Arquivo de novembro de 2006

quinta-feira, 30 de novembro de 2006

Finalmente a maldita neblina, que não se mexia desde domingo, resolveu dar uma trégua. Eu tava sentada no computador, de repente do nada olhei pela janela e dei de cara com um céu azul! Caraca! Aproveitei pra fazer um longo passeio ao longo do rio, namorando os patinhos enquanto dava meus passos largos e vigorosos. Cheguei na escola vermelha e morrendo de calor, feliz da vida. Amanhã levo o mp3 player que é mais legal : )

quarta-feira, 29 de novembro de 2006

A primeira unidade do livro que uso pra dar aula tem uma parte com fotos de coisas conhecidas, que o estudente deve usar pra perguntar “Where is it from” enquanto o outro responde “It’s from …..”. Tem a estrela da Mercedes, tem um camembert, tem duas gueixas, tem um par de óculos Armani, tem cerveja Guinness, tem tênis Nike, tem matrioska russa, e tem… tem uma foto de uma torcida brasileira. Toda vez que vejo essa foto começo a rir sozinha, porque não só dá pra ver a cara de brasileiro da galera, mas inclusive o que está escrito nos cartazes. Meus alunos devem achar que eu sou maluca, mas quando vejo aquela foto com um Roberto qualquer segurando um cartaz escrito “Galvão, cadê o Romário”, caio na gargalhada.

de novo ele

terça-feira, 28 de novembro de 2006

In the case of genes, we saw in Chapter 3 that co-adapted gene complexes may arise in the gene pool. A large set of genes concerned with mimicry in butterflies became tightly linked together on the same chromossome, so tightly that they can be treated as one gene. In Chapter 5 we met the more sophisticated idea of the evolutionarily stable set of genes. Mutually suitable teeth, claws, guts, and sense organs evolved in carnivore gene pools, while a different stable set of characteristics emerged from herbivore gene pools. Does anything analogous occur in meme pools? Has the god meme, say, become associated with any other particular memes, and does this association assist the survival of each of the participating memes? Perhaps we could regard an organized church, with its architecture, rituals, laws, music, art, and written tradition, as a co-adapted stable set of mutually-assisting memes.

To take a particular example, an aspect of doctrine that has been very effective in enforcing religious observance is the threat of hell fire. Many children and even some adults believe that they will suffer ghastly torments after death if they do not obey the priestly rules. This is a peculiarly nasty technique of persuasion, causing great psychological anguish throughout the middle ages and even today. But it is highly effective. It might almost have been planned deliberately by a machiavellian priesthood trained in deep psychological indoctrination techniques. However, I doubt if the priests were that clever. Much more probably, unconscious memes have ensured their own survival by virtue of those same qualities of pseudo-ruthlessness that successful genes display. The idea of hell fire is, quite simply, self perpetuating, because of its own deep psychological impact. It has become linked with the god meme because the two reinforce each other, and assist each other’s survival in the meme pool.

Another member of the religious meme complex is called faith. It means blind trust, in the absence of evidence, even in the teeth of evidence. The story of Doubting Thomas is told, not so that we shall admire Thomas, but so that we can admire the other apostles in comparison. Thomas demanded evidence. Nothing is more lethal for certain kinds of meme than a tendency to look for evidence. The other apostles, whose faith was so strong that they did not need evidence, are held up to us as worthy of imitation. The meme for blind faith secures its own perpetuation by the simple unconscious expedient of discouraging rational enquiry.

Blind faith can justify anything. If a man believes in a different god, or even if he uses a different ritual for worshipping the same god, blind faith can decree that he should die – on the cross, at the stake, skewered on a Crusader’s sword, shot in a Beirut street, or blown up in a bar in Belfast. Memes for blind faith have their own ruthless ways of propagating themselves. This is true of patriotic and political as well as religious blind faith.

The Selfish Gene, de Richard Dawkins
Chapter 11 – Memes: The New Replicators, o melhor até agora.

porto recanati

segunda-feira, 27 de novembro de 2006

A região de Marche, a leste aqui do interior do Zaire, é mais interior do Zaire ainda do que aqui. Marche, Molise, Campobasso são regiões onde não acontece nada NUN-CA. Até porque o mar daqueles lados não é tão bonito quanto o da canela da Bota. Mas Daniele queria ir a uma feira de antiguidades e carros de época perto de Macerata, e lá fomos nós.

Eu nunca fui a um evento tão chato em toda a minha vida. Acho que até um congresso internacional de matemática teria sido mais interessante. Toda aquela velharia, aqueles poloneses com hálito de pinga vendendo telescópios e instrumentos odontológicos, velhos vendendo peças de máquinas que já são velhas há muitos anos, gente vendendo um pé só de sapato, um sinal de trânsito enferrujado, instrumentos que não tocam, revistas amareladas, bicicletas cobertas de ferrugem, pedaços de lustres de cristal… Cacetes estrelados, que porre! E o Daniele, que tem uma loja de móveis novos e usados, achando tudo bárbaro. Acabou levando pra casa uma minimotocicleta sem selim e dois helicópteros de plástico chineses, que ele viu numa feirinha em Perugia pelo dobro do preço. Saímos dali quase arrancando os cabelos de desespero e tocamos pra Porto Recanati, cidade litorânea mais perto de onde estávamos, já na província de Ancona, pra comer peixe. Mas o diabo da cidade não chegava nunca, nós morrendo de fome, duas da tarde, e nada. Uma idiota passeando com um cachorro idiota na rua nos deu a informação idiota de que a cidade estava a dois quilômetros de onde paramos pra pedir informações a ela, mas Porto Recanati foi aparecer só QUINZE quilômetros depois. Pior que uma idiota, só idiota que não sabe contar. Mas achamos um restaurantinho legal, comemos nosso peixinho (muito), pagamos (relativamente pouco) e fomos passear pela cidadezinha.

É engraçado como a arquitetura muda completamente em coisa de alguns quilômetros. Basta botar umas montanhas separando e parece que você está em outro planeta! O centro da cidade é todo novo, e as casinhas e prédios são totalmente diferentes daqui do interior do Laos. Como não estava frio, tinha muita gente na rua; imagino que fosse praticamente toda a população da cidade, já que cidade litorânea por aqui só existe no verão. Passeamos pelo “calçadão”, brincamos com vários cachorros, tirei algumas fotos apesar da quase neblina, e encaramos a estrada de volta. Só pra não perder a prática paramos em duas lojas de móveis no caminho, hohoho. E ainda passamos na Arianna, Mirco pra jantar e eu pra dar oi pro Leguinho, que pra variar estava dormindo com a gata. Safado.

Fotos do domingo aqui.

a compulsão ataca novamente

sábado, 25 de novembro de 2006

Passei uma boa, BOA parte do sábado assistindo a Heroes. Maldito Hiro! Malditos Hiros! E por culpa do CrisDias também comecei a baixar Battlestar Galactica. Céus, por que eu não fui nascer burra e atlética!

E pra festejar o aniversário do Mirco fomos jantar com Daniele e Une no restaurante de carne argentina lá perto do Lago Trasimeno. Nada como um bom filé na brasa… Macché fettina!

the sons of men

sexta-feira, 24 de novembro de 2006

Fomos ver The Sons of Men, I Figli degli Uomini em italiano, com Daniele e Une, a coreana. Os dois machões camponeses quase dormiram, mas eu e Une, mulheres refinadas e sensíveis, saímos do cinema com um certo desconforto no peito. Vale a pena; a montagem é interessante e a fotografia idem, mas deixa assim uma tristeza pelo que está por vir, sabe.

: )

quinta-feira, 23 de novembro de 2006

O tempo tem andado interessante. Neblina e frio de manhã, depois o sol aparece, e à noite esfria um pouco de novo. Pouco, nada de apavorante, nem temos ligado o aquecimento. Tudo muito estranho em termos de novembro, que normalmente já é um mês bem frio. Aproveitamos pra passear a pé depois do almoço, eu e José. Antes eu dava uma volta com o Marco quando tinha uma hora inteira de almoço. Justo agora que ele foi embora eu passei minha turma da hora do almoço pra Christine e fico com uma hora inteira livre. Como todo mundo traz a comida pronta de casa, comemos rapidinho, e depois eu e José vamos dar a nossa voltinha ao longo do rio, batendo papo e reclamando da Itália. Uma diliça! Vamos ver quanto vai durar.

casa

quarta-feira, 22 de novembro de 2006

Aparentemente esse ano não preciso podar o tomilho. Todo dia vejo pela janela uns pardais arrancando raminhos de tomilho. Vai ficar uma casinha tão perfumada : )

La Luisona

terça-feira, 21 de novembro de 2006

Al bar Sport non si mangia quasi ai. C’è una bacheca con delle paste, ma è puramente coreografica. Sono paste ornamentali, spesso veri e propri pezzi d’artigianato. Sono lì da anni, tanti che i clienti abituali, ormai, le conoscono una per una. Entrando dicono: “La meringa è un po’ sciupata, oggi. Sarà il caldo”. Oppure: “E’ ora di dar la polvere al krapfen”. Solo, qualche volta, il cliente occasionale osa avvicinarsi al sacrario. Una volta, ad esempio, entrò un rappresentante di Milano. Aprì la bacheca e si mise in bocca una pastona bianca e nera, con sopra una spruzzata di quella bellissima granella in duralluminio che sola contraddistingue la pasta veramente cattiva. Subito nel bar si sparse la voce: “Hanno mangiato la Luisona!”. La Luisona era la decana delle paste, e si trovava nella bacheca dal 1959. Guardando il colore della sua crema i vecchi riuscivano a trarre le previsioni del tempo. La sua scomparsa fu un colpo durissimo per tutti. Il rappresentante fu invitato a uscire nel generale disprezzo. Nessuno lo toccò, perché il suo gesto malvagio conteneva già in sé la più tremenda delle punizioni. Infatti fu trovato appena un’ora dopo, nella toilette di un autogrill di Modena, in preda ad atroci dolori. La Luisona si era vendicata.

Bar Sport, de Stefano Benni

Thanks, Altheo : )

segunda-feira, 20 de novembro de 2006

: ))))))