e depois dizem que eu que sou gorda…

A noitada de sábado teve seu preço: ontem estávamos completamente morgados e não tivemos forças pra ir ao cinema. Acabamos ficando em casa comendo pizza de alecrim com sal grosso e de cebola com sálvia (a de speck e scamorza ficou pra hoje) que fizemos juntos, e vendo Some Like it Hot no vídeo. As conclusões:

. A minha pizza é boa BAGARAI.
. A Marilyn era linda de rosto, mas absolutamente baranga de corpo. E que cabelo duro é aquele, minha querida? Quem inventou o platinum blonde contribuiu pra enfeiar a humanidade, e só.
. Não gosto de clássicos do cinema. Inocentes demais, bobos demais. Não gosto.

a coisa tá ficando boa (era hora!)

Então o lance é o seguinte: aquele cara de Todi, que aluga carro pra turista americano endinheirado, pra quem eu traduzo os e-mails de negociação com os gringos, me convidou pra ser intérprete de um grupo cheíssimo da grana que vem pra Toscana no final de junho. Se eles aceitarem os meus selviços, que obviamente não se limitam a traduzir do Inglês pro Italiano e vice-versa mas incluem explicações gastronômicas e enológicas (claro), históricas e linguísticas, curiosidades locais, além da minha infinita simpatia e capacidade de entretenimento, vou faturar uma graninha boazinha que vai dar pra quase pagar minha passagem pro Rio em julho – se eles deixarem gorjeta, melhor ainda, claro. E ainda por cima daria pra conhecer vários lugares interessantes da Toscana que eu nunca vi, com hospedagem e refeições pagas – essa parte das refeições é muito importante, vocês sabem. Pra isso vou ter que dar uma chorada na agência pra poder me ausentar durante esses dias. Como a coisa com a gringaiada não tá confirmada ainda, por enquanto boca de siri. Quando eu souber direitinho como vai a coisa e decidir quando vou dar a chorada, aviso, pra vocês acenderem velinhas.

E aí hoje outra coisa legal pintou, embora seja uma parada muuuuito mais remota. No final do ano passado vi na TV um programa chamado Donnavventura (o nome é cafonérrimo, mas o programa é legal). É uma equipe de mulheres que vão dirigindo por aí em lugares bizarros – tipo um Camel Trophy, lembram? O que eu vi foi na América do Sul, que não me interessa, muito pelo contrário. Não sei se eles foram ao Brasil, só vi os lugares mais podreira que eu não tenho a menorrrrrrrrr vontade de visitar – Peru, Bolívia, Colômbia, essas merdas. Fui lá no site ver onde seria o próximo e quando seria televisionado, e acabei me inscrevendo pra participar. Hoje recebi um e-mail dizendo que as entrevistas tête-a-tête serão em Roma no próximo sábado (o que infelizmente destrói meu esquema da feira de livros em Torino), na Piazza del Popolo. Eles fazem o mesmo esquema de recrutamento dos reality shows: vão com um furgão equipado de cidade em cidade, e a galera vai fazendo os testes, tudo filmado, claro. Já pensou, viajar dirigindo jipões em lugares surreais que eu nunca vou ter dinheiro pra visitar? Um dos requisitos é ter boa redação, já que o diário de bordo é obrigatório. Dos requisitos que eu acho mais importantes (pra eles) o único que eu reeeeealmente não tenho é ser fotogênica. O resto a gente dá um jeitinho… Velinhas, por favor.

hm

Empatado em primeiro lugar com fotógrafo da National Geographic, na minha lista de melhores empregos do planeta, está o de cenógrafo/figurinista do Cirque du Soleil. Quequeísso, minha gente.

Alinhás, o Cirque está na Itália pela primeira vez esse ano. No momento estão em Milão (Simone, franjuda linda do meu coração, que que cê tá esperando pra ir lá ver?), ou seja, completamente fora de mão, mas li numa entrevista com o italo-belga que comanda o batatal que em setembro chegam a Roma. Jacaré vai? O jacaré não sei, mas eu vou.

Vou também a Torino no próximo fim de semana, pra feira do livro lá deles. Pelo menos é o que estamos programando, mas como o futuro ao acaso pertence… ;)

primo maggio

Primeiro de maio aqui é coisa séria. Todo mundo almoça fora, e quem tem uma empresa paga o almoço pros funcionários. No ano retrasado eu fui ao almoço da oficina, e esse ano foi num restaurante onde a gente já tinha comido uma vez, há muito tempo, e não era lá essas coisas. Mas como foi a mula do Ettore que escolheu sem consultar ninguém, não tivemos muita escolha.

Acabou que comemos mal (era peixe, mas tudo em pequenas quantidades e de pouca qualidade), mas demos muita risada. No nosso canto da mesa tinha o Yavo, da Costa do Marfim, um negão educadíssimo que apesar dos 4 anos de Itália fala super mal italiano mas é muito inteligente e divertido; Dejan, da Sérvia; Mustafa, vulgo Musty, marroquino, uma das pessoas mais feias que eu já vi na minha vida, e que, como todos os marroquinos aqui, bebe álcool e come porco quando não há outros marroquinos por perto; David, maconheiro siciliano (ou seja, é quase como se não fosse italiano) que sempre nos ajuda quando mudamos de computador e tem que instalar tudo de novo; Marco, um esquisitinho de Bastia mesmo; e Katerina, uma polaca da minha idade e com a malícia de uma uva sem caroço, que o Yavo conheceu na igreja mas ninguém sabe por que veio almoçar com a gente, já que ninguém mais a conhecia. Falou-se de tudo, das causas da guerra civil e da pobreza na Costa do Marfim até a relação dos poloneses com o papa. Ri muito mesmo, e ainda troquei várias idéias culinárias com o Yavo, que obviamente adora inhame, farinha de mandioca, manga e banana de verdade em vez dessas porcarias que tem aqui, e por aí vai. Eu adoro inhame e morro de saudade, mas aqui não tem mesmo e ninguém nunca ouviu falar, eu não consigo nem explicar o que é porque neguinho não tem a menor idéia do que seja. Ontem trocamos várias receitas de inhame. E rimos muito da Katerina, que não está acostumada a beber e depois de uns três copinhos de vinho ruim já dava risada sem parar, e COMEU OS CAMARÕES COM CASCA, CABEÇA E TUDO MAIS, porque ela nunca tinha visto um camarão na vida e ninguém avisou a ela que essas coisas não se comem!

Acabamos dormindo depois do almoço e acordando super tarde. Saímos de casa à meia-noite pra encontrar Marco e Michela num bar, e de lá eles tiveram a brilhante idéia de ir dançar. Eu não tenho mais paciência pra esse tipo de programa, honestamente, e a coisa piora porque ninguém nas discotecas italianas sabe fazer uma caipirinha que preste, e ainda por cima usam açúcar de cana não refinado, marrom e que não dissolve nunca. E chegar em casa às quatro e meia da manhã FEDENDO HORRIVELMENTE A CIGARRO acaba com o meu humor. O único divertimento da noite foi ficar rindo das cubistas. Toda boate italiana tem uma ou mais cubistas, que são garotas gostosonas que ficam dançando seminuas em cima de cubos, que na verdade são mini-palcos colocados em pontos estratégicos. As de ontem eram duas, uma louraça belzebu com cara de quem tem o Q.I. de um caramujo e uma morena lindíssima com jeito de entediada que só mexia os quadris e os braços, fazendo biquinho. As duas de meia-calça cortada no joelho, cintos metálicos (meia-calça sem saia ou short, hein!), LUVINHAS SEM DEDOOOOO, bustier de renda e scarpins altíssimos. Todas elas dançam mais ou menos da mesma maneira, sempre muito sérias, como se o seu trabalho fosse importantíssimo pra manutenção do eixo de inclinação da Terra em relação ao sol. Quando eu chegar aí no Rio faço a imitação pra vocês verem.

Hoje quero ir ao cinema de qualquer jeito, tem muito filme que eu quero ver.