…ter neném e já volto.
Arquivo de janeiro de 2009
fui ali…
terça-feira, 27 de janeiro de 2009au, au, au, o obama é animal
quarta-feira, 21 de janeiro de 2009Eu não tinha prestado muita atenção ao discurso do ômi porque tava trabalhando e vendo TV ao mesmo tempo, e além do mais o intérprete da TV italiana não era lá grandes coisas. Acabei perdendo esse trechinho aqui, ó, do discurso morno do Obamão:
“We are a nation of Christians and Muslims, Jews and Hindus and non-believers”.
Procurem em 12.30, aqui.
Agradeço à Barbara por ter me dado o toque :)
primeiras impressões sobre a posse do obama
terça-feira, 20 de janeiro de 2009- gostei da roupa d Michelle, mas alguém tem que ensinar essas americanas a caminhar com graça, pelamordefrodo;
- esse negócio de jurar com a mão na bíblia e do discurso religioso é broxante PACAS, me dá uma tristeza danada e devora parte extraordinariedade (se não existe, estou inventando a palavra agora) do evento;
- quem entendeu o que era aquele murundu na cabeça da Aretha Franklin por favor me explique;
- “so help me god” my ass;
- achei o discurso bem fraquinho.
update do update
terça-feira, 20 de janeiro de 2009Aí um deputado católico entope Roma de cartazes dizendo “deus existe e até os ateus sabem disso”. Segundo o que eu andei lendo, alguns cartazes foram inclusive pendurados em locais onde é proibido fazê-lo. Não precisa nem dizer que ninguém se mexeu pra contestar a coisa, apesar da mensagem deles ser muito ofensiva – quem são eles pra dizer o que eu penso ou deixo de pensar? Câncer de pâncreas e hemorróidas pra todos.
Se você mora aqui na Bota, faça um favor a você mesmo e vá ao No-Vat (leia-se Não ao Vaticano) dia 14 de fevereiro. Não posso ir por motivos, hm, logistico-biológicos, mas se você pode ir, vá. Vá.
update sobre a publicidade nos ônibus de gênova
sábado, 17 de janeiro de 2009Alguém tinha alguma dúvida de que a mensagem “a má notícia é que deus não existe, a boa é que você não precisa dele” não teria autorização pra ser estampada nos ônibus de Gênova? (vide post anterior)
A UAAR não escolheu Gênova por acaso: é a cidade do Monsenhor Bagnasco, um grandíssimo filho da puta com as idéias mais retrógradas que eu já vi na vida e que volta e meia solta uma asneira conservadora idiota. O cara é tão chato que já foi vítima de ameaças, não se sabe de quem, mas que infelizmente jamais se concretizaram (perdoem-me a vontade de ver uma carnificina rolando, mas é que o conservadorismo fossilizante desse país ME DÁ NOS NERVOS).
Pois bem: a empresa que produz aqueles adesivos que cobrem os ônibus de publicidade decidiu não aceitar o pedido da UAAR e não prosseguir com a propaganda. A desculpa oficial é a de que esse tipo de mensagem é ofensivo pra quem é religioso, o que vai contra a lei. Leia-se “nós também, como todo mundo, nos cagamos de medo da igreja, comemos na mão deles, se fizéssemos a propaganda iam dar um jeito pra que a gente perdesse todos os clientes e iríamos à falência, pra não falar da desmoralização que sofriríamos (provavelmente nossos amigos deixariam de falar conosco e tal), então achamos melhor dar essa desculpa da lei número tal e tal, foi mal aí”.
O problema é que A PORRA DA IGREJA CATÓLICA DE MERDA NOS BOMBARDEIA NOITE E DIA COM PROPAGANDA EM TUDO O QUE É LUGAR, pedindo dinheiro (há uma taxa obrigatória, o otto per mille, ou 8/1000, que vai necessariamente pra igreja ou pro governo, você escolhe. Quando chega a época de fazer essa escolha somos massacrados por propagandas idiotas da igreja na TV, que eu duvido que sejam pagas, por sinal) e enchendo o saco. O problema é que aquela mala do papa TODA HORA aparece na TV e na mídia em geral, como se o que ele diz tivesse alguma importância concreta pra todo mundo que não é católico. O problema é que, sendo outro grandíssimo filho da puta, ele diz, sim, coisas ofensivas que vão inevitavelmente parar na mídia – como aquele dia infeliz em que, botando sua carinha de Palpatine na sua janela costumeira, soltou, o tato em pessoa, aquela pérola sobre o catolicismo ser a única religião verdadeira. Vá tomar no cu. O problema é que a igreja faz campanhas deslavadas contra a fecundação artificial, forçando casais estéreis a viajar pra outros países europeus pra poder ter filhos. O problema é que a igreja faz campanhas deslavadas contra a pesquisa com células-tronco, contribuindo pra atrasar o que pode ser um gigantesco avanço da medicina. O problema é que a igreja faz campanha deslavada contra a eutanásia, até hoje ilegal na Itália, forçando pobres coitados a vegetar por décadas mesmo contra a sua própria vontade expressa por escrito e mandando pra cadeia pais que, não agüentando mais ver o filho naquele estado, acabam cedendo ao bom senso e desligando os aparelhos. O problema é que a igreja declara abertamente que não dá o mesmo valor a casais casados só no civil e àqueles casados no religioso. O problema é que a igreja praticamente força todo mundo a se casar mesmo não querendo, visto que um casal que viva junto há cinqüenta anos e tenha doze filhos sem nunca ter se casado não é visto como núcleo familiar perante a lei; se um dos dois entrar em coma, por exemplo, é possível impedir que o outro tome decisões médicas por não ser considerado membro da família. O último governo de esquerda tentou mudar essa lei medieval, mas é lógico que não conseguiu. O problema é que, embora este seja oficialmente um país laico, hospitais, repartições públicas e escolas de norte a sul têm sempre um maldito crucifixo nas paredes. Pra ficar no meu microcosmos, aqui no prédio todo ano montam uma merda de um presépio gigante com direito a luzinha e agüinha, cuja conta é dividida igualmente por todos. Não precisa nem dizer que nós não fomos consultados – simplesmente ligam a merda do presépio na tomada e they take for granted que eu acho superlegal e estou superdisposta a dividir a conta de luz, por menor que seja.
Tudo isso pra mim, que não sou católica e nunca fui (uhuuu), é EXTREMAMENTE OFENSIVO. Eu também pago impostos, aliás provavelmente mais do que a maioria dos italianos – católicos, praticamente todos – que são mestres em sonegar. Eu também respeito as leis – com certeza mais do que a maioria dos italianos, incivis por natureza. Eu também vivo aqui. Eu também produzo riqueza pro país. Por que o comportamento claramente ofensivo desses filhos da puta contra nós, não-católicos, não é considerado tal? Por que é que, vivendo em um país oficialmente laico, eu tenho que aturar as conseqüências diretas e indiretas sobre a minha vida do que esses grandíssimos filhos da puta decidem?
É por essas e outras que o Mirco se desbatizou mês passado. Foi oficialmente excomungado. Só não mandamos emoldurar e penduramos na parede porque o cretino do padre escreveu bem quatro páginas cheias de baboseiras em vez de mandar uma folha só dizendo “fulano de tal é, a partir de hoje e a seu próprio pedido, considerado não membro da Igreja Católica Apostólica Romana, com as seguintes conseqüências: não pode ser patrinho de batizado [viva!], não pode ser padrinho de casamento [eba!], não pode receber os últimos sacramentos [uhuuu!], não pode ser enterrado em cemitério católico [yay!], já que foi oficialmente excomungado [atualmente uma das palavras mais lindas de qualquer dicionário, no meu entender]“. Inveja cor-de-rosa de um membro de um grupo do Facebook que tinha sido batizado no Vaticano e por isso tem um certificado de desbatismo cheio de mumunhas, com brasão e “VATICANO” escrito em letras garrafais no alto. Chiquérrimo.
Grandíssimos filhos da puta. Câncer de pâncreas com dores excruciantes pra todos eles.
**
O lado positivo da coisa é que está-se falando muito mais sobre o assunto do que teria acontecido se os ônibus tivessem saído com a propaganda. A esperança é que esse absurdo tome proporções tão avassaladoras que seja possível realmente mudar alguma coisa, limitar oficialmente o poder da igreja, fazer com que passem a pagar impostos como todo mundo, a não meter o bedelho no coma vegetativo dos outros, essas coisas. Dedinhos cruzados, faz favor.
uhuuu
terça-feira, 13 de janeiro de 2009Eu tinha lido a notícia no site da UAAR (Unione Atei e Agnostici Razionalisti) e num grupo deles no Facebook, mas não tinha visto nenhuma foto. A Daíza me antecipou.
A reação da igreja pouco me interessa, até porque já sabemos qual vai ser. O que eu quero ver é o que vai ser feito depois que os papa-hóstia reclamarem. Se o ônibus for de alguma maneira forçado a sumir de circulação eu vou botar uma faixa “Benedetto XVI vaffanculo, stronzo froscio di merda” pendurada na minha janela.
ainda pérolas
sábado, 10 de janeiro de 2009O post de ontem me lembrou de uma coisa que eu fiz enquanto eu tava aí no Rio, em setembro. O texto era tão absurdo que eu fui correndo pra cozinha com o laptop na mão pra ler em voz alta pra minha mãe e meu irmão e ver o que eles achavam, mas eu tive um ataque de riso e não consegui terminar de ler o parágrafo. O melhor foi minha mãe botando os oclinhos de presbíope e meu irmão franzindo a testa tentando achar pé e cabeça no que estava escrito. Prestem atenção:
Design, um grande confronto
No campo do design, temos a interessante mostra Nananananana, que propõe um momento de explicitação deste novo saber fazer tão difuso no sentimento das novas gerações de criativos, para favorecer a experimentação não somente na forma lingüística (a reutilização pela reutilização), mas no âmbito do que se tenta dizer através da mutação aberta dos objetos de uso. Neste terreno se encontrarão seis dos mais significativos exponentes do novo design italiano, que aceitaram acessar sua memória pessoal, coletiva e antropológica para desenterrar bolsões de luz visionária aprisionada no passado, obscurecido pelos objetos: Fulano, Beltrano, Huguinho, Zezinho, Luizinho, Terecoteco. Projeto Tal são [respeitei a concordância do texto original] repertórios materiais e formais retirados da tradição imóvel ou do mundo suspenso dos antiquários, subtraídos da casa de uma velha tia ou seqüestrados da magia de fábula de tudo o que é velho, aos quais o design propõe um futuro alternativo com relação àquele que tiveram, e que corresponde ao nosso presente, no qual o velho é algo de escondido e apagado. É exatamente esta remoção obsessiva de massa que criou acúmulos de formas abandonadas nas quais hoje se adensa um sentido que é novo, antigo e moderno ao mesmo tempo.
Juro que levei SÉCULOS pra traduzir isso do italiano. Li, reli, trili, e nada. Como dar sentido a uma coisa que sentido não tem? Nonsense por nonsense, acabou saindo uma coisa praticamente literal. Levanta o dedo quem já leu coisa mais idiota (Paulo Coelho não vale).
pérolas
sexta-feira, 9 de janeiro de 2009Estou traduzindo uma coisa de italiano pra inglês. O arquivo se chama “texto emocional”, o que já dá uma vaga idéia do que está por vir. Não sei quem é o cliente; quem me passou o trabalho foi a agência e a menina esqueceu de dizer quem é. São duas páginas de um texto que provavelmente vai pra um panfleto ou catálogo, mas eu não tenho a MENOR idéia do que se trate – que produto ou serviço? Do que raios eles estão falando? Aceito sugestões.
Bares clandestinos, whisky, proibicionismo, ferro, aço, Segunda Revolução Industrial: BlahBlahBlah é o símbolo de uma era, bem delineado por uma ponte que conecta dois mundos diferentes, dois séculos diferentes. O efeito BlahBlahBlah aprisiona eternamente cores, sons, matérias, recriando a atmosfera proibida de um tempo e de um espaço legendários.
Não basta?
Suntuosa, caótica, sensual, o coração pulsante do Terceiro Milênio: BlehBlehBleh é uma ponte entre leste e oeste, um conjunto convulsivo de ouro, prata, prosperidade, miséria, poeira. O efeito BlehBlehBleh traduz esta multiplicidade expressando fascinação, caos, riqueza, matéria, miséria e esplendor.
Ainda:
Melancólica, sofredora, dinâmica, brilhante, moderna, veloz: a cidade símbolo do século XX é uma metrópolis arranhada pela história, mas voltada para o futuro. O efeito BlihBlihBlih ilumina o espaço, fazendo-nos lembrar do peso da matéria; mistura alegria e dor, terra e metal, passado e futuro.
Vamos combinar, nem Homero era capaz de tanta poesia.
pra rir
quinta-feira, 8 de janeiro de 2009ilumine-se
quarta-feira, 7 de janeiro de 2009Ainda é cedo pra me programar, mas pretendo ir.