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Meu penúltimo aluno do dia, um arquiteto simpático e inteligente que é a cara do Ewan McGregor, mete a cabeça dentro da minha sala de aula verde.

– Quê que foi? Entra, menino.
– É que temos um convidado especial hoje.

ELE ENTRA NA SALA DE AULA COM UM FILHOTE DE TERRANOVA NOS BRAÇOS. VOCÊS NÃO ESTÃO ENTENDENDOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO

Basicamente ele foi avaliar um projeto sei lá onde, na roça, e achou o coitadinho abandonado no meio do capim, com aquela cara de desamparado. Resolveu levá-lo pra casa, já que ele mesmo mora meio na roça, em uma casa grande, com três filhos, e a cachorra da família já está muito velha e quase subindo no telhado. Que sorte do filhote!

Compreensivelmente, quase tive um treco quando vi o cachorro. Coitado, de tão amedrontado ele nem se mexia; peguei-o no colo e senti o coraçãozinho disparando. Me olhava com aqueles olhos bonzinhos e eu quase chorei. Dei aula com o filhote dormindo no meu colo, roncando, com a cabeça apoiada na mesa.

nos cafundós

Tive uma nova experiência muito interessante hoje.

Eu e Michael, o inglês que deu o OK lingüístico pra eu trabalhar na escola, fomos mandados pra Cascia (leia-se Cásha, e é o tal lugar de onde veio a Santa Rita, vocês sabem, a que virou de Cássia em português), pra dar aula preparatória pros exames de Cambridge.

Só que Cascia é lá na puta que o pariu. A gente tem que telefonar antes pra perguntar se tem neve ou não, porque se tiver, a estrada fica intransitável. Mais de uma hora de viagem, eu dirigindo a Smart da escola e o Michael falando sem parar. A paisagem é um desbunde, e tenho que lembrar de levar uma máquina fotográfica semana que vem, porque tem muita coisa bonita pra ver.

A escola é um Liceo Scientifico, e a professora de inglês que nos recebeu é muito legal. Os alunos foram divididos em duas turmas: eu peguei a preparação pro PET, que é uma prova que eu nunca fiz e queria conhecer, e o Michael pegou os meninos do FCE. Meus alunos são 16, de idades variando de 14 a 18. Falam sem parar, mas com uma levantadinha de voz básica a coisa se resolveu. Eu me diverti, eles se divertiram e se maravilharam com o fato de que eu memorizei rapidinho todos os nomes (ooooh os poderes mnemônicos da paca… Como se fosse uma turma de 100 alunos… Adolescente se encanta com pouco, né). Foram duas horas bem interessantes.

Só que eu já estou até me vendo daqui a alguns meses, com vários pólipos nas cordas vocais. Porque estou dando uma média de 10 horas de aula por dia. Enfim.

Raymond Carver

Na mailing list do curso de narrativa que fiz em novembro está rolando uma discussão séria sobre Raymond Carver. Ele foi muito falado durante o curso, e lemos em aula um conto seu muito interessante, mas eu nunca tinha lido nada dele e fiquei me achando um cocô por causa dessa terrível lacuna intelectual. No fim de semana em Rotterdam, esperando no aeroporto e matando o tempo no avião, li Cathedral, uma sua coletânea de contos.

Quer saber? Achei um belo nada.

Os defensores de Carver na lista argumentam que a simplicidade com a qual ele descreve atos quotidianos é envolvente. Sinceramente, uma frase do tipo “ele passou a manteiga no pão, depois a geléia, e levou o sanduíche pra mulher” não me diz la-da. Eu até agüento conteúdo zero se a forma é maravilhosa, mas se não tem nem conteúdo e nem forma, ora, me poupe. Se a geléia ainda fosse, sei lá, envenenada, ou então uma receita de família que morreu com a falecida avó que teve um repentino piripaque numa casinha na beira de um lago isolado na Dinamarca, ou se o homem tivesse pela primeira vez conseguido passar geléia no pão depois de uma longa fisioterapia pós-acidente, talvez a coisa ficasse mais interessante. Mas manteiga comum com geléia comum num pão comum pra uma esposa comum é comum DEMAIS. E como se não bastasse a exagerada banalidade da forma e do assunto, os contos terminam no ar, suspensos. Não têm final. São literalmente contos onde não acontece nada. Parece até que ele mora aqui na Umbria… ;)

o uzbequistão é aqui

Ontem jantamos na casa do Marco e da Tania. O Marco estudou com o Gianni e o Mirco, e a Tania é do Uzbequistão (!!!). Gastronomicamente foi uma grande decepção, porque a gente tava crente que ia rolar uma culinária uzbeq, mas que nada: Tania foi de canneloni mesmo, depois teve rosbife (aqui rosbife não tem nada a ver com o verdadeiro roast-beef, mas enfim) e supplì, aquele bolinho de arroz frito. Tinha salada russa, mas eu abomino maionese, e combinada com pepinos em conserva, então, não tem santo no mundo que me faça comer. O doce, com creme de nozes e mel, parecia muito com os doces que a família sérvia faz sempre, e tava bem gostoso. Chiara levou uns pasteizinhos em gosto com recheio de Nutella, mas não valia a pena engordar por aquela besteirinha. Até que me comportei, mas hoje de manhã já fiz meia hora de step pra compensar.

A Tania é uma garota legal. Não sabemos nada do passado dela, e seu italiano ainda é muito carregado de sotaque russo (e ela come todos os artigos), mas é uma garota legal. Como Chiara e Gianni são sempre boa companhia, acabou que passamos uma serata bem gostosinha. De vez em quando – mas não sempre – é bom socializar.

de novo

Estamos considerando seriamente a possibilidade de ir ao Rio em março. Vai ser uma viagem curtíssima, e Gianni e Chiara querem porque querem torrar no sol em Búzios e/ou Paraty, mas melhor do que nada. Assim que eu souber com mais certeza, aviso quem de direito :)

coisas inúteis mas úteis

Uma das coisas mais úteis que já me deram de presente nos últimos tempos foi a toalha pra enrolar o cabelo que minha avó me deu. Simplérrimo, mas utilíssimo: tem um botão atrás da cabeça e na parte da frente um elastiquinho; você enrola a toalha estilo turbante, como todo mundo faz, e em fez de ficar com aquilo apoiado precariamente na cabeça, puxa a ponta pra trás e prende o elastiquinho no botão. Uma maravilha, rapaz!

botenses

Duas reportagens interessantes essa semana no telejornal:

A cachorrinha vira-lata que foi salva pelo seu colega sem-teto pastor alemão. Ela caiu num barranco e não conseguia sair; o pastor, que costumava perambular com ela pela cidade, latiu a noite toda e a manhã toda sem parar até que alguém percebeu e chamou os bombeiros. Quando os homens finalmente conseguiram tirar a trêmula cachorrinha bigoduda do barranco e se viraram pra agradecer ao pastor alemão, ele tinha ido embora.

O motorista italiano foi classificado oficialmente como o mais agressivo e mal-educado da Europa. Jura? E por isso mesmo agora vai existir uma punição oficial contra traffic harrassment, digamos assim. Porque outro dia um imbecil fechou outro imbecil no trânsito, o fechado começou a perseguir o fechando, com a mãozinha pra fora fazendo o clássico gesto aôoooooo imbecill’, maccheccazzo fe’?, o fechando se sentiu ameaçado e chamou a polícia e o fechado foi multado. Achei superlegal, mas se os policiais que multam também são italianos e também dirigem assim, será que vai adiantar alguma coisa?

:)

Os dias têm sido ensolarados, de temperaturas quase primaveris. Hoje arrisquei até sair de casa de pulôver de lã mas sem sobretudo, e sobrevivi. Incrível como o meu humor melhora quando vejo a cara do sol. E a paisagem umbra no caminho pro trabalho é tão bonita! Spello é um desbunde, toda feita com a mesma pedra rosa de Assis, mas por ficar bem próxima à estrada tem um impacto particular. O interior do Zaire é uma beleza só :)

sociologia

A única vantagem que tenho quando alguém cancela aula é que consigo estudar. Comecei a ler o manual de Sociologia, que é uma matéria importante, de 9 créditos. As aulas começam semana que vem e vou conseguir freqüentar só Sociologia mesmo, mas só uma vez por semana. Três horas direto de aula, uma paulada.

Cara, que assunto chato!!! Não consigo imaginar minha mãe estudando isso por cinco anos seguidos na faculdade. Ô coisa superteórica! Detesto. Mas a parte mais teórica, chamada “institucional”, vai ser só até abril; depois começam com o tema desse semestre, que vai ser o retorno à oralidade em um mundo onde a tecnologia facilita mais e mais esse tipo de comunicação. Acho que vai ser interessante e já encomendei os dois livros em inglês porque tenho a impressão que vou me divertir. Vamos ver.

step by step

Aproveitei a manhã livre, antes da Begonia chegar, pra dar um pulo no Ipercoop e comprar um aparelho de step pra mim. Tava na oferta, lógico – eu só compro coisas na oferta que não sou boba – e é pequeno, enfio debaixo de uma cadeira na sala e ele fica ali quietinho, azul, me esperando. Os amortecedores fazem um certo barulho funf-funf, mas por 38 euros eu queria o quê? De qualquer maneira, vai servir pra eu me mexer um pouquinho durante a metade do ano em que não posso botar o nariz pra fora sem morrer de frio. Dinheirinho bem gasto.