Então. Não vai rolar Viena porque não há mais passagens de trem. Achei passagens pra Marseille com a Ryan Air, partindo de Roma, a 0,01 euro ida e 0,01 volta – com impostos e tudo sairia por 20 paus por cabeça. Enquanto Mirco convencia Daniele e Une a vir com a gente, uma das passagens aumentou pra 19,99. Antes que aumentasse mais ainda, compramos. Então vai ser assim, o feriado da Madonna vai ser em Marseille. Não sei NADA sobre a cidade e meu guia Lonely Planet é só França central e setentrional. Sendo assim, aceito sugestões e dicas.
Arquivo mensais:novembro 2006
p/ hunka
(…) For instance, the present population of Latin America [o livro é de 1976] is around 300 million, and already many of them are under-nourished. But if the population continued to increase at the present rate, it would take less than 500 years to reach the point where the people, packed in a standing position, formed a solid human carpet over the whole area of the continent. This is so, even if we assume them to be very skinny – a not unrealistic assumption. In 1,000 years from now they would be standing on each other’s shoulders more than a million deep. By 2,000 years, the mountain of people, travelling outwards at the speed of light, would have reached the edge of the known universe.
It will not have escaped you that this is a hypothetical calculation! It will not really happen like that for some very good practical reasons. The names of some of these reasons are famine, plague, and war; or, if we are lucky, birth control. It is no use appealing to advances in agricultural science – ‘green revolutions’ and the like. Increases in food production may temporarily alleviate the problem, but it is mathematically certain that they cannot be a long-term solution; indeed, like the medical advances that have precipitated the crisis, they may well make the problem worse, by speeding up the rate of population expansion. It is a simple logical truth that, short of mass emigration into space, with rockets taking off at a rate of several million per second, uncontrolled birth-rates are bound to lead to horribly increased death-rates. It is hard to believe that this simple truth is not understood by those leaders who forbid their followers to use effective contraceptive methods. They express a preference for ‘natural’ methods of population limitation, and a natural method is exactly what they are going to get. It is called starvation.
The Selfish Gene, de Richard Dawkins. Chapter 7, Family Planning.
O negrito é meu.
desfile de alunos, parte iv
Tem o Arquiteto Zen. É aquele que achou um cachorro no meio da roça e o levou pra escola, lembram. Mora numa casona gigante na roça, em Bevagna, perto de Foligno, e tem vaca, cabrito, porco, vários cavalos e bichos mil. A pick-up dele tem até holofote no teto, pra quando precisa catar algum bicho perdido no meio do mato à noite. Ele usa pulseira de couro e já foi à Índia.
Outro dia tivemos uma aula interessantíssima sobre os Arquitetos sem Fronteira, que logicamente eu nem sabia que existiam. Um amigo dele está na Tailândia ajudando a reconstruir as cidades varridas pelo tsunami e dali a conversa descambou pro verdadeiro “espírito” da arquitetura, o conceito de casa como lugar protegido, “pra chamar de seu”, e coisa e tal. Aprendi muito e ele foi ficando cada vez mais empolgado. Ele também fala inglês direitinho, se esforça muito, fica puto quando erra (sinal claro de interesse), mas tem um problema: é de Milão, e fala alemão, então às vezes confunde tudo. Não comete os erros clássicos dos italianos, tipo não conseguir pronunciar o som /h/, pronunciar hair como é-ir, dizer pérformance e ôtel, etc, mas em compensação não consegue pronunciar o som /s/. Então ele fala zo em vez de so, zome em vez de some, e por aí vai. Eu acho divertido e dou muita risada, mas ele fica puto.
desfile interrompido por culpa da enx
desfile de alunos, parte iii
Tem o vendedor de equipamentos pra fazer sorvete, doravante chamado Vendedor Sobrancelhudo.
Vendedor Sobrancelhudo fazia aula em grupo, comigo, às segundas e quartas à noite. Terminado o curso, ele quis dicas de onde ir pra aprender inglês no exterior. Sugeri a Nova Zelândia e ele foi, e depois que voltou resolveu ter aulas sozinho comigo pra se preparar pro FCE. É o clássico tipo mediterrâneo, pele bronzeada, cabelos muito escuros, e enormes sobrancelhas pretas – rigorosamente feitas. Sempre cheiroso e bem vestido, é o clássico vendedor que te ganha na simpatia e não com picaretagens.
Ele também é empolgado, mas é menos burrinho. Aliás, não é burrinho, mas não tem muito jeito pra línguas. Só que pergunta TUDO, porque quem não tem hábito de leitura dificilmente consegue extrapolar ou deduzir significados a partir do contexto. É impressionante como a falta de leitura elimina completamente a imaginação.
Eu gosto do Sobrancelhudo, ele é simpático. Mas passo a aula toda com vontade de rir porque ele dá aqueles olhares 43 de vendedor, piscadinhas de olho, sorrisos flamejantes, e eu acho engraçadíssimo. Um dia não consegui me conter e caí na risada. Ainda bem que ele não entendeu.
desfile de alunos, parte ii
Tem o Hominho Empolgado, às segundas e quartas.
Hominho Empolgado é baixinho, com os braços compridos demais, todo bombadinho de malhação, careca e empolgadíssimo. Sua empolgação é proporcional à sua não-inteligência. Quando acerta alguma coisa, o que é muito raro, dá um soquinho no ar tipo Pelé ou então bate no peito à la King Kong. Outro dia fiz uma aula quase toda de drill com ele, e errou tudo. Dá vontade de chorar.
H.E. é um amor, mas é tão chatinho… Trinta anos e ainda mora com mâmi, ainda freqüenta discoteca, ainda sonha com carro alemão, etc. Outro dia a aula sobre Present Simple no interrogativo tinha um diálogo entre uma mulher descolada e um “salame”. Ela perguntava se ele gostava de sushi, ele falava que não. Ela perguntava o que ele gostava de comer, ele respondia que normalmente comia em casa porque a mãe cozinhava bem. Ela perguntou se ele morava com a mãe, ele falou que sim e ela respondeu “Oh.”.
No final do diálogo H.E. ficou calado e mudou de assunto.
desfile de alunos, parte i
Ando com uma certa fauna de alunos ultimamente, e gostaria de compartilhar essas estranhezas com vocês.
Hoje apresento-lhes o Piloto do Moletom.
O Piloto do Moletom é um altão interessante, embora não seja o meu tipo. Trabalhou como comissário de bordo e hoje é co-piloto de vôos chumbregas da Alitalia. Fala até bem inglês, mas, caramba, o cara só vem pra aula de moletom, e todos são HORROROSOS. Não repete quase nunca; cada semana tem um moletom diferente, mas sempre, sempre, SEMPRE horrendo.
Mas o pior de tudo é a falta de imaginação/abstração, típica da população do interior do Zaire. Outro dia a lição do livro falava de senso de humor, e tinha um texto do Bill Bryson falando da diferença entre o humor britânico, irônico, e o americano, tendendo pro infantil. Terminava com um encontro do autor com um taxista colega de ironia. Ele entrou no táxi e perguntou:
“Are you free?”
Ao que o taxista respondeu, com sorriso maroto:
“No, I charge just like everybody else.”
O Piloto do Moletom não entendeu. Nem depois da punchline, e nem depois que eu expliquei. Tudo bem não achar graça, até porque piada que tem que ser explicada não é mais engraçada, mas ele não entendeu mesmo. Levou tipo meia hora pra sacar que free nesse caso significava grátis. Cacetes estrelados! E olha que não é burro! No final da aula olhou pra mim e disse: meu dever de casa então vai ser desenvolver um senso de humor.
Boa sorte, darling.
ninguém perguntou, mas eu respondo do mesmo jeito
What to Wear: O que couber.
What NOT to Wear: O que não couber.
What to Shoe: Sapato boneca confortável, botas de cano alto, sapatilhas.
What to Bag: Ixi… Uma bolsa carteiro ó-ti-ma da Uncle K, ou a marrom que comprei na Patagônia, ou a carteiro fininha da Fernanda Chies, ou a mochila preta da Animale, ou a baguette jeans da Animale, ou a de avestruz que não lembro mais onde comprei, ou a…
What to Denim: Meus jeans não cabem em mim há anos. Não é tão ruim assim, sempre achei jeans a coisa mais desconfortável do planeta: quentíssimos no verão e gelados no inverno, pesados e limitadores de movimento.
What to E-Bay: Nada.
What to Tee: Camiseta, só pra fazer ginástica.
What to Accessory: No inverno, o de sempre: boinas, cachecóis, luvas. No verão, pouco, no máximo um lencinho no pescoço.
What to Bargain: Nada, não tenho vocação pra pechinchar. Essa parte genética não sobreviveu à passagem do meu bisavô sírio até mim.
What to Jewelry: Adoro. Alterno períodos ouro e períodos prata. Adoro particularmente brincos e pulseiras.
What to Makeup: Lápis e rímel, sempre.
What to Fragrance: Quando não esqueço, Acqua di Giò. No inverno, Allüre de Chanel.
What to Hair: Um verdadeiro arsenal. E nunca, NUN-CA, fica do jeito que eu quero.
What to TV: Lost, CSI, ultimamente Distretto di Polizia.
What to Listen: Marisa Monte, Sexto Círculo.
What to Read: No momento, The Selfish Gene, de Richard Dawkins.
What to Eat: Massa, pão, qualquer coisa com queijo e presunto, iogurte.
What to Drink: Água e as duas melhores bebidas do mundo: suco de laranja e leite com achocolatado em pó. Em restaurantes, vinho.
amenidades
Freqüentando a IKEA e com cunhada na Holanda, aprendi um jeito novo de usar roupa de cama.
Nos países nórdicos, aparentemente, como os edredons são usados praticamente o ano inteiro, neguinho bolou uma espécie de fronha pra eles. Não se usa lençol de cobrir. Assim você lava só a “fronha” e não precisa lavar a bosta do edredom, operação chatíssima e complicada se você tem uma máquina de lavar de grande capacidade em casa, e chata e cara se você tem que levar pra uma lavanderia, como eu.
Como eu sou brasileira chata e paranóica, acho estranho dormir diretamente em contato com o edredonm, enfronhado ou não, e prefiro adicionar uma barreira extra anti-sujeira, e mantenho o lençol de cobrir. Mas não é uma idéia ótima esse da fronha de edredom? A maldita IKEA tem cada uma linda, brancas bordadas, coloridonas, psicodélicas. Compramos um conjunto verde-musgo na última vez em que fomos lá, pra testar o sistema, e estou adorando. Primeiro porque o verde-musgo é muito mais bonito do que a hedionda cor carmim do meu edredom, e segundo porque agora já fiquei craque em “vestir” o menino e estou achando tudo muito prático. A próxima vez que voltarmos lá vai ter mais.
papai noel
Imitando a Ane, porque idéia boa tem mais é que ser copiada, também estou pedindo presente de Natal.
Mas peço pra outra minoria discriminada e sofrida: os bichos. Porque eu vomito quando vejo e choro quando penso em bicho sofrendo. Criança também tem o mesmo efeito, lógico, mas acho que bichos são mais desamparados.
Então fica o pedido: quem puder, doe alguma coisa, qualquer coisa, à SUIPA.
Depósito nas contas correntes da SUIPA:
Banco: Banco do Brasil
Agência: 1211-4
Conta Corrente: 404.815-6
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Banco: Itaú
Agência: 0584
Conta Corrente: 25.340-5
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Leguinho vos beija e agradece.