ai meus sais

Em casa de gente maluca ninguém escapa da doideira, nem os cachorros. Vejamos:

. Leo fugiu pra namorar semana passada. Ficou dias fora e voltou macérrimo, com priapismo e dor nos músculos. Passou mais outros tantos dias sentado na cadeira em frente à lareira da cozinha, se recuperando da atividade intensa, tomando vitaminas e anti-inflamatórios. Ainda não está 100%. Ele adora salame, mas não come presunto. Ontem tentamos enganá-lo pela enésima vez, enrolando uma fatia de presunto numa de queijo, que ele ama. Ele cheirou, pegou com a boca, jogou no chão, separou o queijo do presunto, comeu o queijo e ficou olhando pra nossa cara. O presunto ficou lá no chão.

. Leguinho faz festa quando acaba de fazer cocô e é completamente viciado em pedaços de pau, que ele rói até não sobrar nada. Quanto mais friável for a casca, melhor. Uma vez, na falta de um pedaço de madeira assim à mão, ele simplesmente pegou um da lareira – aceso. Entrou na sala desfilando com aquele treco fumegante, uma ponta na boca e a outra ponta em brasa.

. Virgola é o aspirador de pó da casa: tudo que cai no chão ela traça. Também tem ouvido de tuberculoso e é sempre a primeira a ouvir se tem alguém chegando.

. Demo tem pêlo comprido e tudo o que vocês podem imaginar gruda naquela barriga peluda dele. Quando fazemos carinho nele acabamos sempre sentindo alguma coisa espetando a mão: um graveto, uma folha seca, um pedaço de casca de fruta, carrapichos. A barriga dele é rosa, assim como a parte interna da boca. Ele chora quando fazemos carinho nele. E quando paramos, fica roçando a cabeça contra a nossa mão, pedindo mais.

Natáu

O almoço de Natal foi um belo pé no saco, por causa do climinha entre Mirco e a cunhada, que deu uma hipersupermegapisada intergaláctica de bola semana passada. Comemos o de sempre: fatias do pão umbro cascudo com patê de fígado de galinha, com salmão e manteiga, e com patê de tartufo; depois cappelletti com recheio de carne misturada de peru, vitela e cappone (galo castrado), uma parte in brodo, ou seja, cozido no caldo de cappone, e a outra parte com molho de tomate mesmo. Depois cappone assado na brasa com salada. E de sobremesa todos aqueles doces natalícios que eu odeio: panetone, pinolata, torrone, panforte. À noitinha fomos ao cinema ver Closer (meio assim assim), jantamos sanduba na Pans & Company do shopping, paramos pra tomar uma cervejinha/Bailey’s no Suggestum com Moreno e um amigo, e voltamos pra casa pra mimir.

Hoje, feriado aqui na Bota (dia de Santo Stefano), resolvemos ficar em casa. O tempo tá uma bosta, um convite à preguiça, e há um monte de carne argentina e brasileira na geladeira nos esperando (compramos na Metro, no sábado à tarde). Compramos dois filés mignons argentinos e um pedaço gigantesco de roastbeef (que eles pronunciam rósbif-a) brasileiro – como diabos se chama isso em Português? Almoçamos uma sopinha chinesa de pacote, a última que sobrou das compras em Paris, depois um filezinho show de bola feito na bistequeira de ferro guisa, com batatas no forno, assadas com azeite e alecrim. Como Hannibal Lecter, nós também nos amarramos num Chianti, e abrimos uma garrafa decente pra acompanhar a carne. Aaaaaaaaaah quanto faz falta uma carninha decente, em vez desses bifinhos anêmicos de vitela que neguinho adora aqui!

**

Eu ganhei chocolates holandeses do namorado da cunhada, papatinhos forrados de lã pra usar dentro de casa, uma mochila ótima pra viajar, um casaco ROSA absurdo, daqueles recheados de pluma de ganso. Só que, além de ser rosa (que é a cor da moda, vocês sabem), é curto, o que pra mim não faz o menor sentido. Eu sinto frio no corpo inteiro, e não só do umbigo pra cima; pra mim casaco curto é tão idiota quanto blusa de lã de manga curta. Qual é o propósito dessas coisas? Amanhã vou a Perugia trocar. Não tenho nenhum casaco desses de pena de ganso; me deixam maior ainda do que eu já sou, e também acho muito esportivo, não faz o meu tipo. Prefiro sobretudos, e queria um marrom, pra se juntar ao meu preferido, cinza-escuro estilo militar, com golinha coreana, ao preto Valentino e ao branco tabajara que eu tenho que levar ao Rio na próxima vez pra dar uma mudada na cara dele. Foi baratérrimo, mas o modelo é muito assim assim, queria uma coisa mais diferentinha. Mirco ganhou um pulôver marrom e um perfume Roberto Cavalli que, apesar da caixinha DE ONCINHA AZUUUUUUUL, é bem cheiroso.

Eu ainda não abri meu autopresente, o livro da Allende que o grisalhão da livraria cismou de embrulhar, mesmo eu dizendo que era pra mim mesma. Acabou que me comprei também uma agendinha Moleskine, cujo único defeito é ter pauta. Detesto escrever em papel pautado. Minha aversão a obedecer a ordens e regras chega a esse ponto. Mas tem umas coisas ótimas: duas páginas pra anotações de viagens (com espaço pra data, destino e comentários gerais), fusos horários, conversão de medidas e tamanhos de roupas e sapatos, códigos DDI, distância entre as principais capitais do mundo, mini-agenda telefônica destácavel, e uma espécie de bolsinho interno pra colocar papeizinhos que normalmente tendem a tomar chá de sumiço. Não sou muito de usar agenda, porque esqueço sempre que ela existe, mas adoro tê-la. Adoro agenda, diário, bloco, papel, de qualquer tipo, tamanho, cor, material. Basta que não seja pautado ou, pior ainda, quadriculado, como se usa muito aqui. O Moleskine (tipo sketchbook, com folhas espessas) que serviu de semi-diário em 2004 está acabando. Digo semi-diário porque acabo escrevendo praticamente só quando viajamos; colo ingressos de cinema, teatro, passagens de avião, trem, ônibus, metrô, cartões de visitas de lugares legais, bilhetes nos quais nos deixaram endereços e e-mails. Seu sucessor foi comprado em Castellina in Chianti nesse verão, durante a Saga dos Salames; foi feito à mão e tem capa de couro com as três musas da primavera gravadas na capa e há um lacinho pra amarrar e mantê-lo fechado. Estou doida pra inaugurá-lo.

Eu fico sempre tão impressionada quando vejo essas notícias de tufão, terremoto, ciclone, alagamentos. Tudo isso é tão completamente fora da minha realidade que me assusta de um modo incrível. Não tenho idéia de como reagiria se me encontrasse em uma situação semelhante. A Umbria é zona altamente sujeita a terremotos, o que torna muito caro construir qualquer coisa aqui, já que é obrigatório ter um esquema antisísmico e coisa e tal. Mas eu nunca testemunhei nada, a não ser um ridículo tremor uma vez, enquanto estávamos na fila do cinema. Ninguém mais sentiu e eu nem comentei nada porque achei que fosse impressão minha, mas dias depois vi uma notinha no jornal local mencionando o minitremor.

Nessa época do ano há milhares de italianos passando as férias na parte da Ásia atingida pelo terremoto/maremoto. Roberto, amigo nosso, em teoria partiu hoje pela manhã pra Tailândia, mas a essa altura do campeonato já não sabemos mais se foi ou se está plantado no aeroporto, esperando sabe-se lá o quê. Quando acontecem essas coisas, o Ministério do Exterior se mobiliza rapidinho e é possível saber, se necessário, os nomes de todos os cidadãos italianos que estão no local atingido. Entra-se em contato com as agências de viagens e tour operators, disponibilizam-se números de telefone pra falar diretamente com o Ministério, e quem está por lá e consegue dar notícias de alguma maneira, acaba na TV: acabo de ouvir uma entrevista com um fulano que foi passar a lua-de-mel nas Maldivas e acabou abrigando-se com a jovem esposa no teto de um bungalow, de onde mandava SMS pra assegurar a família de que está bem, apesar do rio de lama que corre lá embaixo. Já pensou que maravilha? Onde você passou a sua lua-de-mel? No teto de um bungalow, nas Maldivas, durante o quinto maior terremoto do planeta. Muito romântico.

Eu tô brincando, mas não consigo nem imaginar o horror de passar por uma situação dessas. Pior ainda é pensar que esse tipo de coisa acontece sempre em lugares miseráveis, como o fodidíssimo Bangladesh.

Eu fico sempre tão impressionada quando vejo essas notícias de tufão, terremoto, ciclone, alagamentos. Tudo isso é tão completamente fora da minha realidade que me assusta de um modo incrível. Não tenho idéia de como reagiria se me encontrasse em uma situação semelhante. A Umbria é zona altamente sujeita a terremotos, o que torna muito caro construir qualquer coisa aqui, já que é obrigatório ter um esquema antisísmico e coisa e tal. Mas eu nunca testemunhei nada, a não ser um ridículo tremor uma vez, enquanto estávamos na fila do cinema. Ninguém mais sentiu e eu nem comentei nada porque achei que fosse impressão minha, mas dias depois vi uma notinha no jornal local mencionando o minitremor.

Nessa época do ano há milhares de italianos passando as férias na parte da Ásia atingida pelo terremoto/maremoto. Roberto, amigo nosso, em teoria partiu hoje pela manhã pra Tailândia, mas a essa altura do campeonato já não sabemos mais se foi ou se está plantado no aeroporto, esperando sabe-se lá o quê. Quando acontecem essas coisas, o Ministério do Exterior se mobiliza rapidinho e é possível saber, se necessário, os nomes de todos os cidadãos italianos que estão no local atingido. Entra-se em contato com as agências de viagens e tour operators, disponibilizam-se números de telefone pra falar diretamente com o Ministério, e quem está por lá e consegue dar notícias de alguma maneira, acaba na TV: acabo de ouvir uma entrevista com um fulano que foi passar a lua-de-mel nas Maldivas e acabou abrigando-se com a jovem esposa no teto de um bungalow, de onde mandava SMS pra assegurar a família de que está bem, apesar do rio de lama que corre lá embaixo. Já pensou que maravilha? Onde você passou a sua lua-de-mel? No teto de um bungalow, nas Maldivas, durante o quinto maior terremoto do planeta. Muito romântico.

Eu tô brincando, mas não consigo nem imaginar o horror de passar por uma situação dessas. Pior ainda é pensar que esse tipo de coisa acontece sempre em lugares miseráveis, como o fodidíssimo Bangladesh.

eca

Fomos ver Birth com o Moreno ontem à tarde. Cinema vazio, nada de fila, aaaaah, maravilha!

Pena que o filme é um porre. UM PORRE. A história até que não é das piores, mas a mão do diretor é pesada demais. O filme é totalmente feito de coisas que eu abomino em cinema:

. Diálogos cheios de pausas longuíssimas e absolutamente inexistentes na vida real. Olhares podem ser expressivos, mas definitivamente não são capazes de manter diálogos complicados.
. Pessoas paradas olhando mudas pra algo que não tem nada a ver com nada, por horas a fio, algo também inexistente na vida real.
. Diálogos com perguntas não-respondidas, sem que alguém se irrite com isso. Tipo:
– O que é isso?

– O que é isso?

[No que uma pessoa normal começaria a chacoalhar o interlocutor não-respondente]

. Cenas overdramáticas e ridiculamente teatrais que só vão fazer sentido no final do filme.
. Situações absurdas que todo mundo acha normal. Tipo: casal novaiorquino cheio da grana acha normal que um menino desconhecido entre em casa e peça pra falar com a patroa a sós, na cozinha. Ora, por favor!
. Atuações ridículas aduladas pela imprensa. Quem foi que disse que o garoto que faz o Sean “deu um banho de interpretação”? Ficar parado sério olhando pro nada não é difícil, especialmente pra americanos, que normalmente nascem com aquele bloqueio total dos músculos da expressão facial.

Caraca, que ódio, que filme lento, que filme chato! Que vestidos LINDOS os da Nicole Kidman! Filme chato me deixa de péssimo humor.

**

Como o grande lance aqui é o almoço do dia 25 e não o jantar do dia 24, fomos comer no restaurante chinês de Ponte San Giovanni na volta do cinema. Moreno nunca tinha comido chinês, mas detonou o arroz cantonês e o frango com amêndoas. Acabamos indo dormir cedo, mentalmente cansados de tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo na família e profissionalmente. Hoje tem o maldito almoço na Arianna, distribuição de presentes ridículos e coisa e tal. Ainda bem que o Mirco já decidiu que logo depois do almoço vamos cair fora. Não vamos ao cinema à tarde porque já vimos tudo o que está em cartaz. Provavelmente vai rolar um DVD em casa mesmo. Acho ótimo.

sdfa sdvfweoriseo

Como toda pessoa de bom senso, acho Natal um verdadeiro porre. Não só porque pra mim não significa nada, como bem diz o Alexandre (viram como ele não erra mais os porquês? ;), mas porque essa forçação de barra pra dar presente pros outros é incrivelmente estressante, cara e hipócrita. Detesto dar presentes só porque tenho que. Quando vejo uma coisa legal que me lembra alguém querido, compro e dou, na medida do financeiramente possível, claro. Perguntem pra Newlands que ela sabe bem como é: vivo mandando-lhe coisas bubus pelo correio, coisas idiotas que não servem pra nada, mas eu tenho certeza de que ela vai gostar porque têm cores bonitas, ou uma textura maneira, ou uma ilustração gostosinha, ou porque lembra alguma coisa engraçada que nos aconteceu em um determinado momento. Em contrapartida, meu quadro magnético está coberto de desenhos dela, tenho vários marcadores de livros desenhados por ela, e a bolsinha que abriga o kit de sobrevivência pacamanca elástico pro cabelo + batom + manteiga de cacau, que eu levo sempre comigo, é uma coisinha deliciosamente esdrúxula de paetês rosa-choque, presente dela. Minha escrivaninha é coberta de pequenas pilhas de coisas que eu vou juntando aos poucos, até que virem uma quantidade decente pra ser mandada pelo correio. Minilivros, comidinhas, receitas, cartões-postais, fotos, panfletos bonitos, brinquedinhos de ovo Kinder, adesivos, cartões de visita extravagantes, tudo isso vai sendo distribuído conforme eu vou descobrindo a quem vai agradar. Já esse perrengue de ter que comprar presente de Natal, vou te dizer…

Pra cunhada eu trouxe do Brasil uma bolsa artesanal toda cheia de bordados bizarros; juntei um marcador de livros interessante e pronto. Pro namorado dela, um cinzeiro comprado na feira hippie da General Osório. Pra malinha do Francesco, o filho b. do tio banana do Mirco, que é uma criança cha-tér-ri-ma e bur-ré-si-ma, que os pais (…) e o resto da família entopem de brinquedos caríssimos e de roupas que daqui a dois meses não vão mais caber nele, comprei um livro daqueles duros, cheio de bichos, buracos nas páginas, jogos de palavras. Pra avó do Mirco, que é a coisa mais fofa desse mundo, um pijama de flanela comprado na feirinha de Bastia, hoje de manhã. Pro Ettore comprei uma garrafa de grappa, que é o meu presente anual, já que ele não gosta nem se interessa de coisa nenhuma. Pro azar dele, a garrafa quebrou assim que cheguei em casa com as compras. Pra Arianna, brincos de ouro branco e zircone que depois me arrependi de ter comprado porque foram caríssimos e ela realmente não entende a diferença entre um metal e outro, entre um design bonito e um não, mas agora Inês é morta. Pra Marta trouxe um porta-niqueis de casca de coco, também da feira hippie, que sei que ela vai odiar porque é bastiola fashion e bastiola fashion só gosta de coisas da moda, mas não tô nem aí, um choque cultural de vez em quando é bão, e fiz também uma latona de cookies com chocolate chips e amêndoas. E aí fiquei sem saber o que dar pro Mirco, que infelizmente tem gostos refinados muito fora do meu alcance econômico, e além do mais compra e fatura as coisas das quais precisa (e gosta), como máquinas fotográficas, celulares, material de escritório. Acabei comprando um livro pra criança que me fez dar uma gargalhada gigante na livraria de Santa Maria degli Angeli: La Storia della Cacca – A História do Cocô. O dono da livraria, um grisalho que destila charme pelos poros do nariz, deu outra risada quando cheguei com aquilo na caixa, e disse que o livro é maravilhoso. Quando estava saindo da livraria bati o olho numa máquina fotográfica descartável com flash colorido, quer dizer, as fotos saem no tom que você escolher. Peguei uma verde. Claro que as esverdeadas fotos eventualmente irão parar aqui.

E aí assim, como quem não quer nada, toca o videofone: era o hominho da SDA, pra entregar um pacote. Fiquei toda boba achando que era o pacote que a minha mãe mandou há séculos, com o livro de Português do meu aluno bicha e mais outras coisas pra mim, um pacote que se perdeu no buraco negro dos correios italianos. Mas qual não foi minha surpresa ao ver que era uma caixa elorme vinda diretamente de Ottawa! Eowynzinha, amiga, não tenho palavras! Tô doida pra provar esse icewine, comé que toma isso? E os livros todos? E o Calvin? E o salmão, que eu amo? E o cartão de Natal, lindo? E as meias de dedinhos do Piu-Piu, ridículas como eu gosto?

:)))))))))))))))

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Pra quem acredita nessas coisas natalinas, bom natal, tá? E brigada a quem me escreveu dando votos de boas festas. Sei que não parece, mas dou muito valor a essas coisas. Valeu mesmo. Porque foda-se o Natal, mas é o pensamento que conta, né não?

a lil’ get-together

Ontem veio um pessoal jantar aqui em casa: Peppone e aquele casal que precisava de informações sobre NY, Gianni e Chiara, e a irmã do Gianni, Roberta, com o namorado calado, Marco (que eu jurava que era Bruno, que horror!). Quarta e ontem passei o dia cozinhando: fiz mini-pizzas de cebola e sálvia e de alecrim com sal grosso, cappelletti com recheio de salmão defumado (fiz a massa e o recheio em casa) com molho de abobrinha, lagostins cozidos rapidamente no vinho branco com azeite e salsinha, com salada mista, e petit gateaux com sorvete de creme que eu mesma fiz. O jantar foi um sucesso tal que fui até aplaudida, apesar de ter achado os cappelletti muuuuito mais ou menos, principalmente se penso no trabalho que me deram. Mas enfim, demos muita risada, papeamos muito, vimos fotos, falamos de viagens, e depois que o pessoal foi embora, pra lá de meia-noite, ainda fui ajeitar a cozinha e a sala. Àquela altura do campeonato já tinha perdido o sono, e acabei dormindo no sofá, abraçada ao How the Irish Saved Civilization.

Pictures to come.

How the irish saved civilization

We know, again from the Gospels, the hatred of the Jews of the first century for the Roman tax collectors. By the time of Ausonius [sec. IV] that hatred was universal. But now I must ask a great concession of my readers: to pity the poor tax man, whose life was far more miserable than the lives of those who suffered his exactions. The tax man, or curialis, was born that way: Can you imagine the dawning horror on realizing that you were born into a class of worms who were expected to spend their entire adult life spans collecting taxes from their immediate neighbors – and that there was no way out?

But this was only the beginning of the horror. Whatever the curiales were unable to collect they had to make good out of their own resources! Who were these wretches, and how were they assigned their doom?

***

E agora fiquei com vontade de ler os outros livros da série Hinges of History. E esse também, que não faz parte da série mas tem cara de ser bom.

Vejam bem, não são tratados de História; são introduções, pontos de partida pra quem não sabe nada do assunto e quer saber mais. A narrativa é deliciosa, as curiosidades são muitas, a ironia é tanta. A-DO-RO.

relendo, e re-amando

I – The End of the World
How Rome Fell –
and Why

On the last, cold day of December in the dying year we count as 406, the river Rhine froze solid, providing the natural bridge that hundreds of thousands of hungry men, women, and children had been waiting for. They were the barbari – to the Romans an undistinguished, matted mass of Others, not terrifying, just troublemakers, annoyances, things one would rather not have to deal with – non-Romans. To themselves they were, presumably, something more, but as the illiterate leave few records, we can only surmise their opinion of themselves.

Inspecting the Roman soldiers now, we note the quiet authority of their presence, the polish of their person, the appropriateness of their stance – they are spiffy. More than this, there is an esthetic to each gesture and accountrement. All details have been considered – ad unguem, as they would say, to the fingertip, as a sculptor tests the smoothness and perfection of this finished marble. Their hair is cut with a thought to the shape of the head, they are clean-shaven to show off the resoluteness of the jawline, their dress – from their impregnable but shapely breastplates to their easy-movement skirts – is designed with the form and movement of the body in mind, and their hard physiques recall the proportions of Greek statuary. Even the food in the mess is prepared to be not only savory to the taste but attractive to the eye. Just now the architriclinus – the chef – is beginning to prepare the carrots: he slices each piece lengthwise, then lengthwise again, to achieve slender, elongated triangles.

We look out across the river to the barbarian hosts, who in the slanting, gray light of winter mass like figures in a nightmare. Their hair (both of head and face) is uncut, vilely dressed with oil, braided into abhorrent shapes. Their bodies are distorted by ornament and discolored by paint. Some of the men are huge and muscular to the point of deformity, their legs wrapped comically in the garments called braccae – breeches. There is no discipline among them: they bellow at each other and race about in chaos. They are dirty, and they stink. A crone in a filthy blanket stirs a cauldron, slicing roots and bits of rancid meat into the concoction from time to time. She slices a carrot crosswise up its shaft, so that the circular pieces she cuts off float like foolish yellow eyes on the surface of her brew.

How the Irish Saved Civilization, Thomas Cahill

***

O que eu não daria pra ver esse evento ao vivo!