O negócio é o seguinte: Match Point é totalmente taken for granted. Diálogos idiotas e clichês, olhares clichês, cenas clichês. A única sacada legal é a analogia da bola de tênis com a aliança da velha. Só. O resto é tudo clichê do início ao fim, e isso me irrita MOITO, principalmente quando o ingresso custa 6,50 euros e eu estou com enxaqueca.
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Rotterdam – interior do Zaire
Acordamos tarde, tomamos café em casa mesmo e fomos direto pro aeroporto. Queríamos passar no supermercado pra comprar as sopinhas em lata que adoramos, mas não dava tempo e nem tínhamos espaço na mala (era uma mala pequena pra nós dois, não rolava). O vôo saiu no horário, como sempre, e chegou cinco minutos antes, como sempre. Pagamos 49 euros de estacionamento em Ciampino, bastards!, e fomos direto pra casa. Em dez minutos desfiz a minimala, escovei os dentes e saímos correndo pra Santa Maria. Deixamos os presentes da Arianna e da Lucia, batemos um papo rápido com o Leguinho e encontramos Gianni e Chiara pra ir ao cinema em Foligno. Àquela altura do campeonato eu já sentia as primeiras pontadas atrás do olho esquerdo, mas, burra, ignorei solenemente. Lógico que lá pra metade do filme (Match Point, achei uma caca) eu já nem sabia mais onde estava. Paramos pro pessoal comer uma piadina ali perto e nos mandamos pra casa, eu morrendo. Já cheguei à conclusão que não posso ficar muito tempo sem comer, porque logo me vem a enxaqueca. Não sei qual mecanismo fisiológico pode causar uma coisa assim, mas é batata: é eu ficar sem comer que a maldita vem. Claro que não acontece freqüentemente, muito pelo contrário, já que eu penso em comer durante 28 das 24 horas do dia, mas quando acontece, é batata.
Rotterdam
O dia amanheceu lindo, mas frio pra cacete. Mirco dormiu até tarde; eu acordei cedo e aproveitei pra estudar um pouco de Studi Culturali (aquele do livro maneiro de Rifkin, Il Sogno Europeo). Resolvemos ir ao centro pra um brunch, e pro Mirco cortar o cabelo. Ele agora pegou essa mania de colecionar cortes de cabelo internacionais: já cortou as madeixas na Sérvia, no Rio, em Rouen, e agora queria em Rotterdam. Ontem tínhamos passado no centro rapidinho pra pegar um terno do Rob numa loja e dar uma olhada nos shoppings, e aproveitamos pra passar no barbeiro tradicional do Hotel New York pra marcar horário pra hoje. Então lá fomos nós.
Estávamos marcados pras onze, mas o Rob acordou tarde e chegamos às onze e oito. Foi só entrarmos que uma das duas funcionárias olhou pra nós, olhou pro relógio na parede e antipaticamente nos informou que elas estavam com o horário muito apertado, que ela não podia se ocupar do Mirco porque outro cliente estava pra chegar, mas a sua colega o faria. Cara, a garota demorou 50 minutos pra cortar a bosta do cabelo! Fio por fio, e no final das contas nem parece que cortou! Enquanto isso, a idiota da antipática (primeira holandesa antipática que eu conheço) ficou só perambulando pra lá e pra cá, mudando coisas de lugar, fazendo barulho, telefonando. E o tal outro cliente nada, lógico. Eu e Stefania ficamos observando o lugar, que é muito interessante, à moda antiga, com aquelas cadeiras de barbeiro maravilhosas (depois boto fotos, o Mirco não descarregou a máquina fotográfica ainda) e fotos antigas nas paredes. Rob tinha nos explicado que além do prédio da Prefeitura e de uma grande igreja no centro, nenhum outro prédio sobreviveu aos bombardeios da II Guerra. O Hotel tem esse nome porque ali ficavam os escritórios da empresa de navegação que levava os imigrantes pros EUA, e é um ponto histórico importante da cidade porque era a última coisa que os imigrantes viam quando iam embora, e a primeira coisa que alguém via quando entrava no porto de Rotterdam.
A garota levou tanto tempo cortando o cabelo do Mirco que quando acabou já era meio-dia. Pagamos o absurdo de 29 euros (corte de cabelo agora só em país subdesenvolvido, tá, lanterneirinho querido?) e fomos ver se ainda rolava o brunch no restaurante do hotel. Lógico que não, né. Então acabamos almoçando, até porque a fome era intergaláctica ninguém tinha tomado café na esperança de se entupir de pão fresquinho e chocolate quente. Eu fui de salmão com molho de cogumelos, Mirco de filé com fritas. A comida estava ótima e o ambiente é bem interessante. A vista também é bonita.
Dali fomos à feira, no mercado. Compramos muito peixe baratíssimo e fresquérrimo pro jantar, pães sementudos e escuros como eu gosto e não acho na Itália, queijos bola bons pra fazer misto-quente, abobrinhas pra fazer com o camarão. Gastamos uma titica: com 14 euros compramos meio quilo de vongole, meio de mexilhões, meio de camarões pequenos, meio de camarões graúdos, dois filés de atum liiiiiiiindos, e quatro “molhos” de canolicchi, não sei como se chamam em português e muito menos se existem por aí; são um tipo de mexilhão comprido, que normalmente se faz gratinado no forno, com farinha de rosca, alho e salsinha. Adoro, e na Itália custam uma fortuna porque não são fáceis de “caçar”: como ficam enterrados na areia, a rede não os pesca, e alguém tem que ir lá mergulhar e desenterrar um por um. Largamos as compras no carro do Rob e voltamos pro centro pra mais compras. As lojas de coisas pra casa são lindas, cheias de coisas bubus (comprei várias pra Newlands e mamãe). Acabamos comprando na Dille & Kamille (Korte Hoogstraat 22) toalhas de mesa lindas que estavam na oferta e que ninguém na Itália vai ter igual, ho ho ho, entre outras coisas fofas. Eu adoro o jeito que os holandeses têm pra decorar as casas. Sobretudo acho FENOMENAIS as janelonas imensas que deixam ver tudo, mas ninguém vê porque ninguém olha porque tem mais o que fazer. Acabo vendo sempre alguma coisa interessante no beiral das janelonas: um belo vaso de formato diferente, uma orquídea deslumbrante, castiçais maneiros, composições harmoniosas e invariavelmente simples de flores bobinhas. Adoro, adoro, fico louca admirando as janelas.
Depois de muito comprar, deixamos a Stefania em casa pra preparar um jantar pra cinco hóspedes, e fomos dar uma volta em Delft. Achei uma gracinha, mas tava um frio do caceteeeeeeeeee e o Mirco começou a se sentir mal. Voltamos pro estacionamento, pegamos o carro e fomos a Dan Haag (Haia), mas nem descemos do carro porque o vento tava foda. A cidade é praticamente um grande escritório e não tem muita coisa pra ver, mas há algumas casas divinas e sei que tem um museu muito interessante. A praia também pareceu bonita, e Rob disse que no verão fica absolutamente lotada. Voltamos correndo pra casa, morrendo de fome, e enquanto o Mirco tomava uma aspirina e deitava cinco minutos na cama eu fui limpar os camarões pequenos, os mexilhões e as vongole. Saltamos os camarões com abobrinha na panela com alho e azeite, só até o camarão mudar de cor e cozinhar o tempo justo; depois jogamos os fusilli cozidos al dente e pronto. Enquanto devorávamos o macarrão, a Stefania abriu os mexilhões e as vongole no alho e azeite com um copo de vinho branco. Comemos tanto que nem consegui terminar o filé de atum no forno sem nada, só um fio de azeite e pimenta-do-reino. Os camarões graúdos e os canolicchi que sobraram resolvemos levar pra Itália. E que os deuses da Aduana nos protejam.
Rotterdam
Acordamos cedo, passamos na oficina pra largar a Uno porque alguém podia precisar, e nos mandamos pra Ciampino. O tempo tava feio por essas bandas, e quando paramos no centro de Ciampino (ô cidade feia!!!) pra comprar umas focaccias pro almoço no avião, o vento soprava terrivelmente. Mais tarde melhorou um pouco. O vôo com Tio Ryan partiu no horário, como sempre, e chegou em Eindhoven dez minutos antes, como sempre. Aterrissamos na parte nova do aeroporto, que ainda não tínhamos visto no ano passado descemos na parte velha que mais parece um quiosque, e dali pegamos o carro alugado pra ir a Düsseldorf, lembram? Dessa vez esperamos uns dez minutos ali em meio a toda aquela luz, a todo aquele metal reluzente, admirando a arquitetura e a simplicidade das linhas, esperando o Rob.
Fomos direto pra Rotterdam e encontramos a Stefania em casa preparando as coisas pro grupo de aula de cozinha que chegaria logo depois. Eles fizeram uma bela reforma em casa, e agora a cozinha é um ambiente único com a longa sala de jantar/estar/televisão. Atualmente a Stefania está atacando em 4 fronts diferentes: dá aula de cozinha, cozinha take-away, faz catering e ainda por cima a sala de jantar funciona como um microrestaurante. A cozinha ficou linda e quem vem pra jantar fica encantado, não só com a atmosfera rústico-italiana mas principalmente com o menu, todo rigorosamente feito a mão: ravioli com recheio que pode variar de cogumelos ao tradicional ricota e espinafre, frango ou lombinho de porco em receitas sempre muito delicadas, refogadão de pimentão ou berinjela, tiramisù ou torta de maçã, uma garrafa de vinho. Logo depois que nós chegamos um grupo apareceu pra ter aula, e ficamos assistindo. É muito engraçado ver aqueles homões enormes vestindo avental laranja, lutando com a faca afiada pra cortar tomatinhos ao meio, descascar alho, misturar a carne moída com os temperos pra rechear as coxas desossadas de frango. O curso dura umas três, quatro horas, e depois todo mundo come o que cozinhou, lógico.
Eu e Mirco, que estávamos morrendo de fome porque afinal focaccia al rosmarino não é almoço nem aqui nem na China, fomos com o Rob comer pizza no O Pazzo (Mariniersweg 90). A pizza estava ótima, mas o ambiente é realmente maluco como diz o nome: o forno a lenha é coberto de mosaicos brilhantes pra formar um polvo gigante, e a boca do forno é a boca do polvo; no meio do salão, uma árvore com tronco e ramos cobertos de escamas prateadas que, ao chegar mais perto, vê-se que são velhas moedas de liras italianas; no banheiro, canto gregoriano tocando. Um lugar muito esquisito, mas a pizza era muito boa. E depois não tivemos forças pra fazer muito mais não; voltamos pra casa, batemos um papo rápido com o Rob e fomos dormir antes que os hóspedes terminassem de comer.
Aceita o conselho da tia, aceita. Se você trabalha falando não sei quantas horas por dia, não, eu disse NÃO escute Green Day no carro. Porque você vai chegar em casa sem voz.
da série a abominável tv italiana
Várias notícias interessantes rolando aqui na Bota.
A Notícia Hedionda da semana passada foi a liberação de uma senhora de 50 anos, com sérios problemas psiquiátricos, que era mantida trancada em um BANHEIRO pela família, que não tinha paciência pra lidar com ela. A coitada da mulher não saía de casa (nem do banheiro) há TRINTA ANOS e tomava banho de bacia na varanda. O cachorro da família podia circular pela casa, ela não. Sinceramente, se é pra ser assim, melhor manter os manicômios abertos. Antes no manicômio com enfermeiros do que em casa sendo tratada como um inseto.
A Notícia Cara-de-Pau da semana foi Berlusconi dizendo que é completamente contra misturar negócios e política. Logo ele, maior empresário do país, dono da maior editora, dos maiores jornais e das três redes de televisão privadas, de lojas de departamento e de bancos. Entre outras coisas. Logo ele, que aparece no lançamento do livro de seu personal puxa-saco Bruno Vespa livro sobre Berlusconi, diga-se de passagem. Berlusca também disse muito tranqüilamente que quase com certeza vai precisar alongar um tiquinho o mandato, pra dar os últimos retoques em algumas leis que ficaram pendentes leis salva-rabo, sem dúvida. Ainda que eu falasse a língua dos anjos, a Itália eu jamais compreenderia.
Mas o melhor mesmo foi o arranca-rabo de domingo na Rai 1. O programa era Domenica In, ou Domenica in Famiglia, um dos dois. É um clássico programa de auditório emburrecedor de multidões, com a participação idiota de cantores e atores idiotas cantando músicas idiotas que já eram idiotas quando foram lançadas, nos anos 70; fala-se superficialmente só de assuntos idiotas e de fofocas idiotas de VIPs idiotas; os figurinos são ridículos, o cenário é de Qual é a Música, e todos gritam sempre. O “programa” é apresentado por uma loura que grita (toda showperson italiana grita SEMPRE), com lábios muito estranhos, cabelos longos lisos e louros que ela joga de um lado pro outro, sempre em camisas com os primeiros botões abertos pra que, com cada involuntária abaixadinha na direção da câmera, seja possível entrever os potentes e cadentes seios da senhora. Pois então, o pega-pra-capar de domingo foi tão grave que fala-se em suspensão da obrigatoriedade de pagar a assinatura da TV e em cancelamento do programa. Lógico que não vai acontecer nem uma coisa nem outra; estamos na Bota, afinal, mas de qualquer maneira isso indica a seriedade da coisa. Os participantes eram dois clássicos arrozes-de-festa que vivem saltando de um programa horrível pra outro, à cata de visibilidade. No lado esquerdo do ringue, Er Mutanda (dialeto romano pra O Cueca), assim chamado porque quando participou do Isola dei Famosi ficava rebolando de cueca em frente às câmeras. É um homem bonito mas claramente decadente e claramente viado, que quer a todo custo provar que é só bonito e não viado, e a cada história de amor com alguém famoso que ele conta na TV é imediatamente desmentido pelo tal alguém famoso, que diz muito seriamente que nem o conhece. Um daqueles personagens que dão pena, sabe. Do lado direito do ringue, um romano grezzo come una scarpa (tosco, tosco, tosco) cujo nome nem me lembro, que também foi ressuscitado por uma edição da Isola dei Famosi depois de anos de anonimato após seu único sucesso musical. Não sei qual foi o motivo da briga e nem me interessa, mas sei que os dois começaram a se atacar verbalmente no programa, AO VIVO, xingando mãe e pai do outro, dizendo barbaridades e palavrões, enfiando o dedo na cara do outro, enquanto Mara Venier, a detestável loura peituda, tentava botar panos quentes na coisa. Vendo trechos da briga no telejornal, eu rolava de rir. Fora a coisa do baixo calão, do baixo nível, da tabajarice, da tristeza que é ter esse tipo de coisa na televisão, é absolutamente hilário ver gente pseudofamosa xingando a mãe do outro com vozes roucas e jugulares pululantes. Como o programa é teoricamente “pra família” e passa no domingo à tarde, tudo foi considerado muito impróprio (eu honestamente acho que já é impróprio o programa normal, sem brigas, de tão idiotizador que é, but that’s just me) e o bafafá foi tão intergaláctico que não se fala de outra coisa. Eu estou rindo até agora.
tronco
Hoje é feriado em Foligno, dia de San Feliciano, padroeiro da cidade. Meus planos eram estudar, passar roupa e dar aula de português pra Begonia de manhã, almoçar com o Mirco, estudar um pouco depois do almoço e ir pra casa da Chiara, que hoje não trabalha, pra ajudar na paella que vamos jantar hoje à noite. Mas a escola vai funcionar normalmente, então lá vou eu pro tronco, das três às oito e meia, non-stop. E que não venham me dizer que ah, são só cinco horas e meia de trabalho. Ensinar é uma das coisas mais cansativas que existem no mundo. Minhas cordas vocais estão ao ponto de explodir, e quando o dia termina eu já não sei o que estou dizendo, muito menos em que língua.
Mas eu me divirto :)
saco
O coronel na televisão diz que hoje chega uma frente fria siberiana, que vai ser imediatamente seguida de uma da Groenlândia, e no finzinho do mês outra do mesmo lugar vai emendar com a segunda. Olho pra fora e vejo floquinhos de neve enlouquecidos, voando de lado. Ainda não é neve que cai das nuvens, mas neve que o vento raivoso nos traz do Subasio e das colinas de Bettona. Na estrada pra Foligno, começa a nevar mais seriamente, do céu mesmo, mas nunca chega a acumular no chão. Meu medo é pra mais tarde, porque a neve derretida vira gelo com as temperaturas da noite, e dirigir assim é como patinar no gelo.
Com esse tempo horrível, fazer qualquer tipo de movimento dentro do carro é impossível. Virar o pescoço encachecolado pra fazer uma manobra é um malabarismo irrealizável. O cinto de segurança tem que passar por baixo do cachecol pra não me enforcar. A boina de lã começa a coçar na testa, mas com a luva grossíssima não consigo encontrar o ponto crítico pra me coçar. O carro leva três horas pra esquentar, e até lá o nariz, vermelho, fica escorrendo. Tudo o que eu pego com as mãos enluvadas cai. Abençoado seja o fone de ouvido do celular, porque é impossível apertar um só botão do telefone com os dedões enfiados em luvas de camurça com recheio de pelo…
Eu definitivamente ODEIO frio.
roma é etc etc etc
E hoje, do nada, resolvemos ir a Roma. Ontem à noite Gianni ligou pro Mirco perguntando se topávamos acordar cedo pra ir a Roma ver o Museu do Vaticano. Era uma coisa que estávamos querendo fazer há muito tempo, porque o Mirco não visita o museu há seis anos, e Gianni e Chiara também não viram ainda a Sistina depois da famosa restauração. Então acordamos às seis e meia, tomamos café com calma e às sete e quinze eles passaram aqui pra nos pegar. Como hoje rolava proibição de circulação de veículos poluentes, não tinha trânsito ne-nhum na cidade, e pudemos ir direitinho até o centro (o carro do Gianni é novo, Euro 4, teoricamente não poluente) e largar o carro em frente à casa da tia solteirona do Gianni, que mora a dois quilômetros do Vaticano, che le piasse un vomito.
Em algum ponto do Viale Angelico paramos pra comprar croissants e tortinha de Nutella naquela padaria estranha e subterrânea que eu e Valeria descobrimos acidentalmente naquele longínquo novembro de 2001, lembra, amigaaaaaa? Comei uma crostatina à sua saúde. Lembra que sentimos o perfume de pão na rua, olhamos pro lado e vimos a fila que chegava até à entrada da escadaria, na rua? Lembra que compramos brioches pra comer no lugar daquele pão maldito cascudo e sem sal que nos davam no albergue? Lembra que eu perguntei como se chamava a tortinha, e a atendente gritou “crostatina” mas eu não consegui entender por causa da confusão e porque não conhecia a palavra? Que diliça :))))))
Continuamos pelo Viale Angelico às moscas e quando avistamos os murões gigantes do Vaticano subimos a ladeira e fomos seguindo as placas até chegar na porta. Só queeeeee… Nós quatro, seres civilizados, jamais poderíamos imaginar que um museu da importância do Vaticano estaria fechado aos domingos, e não nos demos ao trabalho de conferir o horário na internet. E demos de cara com a porta fechada. Nós e tantos outros turistas indignados. Mas tudo bem, é impossível entediar-se em Roma, então pegamos o caminho da roça e fomos pra São Pedro mesmo. Gianni e Chiara, carolíssimos, queriam porque queriam ver a tumba do Papa, e lá fomos nós encarar a fila, que felizmente andava bem rapidinho, pra ver a tumba mais boba do mundo.

Sou mais aquela toda egocentricamente decorada com mosaicos. Eu acho assim, se é pra ser enterrado, faz logo uma tumbona fashion, senão é melhor cremar, né não? Mas enfim, tem gosto pra tudo, e depois da tumba resolvemos subir na cúpula, coisa que só eu já tinha feito antes. Chegamos lá em cima vomitando as tripas de tão sem fôlego depois dos 350 degraus pós-elevador, mas, como sempre, a vista vale a pena. Vamos lá, repitam comigo o mantra: Roma é tudo na vida, Roma é tudo na vida, Roma é tudo na vida…


TUCO E HUNKA, SE VOCÊS NÃO VIEREM LOGO VER ESSAS COISAS COMIGO EU VOU FICAR DE MAL.
Milenar técnica japonesa de tiração de foto.
Pra recuperar o fôlego, fomos assistir à missa do meio-dia e quinze. Posso dizer muito chiquemente que a primeira missa da minha vida foi no Vaticano! :P Ô coisa chata, socorro! E tinha um padre novinho que pelas pausas completamente erradas e pelo sotaque bizarro era quase certamente brasileiro. O coro que cantou umas ave-marias era DIVINO eu ADORO coros, e logo lembrei daquele que vimos em Santa Maria Maggiore, lembra, Valerrí de Parrí, aqueles meninos ingleses que estavam no nosso albergue e encontramos no ônibus indo pra igreja cantar, e choramos feito duas bebezonas porque era realmente lindo demais?
Depois da maldita missa chatona fomos almoçar pizza num café na Via Giulio Cesare (a Ane tinha recomendado uma trattoria mas ninguém tava com vontade de sentar pra comer, senão o sono acabaria nos vencendo), e dali resolvemos bater mais perna indo até a Piazza di Spagna pela Via del Corso (Valeriaaaaaaaaaaaaaaaa!) e depois virando na Condotti pra ver os japoneses atacando a Prada e a Louis Vuitton. Paramos na Furla pra comprar um anel bonitão na liqüidação (na mesma Furla onde comprei aquele anel divino com perolinhas que você escolheu pra mim, Lulu), comprei um chaveiro de galinha lindinho, fotografamos esse cachorro delicioso do dono da loja que dormia com a cabeça por baixo do balcão e ficamos vendo a cabeçada passar. Quando cansamos, pegamos o metrô Spagna e descemos novamente em Ottaviano, fomos visitar a tia do Gianni que é a maior figuraaaaaa, e voltamos pra casa.
Precisamos fazer esses programas mais vezes…
p.s.: As fotos ficaram horríveis porque o tempo tava feio e o Mirco tava sem paciência pra ajustar a máquina direito. Foi mal aê.
o descabelado
Ontem assisti a uma aula de Organizzazione Politica Europea, matéria opcional pro primeiro semestre, e que vale só 3 créditos. Não vou fazer a prova em fevereiro porque não vou ter tempo de estudar, mas como não sei se no próximo semestre vou conseguir freqüentar as aulas, resolvi assistir ao curso esse mês. São poucas aulas, acho que só 30 horas, mas é muito interessante. São distribuídas em dois dias da semana, em duas pauladas de três horas consecutivas. Felizmente a segunda paulada é sexta-feira, das oito às onze da manhã, o que me permite de assistir pelo menos a esse dia, pra depois voltar correndo pra casa pra dar aula pra Begonia.
Quando chego na sala dou de cara com um professor barrigudo, com cara de solteirão bonzinho e resignado, e cabelo em pé de quem acabou de acordar. Um sotaque estranho que depois descobri ser um toscano anormal ele faz parte do grupinho do professor bonitão de Comunicazione Politica, junto com o outro toscano biruta de Studi Culturali. Todos ÓTIMOS professores, e todos tendo lecionado nos EUA e/ou na Inglaterra.
Enfim, a aula foi interessantérrima, mesmo eu tendo perdido a primeira parte, a da quinta-feira. ADOREI o assunto. Eu amo história e qualquer coisa relacionada a ela. Adoro qualquer coisa que acontece, e odeio teorias e gráficos e estatísticas e números e afins. Gosto mesmo é de narração :)