hm

E nessa onda de pensamento positivo a respeito da faculdade, resolvemos fazer um pedido ao centro do emprego em Bastia, pra que encontrassem uma nova secretária pra oficina. Se eu conseguir realmente estudar, a partir de setembro não vou mais ter tempo pra ficar lá, e conseqüentemente vamos precisar de uma secretária.

Confesso que a idéia ao mesmo tempo me alegrou e me entristeceu. Alegrou porque é um porre ficar ali na oficina, porque eu e Mirco brigamos muito quando trabalhamos juntos, e porque eu não quero toda aquela responsabilidade. Entristeceu porque não deixa de ser chato perder esse tipo de conhecimento, de controle, de poder. Uma espécie de ciuminho, sabe. Há outros motivos também, mas são só meus.

Mas é por uma boa causa. Apesar do curso que eu quero fazer (Comunicação Internacional) não ser muito badalado/reconhecido e conseqüentemente não ser do tipo que abre portas profissionais muito facilmente, tem muita coisa interessante no currículo. Eu já sendo velha demais pra ser contratada como aprendiz (ganha-se uma titica e o empregador não paga impostos), quando eu me formar (olha o otimismo) alguém que estiver interessado em mim vai ter que necessariamente me contratar normalmente, o que é muito bom. Então vamos pensar positivo, acender velinhas, essas coisas.

como é difícil estudar nesse país

Depois de muito tribulare, finalmente consegui entrar em contato com a agência pelo direito ao estudo de Perugia. Por semanas só conseguia ouvir a voz automática mandando apertar 1 se quisesse saber se tenho direito a comer de graça, 2 pra saber minha nota na faculdade, 3 se quisesse saber se meu pedido pra estudar no exterior foi aprovado. Nada de aperte 0 pra falar com alguém, e eu precisava falar com alguém, já que só queria saber o que raios tenho que fazer pra entrar com um simples pedido de bolsa. Por acaso, descobri o número direto do setor bolsa de estudos (até então eu estava ligando pros números que encontrava no site da agência e na lista telefônica), e me mandaram fazer primeiro o pedido on-line, pelo site.

O site estava atualizado, jacaré? Não, né. Clicando no botãozinho “pedido de bolsa” abre-se uma janelinha dizendo “não é mais possível fazer pedidos para o ano acadêmico 2004/2005”. Lindo, né. Liguei de novo pra agência e a menina disse ah é, só vão atualizar no dia 18… Quero só ver. Pode ser que seja uma coisa tão complicada preencher o tal pedido que eu precise ir até lá pra ter um mínimo de assistência, já que por telefone já vi que a coisa é complicada. Vamos ver no que vai dar.

uia

A notícia não boa da semana é que a namorada dos cachorros está no cio outra vez. Toda hora ela vem encher o saco dos meninos, estacionando-se do lado de fora do portão do quintal e tentando os coitados com olhares sensuais e piscadelas. O resultado é que todos ficam de mau humor, a não ser o Demo, que é leve e consegue escalar mesmo a cerca mais alta, e some a noite inteira. Chega de manhã ou de madrugada exausto, chorando pra que alguém lhe abra o portão. Até aí tudo bem, sempre foi assim. Só que hoje de manhã ele apareceu, depois de mais uma noitada de sexo selvagem, com um buraco na testa, tão fundo que se vê até o osso. Não se sabe o que aconteceu; pode ter sido outro cachorro, pode ter sido um carro, alguém pode ter dado uma porrada nele. O fato é que o Ettore ficou impressionado com o tamanho da cratera, e chegou até a ter pena do bicho – e quando chega a esse ponto é porque realmente é A CRATERA. Não quero nem ver.

contact

Sabem quem me cumprimentou, a seu modo, claro, hoje de manhã? Um coelho selvagem. Eu vinha correndo pela via Sofia e quando fiz a curva da pontezinha dei de cara com ele. Ficou parado na beira do campo de girassóis, muito sério, me olhando com os olhinhos piscando. Depois de alguns segundos de contato visual, deu de ombros e sumiu no campo.

teste: você é italiano?

1) Você está andando a 20 km/h na rua principal da sua cidadezinha, na hora do rush. Atrás de você, uma fila de carros andando devagar, por sua causa. Você tem que virar à esquerda pra ir comprar gel pro cabelo na Acqua e Sapone. Você:

a. Dá a seta pra esquerda, reduz e vira, necessariamente nesta ordem.

b. Reduz mais ainda, pára, dá a seta pra esquerda, espera mais um pouco e vira, devagar. Não necessariamente nesta ordem.

c. Reduz mais ainda, pára, dá a seta pra esquerda, espera mais um pouco, e quando os motoristas atrás de você começam a buzinar e te ameaçar de morte, você bota a mão pra fora, junta as pontas dos dedos, sacode a mão e grita “ma che cazzo vuoi?”.

2) Você está novamente na avenida principal da sua cidadezinha, novamente na hora do rush, quando todos estão doidos pra chegar em casa pra almoçar aquele pratão de macarrão. Há vários ônibus de turismo avacalhando mais ainda o trânsito, velhinhos de bicicleta, adolescentes de lambreta, velhos quase cegos dirigindo Api, ou seja, o máximo de caos que é possível encontrar em uma cidade pequena no interior do Zaire. À sua direita, há uma baia para os ônibus municipais, bem em frente a uma banca de jornal. Você se lembra de que não comprou La Gazzetta dello Sport hoje ainda. Você:

a. Continua na sua direção normal, liga a seta, vira à esquerda cinco metros adiante no estacionamento em frente à banca de jornal, estaciona o carro, faz dez passos pra atravessar a avenida, compra o seu jornal e volta pro carro.

b. Mete o pé no freio, não lembra que existe seta, e joga o carro na baia do ônibus, deixando-o estacionado igual à sua cara enquanto você vai comprar o jornal e bater papo com o jornaleiro. Quanto maior for seu carro e mais torto estiver estacionado, mais será difícil, pra quem estiver saindo do estacionamento dos correios, ver se há carros vindo da esquerda.

c. Opção b, mas com a mão pra fora do carro, gesticulando, e berrando pela janela, para os motoristas que buzinam atrás de você: “mavaffanculo, va’!”.

3) Você está vindo de Perugia na direção de Foligno. Há dois quilômetros placas vêm avisando que quem quer ir a Foligno deve manter-se à direita, e quem vai a Cesena deve ficar na esquerda. Você vai a Foligno. Você:

a. Pega a direita o mais rápido possível, depois de ultrapassar um caminhão lento que virou à direita na direção de Terni, 50 metros antes da saída pra Foligno.

b. Fica na esquerda, não porque está ultrapassando ninguém, mas porque é mais legal, até o último minuto possível, quando então joga o carro pra direita, fechando quem vinha atrás e passando por cima da zebra e a dois centímetros da divisória de concreto.

c. Opção b, e quando o motorista de trás pisca o farol você olha pelo retrovisor, levanta a mão direita, junta a ponta dos dedos e diz claramente “che c’è, stronzo?”.

Post PMM (Para Mim Mesma)

até o presente momento:

Matilda (Roald Dahl)
Kingdoms of the Celts (John King)
The Great Gatsby (Fitzgerald)
Great Expectations (Dickens)
I Racconti (Tommaso di Lampedusa)
The Da Vinci Code (…)
Lady Chatterley’s Lover (D. H. Lawrence)
The BFG (Roald Dahl)
The Old Man and the Sea (Hemingway)
The Curious Incident of the Dog in the Night-Time (Mark Haddon)
La Voce del Violino (Andrea Camilleri)
La Stagione della Caccia (Andrea Camilleri)
The Importance of Being Earnest (Oscar Wilde)
Bartleby (Herman Melville)
Salem’s Lot (Stephen King)
Boy (Roald Dahl)
La Gita a Tindari (Andrea Camilleri)
L’Odore della Notte (Andrea Camilleri)
Il Giro di Boa (Andrea Camilleri)
Todas as Festas Felizes Demais (Fabio Danesi)
Io Non Ho Paura (Niccolò Ammaniti)
L’Impero dei Draghi (Manfredi)
The House of Mirth (Edith Wharton)
The Kite Runner (Khaled Hosseini)
Breakfast at Tiffany’s (Truman Capote)
Middlesex (Jeffrey Eugenides)
Fight Club (Chuck Palahniuk)
The Bookseller of Kabul (Åsne Seierstad)
The No. 1 Ladies’ Detective Agency (Alexander McCall Smith)
The Godfather (Mario Puzo)
The Hitchhiker’s Guide to the Galaxy (Douglas Adams)
In Patagonia (Bruce Chatwin) – não terminado, chato demais
Un Mese con Montalbano (Andrea Camilleri)
Gli Arancini di Montalbano (Andrea Camilleri)
Henderson the Rain King (Saul Bellow)

motorino

E por falar em lambreta.

Eu achei que depois do tombo no ano passado eu fosse ficar com medinho de pegar o motorino de novo. Mas foi justamente o contrário: cada vez que saio com ele, mais eu gosto. Nunca vou ter a desenvoltura dos adolescentes que andam dos 14 aos 18 anos de motorino pra lá e pra cá, desviando audazes dos carros e conversando entre si enquanto pilotam, mas já me sinto muito mais segura do que no início. Agora que o calor tá brabo, então, é uma maravilha. Nada de carro-microondas depois de horas no sol. O motorino cabe em qualquer sombrinha e assim o selim não esquenta a sua bunda. Só tem que lembrar de usar filtro solar, senão os braços ficam pretos. Algum tipo de jaqueta também é aconselhável, porque os insetos e pedrinhas e plantinhas que se chocam com o seu corpo durante o percurso na roça são inúmeros.

O Mirco de vez em quando tem nostalgia de lambreta e vai pra oficina ou jantar na Arianna ou encontrar o Moreno ou comprar luvas de borracha no Ipercoop de motorino. Uma vez ele encontrou o Moreno na praça em Bastia, e enquanto estacionava a lambreta levou várias olhadas estranhas de teenagers bastiolos que não gostaram muito da presença de um intruso no seu território. Porque motorino no verão é coisa de adolescente VIP bastiolo, que gesticula pro colega no motorino ao lado enquanto pilota, que cola adesivos no capacete, que usa óculos escuros gigantes da Dior e calça jeans da Richmond e camiseta Datch. (No inverno motorino é coisa de imigrante pobre que não tem carro e tem que encarar o vento gelado na fuça). Achei engraçada a história, o Mirco intimidado por adolescentes por ser velho demais pra andar de lambreta :)

Obs.: Claro que velho também anda de lambreta. Lambreta velha. Daquelas que você tem que pedalar pro motor pegar, e que não passam dos 20 por hora. São foférrimos os velhinhos de motorino.

uhuuu

Hoje fiz uma coisa muito maneira, aproveitando que o Aluno Gentil e a Quarentona Estressada cancelaram as aulas: fui ao aeroporto de bicicleta, pegar nossas passagens de agosto pra Parrí. Não é o máximo? Aproveitei que o dia tava nublado e não tava muito calor, tinha um ventinho de chuva esquisito mas não forte o suficiente pra dificultar as pedaladas, e lá fui eu, quinze minutos de ida e quinze de volta entre campos de girassol, milho e linho (que tem a maior pinta de capim vagaba), até o Aeroporto Internazionale dell’Umbria (cof cof). A mocinha extremamente enrolada da Alitalia disse que é quase certo que titio dará as caras por essas bandas, mas não antes de 2006. Mas se for verdade, me aguardem, fofos, porque pior que a gente, só o Tom Jobim que passava o fim de semana em NY: vamos almoçar em Paris e jantar em Londres váaaaaaaaarias vezes… ;)