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Ah, Londres. A cidade mais antipática onde já botei os pés.

Mas dessa vez não fomos a Londres for London’s sake, mas sim pela companhia: a Lu estava lá passeando, Hiro e Barbara moram lá, e havia a promessa (semi-cumprida) de conhecer muita gente legal. E como além disso tudo tem voo pra Londres saindo diretamente do glorioso Aeroporto Internazionale di Perugia, que tem voos diretos pra Milão (realmente outro país), Romênia e Albânia, além dos voos regulares da Ryanair pra Londres o ano todo e pra Barcelona no verão, não podíamos dizer não. E fomos. (Tá igualzinho ao parágrafo do post de antes da viagem, eu sei, poupem-me, tá).

Voar com a Ryanair já foi uma coisa factível. Hoje em dia dá nos nervos. Tudo você paga: tem taxa pra pagar com cartão de crédito (que, vejam só, é a única forma de pagamento), pra levar mala na estiva (que se estiver 200 gramas mais pesada do que o limite resulta em pagamento de excesso de bagagem), pra bagagem de mão (que eles REALMENTE medem naquela merda daquela espécie de grade com as medidas certas, e se a porra da mala não couber direitinho, sem forçar, você paga 35 libras pra poder levar a bichinha na cabine), pra fazer check-in online, pra fazer fila prioritária, o cacete a quatro. O desconforto do avião, cujas poltronas nem reclinam, não incomoda porque os voos são sempre curtos. Incomoda a chatura das aeromoças toda hora pentelhando no alto-falante vendendo aquelas merdas de cartões telefônicos, calendários e outras bugigangas que nunca vi ninguém comprar, de modo que é impossível dormir. Incomoda o fato inevitável de que o avião está sempre cheio de italianos, lógico, e isso nunca é bom. Incomoda muito o fato do voo chegar em Stansted, um aeroporto comodamente localizado lá na puta que o pariu (estou cheia de francesismos hoje, notaram?), o que significa ter que pegar trem (caro) ou ônibus (menos caro) até a cidade, e de lá transporte pro seu hotel.

Nessa maluquice de deslocamento de pobre, acabamos perdendo o jantar na sexta, e consequentemente deixamos de conhecer algumas pessoas legais. O motorista de táxi nunca tinha ouvido falar do restaurante, cujo site maldito só dá o mapa pra chegar lá, em vez da porcaria do endereço; o cara nos deixou numa rua paralela, lá fomos nós arrastando uma malona, duas malas de mão e o carrinho da Carol pela rua, um frio desgraçado, até achar o bendito restaurante. Lá dentro, um calor infernal, um cheiro de fritura (que me deu fome) e um monte de funcionários na recepção que nunca tinham ouvido falar das pessoas que eu deveria encontrar, não tinham recebido nenhum recado sobre um pobre casal cheio de malas e uma criança cabeluda (o recado eu sei que foi dado, se foi processado já são outros 500), um fulano que me levou até a entrada dos salões no andar de baixo e me largou lá sozinha pra procurar o pessoal, eu que não achei ninguém. Desistimos, voltamos pras ruas geladas e entramos no primeiro restaurante aberto que vimos, que por sinal era italiano e muito gostosinho (Rosso di Sera, mas não me perguntem o endereço que eu não sei). Gabe ligou quando eu estava no meio das minhas orecchiette com brócolis e bacon, mas àquela altura do campeonato a última coisa que queríamos era arrastar mala e carrinho pela rua de novo, de modo que acabamos pegando um taxi direto pro hotel e perdemos a socialização. Bosta.

Ficamos no Travelodge Waterloo, na Waterlood Road. O hotel é novinho em folha, mas é um Travelodge, ou seja, tem tudo o que você precisa e nada do que você não precisa, espartano mesmo. Como pra gente hotel só precisa ser limpinho e mais nada, deu pro gasto e ainda sobrou. Tomamos café lá dois dias, feijão, ovo mexido, bacon, tomate assado e linguiça, mais torradas, suco de laranja, iogurte, cereal, Nutella pra passar no pão, café etc pra quem toma. Por sete libras e meia, tava muito bom. Pagamos mais no Paul da Waterloo e comemos menos (mas que sanduba bão, nham…). Pena que não tinha absolutamente nenhum tipo de queijo, nem chocolate, quente ou frio que fosse, de modo que fiquei com aquela sensação de que tava faltando alguma coisa. Mas enfim: o hotel é muito bem localizado, a um passo da estação de Waterloo, que dá acesso a um monte de linhas e a trens, e está bem perto das principais atrações turísticas da cidade. Ótima pedida pra quem quer gastar pouco (relativamente, né, afinal estamos falando de Londres).

Não sei se foi a companhia, mas dessa vez desgostei menos da cidade. Também não vimos nada de tipicamente turístico, diga-se de passagem, porque não fomos pra turistar, mas mesmo assim achei tudo menos odioso do que da primeira vez. Até o sistema de transporte público, que me pareceu muito esquisito da outra vez, agora achei mais lógico (embora ainda prefira o de Paris). Comemos melhor do que da outra vez, mas acho que isso é porque estar com pessoas que conhecem a cidade faz toda a diferença do mundo.

Mas então: a Carolina brincou com a Julia e com a Vitoria, filha da Flávia, que adorei conhecer. Eu bati muito papo e gastei meu português. Sofremos um pouco com o frio horroroso, mas isso é detalhe. Encontrei a minha amiga suíça Susanne, que mora em Cambridge onde o marido dá aulas de física na universidade; o encontro foi rápido (por um erro de logística meu) mas ótimo pois gosto muito dela. Passamos a tarde de domingo na casa do Hiro, uma das minhas pessoas mais queridas do mundo, comendo curry vagaba de rua, conversando com a Barbara e babando no Jonas, que é o minijapa mais simpático do planeta. E na segunda voltamos pra casa sem problemas, com a maravilha adicional que é só precisar dirigir uns 8 minutos até em casa, em vez do perrengue que normalmente é a viagem pra pegar avião em Roma.

Resumindo, foi um fim de semana muito agradável. Tanto que estamos cogitando repetir a dose tipo assim todo ano, sabe. Ou pelo menos enquanto não sair um voo Perugia-Paris…