Arquivo de dezembro de 2008

um dia de fúria

sábado, 27 de dezembro de 2008

Eu me considero uma motorista muito civilizada. Não buzino, dou a precedência sem rancor, sempre ligo a seta antes de virar, de sair de uma vaga ou numa rotatória, paro na faixa de pedestres pro povo atravessar, não supero o limite de velocidade, não estaciono onde não devo. Não incomodo, enfim. Mas tem o seguinte: quando eu sei que estou com a razão, eu peito. Não me interessa se quem tá errado é um caminhão jamanta gigante (a única exceção são caminhões que transportam animais vivos, esses eu não peito por motivos óbvios): se o cara tá errado, eu encaro. Quer furar fila? Na minha frente não passa DE JEITO NENHUM. A única vez que me pegaram, digamos assim, foi um dia em que um idiota me pegou distraída e me ultrapassou na rampa de saída pra Foligno, já na parte zebrada, muuuitos metros depois do fim da faixa tracejada que dava direito à ultrapassagem, e obviamente me deu um susto danado. Jurei que nunca mais aconteceria, e desde então fico ligadona toda vez que pego uma saída da estrada. Se vejo alguém vindo desembestado pela minha esquerda com pinta de quem quer me ultrapassar na rampa, jogo o carro pra esquerda coladinho na faixa. Meu sonho é um dia empurrar um filho da puta desses pra esquerda até ele bater com a fuça no guardrail a 120 km/h. Se depender dos motoristas italianos, um dia vou conseguir.

Mas então. Isso dito, estava eu hoje saindo do estacionamento do Ipercoop muito placidamente, sem pressa nenhuma. Desde que ampliaram o estacionamento, parece que nem eles conseguem dar jeito no labirinto que aquilo ficou, e toda vez que vou lá mudaram alguma coisa na conformação das saídas. Hoje, por exemplo, a saída do estacionamento coincidia com a fila de entrada no posto de gasolina, que vende combustível com desconto pra quem tem a carteirinha do supermercado. Então tá, né, não tem jeito, vamos encarar a fila. Parei no sinal de Stop e liguei a seta, pedindo que alguém deixasse eu passar. Só que no carro que poderia ter dado permissão pra eu passar, que não estava na minha frente mas bem pra minha direita, o motorista estava ocupado contando dinheiro, com direito a lambida no polegar e tudo. Atrás dele, uma fila gigantesca de motoristas putos da vida, já todos com as mãozinhas fazendo o gesto italiano de “ma che cazzo succede?”, internacionalmente traduzido como “wtf?”. E aí eu, apertadíssima pra fazer xixi, fiz uma coisa antipática, mas não necessariamente errada: fui e passei. Veja bem, não atrapalhei ninguém, não furei a fila, não dei fechada em ninguém. Simplesmente considerei a distração do cara como permissão pra passar, que mais cedo ou mais tarde ele ou alguém teria me dado mesmo. Passei e o cara nem percebeu, tanto que as buzinas começaram a tocar só um momento depois e o cara ainda demorou um pouco pra chegar na bunda do meu carro. Pelo retrovisor vi que ele tava putinho, gesticulando feito um doido. Juntei as mãozinhas e inclinei a cabeça, indicando que só passei porque ele tava dormindo no volante feito um dois de paus. Caraca, o homem virou bicho! Quando vi que ele tava soltando o cinto de segurança corri pra fechar o pino da porta. Bem na hora, porque ele veio até o meu carro e tentou abrir! Eu olhando muito pacatamente pra cara dele, e ele gesticulando feito um maluco: “eu tava dormindo, é? Agora quem espera na fila tá dormindo, é?”. E eu imitando o que ele estava fazendo, fingindo que contava dinheiro. O cara ficou lá agitando os braços e eu: “vai me bater? Vai me bater?”. Até que ele cansou e voltou pro carro, e lá ficamos nós parados na fila, eu ouvindo minha musiquinha e ele fazendo gestos de “Mas veja só, macacos me mordam”.

Na próxima vez juro que eu desço do carro correndo antes do cretino e me coloco em posição de combate de caratê (na verdade vai ser uma pose da Chalene mas ninguém precisa saber disso) no meio da rua. Com a raiva que eu fico quando essas coisas acontecem, claramente visível na minha cara, du-vi-do que alguém tenha coragem de me encarar.

ainda existe gente legal no mundo

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

: )

hihihi

sábado, 20 de dezembro de 2008

Estou com preguiça de sair de casa e mandei o Mirco passar no supermercado antes de vir pra casa almoçar. Deixei a lista com ele – escrita em português.

- Alô.

- Sou eu. Não tô entendendo uma coisa aqui na lista.

- Hm.

- Pipi de micro…

- Pipoca de microondas.

- Tá. “Pa” e um rabisco…

- Pão. [o rabisco era o til]

- “1 dz de o” e um rabisco.

- Uma dúzia de ovos. [aqui não se compra NADA em dúzias]

- “Forma de papa”…

- Forma pra pudim.

- Ahn?

- Aquelas formas redondas com um buraco no meio, pra fazer pudim, bolo etc.

[silêncio]

- Entendeu?

- Não.

- Aquelas grandes que a Arianna usa pra fazer bolo.

- Ah, não as pequenininhas pra muffin então?

- Não, essa eu tenho. A minha de pudim tá vazando, por isso preciso de outra nova.

- Mas é feita de quê?

- Cacete, é uma forma, Mirco, vai no forno. De alumínio, antiaderente, de silicone, tem vários tipos.

- Eu tô aqui nas panelas mas não tô vendo nenhuma forma.

- Mirco, onde tem panela também tem forma. Não tem nem aquelas quadradas?

- Tem uma que tá escrito “lasanheira”.

- Então perto dessa deve ter pelo menos uma redonda.

- Não tem.

- Se tiver sem buraco, traz que eu boto um copo no meio. Basta que seja redonda.

- Não tem!

- Tem aquelas retangulares altas pra fazer pão?

- Tem.

- Tem aquelas redondas baixas com as bordas trabalhadinhas pra fazer torta de fruta?

- Tem.

- Então tem que ter uma de bolo também, como eu tô dizendo.

- Não tem.

- Não tem nenhum funcionário do supermercado pra perguntar?

- Não.

- Então vai lá pegar o pipi de microondas e vem almoçar.

- Tá.

Conhecendo a figura, ele não vai sossegar enquanto não comprar uma forma, qualquer uma. Se bobear é capaz de chegar em casa com uma em formato de ursinho ou coisa parecida.

robin hobb

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Falei que eu tava lendo uma trilogia da Robin Hobb, né. É a primeira, The Farseer Trilogy. AMEI. Como eu disse, tem muita coisa tirada do GRRM, e também achei o protagonisa, FitzChivalry, meio parecido com o Garion do Eddings, mas tem uma diferença fundamental: os livros são narrados em primeira pessoa, de modo que você acaba conhecendo o Fitz muito bem e até meio que pensando como ele. A mulher escreve muito bem, as intrigas palacianas são muito envolventes, há váaaaarios personagens ó-te-mos e você fica completamente submerso na história. O último livro é bem diferente dos dois primeiros, e acho que ela deu uma certa viajada na maionese; ficou tudo ligeiramente fora de contexto e a mudança radical de cenário é meio desconcertante. Mas os livros são bons, muito bons, perdi várias noites de sono lendo até tarde e muitas horas matutando sobre o que aconteceria depois. E agora quero ler os outros livros do mesmo universo.

Eu tinha decidido que o próximo livro ia ser uma coisa que o José trouxe pra mim de Barcelona, mas dado o meu mau humor atual acho melhor continuar no escapismo mesmo. Comecei o primeiro livro de The Dresden Files, o Storm Front. Estou achando americano demais, com aquelas one-liners de efeito irritantes, sabe, diálogos irreais, aquelas coisas. Mas o conceito é interessante e vou insistir.

hihihi

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Não sei se vocês já viram isso, mas eu dei muita risada ontem, principalmente com os comentários. Do Cris Dias.

dezembro, mês do desgosto

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Acho essa coisa do Natal um porre. Porre, porre, porre. Parente da alegria forçada do Carnaval, sabe. Só que pelo menos Carnaval tem desfile, aquela cafonalha que eu adoro. Natal, nem isso. Presépios ridículos representando uma cena idiota que nunca existiu. Músicas chatas, chatas, chatas. A proliferação de coisas hediondas verdes e vermelhas. Presentes que nunca, nunca agradam. Nem das comidas de Natal eu gosto: aqui praticamente só sou fã de cappelletti in brodo, e mesmo assim prefiro cappelletti com molho de tomate do que em caldo de galo castrado.

Sim, estou de péssimo humor. Esse mês tem sido UM SACOOOO. Só trabalhos chatos. O tempo não ajuda; não pára de chover há semanas e eu vou ficando mais e mais rabugenta. Hoje até que abriu um solzinho, mas todo mundo já sabe que amanhã volta a chover e não se sabe quando vai parar. A sensação é que não vai parar nunca.

Ontem saí de casa tipo às dez da manhã pra comprar um lápis de olho urgente que o meu acabou e ir ao supermercado comprar pão, banana e sorvete porque veio gente jantar aqui em casa*. Imaginei que no meio da manhã de uma terça-feira não haveria confusão em Bastia Umbra. Doce ilusão. As ruas entupidas de gente, todo mundo de carro porque chovia a cântaros, e todo mundo estacionando à italiana, ou seja, onde dava na telha. Da minha casa até o centro, distância tão ridícula que quando não chove a cântaros eu cubro a pé ou de bici e que quando sou forçada a pegar o carro percorro em exatamente três minutos, levei dez. No estacionamento minúsculo da Coop, páro e ligo o pisca-alerta enquanto espero alguém sair e liberar uma vaga. Não passam dez segundos e uma Lancia Musa buzina forte atrás de mim, querendo entrar na vaga pra deficientes físicos que tinha acabado de ser liberada (estranhamente, por um carro de deficiente físico). Contei até vinte pra não sair e cobrir a mulher de porrada – ela não precisava buzinar porque tinha espaço atrás de mim pra manobrar, e não deveria ter estacionado ali porque A PORRA DA VAGA ERA PRA DEFICIENTES FÍSICOS. Finalmente sai uma senhora do supermercado com um carrinho com tipo três coisas dentro. Levou duas horas pra botar aquilo na mala da Panda e mais duas pra enfiar o carrinho na fila e pegar a moeda de volta. Estaciono, mas a vaga era apertada porque o cretino à minha direita tinha estacionado o BMW velho feito a cara dele. Consigo abrir a porta só um pouco, e sair dali com 1) casaco, 2) guarda-chuva (odeio guarda-chuva, mas dessa vez realmente não dava pra evitar), 3) sacola de compras, 4) a minha bolsa foi uma operação delicada. Quando consegui entrar no supermercado estava quase chorando de ódio de tudo e prometendo a mim mesma ir morar numa caverna sozinha.

Também não saí mais de casa o dia inteiro. Fiz uma faxina light, almoçamos tarde e dei uma dormidinha básica (não tinha dormido nada à noite sonhando com o último livro da trilogia da Robin Hobb). Quando acordei e fui trabalhar percebi que as 5 laudas que a Sabrina tinha me encomendado pra hoje de manhã eram um contrato. Como eles sabem que eu não faço tradução legal, nunca me mandam nada desse tipo, então eu nem sempre pergunto do que se trata quando me oferecem trabalho pelo telefone. Quando abri a merda do file e vi o maldito contrato tive ganas de jogar o computador pela janela. Já era tarde demais pra recusar, pois às cinco da tarde eles jamais achariam outro tradutor que entregasse até as nove da manhã de hoje. Lá fui eu fazer a porra do contrato, praticamente procurando cada vírgula no dicionário. Quando acabei respirei fundo e fui pra cozinha fazer o jantar.

*O jantar:

O curry que compramos no Grand Bazaar em Istambul está rendendo. O Mirco toda hora pede pra eu fazer. O Silvio nunca tinha ouvido falar de curry, mas a Oana gosta de coisas estranhas, então fiz peito de frango com curry. Em vez do arroz selvagem que costumo fazer como acompanhamento, fui de batatas gratinadas porque o Silvio, ao contrário da maioria dos italianos, adora uma batata e tenho que aproveitar essas poucas oportunidades batatais que aparecem em ocasiões sociais. Ficou tudo ótimo. Regamos com guaraná pra piorar mais ainda a mistura maluca de comidas incombináveis, e fechamos com um Barattolino Sammontana de cream caramel com pedacinhos de biscoito de chocolate. Brinquei muito com o Michele, que tem 7 meses e é um amor. O jantar salvou o dia.

E lá fui eu ler até as 3 da manhã. Mas isso é outra história.

sensacional

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Quem também adorou a sapatada do Bush levanta a mão.

malhation

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Pronto, a Chalene agora me veio com essa.

Não tem música e não é malhação de mulherzinha cheia de dancinha, então eu, que não sou boba, prefiro esperar e ver o que o pessoal acha da novidade. Se agradar, vou encarar.

a chuva

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Não pára de chover na Bota. No país inteiro. Aqui na Umbria entre ontem e hoje choveu mais do que normalmente chove no mês de dezembro inteiro. O riacho que atravessa Bastia, um afluente do Tibre, está furiosíssimo e as árvores das margens estão com água na altura dos sovacos. O Mirco hoje emprestou a empilhadeira pra prefeitura de uma cidade perto da oficina, porque eles tiveram que comprar uma quantidade avassaladora de sal pra jogar nas estradas de montanha e não tinham como descarregar. Muita gente lá pros lados de Todi foi orientada pela Defesa Civil a sair de casa porque havia risco de alagamento. O Arno, em Florença, já chegou ao primeiro nível de emergência. Veneza está submersa na maior acqua alta dos últimos não sei quantos anos.

Em Roma, que é tudo na vida inclusive porque chove muito pouco, chove ininterruptamente há não sei quantas horas. Essa noite uma mulher morreu afogada quando passou com seu SUV por baixo de um viaduto e encontrou QUATRO METROS de água. Não conseguiu abrir as portas, nem as janelas (vivam os vidros que abrem com manivela), a água entrou, ela não conseguiu sair, e morreu.

No norte, escolas fechadas por causa da neve nas estradas, caminhões removedores de neve trabalhando a toda, perigo de avalanche nas áreas montanhosas.

No sul, as ilhas isoladas por causa do mar fortíssimo.

Segundo os meteorologistas, já se sabia que esse inverno iria ser pauleira porque as manchas na superfície do sol andavam muito poucas, o que significa menos atividade e portanto menos calor. Se é assim mesmo que a coisa funciona, não sei. O que eu sei é que estou ADORANDO poder trabalhar de casa, ao lado do radiador, ouvindo o pat-pat da chuva na janela. E adorando mais ainda me enfiar debaixo das cobertas depois do almoço pra dar aquela dormidinha básica que dias chuvosos exigem.

a song of ice and fire

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Esse ano foi de poucas leituras, por n motivos. Esse mês, assim como novembro, vem sendo de muito trabalho, mas como ando com insônia crônica, acordo às quatro ou cinco da manhã e em vez de adiantar o trabalho vou lá pra minha poltroninha da IKEA ler. Antes de sentar abro a persiana pra ver o dia nascer, ou não, já que com toda essa neblina distinguir o dia da noite é tão difícil quanto dizer se um pintinho é macho ou fêmea. Mas estou tergiversando.

Depois de muito relutar, porque detesto começar séries inacabadas e ficar sem saber o final, acabei atacando a saga do George R. R. Martin, GRRM pros fãs, chamada A Song of Ice and Fire. Fantasy, lógico. São váaaaarios livros eLormes que eu achei que durariam até o próximo sair, provavelmente no começo do ano que vem (digo provavelmente porque deveria ter saído em 2006). Só que os livros são unputdownable. Totalmente.

Não vou falar da história aqui; a Wikipedia tá aí pra isso. O que eu queria dizer é o seguinte. O cara não tem assim um estilo estiloso, sabe, não é um Guy Gavriel Kay que escreve coisas que você fica com vontade de chorar de tão lindas (ou de tanto ódio por não ser capaz de escrever assim tão bem), nem um David Eddings pre-Mallorean que faz você gargalhar histericamente em público. Não é um mago das palavras, ecco. Mas o que não há de emocionante em termos de forma/estética é mais que compensado pelo conteúdo. São trocentos plots e subplots interligados sem um buraco, sem nada fora do lugar, sem nada pendente, sem nada que fique sem explicação ou que não tenha sentido. Não tenho a MENOR idéia de como alguém consegue criar uma variedade tão grande de histórias interligadas sem ficar maluco. Haja fluxograma. O fato é que as histórias são muito, MUITO, MUITOOOOOOOOOOO boas. Altas intrigas palacianas, muuuuita política, muuuuita podridão, personagens “so poisonous they could eat the Borgias”, como disse um jornal. Cada capítulo é um POV (point of view, aprendam) de um personagem diferente, de modo que à medida em que a história avança a sua opinião sobre cada um deles vai mudando sensivelmente. Claro que há gente cruel porque é cruel e basta, mas a maioria é como todo mundo, faz cagadas às vezes, faz escolhas idiotas, é mal entendida, tem seus momentos de glória, graça e razão. Tudo é relativo, toda história tem tantas versões quantos são os participantes, não há verdades universais. A cada capítulo que acabava em um cliffhanger eu ficava com vontade de jogar o bicho pela janela de ódio de não saber como o episódio continuava. E eu sonhei com a história TODAS AS NOITES, durante TODO O TEMPO em que li os livros. Malditos.

Como nada é perfeito, vamos aos problemas.

1) Os mapas são uma bosta. Ou então é a descrição geográfica dele que não é boa, não decidi ainda. O fato é que todas as vezes que alguém falava de ir pra um lugar pra outro ou de um fato acontecendo em um tal lugar eu não tinha a menor idéia da distância em questão. DETESTO isso, primeiro porque eu não posso ver um mapa que fico toda assanhada, e segundo porque às vezes – muitas vezes – saber exatamente onde fica um tal lugar e quem são os vizinhos é importante pra história. Mas não consegui “entrar” no mundo, geograficamente falando. Todos esses livros enormes lidos e eu ainda não entendo nada de onde fica o quê.

2) Os nomes. Nomes pra mim são cruciais. Um personagem (ou lugar, ou espada, ou cavalo) pode ser muito maneiro e bem construído, mas se tiver um nome idiota não adianta que comigo não pega. Os nomes do GRRM não são idiotas, mas têm três problemas fundamentais: são muitos, são muito parecidos entre si (Raynald e Rynald, coisas assim) e muitos são variantes de nomes digamos “normais”. Então temos Jon, Catlyn, Rickard, Lysa, Jaime e outras aberrações da natureza.

3) Pra piorar, a quantidade incrível de personagens vem acompanhada de banners, cores, às vezes apelidos, filhos bastardos, antepassados famosos, castelos cujo nome nem sempre é o nome das famílias que vivem neles. É muito confuso. E como política é política em qualquer mundo, real ou inventado, as alianças entre as famílias nobres vivem mudando, e acompanhar tudo isso é de arrancar os cabelos. No final de cada livro há uma espécie de glossário (gigante, por sinal) com o emblema, uma breve história e os principais membros de cada família, mas não ajuda muito.

De qualquer forma, se você gosta desse tipo de literatura, LEIA. Esses três defeitos (que são opinião puramente pessoal minha, ça va sans dire) são totalmente atropelados pela qualidade da história que ele conta.

E vamos combinar que Jaime e Tyrion Lannister e Arya Stark – principalmente Arya Stark – são tipo assim os personagens mais maneiros do-mun-do. E que o conceito de The Wall e The Night Watch é muito, muito foda.

P.S.: Tem dragões também, êeeeeeeee! : ))))))))))