Arquivo da Categoria ‘banana engorda e faz crescer’

menu de verão

sábado, 3 de julho de 2010

Eu sinceramente nunca entendi essa coisa do apetite das pessoas seguir as estações, mas aqui isso é levado muito a sério. A minha vontade de tomar sorvete não diminui nada no inverno, e tampouco no verão tenho menos vontade de comer massa ou outras coisas que como sempre. Mas aqui é só falar de carne no verão e todo mundo começa “aaaaaaaaaaah, tá calor demais pra comer carne… Eu no verão só como mozzarella, melão com presunto etc”. Meu estômago deve ser temperature-insensitive or something.

A coisa boa do verão é poder comer fora – fora no sentido de do lado de fora de casa. Aqui em casa comemos na varanda sempre que vem gente pra jantar. Na Arianna o verão inteiro é almoço e jantar na mesa do quintal, inclusive nos dias tórridos nos quais eu daria um dedo mindinho por um ar condicionado. Pra Carolina é uma bênção, porque ela fica perambulando pra lá e pra cá enchendo o saco dos cachorros e jogando restos de alface dentro da casinha dos gansos, doida pra destruir as plantas confusas da Arianna mas sabendo que não pode, então apontando e fazendo “ahn? ahn?” e depois fazendo “não não não não não” com o indicador, às vezes vindo até a gente na mesa pra filar um pedaço de qualquer coisa. Ela continua comendo pouco, e entrou naquela fase pentelha de gostar de uma coisa num dia e nem querer olhar pra ela no dia seguinte, mas algumas constantes existem, como a mozzarella, azeitonas, tomate e um cream cracker dos Vigilantes que encontrei estranhamente por aqui (o Weight Watchers italiano fechou há anos por má administração) e que prefiro aos crackers normais porque tem menos sal e gordura e é de farinha integral. Essas coisas ela nunca recusa. Todas as outras coisas dependem do humor do dia. Sacoooo.

Enquanto isso, todo mundo continua me perguntando por que é que ela nunca tomou sorvete nem comeu doce nem batata frita. Hello? A garota já não come quase nada, vou ficar enchendo a barriga dela de coisas de valor nutricional zero? Pra que acostumá-la com essas coisas? Tudo o que nunca aparecia lá em casa quando eu era pequena eu não como até hoje – bala, chiclete, fritura, cachorro-quente. Refrigerante quando eu era pequena chegava a estragar; hoje eu tomo Coca de vez em quando, e admito que tomaria mais frequentemente se a coisa não fosse praticamente venenosa, mas corto sem sacrifícios nas minhas fases de contagem hardcore de calorias. Todos os outros refrigerantes do mundo por mim poderiam perfeitamente nunca ter sido inventados. Detesto doce de padaria. Não como nem brigadeiro. Por que vou ficar dando essas coisas pra minha filha? Não entendo. Na porchetta de aniversário do Ettore uma senhora que eu nunca tinha visto, uma daquelas parentas que aparecem uma vez na vida e outra na morte, trouxe uma barra de Galak pra Carolina. Prestem atenção, a velha trouxe 400 g DE CHOCOLATE BRANCO, que nem chocolate de verdade é, pra uma criança de nem um ano e meio!!! Sou eu que sou louca ou pára o mundo que eu quero descer? Isso em um país onde as pessoas vivem pra comer e o fazem muito bem, obrigada; em um país de pessoas que não morrem nunca provavelmente graças à dieta mediterrânea; em um país onde ainda é normal voltar pra casa pra almoçar e onde as avós fazem macarrão em casa nos fins de semana e onde as pessoas só comem carne vermelha muito de vez em quando porque “faz mal”, onde não se frita praticamente nada, onde a comida que encontramos nos supermercados é super-hipermega controlada e vem cheia de selos e carimbos e autenticações pra gente ter certeza do que está comendo. Juro que não entendo.

panqueca de arroz com lentilha

sábado, 26 de junho de 2010

Mirco tem mania de comprar. Ontem ele saiu rapidinho pra comprar vassoura pra oficina com a Carolina pra eu poder malhar e voltou uma hora e meia depois com um caixote de cerveja, quatro livrinhos pra Carolina e quatro livros de receitas pra mim. Livros tabajara, daqueles vagaba de supermercado, mas fuçando sempre dá pra achar alguma coisa interessante. Um é sobre risotos, outro sobre tapas, um é uma enciclopédia de azeites e vinagres (tenho HORROR a vinagre, só um whiff é suficiente pra me fazer vomitar) e o último sobre comida indiana. Peguei esse pra folhear enquanto ele dava banho na Carolina e achei uma receita que me chamou a atenção, que é essa do título do post. Porque eu não posso ver uma lentilha que me assanho toda, e o mesmo vale pra palavra panqueca (ou crêpe). O detalhe é que a lentilha e o arroz não são o recheio, senhores, mas os ingredientes da massa!

Achei sensacional. Estou de saco cheio de trigo e tenho a impressão de que ele é o culpado de todos os problemas ponderais da minha vida, porque tudo o que leva farinha é gatilho de compulsão pra mim (e não só pra mim). Ultimamente ando com o comedor aberto, um desespero alimentar só experimentado quando eu estava grávida (não estou, tá) e que está difícil de segurar. Como estou com outros sintomas de descontrol hormonal, essa semana marquei endócrino pra ver o que pode ser exatamente, e enquanto isso vou tentando eliminar o trigo da minha vida. Felizmente a Barilla tem uma linha de massas feitas com outros grãos, inclusive lentilha, e são deliciosas. Também felizmente eu não tenho um apego gustativo particular a carboidratos brancos e realmente prefiro as coisas integrais, o que prepara a minha linguinha pra esses sabores “alternativos” sem trigo. Quem sabe assim eu consigo desligar o comedor. Porque entre batata, arroz e macarrão, sou fã incondicional do macarrão, que por sinal é muito mais prático também.

De qualquer maneira, fiquei doida pra fazer as tais panquecas. Vou dar a receita, mas atenção: não testei ainda, portanto não garanto.

200 g de lentilhas
15 g de fermento em pó
50 g de arroz (o livro diz pra usar basmati, mas acho que o nosso branco vai bem também)
páprica doce em pó
óleo

Deixe a lentilha de molho por pelo menos 4 horas e o arroz por pelo menos 30 minutos, separados.
Bata os dois ingredientes no liquidificador ou triturador até obter uma massa homogênea. Junte o fermento e uma pitada de páprica e deixe a massa descansar por 30 minutos.
Cozinhar como crepes normais na panela com pouco óleo, só pra não grudar, e depois enrole-as em uma colher de pau para que formem tubos.

Pela foto não dá pra saber direito que textura que fica, mas esse conselho final de formar tubos me leva a pensar que elas ficam mais pra durinhas, e portanto não exatamente recheáveis. O livro diz que são ótimos acompanhamentos pra pratos de peixe e carne, coisa mais ambígua impossível, mas vai depender muito da textura final. Quando testar a receita eu aviso aqui como ficou.

alimentação e bodybugg

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Em três semanas de bodybugg perdi 3 quilos. Ótimo, exatamente dentro do meu objetivo, até porque mais de um quilo por semana não é saudável.

Como eu já disse antes, acaba-se aprendendo muito sobre alimentação. Eu, por exemplo, aprendi que termino o dia SEMPRE com déficit de carboidratos e excesso de proteína. Isso porque, como também já comentei, meu lanche é sempre uma barrinha de cereais ou um iogurte, já que fujo de fruta feito o diabo da cruz. Mas isso não tá dando certo; às vezes me sinto sem energia e também não quero desmanchar o meu café da manhã (leite, pão com presunto e queijo; proteína pura) que eu adoro pra poder entrar na percentagem certa de proteínas.

A solução inicial foi roubar a papinha de maçã com banana da Carolina (não a papinha tradicional que tem amido de milho pra transformar a coisa num creminho, mas uma variedade que só tem a fruta mesmo, além do ácido ascórbico pro negócio não escurecer). Agora descobri que a Valfrutta lançou uma linha do que eles chamam de “mousse”, e que logicamente mousse não é, de 100% de fruta. Fora a combinação maçã-damasco, que acho meio bizarra (além de não gostar de damasco, lógico), o resto eu encaro numa boa. Vou experimentar, mas tenho a impressão que vai salvar a minha vida.

Olha, eu sou chata pra comer, admito. Mas melhorei muito desde que me mudei pra Itália e como trocentas coisas hoje que eu jamais sequer cogitaria há alguns anos. Mas não tem jeito, fruta não rola. Simplesmente não rola. A única fruta que eu como feliz da vida é banana, no Rio vão-se umas três por dia, mas a banana d’água amadurecida no porão do navio que vendem aqui não merece nem ser chamada de banana; só o cheiro me dá enjoo. Até as frutas das quais eu gosto, tipo morango, cereja, uva sem caroço, ficam mofando na geladeira porque o meu gostar delas é uma coisa assim muito distante, sabe, se deixassem de existir eu com certeza não ficaria de luto. Maçã, pera, tangerina, eu só como uma vez na vida outra na morte, e tenho que fazer um esforço eLorme pra terminar. E não é só preguiça – porque, convenhamos, não existe coisa menos prática do que algo que você tem que lavar, descascar E descaroçar pra comer, e que ainda por cima suja as suas mãos. Não gosto mesmo, ponto. Infelizmente não gosto. I’ll have a power bar any day. Então vou ter que enganar o meu céLebro com essas moussezinhas de frutas, pra ele pensar que eu estou comendo uma coisa industrializada superprática e deliciosa e que não deixa as minhas mãos meladas. Saco.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Oquei, estou me torturando nos sites do Bob’s e do Outback e da Casa do Pao de Queijo enquanto espero o download do proximo arquivo que tenho que traduzir pra amanha. Sim, eu sou uma daquelas pessoas doentes que faz lista das coisas que quer comer no lugar pra onde esta’ pra viajar e so’ fica pensando nisso por semanas a fio.

hm

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Tem uma propaganda passando agora na qual um cara aproveita a tarifa noturna com desconto pra ligar pra todo mundo, e no caso ele liga pra um restaurante e pede ovos de codorna pro café da manhã. Pronto! Não faço outra coisa além de pensar nos malditos ovos de codorna, que eu adoro e que aqui são difíceis de encontrar, e carésimos. À medida em que a viagem pro Rio vai chegando eu começo a ter essas desesperações nonsense – outro dia perdi horas estudando o menu do Outback – e a fazer listas. Cheguei ao cúmulo de já ter preparado uma das malas, a que vai cheia de roupas que não quero mais que depois a minha mãe se encarrega de doar por aí. Está lá, pesadona, num canto da garagem.

Dessa vez o Gianni e a Chiara vão com a gente! Tem anos que eles tão programando uma viagem ao Rio mas acaba sempre aparecendo um problema qualquer. Dessa vez a passagem tá comprada e outro dia estudamos o guia juntos. É muito engraçado ler publicações turísticas sobre a sua cidade, de um ponto de vista totalmente alienígena. Além de ser engraçado dá fome, sabe como é, Gula Gula, Bar Lagoa, Mil Frutas, pão de queijo, etc. Tem dias em que eu daria um dedo por um pão careca com queijo Minas. Bom, falta pouco mais de um mês, tenho que ter paciência.

(Pra vocês não acharem que eu sou louca e que só penso em comida, não é bem assim. Claro que a prioridade é rever família e amigos, mas como essas coisas não interessam a ninguém eu prefiro falar de comida, que todo mundo gosta).

aaaaaaaaaaaaah

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Ontem à noite fomos com Gianni e Chiara tomar sorvete em Perugia. Aqui é bem normal encarar estrada e muitos quilômetros pra comer fora, e pra quem já veio pra cá é perfeitamente compreensível, visto o número infinito de lugares com comida maravilhosa. Essa sorveteria é especial; quem deu a dica foi a Roberta, irmã do Gianni que tá morando em Turim. Vale todos os quilômetros pra chegar até Perugia e o perrengue pra estacionar. Confiram vocês mesmos (e pra quem estiver em Paris ou NY, vá dar uma olhada).

hm

domingo, 22 de abril de 2007

Salada é uma comida chata, vocês sabem, né. Bonitinha de olhar, mas chata de comer, e mais chata ainda de preparar. Porque lavar alface é uma das coisas mais chatas que há pra se fazer na cozinha, mais até do que lavar louça ou catar arroz.

Em condições normais de temperatura e pressão, um pensamento do tipo “ah, que vontade de comer uma saladinha esperta” jamais cruza a minha cabeça, e acredito que não sou a única. Salada é a clássica coisa que a gente come porque tem, ou porque é preciso comer vitaminas, mas eu não conheço ninguém lúcido que tenha dito “hm, tô com desejo de tomate cru”. No Brasil normalmente neguinho não pede salada no restaurante, pelo menos até onde eu sei; eu, em particular, não pediria salada quando como fora nem que Darwin em pessoa saísse da sua tumba e me implorasse. Vitaminas obrigatórias eu como em casa, oras, quando janto fora quero comer coisas engordativas e complexas que em casa não tenho coragem pra fazer.

Aqui não. Aqui as pessoas realmente gostam de salada. Quando trabalhava com o Fabrizio o Louco ele às vezes deixava uma cestinha com tomates-cereja em cima do balcão, no verão, pras pessoas comerem junto com os queijos e salames que ele vendia. E AS PESSOAS COMIAM VOLUNTARIAMENTE, INCLUSIVE CRIANÇAS. Duvido que algum de vocês já tenha visto uma criança pescando um tomate-cereja de uma cesta e levando-o à boca, mastigando-o, e PEGANDO OUTRO DEPOIS. Duvido.

Mas como eu tava dizendo, aqui as pessoas gostam de salada. Ficam chateadas quando viajam e não encontram a saladinha gostosinha que eles têm aqui, com radicchio e tipos diferentes de alface, os famosos tomates italianos, pepino, funcho, rúcola, aipo e outras delícias vegetais. Quando comem um belo bife na chapa eles sentem falta não das batatas ou do arroz ou da farofa, mas da salada. Eu até hoje acho isso tudo muito estranho, porque todo mundo sabe que qualquer coisa com amido é o melhor amigo da carne, mas tudo bem, cada louco com a sua mania. Eu particularmente prefiro comer minha clorofila cozida ou grelhada: abobrinha e berinjela na grelha são realmente gostosas, espinafre refogado dá bem pro gasto, brócolis com alho e óleo é passável, cebola no forno com farinha de rosca polvilhada por cima é MUITO bom. Mas não me venham com saladinha que eu saio correndo.

Só que às vezes a gente tem que fazer uma escolha racional, né. Quinta-feira, quando fui a Perugia pra uma consulta médica que me fez esperar duas horas e meia lendo Dawkins nos jardins do hospital e me deixou morrendo de fome (porque o hospital é imenso e você anda, anda, anda e não acha nunca o que está procurando – a magia das placas que desaparecem não está restrita à sinalização das estradas), passei em frente à sorveteria Augusta Perusia, perto da Stranieri. E lembrei do sorvete hediondamente perfeito que eles fazem. Aquele chocolate quase preto, o Kinder com pedaços de ovo Kinder, o de nozes, o de avelãs (notem que a palavra “fruta”, no meu dicionário, jamais está relacionada a sabores de sorvete). Então tomei uma decisão: vou almoçar salada, vou fazer esse sacrifício hercúleo, pra poder tomar o maldito sorvete da Perusia sem querer me matar de remorso depois.

Fui ao Tutto al Testo, no corso Garibaldi, a ladeira ao lado da Stranieri. Tinha comido lá há muitos anos com Silvio e Sabine, quando ainda estudava italiano, e sei que eles fazem uma torta al testo com lingüiça que é o ó, além de crepes com uma farinha escura, de trigo sarraceno. E lembrei que uma vez comi uma saladona lá que até que deu pro gasto. Então fui, sentei, pulei, quase chorando, as páginas do menu que se referiam aos crepes, e fui pras saladas. A que eu tinha comido anos antes tinha batata cozida, atum e feijão branco, mas dessa vez fui de alface e radicchio com peito de frango, queijo emmenthal e amêndoas (tinha aipo também, mas aipo não rola). Normalmente como salada sem tempero porque vinagre me faz vomitar e eu acabo não usando nem azeite ou sal, mas dessa vez achei que era o momento de inovar: um fio de azeite (porque aqui até azeite tabajara é bom), sal e pimenta-do-reino, pena que já moída. Meia fatia do maldito pão umbro sem sal, pra enganar o estômago, e pronto. Bati o pratão de salada, tomei um suco de laranja e saí correndo antes que a torta com lingüiça do casal na mesa ao lado começasse a me chamar e eu mudasse de idéia.

O sorvete de duas bolas, chocolate e vinho marsala e pedaços de chocolate ficou muito, mas muito mais gostoso depois do meu sacrifício vegetal…

sábado, 27 de janeiro de 2007

Ontem fomos jantar peixe no restaurante do Mauretto, em Scheggino. É meio longe mas vale a pena, tanto pelo lugar quanto pela comida. Não vejo a hora do verão chegar, pra gente finalmente conseguir ver Scheggino de dia!

O menu (não me batam, por favor):

. Entrada da entrada: um creminho quente de feijão branco e camarão pra passar no pão
. Entrada fria um: salada fria de frutos do mar, com grapefruit rosa, salsão e funcho
. Entrada fria dois: salada de polvo com maçã verde e coda di rospo (um tipo de peixe) marinado no limão e pimenta rosa
. Entrada fria três: salada de camarão com peras e nozes
. Entrada quente um: espetinho de mexilhão enrolado no bacon, berinjela e abobrinha na grelha
. Entrada quente dois: bruschetta de lula, vongole e alcachofra
. Entrada quente três: impepata di cozze (mexilhões com pimenta-do-reino e alho, que eu AMO)
. Primo piatto um: spaghetti ou risotto alla pescatora, com frutos do mar
. Primo piatto dois: vellutata (uma sopa bem espessa) de frutos do mar e leguminosas
. Secondo piatto: peixe e crustáceos grelhados
. Sobremesa: petit gateau de chocolate com raspas de laranja

Tá?

uia

terça-feira, 5 de dezembro de 2006

Esqueci de comentar o almoço coreano de domingo.

Há muitos séculos atrás, quando eu ainda perdia tempo no orkut, deixei uma mensagem num thread sobre cozinha coreana em uma comunidade de gastronomia. A minha única experiência com comida coreana até então tinham sido os vizinhos da Hunka, que quando cozinhavam criavam um fedor tão grande que os outros moradores evacuavam o prédio. Meu comentário foi que eu não conhecia a cozinha coreana, mas depois dessa história também não tinha nenhuma vontade de conhecer. Pra quê! Como hoje em dia é proibido não gostar, choveram ofensas de todos os tipos. Diverti-me deveras.

Mas agora falo com conhecimento de causa: ODEIO COMIDA COREANA. ODEIO, ODEIO, ODEIO. Primeiro porque cozinham com óleo de gergelim, que, ao contrário do óleo e do azeite, tem um sabor muito acentuado. Toda a comida fica com gosto de gergelim. Segundo porque é exageradamente picante, e você acaba não sentindo gosto de nada (além do maldito óleo de gergelim, lógico). Terceiro porque há coisas bizarras, tipo o maldito kimchi, do qual eu já tinha ouvido falar através da Lucia Malla. Trata-se de verdura fermentada. FER-MEN-TA-DA. Eu não tomo nem Yakult, imaginem se vou comer acelga fermentada, entupida de alho e ainda por cima picante! Tudo bem que o mundo ocidental também come coisas estranhas, como queijos mofados e embutidos, que são literalmente nojentos, mas deliciosos. Mas verdura fermentada é um pouco demais pra mim. O resultado foi que só não saímos do restaurante direto pro McDonald’s porque estávamos morrendo de sono e loucos pra voltar pra casa e capotar. Experiência que jamais será repetida, juro.

socorro

sexta-feira, 27 de outubro de 2006

Acabamos de voltar do jantar de aposentadoria do Ettore. Mirco resolveu fazer no Giovanni, aquele lá na casa do cacete onde fomos alguns domingos atrás, depois da IKEA. Só pra vocês darem uma choradinha básica de inveja, o menu, em detalhes:

- De entrada fria, a tradicional tábua de queijos e frios que eu não sei onde ele arruma, porque tudo é delicioso. Tinha: salame de ganso, de javali e de cervo, mortadela de javali, um tipo de salame chamado finocchiona, temperado com funcho, que eu abomino, e capocollo. Tinha dois tipos de pecorino, um fresco e um maduro, tinha caciotta com nozes, com azeitonas, com pimenta-do-reino e com peperoncino.
- De entrada quente, mozzarella derretida enroladinha como um charuto em uma fatia de bacon fresco, uma ameixa enrolada no bacon com uma minifolha de hortelã por cima, e uma espécie de pastelzinho de forno com recheio de lingüiça e uva.
- Depois outra entrada quente, um aspargo enrolado em presunto, gratinado com um molho de queijo.
- Depois uma acqua cotta (água cozida) maravilhosa. A acqua cotta, como o nome sugere, é um dos muitos pratos da cozinha pobre italiana, que é uma delícia, justamente por ser tão simples. Aquela história: quem não tem cão caça com gato, e em períodos de vacas magras neguinho saía inventando receitas com coisas simples pra enganar o estômago, e saíam coisas ótimas. A acqua cotta é uma espécie de sopa boba que pode ser feita com um monte de coisas. Essa era de grão-de-bico e batatas, e era uma das melhores sopas que eu já tomei na minha vida.
- Depois o primo piatto, clássico risoto de cogumelos, muito gostoso.
- Depois o secondo, stinco di maiale (a batata da perna do porco) assada com batatas. Eu gosto, mas já não agüentava mais, então provei só um pedacinho.
- Salada, que dispensei.
- A primeira sobremesa: bavaroise de vinsanto, aquele vinho doce onde você mergulha aqueles biscoitos duros de amêndoas, os cantucci. As sobremesas do Giovanni nunca têm chocolate, então eu dispenso.
- A segunda sobremesa: uvas embebidas em chocolate branco com gotinhas de chocolate amargo por cima. Comi só as gotinhas. E ainda tinha pedacinhos de torta de damasco.
Tudo isso regado a vinho tinto e branco, e finalizado com grappa, limoncello e licores. E carne de vitela pros dois muçulmanos da oficina, Mustafa, marroquino, e Hussein (esse é da Croácia, go figure).

Rolem de inveja, mortais.