hm

Sabe uma coisa que eu morro de vontade de ver? A Catherine Zeta-Jones sem lápis no olho. Tem horas que eu a acho l-i-n-d-a de morrer, tem horas que ela é anos 80 demais pro meu gosto. E tem alguma coisa errada com o espaço entre o lábio superior e o nariz. A pele é ligeiramente mais escura e dependendo da luz parece que ela tem bigode.

um dia é da caça…

E ainda no assunto bicho, o bicho do almoço de hoje foi pombo, que eu abomino (não porque é pombo, não gosto do sabor e da consistência mesmo), e o jantar de hoje vai ser passarinho (que eu não como porque da um trabalho danado pra tirar cem gramas de carninha daqueles ossinhos todos, e porque fico com pena dos bichos) que o tio do Mirco caçou. Hoje foi o primeiro dia da temporada oficial de caça e já vimos uns panacas fardados pela rua, voltando pra casa. Todo ano, no primeiro dia de caça, morre alguém. Tem sempre algum idiota que fica de tocaia onde não deveria, é confundido com javali ou outro bicho selvagem e leva um tiro na fuça. Não tenho pena nenhuma. Adoro carne de javali mas não vejo graça nenhuma em dar tiro em bicho à toa. Clássica coisa de quem não tem o que fazer. E pensar que a licença pra caçar custa uma grana preta…

uma é manca, a outra é grogue

O pé vai bem, obrigada a todos que perguntaram e desejaram melhoras. Tirar a crostona foi a melhor coisa que eu já fiz na vida. A nova crosta é mais fina e não repuxa tanto a pele ao redor, ou seja, a dor e a coceira diminuíram bastante. Nem manco mais.

Quem não tá bem é a gatinha tigrada que o Ettore levou pra casa. Deve ter comido alguma porcaria por aí e há uns três dias anda mal de verdade, com os olhos mal focalizados, andar titubeante, corpo esquelético. Só bebe leite e muita, muita água. Mas já está melhorando, muito lentamente. Quinta-feira, que foi quando ela começou a passar mal, a coitada nem apareceu: passou o dia dormindo sentada num canto do jardim. Hoje no almoço ela já deu umas voltinhas, pegou sol e tomou o leite que eu dei. Mas ainda tá toda grogue. Se amanhã ela não melhorar mais um pouco, levo a bichinha ao veterinário.

leiam White Teeth, please

Como prometido, falo rapidinho sobre o Autograph Man, que a Flabb me deu de presente. Não gostei. Ela mesmo me disse que leu esse antes e o White Teeth depois, e achou o White Teeth infinitamente melhor. Concordo pRenamente: White Teeth é uma das melhores coisas que eu já li na vida. Mas no Autograph Man a mocinha errou a mão. O livro é completamente sem pé nem cabeça e as personagens não têm carisma nenhum – nem pro bem e nem pro mal. E a fórmula de mistureba étnica já anda repetitiva. Chinês judeu e preto judeu juntos num livro inteiro não têm graça nenhuma.

tivù

Agora que acabaram as Olimpíadas a tenebrosa TV italiana vai voltar à sua hedionda programação normal. Uma das grandes maravilhas das Olimpíadas é que a qualquer momento do dia em que você ligue a TV, tem sempre alguma coisa interessante passando. Eu assisto a qualquer coisa das Olimpíadas. Acho interessantíssimo, adoro ver os nomes estranhos de gente de países como Bielorrússia, Chinese Taipei, Usbequistão, adoro ver bandeiras bizarras, esportes curiosos, uniformes cafonas e uniformes bonitos, e così via. E em caso de insônia, tinha sempre uma reprise qualquer no ar. Agora acabou a mamata. Em setembro recomeça aquela chatice viciante do Grande Fratello, a chatice cafona da Isola dei Famosi (don’t ask) e todas as outras coisas horríveis que só a TV italiana é capaz de oferecer. Em compensação, entram no ar 24 Horas (anunciada como a “nova sensação da TV americana”) e um outro seriado cujo nome esqueci, dos mesmos produtores de C.S.I. (que eu espero que não saia do ar senão mi incazzo seriamente), sobre o dia-a-dia de uma agência do governo que procura gente desaparecida. Também volta Carabinieri, que é bobinho mas legal.

Eita vidinha.

pocotó

Eu adoro cavalo. Está no meu top três bichos preferidos, junto com o cachorro e o elefante. Gosto de ver provas de equitação na TV, e acho muito engraçado quando o cavalo empaca. Não sei se alguém aí viu, mas aqui passaram as provas do pentatlon, que aliás eu nem sabia que era disciplina olímpica, e eu me diverti. Porque os cavalos pra prova de equitação sao sorteados na hora, ou seja, o cavaleiro não tem a menor intimidade com a cavalgadura, é tipo um blind date. E quando não tem esse feeling, se o bicho não estiver com vontade de saltar, ele não salta. Não só não salta como também faz aquela cara de não quero, porra, me deixa em paz!, a mesma cara que o Legolas faz quando a gente dá a ele alguma coisa que normalmente ele adora comer, mas naquele momento não está com vontade. Ele vira a cara! Juro! Vira a cabeça de lado, faz cara de enfado, e nessas horas eu só imagino uma nuvenzinha flutuando em cima da cabeça dele escrito “que porre essa gente, não tão vendo que eu não tô com vontade?” É exatamente essa cara que os cavalos do pentatlon fizeram. Fiquei rindo sozinha no sofá, feito uma monga, brincando de adivinhar qual cavalo pulava e qual empacava. Ih, olha esse, todo agitadinho, correndo de lado, balançando a cabeça. Aposto que não pula. Tóim, empacava. Ih, alá, tá dando pulinhos antes da hora, arreganhando os dentes, vai empacar. Tum, empacava. Olha esse, derrubando tudo que é obstáculo, tenho certeza que daqui a pouco ele cansa dessa palhaçada e se recusa a pular. E lá vai o cavalo dar uma megafrenada no último segundo, e lá vai o cavaleiro tentar dar um pouco de dignidade ao tombo inevitável, apoiando um pé precariamente no chão.

Gente, cês tão percebendo que eu já botei quase toda a saga de Paris no ar? Só falta o último dia. Tudo em ordem cronológica, lá em agosto.

Gente, cês tão percebendo que eu já botei quase toda a saga de Paris no ar? Só falta o último dia. Tudo em ordem cronológica, lá em agosto.

altas sociais, aê…

E semana que vem começa a famosa festa da cebola em Cannara. Espero que esse ano a gente consiga comer alguma coisa, porque ano passado e ano retrasado nós fomos, mas não tivemos coragem de enfrentar as filas quilométricas e saímos de mãos abanando.

Enquanto a cebola não vem, hoje Stefania (a cunhada) e Rob, o namorado holandês, vêm jantar aqui em casa. Como a Stefania é vegetariana (…), vou ter que fazer ensopadinho de legumes à parte pra ela, sem carne. Desisti do feijão porque tá muito quente, mas ensopadinho com batata, cenoura e abobrinha, arroz branco bem temperado e farofa já tá muito bom. De sobremesa tô pensando em fazer quadradinhos de laranja, mas tenho medo de ter um ataque e comer tudo. Provavelmente vou de cuca de banana, que todo mundo gosta, menos eu. Com os últimos 4 limões que restaram das últimas compras faço uma jarrona de limonada, e pronto.

Detalhes açougueiros, não leia se não for chegado a um sanguinho básico

Passamos da fase da dor intensa à fase do prurido insuportável. Essa noite acordei desesperada de tanta vontade de me coçar. Não há creme Nivea que dê jeito na pele toda esticada ao redor da ferida. E a cada dez passos que eu dava ou a cada cinco minutos em pé, começava a sair sangue da ferida outra vez.

Fui levar o almoço do Mirco e de mais três operários a Cannara, onde eles estão pintando a escadaria de uma fábrica de roupas, e quando voltei vi que saía sangue diluído em linfa de um furinho bem no meio da crosta. Tive uns cinco minutos de irritação e resolvi me operar.

Me armei de tesourinha, pinça e lente de aumento e fui pra minha sala de cirurgia, ou seja, a borda da banheira. Dei umas batidinhas com a pinça na crosta e ouvi um tum tum surdo, sinal de espaço vazio por baixo. Fui cortando as bordas da crosta com a tesourinha e não sentia resistência nem dor intensa, sinal que as traves de tecido conjuntivo tinham sumido, ou melhor, tinham sido reabsorvidas. Fui cortando, cortando, cortando, até que só ficou um pedacinho pequeno da crosta, bem grudado à pele. Em torno da cratera em carne viva que sobrou, muito sangue coagulado, testemunha da porrada com o pedal da semana passada. Com a lente de aumento examinei bem a ferida: carne viva sim, sangue vivo sim, muita linfa, mas felizmente nada de pus. Olha o sistema imunológico da Leticia aí gente! Seguuuuuuura leucóooooocito! Lavei com água corrente, lavei com desinfetante e nem ardeu. Sequei bem ao redor, mas não tinha a menor possibilidade de cobrir com gaze. Qualquer coisa que encoste em qualquer ponto do pé causa muita dor, porque tá tudo sensibilizado. Então pensei num velho truque que usávamos às vezes em feridas cirúrgicas na enfermaria: açúcar. Como açúcar dá cárie, hohoho, joguei um pouquinho de mel na ferida. Teoricamente os microorganismos não seguram a onda de tanta saturação, perdem líquido e puf, morrem. O mel é um conservante natural e praticamente não estraga nunca. De qualquer maneira, mal nao faz, e como o ambiente aqui na oficina é absolutamente insalubre, com uma concentração de poeira e elementos em suspensão que chega a dar nos nervos, e como eu não quero toda essa poeira nojenta grudando na minha ferida aberta, o mel pelo menos forma uma película protetora que impede o contato direto com as coisas nojentas. Agora está doendo um pouco, mas pelo menos não coça mais, a pele não está mais toda esticada e torta ao redor da ferida, e o líquido que quiser sair sai numa boa, sem ficar empacado com aquela bosta de crosta. Tá feio pra caramba e tenho medo de assustar as pessoas quando sair de casa, mas foda-se. O alívio é impressionante, a sensação de liberdade é maravilhosa. Adeus, crosta maldita.

Agora é só tomar muito cuidado com o sol, pra não ficar com o pé marcado pra sempre. E parar de saracotear, porque quanto mais eu ficar quieta no meu canto, mais rápido acaba essa chatice.