Quarta-feira está rapidamente se tornando o pior dia da semana, à medida em que se aproxima o fim da temporada de Cascia. A tarde é completamente cheia, sem tempo nem pra fazer xixi, e ainda por cima à noite não tem NADA pra ver na televisão.

E a festa da primavera continua.

ciliegie

Margareth foi embora de manhã cedo, então fui até o hotel tomar café da manhã com mamãe e botar as malas dela no carro pra ela voltar a se instalar aqui em casa. Normalmente adoro café da manhã de hotel, mas aqui é tudo sempre doce, e eu detesto doce, sobretudo no café. Tive que me contentar com pedaços de pão sem sal com manteiga sem sal, mas me deleitei com o café com leite.

E comi cerejas pela primeira vez esse ano! As da cerejeira lá da escola ainda estão terrivelmente azedas, mas elas que me aguardem quando amadurecerem. Não vou deixar pedra sobre pedra. Sempre gostei de cereja, e desconfio que não seja só por causa do sabor, mas porque é uma fruta prática. Tenho horror a comida complicada, que requer logística e paciência. A cereja você joga na boca, come o que tem que comer e cospe fora o caroço. Uma praticidade impressionante, acho o máximo.

ufa

Fazer turismo na Itália é coisa pra entendido. Porque nada funciona, ninguém sabe dar informações, tudo é confuso e impreciso. A minha dica é: NÃO FALE COM PESSOAS. Lidar com gente aqui é uma coisa muito complexa, sujeita a variáveis infinitas. Muito mais seguro se relacionar com máquinas. Eu já havia dito isso à Margareth, que veio do aeroporto pra Assis sozinha de trem, mas elas compraram a passagem Roma-Assis na mesma agência que vendeu as passagens pra Paris. E a idiota da mulher não explicou que um dos trens da tarde não era direto, precisava mudar em Foligno. A maquininha que vende passagem avisa logo: tem conexão em Foligno, quer encarar? Lógico que as duas não foram capazes de ler o tabelão dos trens (não é difícil de entender, juro, mas você tem que ter a inspiração de ir lá olhar pra ele) e perderam a estação. Foram parar em Nocera Umbra, que não é tão longe assim mas é um buraco. Mamãe me ligou rindo de nervoso dizendo que não tinha la-da ali perto, nem um bar, um orelhão, uma banca de jornal, nada. Então lá fomos nós pegar as duas na estação de Nocera Umbra.

A cidade é uma gracinha, mas foi o epicentro do terremoto de 97 e ainda está completamente destruída (as igrejas não, lógico, foram as primeiras a ser reformadas). Fica no alto de um platô e é bem visível já de longe. Mas realmente não tem NADA, e a estação, microscópica e só com duas plataformas, fica no fundo de uma espécie de beco sem saída. Visão mais bizarra do que aquelas duas sentadas ali no banquinho, rodeadas de sacolas da Galeria Lafayette, ainda está pra ser criada.

Acabamos jantando na festa aqui embaixo de casa mesmo, por falta de vontade de cozinhar. E como custei a dormir por causa da música alta, comecei Sidetracked, mais um do Mankell.

x-men 3

É oficial: perdi mesmo o ano escolástico na faculdade por problemas burocráticos. Mirco me trouxe um sorvete na hora do almoço pra levantar a moral, mas não teve jeito, tive um ataque. Dormi a tarde inteira porque tristeza cansa, mas à noite já estava um pouco melhor e fomos ver X-Men 3 em Perugia.

Achei de longe o pior dos três. Os efeitos especiais são foda, mas o roteiro é esburacadíssimo e corrido, e além disso aconteceu uma coisa que me irrita profundamente: o sumiço inexplicável de personagens e o inserimento de outros com a maior naturalidade. De onde veio a Kitty Pride, que por sinal eu adorava nos quadrinhos mas achei boboca no filme? Que fim levou o Nightcrawler? Por que a Fênix foi tão pouco valorizada? Por que não foi mais explorada a história da Mística depois da perda dos poderes? Mas a pergunta de um milhão de dólares é: o que é que eles tão esperando pra botar o Gambit nos filmes, hein? :)

Ontem li rapidinho o último Camiller, Vampa d’Agosto. Os meninos do curso de narração tinham avisado que o final era decepcionante, mas eles não tinham gostado muito do livro propriamente dito. Eu gostei. Achei engraçado e bem amarradinho. Como sempre, o que menos me interessa é a história; os personagens e sobretudo o ambiente siciliano são tão surreais e hilários que nem me importa o que está acontecendo, e me perco em meio aos nomes e sobrenomes dos personagens com prazer. Ótima leitura.

E então voltei a ler Mankell, que eu tinha parado porque faltava o quarto livro. Finalmente chegou, então comecei de onde tinha interrompido: The Man Who Smiled. A impressão que eu tenho é que o sueco é uma língua simples, com poucas frases subordinadas, períodos curtos e poucas metáforas. Foi a mesma impressão que tive lendo The Bookseller of Kabul. Alguém me corrija se eu estiver errada.

E durma-se com essa merda de festa…

ai meus sais

Começou a maldita festa da primavera aqui embaixo de casa. Aquela cafonice de sempre, cantoras louras-Blondor com saias assimétricas e botinhas brancas, músicos com terno cor de vinho com paetês na lapela, gente de cabelo crespo e franja, the usual. Mas o que enche o saco realmente é que a música é MUITO alta. O palco fica pertinho da varanda, e a música é tão alta que parece que estão tocando num estádio pra 200.000 pessoas, em vez dos quatro gatos pingados que dançam mazurca e polca no chão de cimento vermelho. Parece que neguinho tá cantando dentro da minha orelha. Porreeeeeeee!

:)

Mamãe e Margareth saíram cedo de Santa Maria hoje, pra passar o dia em Roma e de lá pegar o trem pra Paris. O sonho da Margareth era conhecer Roma e Paris, e mamãe não vai à França desde a lua-de-mel, então pareciam duas crianças contando os detalhes da viagem pra gente e explicando os planos enquanto eu separava mapas e bilhetes do metrô que sobraram do ano passado. Sabe criança quando vai em excursão da escola pela primeira vez, sem os pais? Muito engraçado :)

maratonista

Assisti à minha última aula de sociologia hoje de manhã, e depois encontrei mamãe e Margareth em frente à faculdade. Conseguimos dar uma boa voltinha em Perugia, que eu adoro, vocês sabem, antes de voltar pra almoçar correndo e sair correndo de novo pra trabalhar.

Minha mãe está preocupada porque me vê correndo pra cima e pra baixo o dia todo, correndo sempre, sempre, sempre. Acha que vou acabar tendo um treco. Enquanto eu agüentar o ritmo, vou continuar correndo, porque chegar aos 30 anos tendo como patrimônio total um cachorro e um celular é ridículo, então infelizmente tenho que correr atrás do tempo perdido. Sei que estou quase ficando maluca de tão cansada, e mais impaciente do que o normal (não com meus alunos, claro), e ando dormindo mal e enxaquecosa e chorona, mas daqui a pouco passa.

O que eu queria é que esse estresse todo pelo menos me fizesse emagrecer, mas é querer demais, né…

a escolha de sofia

Fui com mamãe e Margareth escolher lajotas, azulejos e sinteco hoje de manhã. Achei que fosse enlouquecer de tanto pular de uma língua pra outra, ouvindo as duas matracas conversando e tentando ao mesmo tempo entender o que o sobrancelhudo me explicava. Acabei não decidindo coisa nenhuma, e ele ficou de fazer umas contas pra eu saber se podemos ou não bancar algumas alterações no que a empresa construtora nos oferece por contrato.

Porque a dúvida cruel é a seguinte: sinteco ou piso frio? Não temos tempo pra manutenção de sinteco, absolutamente, mas é lógico que é mais valorizado, mais elegante e, coisa muito importante, mais quentinho. Mas como estamos no segundo andar, sanduichados entre dois apartamentos aquecidos, vamos ter o apartamento mais quente do prédio e o piso frio provavelmente não vai ficar tãaaaaaao frio. Enquanto não escolhermos o chão não dá pra escolher mais nada, nem cor de parede, nem cor de móveis. Então vai ficando tudo no stand-by. Estou aberta a sugestões.