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O cafet… opa, o companheiro da Suely Maria, vocês sabem, fuma no elevador TODOS OS DIAS. TO-DOS OS DI-AS. Semana passada fiz uma coisa muito legal: escrevi SOU REALMENTE O MAIOR DOS ESCROTOS, PORQUE ALÉM DE FUMAR NO ELEVADOR OCUPO SEMPRE DUAS VAGAS QUANDO ESTACIONO! e colei atrás da Audi TT ridícula dele. Pena que estava muito empoeirada e a fita gomada ficou meio assim assim. Como colei na traseira, perto da placa, ele com certeza não viu logo de cara e deve ter feito alguns quilômetros com aquilo à mostra. Hoje à tarde, quando cheguei da escola, vi a Audi estacionada que nem a cara dele, com a roda anterior esquerda ultrapassando a faixa que delimita as vagas. Parei bem do lado esquerdo, COLADA no carro dele (mas dentro das faixas da MINHA vaga), e conseqüentemente impedindo-o de abrir a porta e obrigando-o a entrar pelo lado do passageiro. Agora há pouco eu estava mandando um fax (o aparelho fica na sala, logo na entrada, ao lado da porta) e ouvi uma porta bater. Olhei pelo olho mágico e não deu outra: o idiota do cara esperando o elevador com o cigarro aceso. Como eu tava de calça de pijama e também porque não gosto muito de rodar baiana, ainda mais com gente desse nível, não saí pra discutir. Assim que ele desceu, corri pra fora, pintei o olho mágico dele com pilot atômico preto, resisti à tentação de entupir a fechadura de SuperBonder, e em vez disso escrevi outro cartaz: ESCROTO QUE FUMA NO ELEVADOR, TOMARA QUE SEU PINTO CAIA, SEU FILHO DA PUTA (em italiano fica lindo, juro). E colei na porta.

Sei que ele não vai parar de fumar no elevador nem de estacionar feito a cara dele, porque quem nasce escroto morre escroto, mas enquanto isso eu vou me divertindo. O próximo passo vai ser, acho, um ovo no pára-brisas dianteiro, já que injeção letal é meio arriscado. Furar os pneus também seria legal, principalmente porque custam os olhos da cara, mas não dá tempo de terminar o selviço antes de alguém ver. Uma bela arranhada com chave na lateral? Manteiga na maçaneta da porta de casa? Aceito sugestões. O escroto merece.

rir pra não chorar

E a notícia que não sai da boca do povo nesse início de semana é a do albanês e o trator. É assim, ó: um albanês entra, bêbado, numa boate de topless e go-go girls. Bebe ainda mais e começa a encher o saco das meninas e dos outros clientes. O albanês é chutado pra fora da boate. O albanês bêbado, e agora também puto da vida, rouba um trator que estava por ali dando sopa (a boate fica na zona industrial de Bastia, cujo asfalto está sendo renovado), vai ao estacionamento da boate, que divide um galpão com uma fábrica de portões, e começa a descer o pau nos carros estacionados ali em frente. Ontem à noite, quando soubemos da notícia, passamos por ali no caminho pra casa e vimos uma Fiat Multipla completamente detonada, e um gazebo de metal, da fábrica de portões , reduzido a uma massa disforme. A notícia saiu, obviamente, no telejornal regional, e nas filas do banco, dos correios, do supermercado, não se fala de outra coisa. Compreensível, porque 1) quando é imigrante que faz cagada (e cagada desse tipo é quase sempre imigrante que faz) vira logo notícia, 2) a história é tão maluca que não tem como alguém tê-la inventado, e 3) como aqui não acontece nada nunca, qualquer coisinha já vira logo OOOO evento do século. 2005 vai ser lembrado em Bastia como o ano que começou com o albanês e o trator.

a outra vizinha

Quase todos os edifícios por aqui têm algum tipo de comércio no andar térreo. Nosso prédio tem um irmão gêmeo, que fica em cima de um bar e de um jornaleiro – na verdade o jornaleiro é uma continuação do bar e pertence ao proprietário deste, que larga a máquina de café pra lá pra ir buscar a revista que você pediu. Embaixo do nosso prédio há um salão de beleza (Parrucchiera Valeria), cuja placa luminosa, instalada num poste no canteiro central da rua de acesso ao aglomerado de casas e prédios onde moramos, é um ponto de referência em Cipresso. Você vem vindo pela estradona de Cipresso, e quando vir a placa Parrucchiera Valeria vira à direita, tá? Ao lado do salão da Valeria ficava uma loja de artigos pra caça e pesca (só coisa super útil, cês tão notando?) que era outro ponto de referência pra quem vinha lá em casa pela primeira vez. O nosso prédio não é o do bar, é o da loja de caça e pesca, tá? Quando nos mudamos pra cá a loja já estava desativada, com jornais velhos e amarelados colados nos vidros da vitrine, mas o letreiro ficou lá, vivo e forte, ajudando gente a encontrar o nosso prédio, até uns meses atrás. Não víamos ninguém, mas todo dia notávamos que um pedaço da vitrine estava livre de jornais, depois surgiu uma parede amarela, depois uma placa com um peixe encostada no chão, depois uma vassoura num canto. Achamos que era a loja de caça e pesca que reabria, ou um clube de pesca, ou uma outra coisa inútil qualquer. Até o dia em que surgiram, do nada, umas roupas horrorosas penduradas em CORRENTES, estendidas a esmo por toda a vidraça. Pela falta de cuidado estético e de qualidade das peças, TODAS claramente de tecido sintético, com costuras tortas e apliques em pelúcia, achamos que fosse um bazar de Natal ou coisa do gênero. Até o dia em que apareceram lá dentro um balcão com uma máquina registradora, um vaso de plantas e um aparelho de som. Na porta de vidro, uma fotografia de uma mulher com os olhos muito maquiados, o pescoço enrolado num lenço de oncinha esvoaçante, em uma pose daquelas de femme fatale, que eu honestamente acho incrivelmente broxantes. Ficamos achando que fosse algum bazar beneficiente pra uma menina morta, que seria a da foto, sei lá, não seria incomum. Até o dia em que o Mirco chegou em casa na hora do almoço dizendo que tinha ouvido no rádio algo sobre uma imprenditrice de Bastia que abriu uma loja em Cipresso, e pra conseguir o dinheiro necessário fez um calendário, bancado do proprio bolso.

E aqui pauso pra explicar o lance dos calendários aqui na Itália. Todo mundo que fica famoso faz um calendário, inevitalmente em trajes sumários, poses sexy e em um cenário paradisíaco e supostamente exótico (e conseqüentemente afrodisíaco, dizem). Todo VIP italiano já fez um calendário. Todo mundo que saiu do Grande Fratello já fez um calendário, ao menos. Pode-se dizer que o calendário é um indice de VIPidez, porque VIP que é VIP TEM que fazer pelo menos um calendário na vida. Não sei quem compra essas coisas porque honestamente se toda banca de jornal resolvesse vender tudo que é calendário que sai, não haveria mais espaço pra jornais, revistas ou coleções de bonecas de porcelana ou modelos de carros antigos.

Sei que a tal mulher fez o diabo do calendário pra cobrir as despesas da abertura da loja, que não tem nome nem letreiro nem coisa nenhuma, só a foto dela colada na porta com fita durex, lenço de oncinha no pescoço, os olhos afogados em kajal preto, na tal pose sexy. Mirco anotou o nome da mulher e assim que chegou em casa fomos direto catar na internet. Descobrimos links pras fotos do calendário, que são qualquer coisa. Imaginem uma mulher nem feia nem bonita, corpo que só fica legal quando ela levanta os braços e arqueia a coluna, com maquiagem feita em casa, camisolinhas que ela deve usar de verdade, fazendo poses ridículas em lugares absurdos – no bosque perto do estádio em Perugia, na cadeira da sala de estar, com direito a estante no fundo e tudo, enrolada em lenços coloridos, deitada no meio de folhas secas.

No dia da suposta grande inauguração da loja, em cima do balcão lá dentro viam-se umas garrafas tamanho família de Coca-Cola, uma bacia de plástico provavelmente cheia de salgadinhos gordurosos comprados no supermercado dos imigrantes, uma pilha de guardanapos brancos. Duas garotas, claramente suas amigas e não clientes, lhe faziam companhia. As luzinhas piscantes do aparelho de som denunciavam a presença de música, com certeza algo bem meloso da categoria da Laura Pausini. Mais nada.

A loja tá aberta desde antes do Natal e eu nunca vi ninguém entrando nem saindo, nem lá dentro, nem com sacolinha na mão ali pelos arredores. E olha que eu entro e saio de casa vinte vezes por dia.

Agora imaginem eu saindo de casa pra trabalhar outro dia e dando de cara com uma folha de papel pautado colada na porta da loja, com a seguinte mensagem escrita à mão, com caneta Bic Cristal azul: A LOJA FICARÁ FECHADA ATÉ A PRÓXIMA SEXTA-FEIRA, POR MOTIVO DE ENTREVISTA NA TV.

Gente, viver em cidade pequena é uma fonte eterna de grandes emoções. Juro.

ai, ai

Decidi que em junho vou fazer o CELI, a prova pro certificado de língua italiana que corresponde aos exames de Cambridge, por exemplo. Primeiro porque quero me testar, segundo porque sinto falta de estudar alguma coisa, mesmo que seja algo que já sei, e terceiro porque a gente nunca sabe, pode vir a servir se eu decidir fazer outra faculdade (já decidi, entende, mas fico hipotizando porque não sei se esse ano vai dar). Ainda não decidi se faço o CELI ou o CIC, de italiano comercial, que corresponde ao BEC do inglês. O site da Università per Stranieri, órgão responsável pela elaboração do exame, além de ser horroroso não é muito atualizado (sites italianos nunca o são) e não há nenhuma prova disponível do CIC pra eu dar uma olhada e sacar que nível de conhecimento técnico é necessário. A prova custa € 78 e eu posso fazer em Perugia mesmo, claro, que é mais perto pra mim. Já baixei o módulo de inscrição e a prova vai ser em junho. Não há mais leituras obrigatórias, apesar d’eu ter lido já os livros recomendados pro ano passado. Como in any case você tem que ler ALGO em italiano pra comentar na prova oral, acho que vou reler Il Deserto dei Tartari, que eu amo, e algo do Camilleri, que eu sei que os professores adoram porque é em siciliano e tem sempre ironias e críticas ao sistema (ou aos sistemas – o oficial governamental e o mafioso).

Ontem maloquei um livro de francês lá da escola e decidi que vou dedicar uns 40 minutos por dia, TODO DIA, a estudar essa língua. Não quero nem saber. Só vou abrir exceção pro fim do mês, que é época de faturar e quando fica tudo muito confuso.

Depois que consegui, finalmente, terminar o Lampedusa, não sei mais o que ler. Peguei Billy Budd, Sailor, do Melville, mas não consigo me concentrar. Pensei em reler Marcovaldo, mas não é o momento. Tem um Lady Chatterley’s Lover ali olhando pra mim, e alguns Brontë, uma Allende, um Sciascia, um Malcolm Lowry, um Joyce, um Camus, todos me mandando mensagens subliminares, leia-me, leia-me. Mas nenhum deles está me inspirando particularmente agora.

Outro dia ouvi no rádio uma entrevista com um historiador que escreveu um livro sobre o mistério do milagre econômico italiano, já que todo mundo sabe, menos os italianos, que a Itália ainda é um país de camponeses desprovidos de qualquer noção básica de cultura ou cidadania, sem capacidade intelectual, incapaz de aprender qualquer língua estrangeira que seja, e cujo governo não estimula, absolutamente, o estudo, básico, universitário ou otherwise. Achei engraçado ouvir esse tipo de coisa no rádio. Imagino quanta gente não deve ter ligado pra RAI, ofendidíssima, dizendo que não lê porque não tem tempo, ou que lê, sim, talvez não jornais ou livros, mas revistas, aquelas de fofocas, sabe, já é alguma coisa, né. Hohoho. Anyway, a locutora mencionou o tal livro desse historiador, e eu anotei num post-it que ficou no pára-sol do carro e agora não lembro. Mas estou morrendo de vontade de ler.

Então agora estou aqui sentada sem saber o que fazer, ouvindo As Bodas de Figaro que o canal 5 tá passando não sei por quê, tentando decidir 1) o que ler depois do Lampedusa, 2) em que ordem realizar as tarefas do dia, que incluem uma ida à farmácia, outra à padaria, uma faxininha básica, estudar francês, lavar o cabelo, agilizar o almoço, ficar sem fazer nada um pouquinho. Provavelmente vou começar pelo ficar sem fazer nada um pouquinho.

Pra não dizer que eu não falei de vizinhos

Eu disse que o resto do meu andar é tranqüilo e muito normal e conseqüentemente não rende post. É verdade. Mas tenho duas vizinhas “de bairro”, por assim dizer, que merecem algumas linhas.

Começamos pela vizinha da frente. Exatamente ao meu prédio há uma casa muito grande, rodeada por um pequeno gramado, com muitas roseiras. A casa não é particularmente feia, mas tem uns detalhes em vermelho, como as esquadrias das janelas e as varandas, que me dão arrepios. Nessa casa moram quatro pessoas: a Foca Monja, o Cornudo, o Filho da Foca, e a Mãe da Foca.

Foca Monja é como os italianos carinhosamente chamam as mulheres gordas. Imagino que cada país deve ter o seu animal de referência; os brasileiros usam baleia, orca e outros cetáceos, e os italianos (e quando digo italianos digo os italianos aqui da Itália central, não sei como é nos outros lugares) usam a foca monja, que é simplesmente uma espécie de foca. A Foca Monja em questão é uma senhora já de uma certa idade, muito gorda, sem dentes, que goza, na cidade, de uma reputação assim, digamos… repreensível. Porque sabe-se que o marido, doravante chamado Cornudo, não lhe dá nem um tostão. E ela resolve o problema divertindo velhinhos. Custa menos que uma prostituta de Perugia, e o velho não fica morrendo de vergonha por ser velho e feio, porque ela também é velha e feia. Um dos clientes mais famosos da Foca Monja é o irmão caquético do tio do Mirco, um senhor de 80 anos carinhosamente chamado de Pecorello (algo como “Carneirinho”), porque não tem mais um dente sequer na boca, e neguinho acha que aquela boca retraída lhe dá um aspecto de carneiro. O engraçado é que todo mundo sabe desse “trabalho informal” da Foca Monja, e ninguém se escandaliza – ou então ninguém se escandaliza mais, porque a coisa já rola há muitos anos. Dizem que ela foi muito bonita quando jovem, mas eu não acredito, porque não tem os traços bonitos nem a pele interessante, e principalmente porque tem um olhar de retardada. Pena que esse blog não tem áudio, porque eu poderia imitar pra vocês a voz da Foca Monja quando chama o cachorro, um Yorkshire chatíiiiiiiiiiiiiissimo chamado Jimmy. Pelo menos nós achamos que se chama Jimmy, porque a falta de dentes prejudica a dicção e não dá pra saber se é esse mesmo o nome do cachorro, ou se é Timmy, ou Dimmy, sei lá.

O Cornudo bate na Mãe da Foca, e isso todo mundo também sabe. Parece que ele já teve uma empresa de transportes, mas hoje é aposentado e passa o tempo todo podando as malditas roseiras, que dão flores de todas as cores. O cachorro late pra todo e qualquer ser vivo que passe em frente à casa, causando indiferença no Cornudo e gritos de Jimmeeeeeeeeeeeeeeee na Foca Monja. A Mãe da Foca, que já morreu mas esqueceu de deitar, dá uns mini-passeios ali em torno da casa, sempre de lenço na cabeça e bengala na mão. Sempre séria, sempre calada.

O Filho da Foca dirige um Mercedão esportivo totalmente inadequado à sua idade cronológica, coisa muito comum por essas bandas. Não tenho idéia do que faz da vida e só o vejo muito raramente.

A Família da Foca mora só no andar de cima da casa, que é de tijolinhos amarelos e tem muitas flores espalhadas pelas varandas. A parte de baixo é um grande salão envidraçado, e ficou muito tempo exibindo uma plaquinha de aluga-se, até que começaram a rolar boatos de que ali estavam pra abrir uma pizzaria da asporto (to go), do tipo que não tem mesas nem balcão nem nada, você vai ali comprar a pizza pra levar pra casa e pronto. Maravilha! Nada de bagunça nem gente bêbada nem gente fumando, e a imensa comodidade de uma pizzaria logo embaixo de casa; não dá tempo nem da bichinha esfriar! Infelizmente há duas semanas vimos que o boato não passava de um boato; no salão envidraçado abriram uma loja de acessórios pra kart. Não consigo imaginar nada de mais inútil. Fosse pelo menos um açougue, uma agência dos correios, uma agência funerária que fosse, porque sei que uma livraria seria pedir demais, mas uma loja de acessórios pra kart? Socorro.

Mas o mais interessante sobre a Foca Monja é que ela sabe tudo da vida de todo mundo. Já foi avistada fofocando nas áreas mais remotas de Bastia e das cidades vizinhas. Passa boa parte do tempo pendurada na grade vermelha da varanda, tomando conta da vida dos outros. Quando, há alguns meses, eu e Mirco saímos do prédio com dois armários de madeira que o Mirco tinha envernizado pro banheiro da FeRnanda, ela gritou da varanda estratégica, sua gávea particular: Tão se mudando, é? Quando voltamos do Rio, cheios de malas, ela gritou: Siete stati laggiù? (Laggiù, literamente “lá embaixo”, se refere a qualquer lugar desconhecido e longe, leia-se depois de Perugia, em qualquer direção. Nesse caso obviamente ela estava falando do país tropical do qual eu venho, e que ela não sabe direito qual é porque não sabe nem em que galáxia vive.). Eu respondi que sim. No dia seguinte ela perguntou a mesma coisa pro Mirco outra vez, e ele respondeu que não. Minha resposta a muitas das coisas que ela me pergunta é um simples não e um sorriso que desencoraja outras perguntas. Imagino a pele da Foca começando a coçar, a ficar vermelha, placas alérgicas de curiosidade se formando. Hohoho.

Particularmente não acho que ser fofoqueira é o maior defeito do mundo. Há coisas piores, muito piores. Na verdade há MUITAS coisas piores. Mas que tem horas que irrita, ah, tem.

ele de novo

Falando em ler, semana passada terminei Great Expectations, que recomendo com fervor. Comecei os contos de Lampedusa, mas não consigo ler mais que meia página sem ter que levantar pra fazer alguma coisa importante ou sem cair no sono (não porque é chato, mas porque estou exausta mesmo). Estou gostando, mas ainda não identifiquei nenhum trecho particularmente brilhante pra compartilhar. Só que fiquei com vontade de reler Il Gattopardo, que eu li em Português há muito tempo. Lembro de ter absolutamente adorado, e imagino que vá adorar ainda mais, lendo em língua original e entendendo um pouco mais da realidade do livro, já que hoje sei mais sobre a Sicília e a história da Itália do que quando o li pela primeira vez. Vou ter que comprar, porque não tenho.

Também fiquei com vontade de ler outras coisas do Roald Dhal. Como meus alunos Três Mosqueteiros são muito legais (todos os três usam agendas Moleskine, aaaaah!) e têm um gosto literário bem parecido com o meu, decidi ler com eles um conto do Roald Dhal em aula hoje. Escolhi The Way Up To Heaven, que eu amo. Compartilho: (não é uma delícia a cafonice dessa palavra, “compartilhar”?)

“All her life Mrs Foster had had an almost pathological fear of missing a train, a plane, a boat, or even a theatre curtain. In other respects, she was not a particularly nervous woman, but the mere thought of being late on occasions like these would throw her into such a state of nerves that she would begin to twitch. It was nothing much: just a tiny vellicating muscle in the corner of the left eye, like a secret wink, but the annoying thing was that it refused to disappear until an hour or so after the train or plane or whatever it was had been safely caught.

It was really extraordinary how in certain people a simple apprehension about a thing like catching a train can grow into a serious obsession. At least half an hour before it was time to leave the house for the station, Mrs Foster would step out of the elevator all ready to go, with hat and coat and gloves, and then, being quite unable to sit down, she would flutter and fidget about from room to room until her husband, who must have been well aware of her state, finally emerged from his privacy and suggested in a cool dry voice that perhaps they had better get going now, had they not?

Mr Foster may possibly have had a right to be irritated by this foolishness of his wife’s, but he could have had no excuse for increasing her misery by keeping her waiting unnecessarily. Mind you, it is by no means certain that this is what he did, yet whenever they were to go somewhere, his timing was so accurate just a minute or two late, you understand and his manner so bland that it was hard to believe he wasn’t purposely inflicting a nasty private little torture of his own on the unhappy lady.”

The Way Up To Heaven, by Roald Dahl

Façam um favor a vocês mesmos e vão comprar um livro de contos (o meu é Completely Unexpected Tales) dele ou vão catar o conto na internet. Não vou dar o final do conto aqui pra não estragar a surpresa. Vale a pena.