odeio guarda-chuva, mas dessa vez realmente não dava pra evitar), 3) sacola de compras, 4) a minha bolsa foi uma operação delicada. Quando consegui entrar no supermercado estava quase chorando de ódio de tudo e prometendo a mim mesma ir morar numa caverna sozinha.

Também não saí mais de casa o dia inteiro. Fiz uma faxina light, almoçamos tarde e dei uma dormidinha básica (não tinha dormido nada à noite sonhando com o último livro da trilogia da Robin Hobb). Quando acordei e fui trabalhar percebi que as 5 laudas que a Sabrina tinha me encomendado pra hoje de manhã eram um contrato. Como eles sabem que eu não faço tradução legal, nunca me mandam nada desse tipo, então eu nem sempre pergunto do que se trata quando me oferecem trabalho pelo telefone. Quando abri a merda do file e vi o maldito contrato tive ganas de jogar o computador pela janela. Já era tarde demais pra recusar, pois às cinco da tarde eles jamais achariam outro tradutor que entregasse até as nove da manhã de hoje. Lá fui eu fazer a porra do contrato, praticamente procurando cada vírgula no dicionário. Quando acabei respirei fundo e fui pra cozinha fazer o jantar.

*O jantar:

O curry que compramos no Grand Bazaar em Istambul está rendendo. O Mirco toda hora pede pra eu fazer. O Silvio nunca tinha ouvido falar de curry, mas a Oana gosta de coisas estranhas, então fiz peito de frango com curry. Em vez do arroz selvagem que costumo fazer como acompanhamento, fui de batatas gratinadas porque o Silvio, ao contrário da maioria dos italianos, adora uma batata e tenho que aproveitar essas poucas oportunidades batatais que aparecem em ocasiões sociais. Ficou tudo ótimo. Regamos com guaraná pra piorar mais ainda a mistura maluca de comidas incombináveis, e fechamos com um Barattolino Sammontana de cream caramel com pedacinhos de biscoito de chocolate. Brinquei muito com o Michele, que tem 7 meses e é um amor. O jantar salvou o dia.

E lá fui eu ler até as 3 da manhã. Mas isso é outra história.

weather talk

domingo, 30 de novembro de 2008

O tempo está uma bosta há praticamente uma semana. Chove de norte a sul sem parar. A gente aqui no vale ainda tá mais protegidinho, mas parece que estamos mesmo no olho do furacão: no norte neva neva neva, no sul venta venta venta, chove, um saco. Tetos de galpões saem voando, caminhonetes caem de pontes sopradas pelo vento, árvores caem sobre linhas elétricas e interrompem o trânsito de trens, as ilhas estão isoladas porque com o mar agitado não há barca que faça a travessia.

Aqui ontem choveu o dia inteirooooooooo. Não vejo a luz do sol há dias, o que vai sugando toda a minha energia aos poucos. Essa noite o vento, meu pior inimigo, tava tão forte que eu não dormi nada, levantei mil vezes pra conferir se as janelas tavam fechadas direito, pra botar os vasos menores de plantas em uma posição mais protegida, pra ver se o regador não tinha voado, pra amarrar as laterais da mesa da varanda que ficavam batendo, putz. Agora estou aqui me arrastando, tentando me concentrar em um trabalho chatérrimo infinito que está praticamente me deixando vesga. Porreeeeeeeeeeeeeeeee.

a pranta

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Lembram que eu falei daquela planta estranha, azulada, que eu achava que não ia dar flores esse ano? Ledo engano. Não só deu as flores, como as antenas ficaram mais altas do que no ano passado. Não há dúvidas de que vou ter que trocar a bichinha de vaso, mas a Arianna falou pra eu esperar o tempo “assentar” pra não traumatizar a coitada. Agora que o tempo assentou – uma merda de tempo, mas pelo menos tá assentado, pois dificilmente voltará a esquentar – posso cuidar do assunto. Assim que eu desatolar de trabalho, lógico.

blergh

terça-feira, 29 de julho de 2008

Julho foi um mês lento, de pouquíssimo trabalho. Mas mal cheguei de viagem e já me entupiram de coisas novamente. É bom porque sem trabalho não tem grana, e sem grana não tem viagem nem livro nem jantar fora, e sobretudo porque eu estava com medo de agosto também ser um mês lento, já que muitas empresas fecham pra férias pelo menos dez dias. Mas não, aparentemente meu faturado esse mês vai ser normal. Não chega a compensar julho, mas também não é nenhuma tragédia.

O chato é que só tem coisa chata! A maioria das traduções que eu faço são chatas mesmo, mas sempre aparece alguma coisa de interessante, ou pelo menos engraçado, tipo catálogos de móveis ou cozinhas que são absolutamente hilários. Mas tenho tido uma série de coisas horripilantemente chatas pra fazer, e haja paciência. Com esse calor, então, trabalhar é muito muito chato. Então estou fazendo assim, ó: de manhã cedo, enquanto o calor ainda não é assassino, vou de bicicleta até a Coop comprar as verduras do dia ou pão fresco ou o iogurte que acabou. Volto pra casa, trabalho um pouquinho, dou uma limpada na casa se for preciso, trabalho outro pouco, preparo o almoço, comemos, trabalho de novo (porque se sentar pra ler eu durmo), e lá pras três, depois que o Mirco volta pra oficina, ligo a televisão no quarto, com o ar condicionado ligado. A programação das férias parece que é melhor do que no resto do ano, porque o meu gosto definitivamente não combina com o gosto dos italianos, que gostam é de ver mulher de biquini falando asneira sobre o jogo de futebol de ontem, ou de assistir a cantores decadentes cantando aquelas músicas velhas que são as mesmas há quarenta anos. Eu fico vendo séries. Começa com duas horas de The District, que não é o máximo mas também não é um horror. Depois tem aquela série com a Elaine do Seinfeld, que também não é o máximo mas dá pro gasto. Depois tem Two and a Half Men. Mudo de canal e tem The McLeod Sisters, uma série australiana cheia de cavalos, ovelhas e bichos da roça, bem legal. Depois tem reprise de Friends. E depois chega a hora do jantar.

Superprodutiva a minha vida atualmente.

bichos

sábado, 5 de julho de 2008

Eu me dou relativamente bem com insetos. Só não gosto mesmo dos domésticos que enchem o saco, leia-se formigas, baratas, moscas e mosquitos. De resto não tenho grandes problemas – mas claro que quando um besouro vem voando na minha direção aquela aceleradinha da freqüência cardíaca rola – e também não tenho horror a outros bichos tipo aracnídeos em geral, lagartixas etc. Aqui em casa tem duas aranhas, o Geraldo e o Paolo (em italiano aranha é masculino, por isso dei nome de homem), que chegaram aqui pouco depois que nos mudamos. Vou limpando as teias que eles abandonam, com seus casulos vazios de jantares mosquíticos, mas os deixo quietos. Super amigos.

Depois tem as abelhas, das quais já falei. Acho abelha o máximo. Aliás, acho todos os insetos sociais o máximo, fascinantes, desde que não venham pra cima de mim, lógico. Continuo podando as flores à noite quando as abelhas estão mimindo, mas quando saio pra varanda de manhã cedo, pra primeira regada, não posso deixar de sorrir ao vê-las todas entretidas com os meus cravos.

Só que esse verão tá pior. Não estamos no térreo e por isso as moscas e mosquitos são poucos, mas o que tem de bicho esquisito invadindo a nossa casa não tá no gibi. Aquelas mariposas pequenininhas e achatadas, que ficam grudadas na parede parecendo uns adesivos, estão particularmente à vontade aqui no escritório. Volta e meia acho minhoquinhas ou centopéias no chão da sala, umas primas do bicho-bola, porque quando eu encosto nelas com um pedaço de papel pra levá-las lá pras plantinhas elas se enroscam todas. A horta da Arianna foi invadida por formigas que fazem casas subterrâneas tão grandes que se acontece de estar perto das raízes de uma planta, com a erosão a coitada não agüenta e cai – os arbustos de lavanda são particularmente suscetíveis, aparentemente. Outro dia achei um besouro GIANT no nosso banheiro, lindo, verde metalizado. O lance é que normalmente essa bicharada toda fica letárgica durante o inverno longo e frio, mas o último inverno não foi nem uma coisa nem outra, e aparentemente todo esse povo que deveria ter ficado dormindo, com o metabolismo lá embaixo, ficou acordadão e, sem nada melhor pra fazer, se reproduziu. Então agora não temos só os acordados, mas os acordados e a sua prole. É uma coisa impressionante.

Repito: de modo geral esses bichos não me incomodam. O meu problema, senhores, são as vespas. ODEIO vespa. O-D-E-I-O. E não sei o que é que esse nosso prédio tem que as vespas AMAM. No verão passado a vizinha de cima, a “soldada” que marcha dentro de casa com sapato de salto alto o dia inteiro, teve que chamar uma empresa especializada, porque quando ela percebeu o vespeiro pendurado no teto da sua varanda ele já estava grande feito um melão e não dava pra encarar com Baygon e vassoura, que é o que eu faço. Eu também destruí umas duas proto-casas de vespas. Esse ano já foram três, uma no meio dos cravos, uma no meio do alecrim – que sacrilégio! – e uma pendurada na varanda da soldada. Eu fico morrendo de pena, porque, coitadas, dá um trabalhão danado e tal, é bonitinho, aqueles buraquinhos todos perfeitinhos, com as tampinhas brancas e uma pré-vespa dentro cochilando e comendo, mas pô, não dá, né. Afogo todo mundo com Baygon, dou uma vassourada na casinha, e depois que todas as vespas estão mortinhas da silva é que eu vou lá varrer tudo e jogar no lixo. Estar no topo da cadeia alimentar tem suas vantagens, after all.

a planta

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Vocês lembram da planta azul extra-terrestre, né. Eu falei que tirei foto das flores fosforescentes do ano passado, mas não estou achando. Mas observem o ritmo de crescimento da bichinha em 2006, 2007 e agora.

Quando comprei (1 euro a mini-muda) era assim, em junho de 2006.

Em junho de 2007 ela já tava assim.

E esse ano, completamente descontrol, uns 10 cm pra fora do vaso.

Não reparem na luz; não sei tirar foto direito. Ela agora tá menos azul, mas é sempre muito bizarra. Parece o Perito Moreno. Não tá com cara de que vai dar flores, o que é uma pena, porque as flores também são MOITO alienígenas.

burô

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Se você acha a burocracia brasileira um pé no saco, experimenta dar um pulinho aqui na Bota.

Meu pedido de renovação do permesso di soggiorno foi feito em maio… DO ANO PASSADO! Com o documento provisório que te dão até o definitivo chegar eu posso fazer tudo – tirar novos documentos, renovar a carteira do sistema de saúde, abrir minha própria atividade, o que eu quiser – menos uma coisa crucial: botar os pezinhos em países da área Schengen. Que inclui praticamente toda a Europa, à exceção da Grã Bretanha e da Suíça (essa última só até o final do ano, quando assinarão o tratado).

O dedo na ferida: a partir desse mês a Ryan Air passa a ter vôos diretos de Perugia pra Barcelona (atualmente só tem Londres, que é caríssima e chata, e Frankfurt, que não me interessa). Mirco achou um vôo ontem por 10 euros, taxas incluídas. MAS NÃO PODEMOS IR PORQUE O MALDITO DOCUMENTO NÃO CHEGA! Poderia estar dando um pulo em Paris pra visitar a Newlands, mas não posso. A Hunka vem pra cá em setembro e quero ir a Praga visitá-la, mas se o documento não chegar até lá, nada feito. Veja bem, uma passagem pra Barcelona por DEZ EUROS significa que o cidadão tem a obrigação moral de ir. Ele simplesmente TEM QUE. E eu que quero, não posso! Ódio.

Ô pai, dá uma agilizada na cidadania lusitana da mamãe, plís (é muito mais rápido por aí, logicamente), porque essa vida de subdesenvolvido já encheu e eu também quero ser civilizada. Não vejo a hora de chegar a minha vez.