ugh

Então ontem à noite ligamos a TV no Bruno Vespa, aquele nojo, e demos de cara com aquela vaca da Alessandra Mussolini (sim, a neta do Duce), de minissaia e botinha até o joelho, combinando direitinho com o batom rosa-paquita e o cabelo Farrah Fawcett, discutindo acaloradamente com Victoria Luxuria, que obviamente é uma transexual. Com MOOOOOOOITO mais classe que a Mussolini, LÓ-GI-CO. Enquanto a vaca loura falava por cima do que a Luxuria dizia, repetia os mesmos argumentos idiotas de quem não tem argumentos, e ofendia todas as bichas do mundo, fazendo careta de “cruzes, que diabos será isso” quando Luxuria falava em gays, lésbicas e transgender, a Luxuria, de terninho e camisa social branca, cabelos recatadamente presos e maquiagem light, veio documentadíssima. Leu trechos de discurtos demagógicos da Mussolini dizendo, feito o Papa, que amor não tem sexo, que todo mundo sabe dar carinho independentemente da escolha sexual, e todas aquelas coisas que todo mundo diz quando quer se fazer passar por bonzinho. Luxuria deitou e rolou na maior classe, lendo o que a Mussolini tinha escrito pra rebater todos os comentários da vaca loura contra gays etc. Teria sido muito divertido se não se tratasse de um assunto tão sério quanto o casamento gay (assunto sobre o qual não tenho opinião formada, diga-se de passagem e com muita honestidade). Acabei me sentindo envergonhada pela Mussolini, sabe, quando a gente se envergonha pelos outros?, porque, please, uma candidata a qualquer cargo importante NÃO PODE aparecer de minissaia e botinhas e batom rosa-paquita e cabelo Farrah Fawcett na televisão, não podeeeeeeee, e acabei desligando a televisão.

Mas a Victoria Luxuria ganhou de lavada. Até porque a Mussolini, acusada de fascismo, se saiu com essa: meglio fascista che froci, literalmente melhor facista que bicha.

pizza boa

Toda vez que como a pizza 1822 no Penny Lane, nossa pizzaria preferida, eu penso em como gostaria que as pessoas viessem aqui me visitar. Porque eu quero compartilhar essas coisas com todo mundo, sabe. Pizza di speck (tipo um presunto cru defumado), scamorza (um queijo levemente defumado, primo distante do provolone) e milho, uma diliça. Outra que eu também amo é a Teddy Boy, com batata ralada fininha, lingüiça e alecrim. Tem a Revolver, com salaminho picante. Rapaz, tem muita pizza boa, e eu fico sempre imaginando a Hunka iria adorar essa, o Tuco iria ficar louco com essa, etc.

Venham, dahlings. Please.

weirdo

Fui à aula de inglês na faculdade hoje, pra ver o que rolava. A professora é maluca e isso todo mundo sabe há anos, mas eu queria saber o quão maluca. Então fui.

Acabou que me diverti. A mulher é completamente doida mesmo, e a base laranja mal aplicada ao redor do rosto, acabando no meio do queixo, não ajuda, mas pelo menos ela fala inglês direito. Falou umas duas besteiras fonéticas, mas no bojo correu tudo bem. Só que ela, sendo doida, não segue nenhum roteiro de aula: sai vomitando informações completamente não-relacionadas entre si, palavras das quais ela vai se lembrando à medida em que avança com a aula, pergunta coisas sem pé nem cabeça pros alunos. Coitadas das meninas, estavam quase arrancando os cabelos porque não entendiam coisa nenhuma. E eu resolvi não criar caso com a mulher; avisei que não posso freqüentar as aulas mas não disse que é porque ensino inglês, peguei as apostilas que ela deu (e que já xeroquei e deixei na escola pros meus alunos mais avançados) e fingi que fazia anotações. E tomara que ela não implique comigo, porque realmente eu não tenho saco pra discutir com gente doida.

bella giornata!

Ontem começou o segundo semestre do primeiro ano. Tendo aula a tarde toda na escola, não consegui ir à primeira aula de Sociologia, mas hoje de manhã fui. Fui de carro porque depois tinha que sair correndo pra Foligno porque tinha aula em Cascia. Assim que estacionei o carro começou a cair uma neve, mas uma neve, com um vento miserável, que parecia até que estávamos, sei lá, na Sibéria. Neguinho na rua sendo arrastado pelo guarda-chuva aberto, a neve acumulando na roupa, na cabeça, nos carros, um fim do mundo! Da janela da sala de aula via-se um palmo de neve acumulada nos telhados, e nada de parar de nevar. E eu rezando pra não parar mesmo, porque queria assistir também à aula da tarde, de Teorie e Tecniche di Comunicazione di Massa.

A aula de Sociologia foi legal. O professor é novinho e cabeludo (até o ano passado era professor-assistente) e explica muito bem. Mas falou de várias coisas que não estão no manual, ou seja, vou precisar das anotações das minhas coleguinhas CDF Elisa e Ludovica pra complementar as aulas de segunda-feira que vou perder sempre. Mas dá pro gasto. Vai ter uma primeira prova em abril, escrita, só sobre essa chatice teórica, e a segunda prova, sobre aquela parte legal das novas sociedades orais e tecnológicas, vai ser em junho, junto com outros zilhões de provas que se acumularam pra mim porque não tive tempo de estudar pras de fevereiro. Se eu botar meu calendário de provas aqui vocês vão chorar comigo, juro.

No final das contas nevou em Cascia também, que é mais alta do que Perugia, e consegui assistir à aula da tarde porque quando neva lá pra cima é mais seguro não dar as caras, porque o risco de não conseguir descer a serra é real. A aula foi INTERESSANTÍSSIMA, e me corta o coração saber que nunca mais vou conseguir assistir a nenhuma. Caramba, como eu amo aprender coisas. O tema do dia foi a facilidade de filtrar as informações antes de repassá-las ao público, e vimos um filme feito por uma produtora independente mostrando como a queda da estátua do Saddam foi ridiculamente montada – eram uns gatos-pingados adolescentes que, parece, nem eram iraquianos, e que só obedeciam às ordens dos soldados americanos. Uma jornalista iraquiana, anti-Saddam, diga-se de passagem, disse que guerra contra os Estados Unidos é que nem um filme de Hollywood: todo mundo sabe quem é o mocinho e quem é o bandido e como a história vai terminar, mas a gente gosta de assistir assim mesmo. Ho ho ho.

E eu perdendo essas aulas :(

begoninha

É ótimo ter a manhã livre, porque resolvo um milhão de coisas, mas assim já é demais. Se não trabalho, não ganho, e realmente não tô podendo, ainda mais com futuro apartamento pra mobiliar, né. Quem me salva é a Begonia, que sempre consigo enfiar nas minhas manhãs livres. Me divirto ensinando português, ela aprende rápido e é uma fonte inesgotável de satisfação pro professor, e ainda ganho bem. Magavilha.

boh!

Fomos ver Proof com Mario e Maria Rita hoje à tarde. Ô filme estranho! Não posso dizer que não gostei, apesar da lentidão, mas também não posso dizer que gostei. Muito esquisito. Gwyneth Paltrow com aquela eterna cara sofrida de mulher que não come, Anthony Hopkins normal, Jake Gyllenhaal muito bom. A história é estranhíssima e fala de matemática, assunto que eu normalmente abomino mas é lógico que em um contexto assim diferente não é um problema. Saímos do cinema meio atordoados porque não sabíamos se tínhamos gostado ou não. Eu, hein.

de Luca

Hoje de manhã li rapidinho o tal Tre Cavalli, de de Luca, que peguei na biblioteca. Achei chatão. Não gosto de frases curtas jogadas ali pra dar efeito. Não gosto de flashbacks desorganizados que você demora pra botar em ordem. Não gosto de personagens bizarros como esse jardineiro de 50 anos que se envolve com uma prostituta de 30 (estou sendo muito sintética, a história é estranha pacas). Não gostei de quase nada no livro; há alguns trechos brilhantes como conteúdo, mas não gostei da forma. Então não vou ler mais nada dele, já que a própria Bibliotecária Loura disse que todos os seus livros são estilisticamente parecidíssimos e ou você gosta ou não gosta (pelo grunhido que fez quando pedi o livro, ela está na segunda categoria).

Terminei de ler o livro correndo e parti pra faxina. Eu, hein.

anta auditiva

Não tem coisa pior do que aula com aluno chato, putz grila.

Hoje substituí a Liese, que está no hospital, dando aula pra senhora Giuseppina, que fez a primeira aula comigo mas depois o horário ficou incompatível. Ela é professora e é muito, mas muito chata e metida – que nem a filha, que é aluna da escola há anos e vive sendo jogada de professor pra professor, porque ninguém a suporta.

O pior é que ela, sendo professora de italiano, acha que sabe tudo de gramática, e que o problema é “só” entender e ser entendida. Então eu deixo a gramática pra lá, porque ela não quer mesmo, e só faço os listenings de practical English do livro. Xeroco só as páginas que interessam, enfio a fita no som e vamos lá. O problema é que ela não entende LA-DA, nem o primeiro listening do primeiro livro. Tipo, o cara tá no avião e a aeromoça pergunta o que ele quer beber, e ele responde diet Coke, e nem isso ela entendeu – NEM COM A FOTO DO CARA COM UMA DIET COKE NA MÃO. Cacetes estrelados!!! Depois toca o telefone do cara, num restaurante, e ele, obviamente, responde Hello. Toquei a fita SETE vezes e ela não entendeu, e, o que é pior, nem deduziu, que ele estava dizendo Hello. “Pra mim não é Hello”, disse, e eu respondi, é que ele pronuncia certo, enquanto que os italianos pronunciam “ellô”. Putz, que aula comprida que não termina nunca!