Na última sexta-feira, às quatro

Na última sexta-feira, às quatro da manhã, dois rapazes perderam a vida num acidente gravíssimo a 300 metros daqui de casa, na curva sem-vergonha antes do retão onde eu moro. Um deles, o mais novo, voltava de uma noitada na discoteca, provavelmente o Country, no centro de Bastia, que às quintas-feiras promove um chatíssimo festival de música latino-americana (*vômitos incontroláveis*). Não sei se estava bêbado ou pelo menos “alegrinho”, mas estava em alta velocidade. Acabou saindo da pista e batendo de frente no carro do outro rapaz, três anos mais velho, que estava indo trabalhar – fazia o primeiro turno na fundição de Santa Maria degli Angeli, aquela em frente à casa dos pais do Mirco.

Ainda bem que o da discoteca morreu também, porque senão o pai do outro o teria matado, com certeza. E eu teria achado ótimo. Poucas coisas me deixam mais irritada do que gente que fode com a vida dos outros e sai ileso.

A serata de sexta na casa da FeRnanda e do Fabio foi ótima. Rimos, vimos os zilhões de fotos do casamento, bebemos vinho, ouvimos o CD da Arca de Noé (!!!!!!). Claro que não deu tempo de botar todas as fofocas em dia; afinal, ela ficou fora 2 meses, e aconteceu muita coisa tanto na vida dela quanto na minha. Mas devagar, devagarinho a gente vai tricotando…

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Em compensação, ontem fomos jantar na casa da família sérvia. E foi um saco. E foi toda aquela empurração de comida outra vez – pelo menos tinha as trouxinhas de repolho com carne e arroz, que eu amo, e massa folhada de queijo – e o papo chatérrimo sobre linguiça e sobre a vida na estrada (tanto o tio do Mirco quanto o chefe da família sérvia são caminhoneiros). Aproveitamos que o Mirco já tava meio bebinho depois de 2 copos de vinho e que eu tava com uma dor de cabeça lancinante e fomos embora rapidinho. Eu, hein.

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E amanhã termino a epopéia sérvia. Tô sem saco de ajeitar as fotos…

A serata de sexta na casa da FeRnanda e do Fabio foi ótima. Rimos, vimos os zilhões de fotos do casamento, bebemos vinho, ouvimos o CD da Arca de Noé (!!!!!!). Claro que não deu tempo de botar todas as fofocas em dia; afinal, ela ficou fora 2 meses, e aconteceu muita coisa tanto na vida dela quanto na minha. Mas devagar, devagarinho a gente vai tricotando…

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Em compensação, ontem fomos jantar na casa da família sérvia. E foi um saco. E foi toda aquela empurração de comida outra vez – pelo menos tinha as trouxinhas de repolho com carne e arroz, que eu amo, e massa folhada de queijo – e o papo chatérrimo sobre linguiça e sobre a vida na estrada (tanto o tio do Mirco quanto o chefe da família sérvia são caminhoneiros). Aproveitamos que o Mirco já tava meio bebinho depois de 2 copos de vinho e que eu tava com uma dor de cabeça lancinante e fomos embora rapidinho. Eu, hein.

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E amanhã termino a epopéia sérvia. Tô sem saco de ajeitar as fotos…

Repararam que eu mudei de

Repararam que eu mudei de e-mail? O webmail do libero não tava mais dando conta.

(não preciso dizer que basta tirar o hohoho! anti-spam que eu botei ali no endereço pra ter o e-mail certo. Dica da Newlands, porque esse não é o tipo de idéia simples e brilhante que me vem espontaneamente à cabeça.)

E agradeço ao Duduzão por ter me ajudado na escolha de um programa de e-mail, senão o email do interludio não serviria pra nada.

E agora dêem-me licença que a FeRnanda voltou do Brasil, casada e de cabelo curto, e daqui a pouco vamos à casa dela ver as fotos e tomar um vinho básico!

Città di Dio

Vi Cidade de Deus em DVD ontem. Dublado. Mas mesmo assim, A-DO-REI! Adorei tudo, roteiro, fotografia, edição, trilha sonora. Claro que é, digamos, extremamente parecido com Traffic, das cores à instabilidade da câmera, mas não tem problema: tecnicamente o filme é bárbaro. Adorei, e fiquei muito orgulhosa. Se não tivesse toda aquela gente incrivelmente feia e suada na tela, pareceria coisa de Hollywood (ou Ólivud, como pronunciam aqui na Itália.)

Maria Irrita

Então chegam os resultados dos exames de sangue que fazem quando a gente doa. E adivinhem: estou com o colesterol… baixo! Ulalá!

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Sei que vai ter gente querendo me encher de porrada, mas eu juro que é sério: de tanto ler Maria Rita pra lá, Maria Rita pra cá, Maria Rita isso, Maria Rita aquilo, acabei baixando um monte de músicas dela. Caraca… ODIEI!!!! Não só odiei a voz dela, porque sempre achei a voz da Elis uma das coisas mais chatas já ouvidas sobre a Terra, mas também detestei a escolha das músicas, os arranjos, tudo, tudo, tudo. Apaguei todos os .mp3 correndo pra não ficar traumatizada. E voltei pro meu Offspring (Smash).

Tenho verdadeiro horror a poesia.

Tenho verdadeiro horror a poesia. E a MPB.

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Eu tenho os melhores leitores do mundo. Além de educados, cultos, inteligentes, engraçados, bons de Português e de garfo e amantes de cachorro, ainda me mandam presentes! Ontem chegou a caixinha da Manoela, Brasileira Legal Pacas que Mora na Alemanha e Nãaaaao Se Acha AAAA Alemã, contendo 1 Brave New World de Aldous Huxley, 1 par de meias coloridas estilo luvas para pés, 1 Bilbo de plástico originário de um ovo Kinder, sentadinho lendo um livro, e 1 carta de-li-ci-o-sa. Não é o máximo? :)

Realmente não me imagino fazendo nada profissionalmente, no futuro, além de ler, escrever e traduzir. Imaginar-me num hospital, ou, pior, num escritório, é o horror, o horror.

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E o tempo virou de novo. A névoa de ontem parece que gostou da Umbria, e não vai mais embora. Tá um frio do cacete – frio úmido, que dói.

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Depois de um momento de auto-irritação* ontem à noite, comi chocolate e biscoito, e hoje estou com dor de barriga. Ontem enviei currículos a escolas de línguas e escritórios de tradução aqui da área. Também faxei currículos a dois hotéis de Assis. Daqui a meia hora ligo pra saber se receberam. Fabrizio o Louco precisa de ajuda pra limpar a loja semana que vem, antes de reabrir no final do mês. Hoje tenho mil faturas chatas da oficina pra inserir no computador e um CD de música latina (AAAAAAAAAAAAAAAAH SOCORROOOOOO) pra queimar pra Garota da Calça Dourada, que aliás virou titia semana passada. Amanhã de manhã vou à Questura pegar meu permesso di soggiorno alterado com o novo endereço e o novo número de passaporte. Também tenho que fazer algumas perguntas burocráticas sobre o permesso antes de comprar minha passagem pro Rio. Tenho cartas pra botar no correio e um casaco pra buscar na lavanderia, mas hoje estou sem carro. Tô sem saco.

*Fui levar o carro na oficina, pra ajeitar o lance do embaçamento, que é causado por um vazamento de líquido do radiador pra dentro do ventilador, ou seja, o ventilador-aquecedor sopra vapor oleoso no pára-brisas, que assim fica sempre sujo. Lindo. Então; ontem passei o dia na rua com o Mirco, resolvendo coisas. Lá pras seis passamos em casa, peguei o meu carro e fomos pra fisioterapia do joelho dele. De lá partimos direto pra oficina. Só que o trânsito tava horrível; o Mirco saiu logo da vaga e foi indo na frente, mas meu carro tava mais longe, e quando liguei a seta pra sair começou a vir um rio de carros que, dirigidos por motoristas italianos, não me deixavam passar de jeito nenhum. Quando finalmente consegui sair, o Mirco já tava na oficina. Muito bem, sem problemas, a não ser o fato de que só fui a essa oficina sozinha uma vez, e obviamente de dia, e com os vidros não embaçados, e sem neblina pesada. Eu não via NADA, não sabia onde virar, os faróis dos carros em sentido contrario refletiam contra o embaçamento e me cegavam (sou fotofóbica), gente atrás de mim piscando o farol porque eu andava a 20 por hora, eu botando a cabeça pra fora do carro pra ver se via alguma coisa, mas não via nada por causa da neblina. Saí do centro da cidade e me vi na saída pra auto-estrada, na Zona Industriale, àquele momento sem movimento nenhum. Leia-se sem luz nenhuma. Sabe o que é dirigir no escuro total, fazendo um percurso com o qual você não tem nenhuma intimidade? Então. Comecei a gritar de ódio dentro do carro, PUTA QUE PARIUUUUUUUUUUUU QUE MERDA DE VIDAAAAAAAAAAAAAAAAAA QUE SENSO DE DIREÇÃO DE MERDA QUE EU TENHOOOOOOOOOOOOO BURRA NÃO SABE NEM ONDE FICA A BOSTA DA OFICINAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA AAAAAAAAAAAAARGH!!!

Cheguei na oficina, depois de muita labuta e muitos gritos, num estado de irritação tão intenso que deveria ter sido estudado pela ciência. Odeio a impotência, odeio me sentir burra, odeio não saber o que fazer. Então abri o pacote de chocolatinhos alemães que tinha comprado no supermercado de pobre onde o Mirco compra luvas de borracha vagabundas pro trabalho, e comi tudo. Hoje estou morrendo de dor de barriga.

Mas vou fazer macarrão com salmão e abobrinha pro almoço, aaaah vou. Sem queijo ralado, é claro. Peixe e queijo ralado não combinam.

Mais um “veranico”. Depois de uma semana gelada, o último weekend foi super light em termos de temperatura, e por enquanto o clima ainda é de inverno carioca, super tabajara. Anteontem de manhã fui aos correios, só de pullover de lã sobre a malha, e senti calor. De tarde fui correr (na verdade correr um pouco e caminhar muito, porque estou super fora de forma), de camiseta de manga curta. Como é bom poder ir à varanda pendurar as roupas no varal e voltar com as mãos inteiras, em vez de duras, congeladas e insensíveis!

Mas acho que a coisa não dura. Olhando pela janela agora cedinho só vejo um paredão branco de neblina. Merda.

Essas são as fotos do tombo do Mirco domingo, no quintal da Arianna. Foi querer brincar de cabo-de-guerra com meu cachorro e se estabacou de costas no chão. Não consegui tirar nenhuma foto dele já no chão. Estava ocupada me sbudellando (algo como “eviscerando”) de rir.

**

Anteontem fomos ao Ipercoop, o supermercadão aqui da área, pra nos distrair, e acabei comprando uma maquininha de fazer pasta, igual à da Franzoca. Comprei também o famoso rolo de macarrão, e uma tábua de madeira pra preparar a massa, já que a minha mesa hedionda é porosa demais pra fazer qualquer coisa com farinha, vai ficar tudo imundo. Ainda essa semana pretendo fazer um macarrão qualquer. Depois digo como ficou e dou a receita.

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Aquela planta comprida que no Brasil se chama Espada de São Jorge aqui na Itália se chama Lingua di Suocera (língua de sogra). Vivendo e aprendendo.

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E a penúltima parte da epopéia sérvia: o mercado de Majilovac. Sabe feiras medievais, ao aberto, com lama no chão e as coisas mais estapafúrdias expostas ao público? É assim. Vendem porcos, sapatos, chapéus, colheres de pau, trenós, galinhas, peças de carro, gasolina, chocolate, binóculos, cigarro, roupas de couro, roupas de couro falso, bandejas em inox, meias (comprei várias), facões, relíquias de guerra, brinquedos tabajara, vestidos de gala, cestos de vime, móveis, carneiros, ferramentas, temperos, água mineral de origem duvidosa, bebidas alcoólicas de tudo que é tipo, pneus, maquiagem, canetas coloridas, perfumes falsos, malas e bolsas, enfeites de Natal. Entre outras coisas. Só não vendem livros.

Que depressão esse mercado! Aquela lama no chão, os carros estacionados de qualquer jeito, gente feia e encasacada caminhando carrancuda pra lá e pra cá, gesticulando com os vendedores; as roupas incrivelmente cafonas penduradas nas araras; todo mundo fumando sem parar; os vendedores botando a mercadoria em amassadíssimos sacos plásticos de supermercado antes de dar aos clientes; gente vindo fazer compras de TRATOR; gente com casaco de pele falsa; gente experimentando sapato ali mesmo, em pé na lama; senhoras comprando brocas pra furadeira e correia pro motor do carro; crianças querendo brincar com os porcos e galinhas… Caramba, é outro planeta mesmo. Chegamos em casa cansados de tanto ver coisa estranha e feia. E as únicas coisas que eu comprei em todo esse tempo na Sérvia foram nesse mercado: alguns pares de meias coloridas (listradas de vermelho e branco, listradas de amarelo, branco, preto e verde, preta com bolinhas azuis, listrada de lilás, verde, amarelo, azul e laranja, e uma listrada em tons de cinza e azul com o desenho do Tigrão), um batom fedorento mas bonitinho, e uma bolsa horrível em couro fake pra Carmen, que é de uma cafonice ímpar. Só.

Sei que em Belgrado com certeza teríamos visto coisas bonitas, e não falo só de coisas pra comprar. Dizem que a cidade é bonita, e vimos algumas pontes interessantes no caminho até lá na volta pra casa, mas infelizmente o tempo e o clima não permitiram. Não posso nem dizer que ficará pra próxima, porque espero veementemente que não haja uma próxima. Programa de índio assim de novo, nunca mais.

**

No começo de março vamos a Rotterdam visitar a irmã do Mirco que tá morando lá. Ela quem vai pagar as passagens, porque eu não tenho dinheiro pra ir nem na esquina…

**

E pra não perder o hábito, fotos cachorrais. Esse é um vizinho da Arianna que tem vários microcães. No domingo passou lá pra visitar, e levou toda a trupe.

Mister Legolas fazendo pose blasé:

E todo feliz com seu galho no meio do mato:

Mais um “veranico”. Depois de uma semana gelada, o último weekend foi super light em termos de temperatura, e por enquanto o clima ainda é de inverno carioca, super tabajara. Anteontem de manhã fui aos correios, só de pullover de lã sobre a malha, e senti calor. De tarde fui correr (na verdade correr um pouco e caminhar muito, porque estou super fora de forma), de camiseta de manga curta. Como é bom poder ir à varanda pendurar as roupas no varal e voltar com as mãos inteiras, em vez de duras, congeladas e insensíveis!

Mas acho que a coisa não dura. Olhando pela janela agora cedinho só vejo um paredão branco de neblina. Merda.

Essas são as fotos do tombo do Mirco domingo, no quintal da Arianna. Foi querer brincar de cabo-de-guerra com meu cachorro e se estabacou de costas no chão. Não consegui tirar nenhuma foto dele já no chão. Estava ocupada me sbudellando (algo como “eviscerando”) de rir.

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Anteontem fomos ao Ipercoop, o supermercadão aqui da área, pra nos distrair, e acabei comprando uma maquininha de fazer pasta, igual à da Franzoca. Comprei também o famoso rolo de macarrão, e uma tábua de madeira pra preparar a massa, já que a minha mesa hedionda é porosa demais pra fazer qualquer coisa com farinha, vai ficar tudo imundo. Ainda essa semana pretendo fazer um macarrão qualquer. Depois digo como ficou e dou a receita.

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Aquela planta comprida que no Brasil se chama Espada de São Jorge aqui na Itália se chama Lingua di Suocera (língua de sogra). Vivendo e aprendendo.

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E a penúltima parte da epopéia sérvia: o mercado de Majilovac. Sabe feiras medievais, ao aberto, com lama no chão e as coisas mais estapafúrdias expostas ao público? É assim. Vendem porcos, sapatos, chapéus, colheres de pau, trenós, galinhas, peças de carro, gasolina, chocolate, binóculos, cigarro, roupas de couro, roupas de couro falso, bandejas em inox, meias (comprei várias), facões, relíquias de guerra, brinquedos tabajara, vestidos de gala, cestos de vime, móveis, carneiros, ferramentas, temperos, água mineral de origem duvidosa, bebidas alcoólicas de tudo que é tipo, pneus, maquiagem, canetas coloridas, perfumes falsos, malas e bolsas, enfeites de Natal. Entre outras coisas. Só não vendem livros.

Que depressão esse mercado! Aquela lama no chão, os carros estacionados de qualquer jeito, gente feia e encasacada caminhando carrancuda pra lá e pra cá, gesticulando com os vendedores; as roupas incrivelmente cafonas penduradas nas araras; todo mundo fumando sem parar; os vendedores botando a mercadoria em amassadíssimos sacos plásticos de supermercado antes de dar aos clientes; gente vindo fazer compras de TRATOR; gente com casaco de pele falsa; gente experimentando sapato ali mesmo, em pé na lama; senhoras comprando brocas pra furadeira e correia pro motor do carro; crianças querendo brincar com os porcos e galinhas… Caramba, é outro planeta mesmo. Chegamos em casa cansados de tanto ver coisa estranha e feia. E as únicas coisas que eu comprei em todo esse tempo na Sérvia foram nesse mercado: alguns pares de meias coloridas (listradas de vermelho e branco, listradas de amarelo, branco, preto e verde, preta com bolinhas azuis, listrada de lilás, verde, amarelo, azul e laranja, e uma listrada em tons de cinza e azul com o desenho do Tigrão), um batom fedorento mas bonitinho, e uma bolsa horrível em couro fake pra Carmen, que é de uma cafonice ímpar. Só.

Sei que em Belgrado com certeza teríamos visto coisas bonitas, e não falo só de coisas pra comprar. Dizem que a cidade é bonita, e vimos algumas pontes interessantes no caminho até lá na volta pra casa, mas infelizmente o tempo e o clima não permitiram. Não posso nem dizer que ficará pra próxima, porque espero veementemente que não haja uma próxima. Programa de índio assim de novo, nunca mais.

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No começo de março vamos a Rotterdam visitar a irmã do Mirco que tá morando lá. Ela quem vai pagar as passagens, porque eu não tenho dinheiro pra ir nem na esquina…

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E pra não perder o hábito, fotos cachorrais. Esse é um vizinho da Arianna que tem vários microcães. No domingo passou lá pra visitar, e levou toda a trupe.

Mister Legolas fazendo pose blasé:

E todo feliz com seu galho no meio do mato: