Arquivo de setembro de 2006

planta também é gente

sábado, 30 de setembro de 2006

Sábado é dia de jardinagem.

Desde que tomei vergonha na cara e defini que sábado é o dia de sair adubando tudo, minhas plantas estão com outra cara. Também aprendi a podar os cravos, ainda que o faça com um aperto no coração. Detesto cortar ou arrancar plantas, mas desde que aprendi a podar os vasos estão cheios, verdinhos, cheios de botões de flor. Levo tipo uma meia hora pra adubar tudo, porque tem o adubo líquido pra piante grasse e o outro pra plantas verdes normais, e meu regador é pequeno, mas é uma coisa que eu adoro fazer.

Então agora a salsinha, que era meio tímida, está cabeludíssima. A majorana que peguei na Arianna e tinha ficado naqueles dois toquinhos por meses agora está tão alta que fica pendurada nas bordas do vaso. O hortelã, por natureza planta danada que dá em tudo que é lugar, inclusive onde não foi convidado, mas que aqui em casa, confinado no vaso pequeno, dava só folhinhas pequenas, agora está folhudíssimo. A sálvia, que não dava flor, foi devidamente podada e está linda. Os dois vasos de alecrim – porque eu amo alecrim e boto em tu-do que é comida – também estão grandes e fortes. O aipo que Arianna plantou pra mim, embora jamais chegue a ser um aipão porque o espaço é pequeno, também está um espetáculo e os malditos pulgões não voltaram. O bambu que compramos na IKEA quando minha mãe veio tinha dado uma secada geral inexplicável, já que segui todas as instruções, mas algumas folhinhas permaneceram verdes e resolvi investir no bichinho. Devagarzinho está se recuperando, tenho esperanças. Seu amiguinho, um tipo de ficus com folhas enroladinhas como se tivessem botado rolinhos no cabelo, está muito bem, obrigado. E as piante grasse cresceram bastante – só uma se recusa a aumentar de tamanho, mas deve ser um defeito de fabricação da espécie porque todas as outras estão enormes. Tenho foto delas quando as plantei, em maio, depois boto aqui com as fotos de hoje pra comparar.

Minha única decepção é a azaléia que a Arianna me deu no começo da primavera. Depois que as flores caíram ela simplesmente estacionou. Já adubei, já mudei de lugar, já tentei conversar, mas não tem jeito: não fede nem cheira, está exatamente com a mesma cara com que chegou. Acho que vou levar de volta pra Arianna. Quem sabe em meio a outras flores ela se sente mais ambientada e dá uma rejuvenescida…

As únicas flores que tenho são os cravos, porque sobrevivem bem ao inverno. Tenho pena de comprar gerânios, petúnias, begônias que sei que depois vão morrer quando o frio chegar. De fora minha varanda não é decorativa, não tem a multidão de cores que caracterizam as varandas e janelas européias na bella stagione, quando os gerânios se multiplicam exponencialmente e colorem todas as casas. Mas as minhas plantas são lindas e quando acordo são a primeira coisa que eu vejo, porque eu durmo de lado, virada pra janela, e sempre deixamos um pedaço de persiana aberta. Abro os olhos e vejo minhas plantinhas, e meu dia começa melhor. Quando tenho trabalho no computador trago uma pra dentro pra me fazer companhia.

Se eu tivesse um jardim, nunca mais entraria em casa.

sexta-feira, 29 de setembro de 2006

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Dica da Maura.

quarta-feira, 27 de setembro de 2006

Striscia la Notizia é definitivamente o melhor programa do mundo.

Hoje o repórter com queixão de G.I. Joe ligou pra um hospital de Nápolis pedindo pra marcar uma ultra-sonografia transretal da próstata. Levou uma hora e meia no telefone até conseguir falar com alguém, e como resposta ouviu que a máquina está quebrada desde maio e não se sabe quando e se será consertada. Lá vai o G.I. Joe diretamente ao hospital, onde encontra um médico pequenininho e careca, com sotaque napolitano que escapa só de vez em quando, explicando que há várias máquinas disponíveis no hospital, que há vários anos ele não trabalha (é urologista mas tem cargo de clínico geral no hospital), quer dizer, vai ao hospital, bate ponto e recebe salário, mas não faz porra nenhuma [N.R.: isso é pra dar trabalho pros especialistas, porque pra ir ao médico genérico não se paga nada, mas pra ser consultado por um especialista precisa pagar O TÍCKET-A)]. G.I. Joe vai com o mediquinho faladeiro pedir explicações ao diretor do hospital, que os manda ao diretor sanitário. O que faz o diretor sanitário? Hein? Hein? Vejam bem, não é um pivete, não é prostituta, não é comerciante desonesto – É O DIRETOR SANITÁRIO DE UM GRANDE HOSPITAL PÚBLICO DE NÁPOLIS. O que ele faz? SAI CORRENDOOOOOOOOOOOOOO! Pelos becos apertados da cidade; imaginem todos aqueles varais de roupas atravessando os becos, os velhos de boina e colete sentados à porta de casa, crianças ranhentas brincando na rua. É assim mesmo. G.I. Joe correndo atrás dele, e volta e meia parando e olhando pra câmera e perguntando “mas vocês tão entendendo?”. Sumir em uma cidade zoneada como Nápolis é a coisa mais fácil do mundo, e na segunda ou terceira esquina o diretor sanitário desaparece. Logo surgem os desocupados, todos de lambreta e TODOS sem capacete, cada um dando seu pitaco sobre a bendita ultrassonografia transretal. Cara, esse país é qualquer coisa.

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Vittorio Sgarba é o Assessor da Cultura do novo governo. É um crítico de arte que adora uma polêmica. Tenho que admitir que concordo com muito do que ele diz, mas entendo que muitas vezes ele passa por antipático e radical. Porque ele fala mal de todo mundo. Sempre. O tempo todo.

Alessandra Mussolini é uma retardada com olhos overmaquiados e cabelos de Farrah Fawcett, pra não falar do fato que é neta do Homem. Aquela que usa mini-saia quando aparece na TV (cacete, a mulher é política de alto escalão, mini-saia não, né) ou, pior, bota de cano alto com perna tolete. Nem vou mencionar o batom rosa-Paquita.

Os dois foram chamados pra ser jurados do novo reality show idiota, Pupe e Secchioni (Gostosas e C.D.F.s). A debilóide da Mussolini começa a puxar briga com Sgarba, no começo assim só pra aparecer. Mas eis que ela tira os óculos dele, e o homem vira bicho. Solta TO-DAS as ofensas que você pode imaginar: oca (literalmente ganso, usa-se pra definir uma mulher idiota, estilo “fadinha”), troia (piranha), deficiente (/defischente/), fascista, imbecille, vaffanculo, stronza, e por aí vai. Eu absolutamente ROLANDO de rir no sofá, e a coisa se arrastando. Basicamente o argumento do Sgarba era “não quer ser tocado por uma fascista”. E a retardada repetindo “Eu não sento mais do lado dele! Maluco! Não estou entendendo nada!”. O homem ficou tão puto da vida que os cameramen vieram segurá-lo, e ele, sempre ajeitando os cabelos com as mãos, roxo de fúria, perguntando “ma chi cazzo sei tu? NON TOCCARMI!”, e eu rolando, rolando. A que eu imagino que fosse a produtora do programa chega pra falar com ele e tentar acalmá-lo, e ele a chama de brutta troia – piranha feia. E eu tendo convulsões. Sei que a coisa toda durou uns cinco minutos, talvez mais, de piiiiiiiiii sem parar porque os dois trocaram insultos que nem presidiário deve conhecer. Não sei se foi ao ar ao vivo, mas imagino que sim, porque essas bostas de realities são sempre ao vivo. Cara, tinha tempo que eu não ria tanto.

Ainda não tem nada da porradaria no YouTube, mas tem esse outro pedacinho, sempre do Sgarba no mesmo programa, pra vocês terem uma idéia do que é a Hedionda Televisão Italiana. Ou esse.

P.S.: Outra porrada televisiva histórica é essa, sempre em um reality (Isola dei Famosi), que não tem nada a ver mas é FENOMENAL.

P.S.2: Todos os estereótipos dos italianos são verdadeiros, sem exceção.

socorro

terça-feira, 26 de setembro de 2006

Eu nunca vi um sistema educacional tão complicado e ineficiente quanto o italiano. Juro. Tudo bem que não conheço nenhum outro sistema educacional, mas cacete, nem no Sri Lanka pode ser tão esquisito assim, não é possível.

As crianças têm uma quantidade descomunal de dever de casa pra fazer. As provas são TODAS orais e todas na base da decoreba. Normalmente os assuntos estudados não têm nenhuma relevância prática. Nem teórica.

Não usam lápis, só caneta. E quando eu insisto pra que usem lápis, porque caderno rabiscado me dá nervoso, além de ser uma coisa idiota por princípio, pergunta se eles usam borracha? Eu nunca rabisquei nada em caderno nenhum, nem eu nem minhas colegas de turma. Escreveu e errou? Apaga. Imagina ficar com o caderno cheio de remendos de tinta azul! Aqui é supernormal.

Usam esse maldito caderno quadriculado. É um quadriculado microscópico que eu não consigo entender pra que serve. Como os quadradinhos são cinza, o caderno parece sujo.

TODOS seguram a caneta errado. TO-DOS.

TODOS escrevem como retardados, começando o zero de baixo pra cima, o oito pelo lado errado, o cinco de baixo pra cima, fazendo o um parecendo dois, o a feito com uma bolinha e depois uma perninha jogada assim de qualquer jeito. Tenho um aluno que usa o mesmo símbolo (algo como |) pra tudo: é j, p, q, f, l e t, tudo ao mesmo tempo. Pontuação não existe. Tem quem tenha dificuldade em desenhar o ponto de interrogação. Todo mundo com letra redonda, tão redonda que tudo se confunde e cansa os olhos ao ler. Não pulam linha, não fazem parágrafo, escrevem só de um lado da folha, não existe data nem cabeçalho. E essa mania maldita, maldita, maldita (e errada, segundo meu livro de lingüística) de assinar ou escrever sempre primeiro o sobrenome e depois o nome. Minha mãe é que tem razão: como é que esse país faz parte do G8 é um mistério.

segunda-feira, 25 de setembro de 2006

Alguém mais vai ao show da Marisa Monte em Florença ou sou só eu?
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a família buscapé na holanda

domingo, 24 de setembro de 2006

O dia estava delicioso. Chegamos cedo na Arianna pra almoçar, pra dar tempo de lavar os cachorros. Acabamos também lavando o galinheiro, colhendo manjericão pra fazer pesto, quebrando as primeiras nozes do ano e arrancando um galhão gigante da nogueira, que ficou meio partido depois do último vendaval e estava ameaçando a vida de pombos, coelhos, patos, perus, galos, galinhas e gansos. Colhemos pepino na horta, os tomates ainda não estavam bons, descobrimos uma árvore que dá uma fruta que não é nem pera nem maçã, e é incomível de tão dura e fibrosa, descobrimos uma nogueira jovem que nasceu sozinha sem ninguém convidar mas vai ter que ser transferida porque está fazendo sombra por cima das abobrinhas, Legolas sentou no meio da horta pra comer nozes, pegamos ovos quentinhos pra trazer pra casa, reguei as hortênsias de fora que estavam murchas murchas, e, hear, hear, ouvimos as aventuras de Arianna e companhia na Holanda.

Arianna e Ettore nunca fazem nada de interessante e por isso nunca têm nada pra dizer além de quem casou, quem separou, quem trocou de carro, quem pariu, quem morreu. Agora eles têm a famosa viagem à Holanda pra contar. Foram pra lá pela terceira vez esse ano, mas agora com os tios do Mirco, que nunca tinham andado de avião. Guerriero não é um palerma; foi motorista de caminhão por muito tempo e conhece a Europa inteira. Sabe fazer TUDO – consertar qualquer coisa, construir tudo, cozinhar o que você inventar – mas não é exatamente descolado, entende. Então estão os quatro na estação de trem sei lá de onde pra pegar um trem não sei pra onde, e mandam o Guerriero ir pedir informações – imaginem um homenzarrão com os dedos mais grossos que você já viu na sua vida, cara de bonachão, hérnia umbilical cutucando a camiseta, sem falar nem italiano mas somente a horrível variante dialetal de Santa Maria degli Angeli (Angioli, como dizem eles). Imaginem esse homem, que nunca andou nem de metrô, pedindo informações a um holandês. Volta ele dizendo que o trem que eles tinham que pegar era aquele mesmo que eles achavam que fosse. Embarcam e começam a conversar. Passa o tempo e Guerriero começa a rir sozinho. Perguntam o que foi, e ele, que obviamente não teve coragem de ir lá perguntar nada pro holandês, solta a seguinte pérola, rolando de rir da própria piada iminente:

- Encontrei um sujeito de Castelnuovo [um buraco aqui no interior do Belize, deve ter tipo dez habitantes] e ele disse que o trem era esse…

Meno male que o trem não tava errado. Do jeito que são enrolados, era capaz de irem parar na Arábia Saudita. De trem.

hmpf

sábado, 23 de setembro de 2006

Fomos ver Piratas do Caribe, finalmente. Quer saber? Achei uma bos-ta. A história que fim levou? Não tem. O sentido do roteiro, cadê? Sumiu. Diálogos espertos, onde estão? O gato comeu. Personagens bem feitinhos, rolam? Nem vem. Achei uma boooosta. É um murundu de efeitos especiais (muito maneiros, por sinal) e pronto. Na próxima vez fico em casa lendo um livro.

sexta-feira, 22 de setembro de 2006

A chinesa do restaurante chinês de Bastia já teve cabelos louros. Hoje usa os cabelos presos numa trança escura, rabisca seu pedido em chinês naqueles bloquinhos vagabundos quadriculados que se usam por aqui, jamais faz uma nota fiscal e tem um italiano abominável. Hoje eu não estava com saco de cozinhar; Mirco sugeriu pizza mas eu não tava inspirada, então resolvemos pelo chinês. Liguei pro restaurante pra pedir que depois o Mirco passava pra pegar, e ela responde:

- Polonto.
- Pronto! Vorrei ordinare, da portare via.
- Dimi [que deveria ser Dimmi, com dois emes - aliás, deveria ser a forma de cortesia Mi Dica, já que ela não sabe com quem está falando e na dúvida é melhor ser respeitoso; vai que eu tenho 70 anos ou sou a mulher do prefeito?]
- Ravioli al vapore per due…
- Lavioli al vapole pe due…
- Riso cantonese per due…
- Liso cantonese…
- Pollo con le mandorle (frango com amêndoas, adoramos).
- Poi?
- Basta così.
- Bila cinese? [Birra cinese? = Cerveja chinesa?]
- No, grazie. Passa Balducci a prendere.
- Va bene, Alducci.
- Sì, sì.

***

Não sei quem foi que contou que essa maldita Bila Cinese que a gente sempre via em todos os chineses da zona é feita em uma fáblica gigantesca em Milão, que fornece Bila Cinese pra TODOS os restaulantes chineses do país. Tenho medo de saber o que tem dentlo…

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quinta-feira, 21 de setembro de 2006

De hecho, escribir novelas es lo más parecido que he encontrado a enamorarme (o más bien lo único parecido), con la apreciable ventaja de que en la escritura no necesitas la colaboración di otra persona.

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Qué hago yo aquí, me dije, en este apartamento extraño, en esta Torre absurda. Por qué me he venido con este tipo, con quien no consigo intercambiar dos frases. Peor aún, por qué demonios se habrá venido él conmigo, si en realidad no podemos entendernos, si en realidad no he podido seducirle con lo mejor de mí, que es lo que digo. No, si lo que sucede es que él se hubiera acostado con cualquiera, le hubiera dado igual una chica o otra, así son los hombres; claro, todo estaba ya previsto, desde que quedamos ya se suponía que íbamos a terminar en la cama, qué cosa más convencional y más estúpida, y él qué se habrá creído, él se debe de pensar que es irresistible porque es famoso y guapo y estrella de Hollywood, habrase visto cretino semejante. Y así, mientras el pobre M. dormitaba como un bendito junto a mí, me fui enconando con unas elucubraciones cada vez más furibundas, hasta que terminé asfixiada de ira justiciera.

Alcanzado este punto de enrabietamiento, decidí que no podía pasar ni un segundo más con semejante monstruo. Me levanté muy despacio, me vestí con un cuidado primoroso para no despertarle, recogí mis cosas y salí de puntillas de la casa con los zapatos en la mano. Recuerdo que tardé un tiempo infinito en cerrar la puerta del apartamento, para que el resbalón no restallara. Después, sintiéndome libre al fin como si me hubiera escapado de un campo de prisioneros, bajé y bajé por el vericueto de ascensores, con la cabeza greñuda, la ropa desarreglada, la boca laminada por los pitillos, los ojos despintados y corridos. Y cuando al fin alcancé la planta baja y salí a la calle, descubrí dos cosas desconcertantes: una, que era completa y cegadoramente de día (en ésas miré el reloj y comprobé que eran las diez y media de la mañana), y dos, que habían desaparecido los demás vehículos y mi coche estaba huérfano y abandonado encima de la acera, en realidad en mitad del parque, porque lo que había enfrente de la Torre era un parque lleno de señoras con carritos de niños paseando en la plácida mañana del domingo, y mi coche ahí trepado, espectacular en su color rojo y su soledad.

La Loca de la Casa, de Rosa Monteiro

Es-pe-ta-cu-lar. Se algum dia eu sentir falta de rezar pra alguém, vou fazer um altar pro meu DNA lingüístico que me permite entender coisas desse tipo assim, na língua original. Obrigada, DNA. Você é lindo e eu te amo (mas aquela parte da compulsão alimentar era mesmo necessária…?).

que canseira…

quarta-feira, 20 de setembro de 2006

A novidade da chefa maluca, a mitômana: há uns dois meses ela mandou embora Vanessinha, garota nota dez, sem motivo real. Na verdade foi Vanessinha que não agüentou a maluquice, achou vários motivos pra cancelar o contrato e se mandou. Achou emprego na segunda-feira seguinte, fazendo o que quer e o que estudou na faculdade, e está feliz da vida. Mas enfim. A chefa maluca resolveu contratar um tradutor fixo de francês, já que o M. é só estagiário. Ligaram pra tradutora, e ela estranhou a voz. Resolveu o que tinha que resolver com as novas meninas do Planejamento e pediu pra ser passada pra chefa. Perguntou, mas que fim levaram Vanessa e Laura? (Laura é aquela que fuma pra caramba e que gosta de música brasileira, muito gente boa). O que a chefa responde? Poderia ter sido QUALQUER COISA diplomática – redução de despesas, ela achou trabalho na área dela (turismo), voltou pra cidade dos pais. Mas não. Olha a margem: É QUE NÓS ABRIMOS UMA NOVA SEDE EM ROMA E MANDAMOS VANESSA E LAURA PRA LÁ.

?????????????

A situação está ficando crítica, porque obviamente trabalhar com gente completamente doida e, pior, capaz de tudo, inclusive de forjar provas pra demitir pessoas (ela demitiu o próprio irmão, muito provavelmente com provas plantadas), é muito, muito perigoso. Não sei o que fazer. Amanhã vou ao sindicato ver o que me aconselham. O detalhe é que S. já esteve lá pra se informar, e quando ouviram o nome da chefa deram uma risada. Iiiiiiiiiiiiiiiih você deve ser a milésima… Deixa eu ver o contrato… Ahahahahaha é aquele filho da puta do M., tenho certeza! Aaaaaah sabia! Então já viram.

Agora estou também proibida de fazer hora extra, pra “cortar as despesas” (era mais fácil ela vender o SUV da BMW que deve rodar dez metros por dia, visto que ela mora a dois minutos da escola). Só que acaba me penalizando, porque eu produzo mais do que todos os outros tradutores, logo me sobra mais tempo, logo durante esse tempo tenho que ficar em casa pra não custar muito. Entenderam a lógica? Os outros, que são lentos, não têm esse problema e podem fazer as horas extra que quiserem. Legal, né.

Tá na hora de comprar um outro Jimmy…