Arquivo de maio de 2008

não bom

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Fim de semana passado, andando pela calçada até o restaurante chinês de Ponte San Giovanni, vimos que vários dos carros estacionados (na calçada, porque a cidade tem uma falta de vaga crônica) tinham um folhetinho no pára-brisa. Normalmente é publicidade de loja de sapato ou lavanderia, mas dessa vez o título chamou a nossa atenção: “NÃO À SOCIEDADE MULTI-RACIAL”. Roubamos um e levamos pra dentro pra ler enquanto o nosso arroz cantonês e o frango com amêndoas não chegavam.

O conteúdo do folheto é de arrepiar. Vou traduzir pra vocês, incluindo erros de gramática e pontuação:

“Os italianos não querem a sociedade multi-racial, esta é no entanto desejada e nos é imposta pela alta finança internacional, pelas multinacionais, por lobbies político-religiosos cosmopolitas. Nós nos fazemos uma pergunta que para muitas pessoas é desconfortável: a sociedade multi-racial é uma coisa boa ou ruim para o povo italiano? Na nossa opinião é uma coisa ruim.

350.000 de ciganos

Estão atualmente despejando-se na Itália para infestar acampamentos e favelas. Vivem com os resultados de atividades criminais: rapinas, furtos, receptação de objetos roubados, comércio e exploração de crianças-escravas: esta é a “Gomorra” que nenhum Saviano [o autor de Gomorra] jamais contará a vocês.

A turbulenta etnia rom [os ciganos] se une, assim, às massas dos invasores africanos e asiáticos que tentam substituir a nossa [etnia] na nossa Terra.

É um lugar-comum muito enganador pensar que “um imigrante que trabalha é preferível a um imigrante que não trabalha”: a verdade é que o povo italiano está sendo ameaçado na sua própria sobrevivência, na sua integridade, na sua identidade.

É PRECISO PARÁ-LOS

. Eliminar os fluxos migratórios dos comunitários [quem pertence à Comunidade Européia é chamado de comunitário, quem não pertente é extra-comunitário] rom através da suspensão imedata do tratado de Schengen.

. Fechamento das fronteiras.

. Expulsão de todos os rom – os prefeitos devem decidir o afastamento dos rom (com esvaziamento e tratamento dos acampamentos nômades) e de todos os cidadãos extra-comunitários que tenham sido sinalizados às autoridades de polícia ou que possam ser perigosos para a segurança dos cidadãos.

. Expulsão de todos os romenos que tenham violado a lei italiana.

. Repatriar todos os extra-comunitários presentes hoje no território nacional, incluindo os de segunda ou terceira geração. [NO COMMEEEEEEEEEEEEEENTS]

. Afirmação do direito dos cidadãos italianos à auto-defesa.

. Proibição absoluta de vender bens imobiliários das cidades históricas a imigrantes extraeuropeus.

. Dar preferência aos italianos nas listas de espera de creches e casas populares [tipo BDNES].

VAMOS PARAR A INVASÃO!”

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Não vou comentar a cretinice do ponto sobre expulsar imigrantes de segunda e terceira geração, porque tenho mais o que fazer. Também não vou comentar que os ciganos são mesmo uma farpa gigante no dedo da Europa, ninguém gosta deles, ninguém sabe o que fazer com eles, todo mundo preferiria que eles não existissem, mas é um problema que até agora não tem solução.

O problema, senhores, é que essa gente vê os imigrantes como uma massa de invasores que querem substituir os italianos. O problema é esse “não à sociedade multi-racial”. Dali pra linchamentos de gente “diferente” é um pulo. O representante da comunidade judaica de Roma comentou: “Com a gente começou assim”.

E já está acontecendo. Travestis, ciganos e africanos já foram vítimas de violência em algumas cidades do norte. Os agressores se sentem protegidos porque o novo governo baseou toda a sua campanha eleitoral no lance da segurança pública, que pros extremistas de direita é ameaçada por imigrantes. Da máfia ninguém fala, dos italianos que se drogam e alimentam o mercado de entorpecentes ninguém fala. Vamos mandar embora os imigrantes! Outro dia li em um jornal que uma médica estrangeira residente em Parma, casada com um italiano e aparentemente bem integrada, se despediu de um paciente dizendo a ele pra tomar cuidado com a saúde. Ao que o paciente respondeu: de agora em diante, doutora, é a senhora que vai ter que tomar cuidado com a sua.

Essa semana foi aprovada a lei que transforma a imigração clandestina em crime. Ou seja, se você for pego sem documentos não é mais simplesmente repatriado, é PRESO. Mas tem um porém: essa lei não se aplica a babás e empregadas domésticas. Por que será, né…

Essas últimas eleições foram o pior acontecimento da história recente desse país, acreditem. A coisa ainda vai feder muito mais. Aguardem e confiem.

gomorra, il film

domingo, 18 de maio de 2008

Já falei aqui do livro Gomorra, de Salviano, que foi ameaçado de morte pela Camorra e anda escoltado etc e tal. Falei que o livro é MUITO maneiro e chocante.

O filme é qualquer coisa.

Primeiro que me deu vontade de rir porque o bairro de Scampia, o mais violento e drogado e pobre de Nápoles, é como uma favelona. A única diferença entre a Vela (um complexo de apartamentos GIGANTESCO e HEDIONDO, uma espécie de Cruzada aumentada, sacam) e uma favela é que os moradores são brancos. De resto, darlings, é tudo igual. Mulher mal vestida, homem com corrente de ouro no pescoço e pulseira de bicheiro nos braços, criança correndo despenteada, lixo na rua, restos de material de construção abandonados nos cantos, cachorros sarnentos passeando livres, roupas penduradas nos varais do lado de fora, vazamentos em tudo o que é lugar, carros abandonados em terrenos baldios, crianças tomando banho em piscinas Tony, gente que não faz ABSOLUTAMENTE NADA o dia inteiro, e principalmente homens armados que ficam de lá pra cá em cima das lajes pra dar o sinal quando a polícia se aproxima.

Segundo que me deu vontade de chorar porque gente que se droga me dá vontade de chorar. De ódio. Porque se tem uma coisa que eu detesto é estupidez, vocês sabem, e poucas coisas são mais idiotas nesse mundo do que se drogar/fumar/perder dinheiro em jogos de azar (e viva a rima).

E por último, Nápoles é mesmo uma irmã gêmea do Rio. Vamos combinar que a beleza do Rio é de sentar e chorar e não tem comparação com nada desse mundo, mas Nápoles também é muito bonita. Ver a degradação em que se encontra é um soco no estômago pra quem vem de uma cidade tão sofrida e injustiçada e fodida quanto o Rio de Janeiro, completamente entregue, como Nápoles, ao crime organizado, que fatura em cima de cretinos que não têm nada melhor pra fazer da vida do que entupir os narizes de coca.

O filme é esquisito, mas de um livro que não é um romance não podia mesmo sair um filme convencional; os personagens são muitos mas pouco desenvolvidos e você não cria a mínima empatia; os subplots são numerosos e nem sempre relacionados entre si; o ritmo é meio lento. Mas o filme é bárbaro e vale super a pena ver.

P.S.: O filme é todo em dialeto napoletano, e conseqüentemente legendado em italiano. Não, não se entende absolutamente nenhuma palavra. Nenhuminha.

as flores não morrem

quinta-feira, 15 de maio de 2008

As abelhas estão sumindo no mundo inteiro e blah blah blah, mas parece que aqui em Bastia elas ainda estão na ativa. Pelo menos na minha varanda. Gostam de uma planta suculenta em particular, uma que cresce toda torta pra um lado, a ponto de eu ter que apoiar o vaso numa parede pra ela não tombar com o peso. O que raios se passa na cabeça da bichinha, meudeus, não tá vendo que não tem sentido crescer pra um lado só! Sim, tentei virar o vaso, tentei botar um pauzinho e amarrar os ramos tortos, mas a bicha é danada e até agora resistiu a todas as minhas tentativas de endireitamento. Deixei pra lá.

Mas eu tava dizendo é que as abelhas adoram as miniflores dessa tal planta, que não sei nem como se chama. Hoje fui à varanda pra podar os cravos e esses também tavam completamente abelhosos. Melhor podar à tardinha, quando as abelhas vão mimir.

Aliás, eu já enalteci meus cravos aqui pelo menos uma vez, e vou fazê-lo de novo porque eles merecem: ô planta guerreira, rapaz! O tempo anda uma bosta desde o início do mês, chuva, nublado, sol e vento se alternando durante o dia, uma coisa meio britânica, sabe, cada aguaceiro bizarro, depois um solzinho esquisito, depois um mormaço bunda, depois um chuvisco que nem molha, depois um vento que leva embora até os teus pensamentos. As outras plantas andam meio estressadas com essa maluquice meteorológica, pelo que eu percebi, principalmente as azaléas que meus colegas de turma trouxeram quando vieram jantar aqui no mês passado. Já adubei todo mundo e acho que agora elas vão dar uma acalmada. Mas os cravos, vou te dizer… Não tem santo que lhes dê mau humor! Dão flor o ano todo, não sujam a varanda porque nem flores nem folhas caem, mal precisam de adubo… Minha dica pessoal é podar, podar, podar. Nada de peninha: o ramo começou a ficar feio, corta sem dó! Se não cortar logo vai acontecer o que acontece comigo, que sou uma monga sentimentalóide: o ramo vai ficando feio e seco mas dá flor mesmo assim, e depois que dá flor você não tem mais coragem de cortar, e fica aquele murundu de ramos compridos com cara de secos, folhas amareladas horrorosas e as flores lindinhas na ponta. Como narizes na ponta de verrugas, digamos assim.

Outra coisa importante é adicionar mais terra de vez em quando, porque as raízes dos cravos são power e ocupam tipo todo o espaço do mundo. Externamente a planta não te dá nenhuma indicação de que está sofrendo por falta de terra, mas se você tirar a bicha do vaso vai ver que não tem mais um grãozinho de terra dentro, é tudo uma massa sólida de raiz. Muito bizzarro.

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Enquanto isso, mudei meu cactus mais velho de vaso. É um cactus com folhas cactosas, e não tipo bolinha, e sempre foi o primeiro a florescer, de todas as plantas da varanda. De uma hora pra outra as folhas foram ficando amareladas, murchas e horrorosas. Não joguei fora porque não tenho coragem; minhas plantas são como bichos de estimação pra mim. Mas não sabia o que fazer. Mudei o vaso de lugar, botei pra dentro de casa, botei pra fora, botei na chuva, botei no seco, botei no sol, botei na sombra, dei adubo pra planta suculenta e nada. Resolvi mudar o bichinho de vaso quando vi o esforço hercúleo que ele tava fazendo pra fazer uma florzinha. Um botãozinho rosa-magenta na ponta de uma folha sã, na extremidade de duas folhas murchas (digamos que esse tipo de cactus é tipo uma solitária, saca, sim, o verme, com vários componentes que formam uma espécie de corrente comprida. Quando digo “folha” estou me referindo a um desses componentes). Fiquei com peninha, passei-o pra um vaso um pouco maior, com terra nova e adubada, cortei fora as folhas murchas e agora estou na espera. Vamos ver se o coitado se recupera.

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A planta da IKEA (ela tem nome, mas eu não lembro qual é; chamamos de planta da IKEA porque roubamos uma folhinha na primeira vez que fomos lá, há muuuitos anos, a Arianna plantou, cresceu, me deu duas folhinhas, plantei e cresceram) me deu um susto danado nesse inverno. Eu tava sentada na minha poltroninha lendo um livrinho quando olho pra fora e vejo uma coisa marrom toda caída. Era a minha planta da IKEA! Quase tive um treco. Achei que fosse culpa minha, porque tinha passado as plantas do hall do elevador lá pra fora cedo demais, visto que ainda estava meio frio, e fiquei me martirizando. Matei a planta da IKEA! O mais estranho era o cheiro que ela emanava. Nunca tinha visto um negócio assim. Normalmente minhas plantas simplesmente morrem, não ficam moribundas e com um cheiro estranho. Mudei a coitada de lugar, cortei os ramos murchos e fedorentos – que por sinal eram muitos, porque até dois dias antes a planta estava um ESPETÁCULO de linda e folhuda e cheia de amor pra dar – e depois de ter podado tudo o que podia vi que tinha vários brotinhos saindo do tronco e dos ramos maiores, e alguns raminhos novos já todos verdinhos e frescos. Agora ela já tá melhor, já começa a encher de novo, mas continuo sem saber o que houve. Ou fungo ou vírus, imagino, mas não sei por que as outras plantas vizinhas não pegaram nada. Vai entender.

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Ah, e lembrem-me de botar a foto da Planta Azul aqui. Tô com preguiça de ir lá fotografar, mas quero que vocês vejam o antes (quando eu a comprei, há exatamente dois anos) e o depois. Primeiro porque a planta (outra suculenta) parece que veio de outro planeta de tão esquisita, e segundo porque ela cresceu moooito. Parece que esse ano não vai dar flores, mas no ano passado deu – são rosa fosforescente (tô falando que é meio alienígena) – e eu fotografei. É só questão de catar e subir. Quando eu tiver com saco.

hihihi

terça-feira, 13 de maio de 2008

Ontem foi um dia especial. Fomos convocados ao tribunal de Perugia pra falar mal da nossa ex-chefe.

O lance é que o Careca, que hoje tem sua própria agência de tradução e que é meu maior cliente, está processando o Dragão Laranja por mobbing, que é uma coisa meio complicada de provar. Não nesse caso, visto que só eu vi, em um ano e meio, PELO MENOS 20 pessoas se demitirem por causa de um ambiente de trabalho absolutamente impraticável. Então quando me ligaram pra perguntar se eu estava disposta a ir lá pra descrever como era trabalhar naquele manicômio, minha resposta foi “só se for agora”.

Encontrei o pessoal na esquina da Via Settevalli com a rua onde fica a agência. Dois carros cheios de gente; praticamente um comboio. Todo mundo usando ou vestindo alguma coisa roxa, que é a cor que o Dragão Laranja mais odeia. Éramos dez. DEZ. Dez pessoas usando roxo, contentes e risonhas, doidas pra falar mal da ex-chefa.

Vislumbramos o Dragão e seu fiel escudeiro, o Salame-mor (o amante que ela botou pra trabalhar na agência, mesmo ele sendo engenheiro e retardado, e conseqüentemente não entendendo nada de coisa nenhuma, muito menos de tradução ou administração de empresas), em frente à saída das escadas rolantes por onde chegamos ao centro. (Sim, Perugia é uma cidade estranha, um dia eu explico de novo). Passou, viu aquela muvuca toda e nos deu um olhar congelante, nem cumprimentou. Todos demos nosso melhor sorriso falso.

Enquanto o Careca subia ao fórum pra saber se a gente ia mesmo ser chamada pra falar, ficamos na calçada trocando figurinhas. Acabou que a convocação não era pra hoje, porque não era uma audiência, mas não importa. Subimos assim mesmo e fomos catar a sala onde tava rolando a conversa entre o juiz, os advogados e ambas as partes. A porta estava aberta, o Salame-mor estava sentado numa cadeira antiga exatamente em frente à porta, e nós distribuídos nos sofás estranhos e cadeiras desconfortáveis no corredor. Ficamos quietinho ouvindo tudo o que os advogados disseram, fizemos gestos de uhuuuuu e de vaffanculo, dependendo de quem estava falando, fizemos dancinhas de comemoração, reviramos os olhinhos, foi lindo.

O mais legal foi quando o advogado dela saiu da sala e deu de cara com aquela multidão roxa. Virou-se pro Dragão e perguntou, mas todas essas pessoas estão putas da vida com você? Hohohoho. Essa louca é muito subestimada; quando a gente conta as nossas histórias do manicômio ninguém acredita, e só começa a ver que é tudo verdade, e que é muito pior do que o seu pior pesadelo, quanto nos juntamos e compartilhamos causos. A ficha deve ter caído na cabecinha do advogado dela só naquela hora. Também deve ter entendido, naquele momento de click, que não tem como o Careca perder a causa. Não com tantas, tantas testemunhas. E isso porque várias pessoas não foram, algumas porque não moram mais na Itália.

Segunda que vem vamos nos encontrar com o advogado do Careca lá na agência pra contar mais detalhes sórdidos e ver qual a probabilidade de ganhar uma causa coletiva contra ela. Porque todos nós saímos de lá estressados, psicologicamente destruídos e fisicamente doentes – alguns com dor de cabeça crônica, alguns com enxaqueca recorrente (eu), outros com psoríase (eu), outros com distúrbios do sono, outros com fadiga crônica, outros com gastrite. Não faço questão de ser indenizada por nada. Quero só vê-la fodida. Muito. Chafurdando na lama, sangüinolenta, cagada, fodida e mal paga. Principalmente mal paga.

ironman

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Ontem à noite fomos ao cinema em Foligno com Gianni, Chiara, Daniele e Une. Fui eu que pilhei todo mundo, porque eles não são chegados nesses filmes de quadrinhos – nunca leram quadrinhos e não conhecem nenhum personagem. Aliás, nunca lêem nada e não conhecem nada, mas vamos esquecer esse pequeno detalhe.

Eu gosto do Robert D. Jr, apesar dele sempre fazer papel dele mesmo. Normalmente acho a Gwyneth Paltrow uma chata de galocha, capa e guarda-chuva, e não é só por ter esse nome imperdoável, mas gostei dela nesse filme. O único porém dela é o penteado na cena da festa; vai ser perucona assim na casa do chapéu! Mas fora esse pequeno detalhe, adorei tudo, e felizmente todo mundo gostou do filme também. O roteiro é bom, os efeitos são fodaaaaaaaaaa, a trilha sonora é FODAAAAAAAAAAAAAAAAAA, é tudo foda. Adorei. Saí do cinema toda contente e pimpã, morrendo de saudade do tempo em que eu lia quadrinhos. E doida pra ver a continuação. Porque não teve beijo, né, mas ficou aquela coisa no ar, rolou aquela revelação final e tal, blah blah pororó pim-pim, vai ter Ironman 2 e eu quero ver.

Ainda pipocando, recebi um maldito email da Amazon com DVDs em oferta, e lá fui eu dar uma olhada. Acabei comprando um monte de coisas, tudo a menos de 4 libras, uma delícia. Ficou faltando só a trilogia do Poderoso Chefão, que tá em falta e ficou na lista de espera. Resisti bravamente a isso aqui, não sei como.

branco di bastardi che non siete altro

sábado, 10 de maio de 2008

Querem saber? A-do-ro o Zapatero.

linguaggi della devianza

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Cês lembram daquela matéria maneira sobre a comunicação no mundo do crime, né. Perdi a aula da semana em que eu estava no Canadá mas a minha mais nova colega, a argelina Karima, do primeiro ano, gravou pra mim. Ainda não ouvi mas a de quarta passada foi ótima, pra variar.

A prof falou das atividades tradicionais da máfia italiana e as “novas tendências de mercado”, em particular roubo de obras de arte. É a atividade mais lucrativa pra máfia, porque obras de arte se valorizam com o tempo. Se for o caso de achado arqueológico contrabandeado, não custa muito e se valoriza PRA CACETE. Além disso são relativamente fáceis de esconder – uma página de um livro antigo ou uma tela pequena cabe num fundo falso de uma mala, uma jóia você bota no bolso ou veste, etc – e é praticamente impossível provar que um objeto antigo é de fulano e não de beltrano. Como as casas de leilões e os museus também não fazem perguntas sobre a proveniência dos objetos, até porque senão não teriam nada nos acervos, a coisa é de uma facilidade impressionante. Lembro que na mostra sobre o Peru que vimos em Ottawa um dos painéis dizia que o segundo produto de exportação do Peru, depois das drogas, são relíquias arqueológicas contrabandeadas. E quando a prof falou que um receptador famoso aqui da zona comprava vasos etruscos inteiros, quebrava-os e vendia-os pouco a pouco, aumentando o preço a cada peça “nova”, me deu um aperto no coração. Comé que alguém tem coragem de quebrar um vaso etrusco, meudeus. Que mundo é esse.

Outras novas atividades mafiosas incluem contrabando de seres humanos (os estrangeiros que pagam pra serem transportados até a Sicília de barco e entrarem no país clandestinamente), tráfico de órgãos, que aparentemente vem crescendo muito, as tais obras de arte, obtenção de licitações com fundos da Comunidade Européia, venda de medicamentos falsos/adulterados, entre outras coisas.

A segunda parte da aula foi sobre serial killers. Eu desconfio que ela só botou isso no programa pra chamar a atenção da galera, porque foi uma coisa meio superficial, mas eu achei interessantíssimo assim mesmo. Se bem que pra mim basta não ter nenhum número nem fórmula matemática que eu acho o cúmulo do interessante…

primo maggio

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Todo ano é a mesma coisa e todo ano eu me repito. Primeiro de maio aqui é coisa séria, e os empregadores pagam o almoço pros funcionários. Ano passado comemos no Giovanni, lá na casa do cacete, mas esse ano resolvemos ficar em S. Maria mesmo. O evento foi na Trattoria da Elide, de um amigo do Mirco, que também é um hotel e é pra onde eu mando todo mundo que vem passear por essas bandas. O hotel é uma gracinha e a comida do restaurante é ótima.

Menu:
- antipasto della casa, com presunto, capocollo, salame, omelete de alcachofra, folheado de lingüiça, champignon em conserva, crostini (pão torrado com pastinhas em cima: patê de fígado de galinha, creme de cogumelos, maionese de legumes).
- risoto de cogumelos porcini e aspargos
- pappardelle (aquele talharim extralargo que eu AMO) com molho de javali
- enrolado de filé de porco no forno com massa folhada em volta e batatas assadas com alecrim
- tiramisù bom pra burro, parecia feito pela Arianna.

Do antipasto não comi quase nada porque se é pra engordar prefiro que seja com macarrão. O resto tava todo ótimo. Acabamos de comer às quatro da tarde e voltamos pra casa correndo porque eu tinha um trabalho pra entregar e o Mirco, que trabalhou a manhã toda, queria dormir. O Gianni ligou convidando pra jantar na casa deles, e lá fomos nós. Não consegui comer nada, ainda empanturrada do maldito almoço; acabei só provando uma garfada do risoto de cogumelo e experimentei um Gran Soleil de baunilha, versão beta que a irmã do Gianni mandou pelo correio pra ele testar.

Ficamos vendo Anno Zero, um programa de debate em que ficam-se sabendo coisas horripilantes sobre a administração desse país, e quando acabou aquela depressão toda voltamos pra casa, morrendo de sono.

Cheguei com o, digamos, sistema digestório fazendo uma revolução na minha barriga. A gente se desacostuma a comer feito um pedreiro, e aí quando tem recaída passa a noite plantada no vaso feito uma rosa. Saco.