Arquivo de novembro de 2007

domingo, 25 de novembro de 2007

Céus, como eu adoro o Serjão : )

(o encontro na locadora é ótimo)

emergency

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Ontem em vez da aula de Diritto Internazionale tivemos uma palestra com o Emergency. Falaram em muitos, de repórteres a cirurgiões cardíacos, passando por estudiosos de comunicação e de direito internacional. Fechou a palestra uma enfermeira vesga, alta e magra, que trabalhou nos três hospitais do Emergency no Afeganistão. Mostrou fotos, falou MUITO bem, sucinta, sem nove-horas, e, melhor de tudo, está muito, mas muito pau da vida. Porque com pouquíssima grana dá pra manter estruturas completas, condições de higiene de primeiro mundo, treinamento de pessoal local, hospitais mais ou menos pequenos mas sempre com um jardim pras crianças brincarem. Aquelas crianças que pisam nas minas e ficam sem pernas, sabe. Que nunca tiveram um brinquedo na vida, nunca, jamais, em tempo algum. Aquelas. Mas valores infinitamente superiores à grana que as ONGs em geral podem investir nos países fodidos são gastos em armas e outras coisas idiotas. E enquanto a gente fica se preocupando com o tamanho dos óculos escuros na nova coleção outono/inverno tem mulher de burka fazendo fila na porta do hospital da ONG pra poder parir sem morrer no parto. No horário de visita todo mundo é revistado, porque de crianças a velhos todos os machos andam armados. A equipe não pode sair do hospital sem escolta, e mesmo assim só quando não tem fogo cruzado na rua. O trabalho deles é bárbaro; eu já tinha visto muitos documentários mas nunca tinha ouvido ninguém que tivesse estado lá, no meio do caos. Saí da palestra quase chorando.

O problema de ouvir essas pessoas é que você fica se sentindo uma ameba no beiço da mosca do cocô do cavalo cheio de berne do bandido falido, manco e banguela. Porque a gente sabe de tudo isso, sabe que tem gente muito, mas muito mais na merda do que você, mas quando você entra no seu carrinho e liga o rádio começa a pensar em outra coisa. Mas não pode, não dá. Então decidi que vou dar o meu cinque per mille (5/1000), que se paga do imposto de renda, pra eles. E vou continuar fazendo minhas doações esporádicas à SUIPA, quando entra uma graninha em reais. Porque se gente é bom, bicho é melhor ainda.

tia

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Posso dizer que fui oficialmente aceita pela turma. São pequenas coisas, sinais mínimos que indicam que passei de Velha Estranha e Leprosa a Ser Evitada ao simples status de Tia de todo mundo. Começou quando eu não apareci na primeira aula de espanhol, porque não sabia que já tinha começado o curso (não colocaram o aviso na internet), e quando cheguei pra aula mais tarde um monte de gente veio perguntar onde eu tinha me metido. Outro dia uma menina com quem praticamente nunca falo parou no meio da ladeira quando me viu, pra me esperar e pra descermos juntas. E ontem não só um colega pediu pra eu guardar lugar ao meu lado na aula, “pra gente se divertir”, como também fez uma tatuagem no meu braço com Bic preta (I love mamma, bem coisa de presidiário, né não). Então agora eu sou A mais enturmada. Tié.

parabéns, tuco!

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Teus presentes devem chegar semana que vem. Te adoro muito.

E aproveitem e vão lá ouvir o rapaz.

livros

domingo, 18 de novembro de 2007

Lembram que há um tempo atrás um leitor me mandou três livros da minha wishlist? Eu nem lembrava mais que os livros estavam na lista, muito menos por qual motivo estavam na lista, e só comecei a ler há duas semanas. E daí, vocês se perguntam. E daí que eu passei praticamente todo esse tempo afundada na Irlanda. Tinha tempo que eu não lia nada nesse estilo fantasy-céltico, e eu tinha esquecido o poder que esse assunto tem de dominar a minha vida. Durante todo esse tempo eu sonhava sempre duas coisas: ou os personagens do livro ou a Chalene Johnson malhando, hohoho. Mas sério: os nomes são todos lindos, a história do primeiro livro era familiar porque a lenda da irmã dos seis cisnes é razoavelmente conhecida, os lugares são fantásticos e as histórias de amor são todas platônicas. Os personagens são ótimos; em particular, é difícil não se apaixonar pelos homens, fortes e fascinantes e misteriosos.

O problema é que os livros, literariamente falando, não são assim uma Brastemp, sabe. Todo mundo tem seu cafonismo lá em algum cantinho, sua porção suely maria, sidney sheldon, cauby peixoto. Ficar grudada em livros relativamente bobinhos se encaixa perfeitamente nesse cantinho cafona. Estes são uma trilogia, as histórias são parecidas e com finais mais ou menos previsíveis, mas mesmo assim, cacete, perdi muitas noites de sono lendo até alta madrugada porque simplesmente PRECISAVA saber o que iria acontecer depois. Por sorte durante essas duas semanas não tive nenhum trabalho enorme nem urgente pra fazer, senão teria dormido ainda menos.

O segundo livro é o melhor, porque a Liadan rocks e porque eu quero casar com o Painted Man quando crescer. O terceiro é o mais fraquinho, mas o terceiro tem o Johnny.

Mas aí eu acordo hoje toda monga, depois de ter lido até as quatro e meia da manhã pra terminar a maldita história e ver se a garota perneta termina com o Darragh ou não morando na Needle (she does), e tem um email do Flickr dizendo que o Brendan, meu ex-colega irlandês lá da agência, me adicionou como contato. Vou lá ver as fotos da Irlanda, e tem tudo: praias rochosas, cisnes, verde-esmeralda, um cavalo cinza, nomes lindos e impronunciáveis, céu nublado, e um sobrinho do Brendan que se chama Eaman, como um dos personagens da trilogia. Como é que eu consigo sair de dentro desses livros agora, cacete?

Respondo eu mesma: é hora de reler LotR, ou então The Fionavar Tapestry. E de esperar o verão pra poder viajar pra Irlanda.

perguntinha básica

sábado, 17 de novembro de 2007

Existe um país onde as pessoas não gritam? Se não existe, eu posso inventar?

hmpf

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Com esse negócio de Couchsurfing hospedamos muita gente interessante esse ano. Nossa amostra de americanos foi a maior de todas as nacionalidades, n = 4, e depois da última experiência tenho que dizer que não os aceitaremos mais. Porque 100% desses 4 casos (três casais e uma garota sozinha) tinham o defeito gravíssimo de take for granted a hospedagem. Não trazem presentes (não hospedamos ninguém pra ganhar presente, mas é legal ganhar uma coisinha qualquer do seu país ou outra bobagem qualquer – as balinhas polonesas de doce de leite duro são ótimas, o vinho da Eslovênia era bem razoável, a alemã maluca me deu um desenho, os neozelandeses me deixaram um livro e um cartão-postal, os espanhóis cozinharam tortilla de batatas e nos deram uma vela perfumada, os brasileiros nos deram muitos sorrisos, os franceses deram uma volta na Cinquecento do Ettore e o rapaz quase morreu de emoção). Não ajudam na cozinha. Tomam banhos compridíssimos. Deixam TODAS as luzes da casa acesas. As mulheres americanas têm aquela perpétua expressão de hello-ooooo na cara. E nenhum deles agradeceu com o olhar, apesar de deixar testimonials poéticos no nosso perfil. Então não quero mais.

uhuuu

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Acabamos de comprar nossas passagens pra NY. Uma semana, entre Natal e Ano Novo. Achamos passagens baratas saindo de Perugia, e lá vamos nós. Dessa vez vamos sozinhos porque ninguém tem tempo disponível nessa época do ano. Vamos dormir em Hackensack, onde mora um amigo do Mirco, de quem ouço falar há anos e nunca encontrei porque ele nunca vem pra cá.

Eu preferiria um lugar menos gélido, sinceramente, mas como eu não posso viajar pela Europa ainda (amanhã tenho que ir à polícia pra tirar a foto, mas depois disso parece que o documento propriamente dito leva mais uns três meses pra chegar) nossas opções são muito restritas. A NY dada não se olham os dentes, logicamente, mas o frio lá é foda demais pra mim. Espero que o inverno não seja muito cruel esse ano.

uia

sábado, 10 de novembro de 2007

A última aula de ontem foi de Diritto dell’Integrazione Europea, uma matéria opcional, e foi incrivelmente confusa. O professor falou de tudo mas não disse muito, apesar das três horas de duração. O pouco que tinha sentido era interessante, então estou otimista (principalmente porque ele viaja muito e toda hora o professor substituto fica no seu lugar. Dizem que esse é mais sucintinho).

Mas o interessante foi descobrir que na minha turma dessa matéria (são todos do primeiro ano, a não ser eu e mais dois garotos) só tem uns quatro italianos. Muitos poloneses, romenos e albaneses, e, cerejinha no chantilly, um da Mongólia (o que é do segundo ano), um da Síria (semana que vem vou perguntar a ele como se pronuncia meu sobrenome), um do Afeganistão e, tcham tcham tcham, um do Tadjiquistão (e admito que tive que olhar na Wikipedia como se escreve). É mole ou quer mais.

música

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Eu nem comentei, mas há duas semanas fomos ver um concerto em Perugia. A Une tem assinatura do teatro, porque tem desconto como estudante de música, e nos convenceu a ir. Era uma miniorquestra de Salzburg. Chegamos cedo na cidade e paramos pra comer num restaurante napolitano horrível, mas o jantar demorou horrores pra chegar, então eu e Une comemos só antipasto e deixamos os meninos lá esperando os primi piatti, e fomos correndo pro teatro Morlacchi pra não perder a primeira parte.

Nossos ingressos eram horríveis porque não reservamos pelo telefone antes, então sentamos no pombal, lá no alto, por sorte bem em cima do palco. Mais da metade dos músicos eram mulheres, algumas de vestido comprido ou saia longa mas outras de calças. Uma ruiva usava uma blusinha transparente linda exatamente igual à da negona violinista, com uma maquiagem superbem feita, por sinal. Uma violinista loura com uma calça sequinha de tafetá e sapatilhas lindas. Uma senhora imensamente gorda vestida com algo que parecia uma cortina, em termos de dimensões, de um tecido muito elegante. Vários carecas, um rabo-de-cavalo, duas chinesas (uma nos tímpanos). Notei que uma das violinistas não parava de se mexer, mas achei que fosse só excentricidade. No final da primeira peça a Une esclareceu que na falta de maestro a primeira violinista assume o comando, e os movimentos do corpo e da cabeça substituem o bâton. Adorei.

A primeira peça foi de Mendelssohn, Die Schöne Melusine, Ouverture op. 32. Tinha muito tempo que eu não ia a um concerto, e fiquei muito emocionada. A música era muito, muito boa, e sentir o parapeito de madeira do velho teatro vibrando com as notas sob as minhas mãos foi puro deleite. Aplaudi até as mãos doerem.

Depois entrou a estrela da noite, a pianista Elisabeth Leonskaja, e seguiu-se outra peça de Mendelssohn, Concerto n. 1 em sol menor op. 25 para piano e orquestra, também linda. Mas eu não gosto de piano em concerto porque é que nem limão na comida, só dá ele e o resto mal dá pra perceber. Pra finalizar, Beethoven, concerto n. 4 em sol maior op. 58 para piano e orquestra. Gostei mais de Mendelssohn.

Mas saí do teatro completamente… elated. Tava precisando.