Chiavari Hoje vimos o homem

Chiavari

Hoje vimos o homem mais lindo do mundo, na loja de frutas ao lado da escola. Estavamos comprando inocentes batatas pro almoço quando vimos esta coisa de loucooooooooo, olhos azuis, nariz esculpido, queixo masculo, alto, cabelo raspado, uma coisaaaaaaaaaaaaaa. Nem precisa dizer que eu e Syrlea tivemos um ataque de riso dos brabos.

Fizemos um super hiper mega almoço tabajara (as tais coscettes de frango, pire de batata, ervilhas na manteiga, cenourinhas) e depois fomos cuidar da beleza. Passei henna no cabelo da Syrlea (anos de pratica com a minha mae…), me empolguei e resolvi passar um pouco no meu tambem. Ficou maneiro :) Pro Ano Novo acho que vou passar nele todo. Vai ficar cor de Coca-Cola.

Vamos jantar batata assada no forno com recheio de ricota e presunto. Alguem se habilita?

(Desnecessario dizer que o processo de Ajamantaçao jah começou. Ganho ponderal importante.)

beijitos
leticia

Chiavari Pois eh, domingo passado

Chiavari

Pois eh, domingo passado fomos aos museus do Palazzo Pitti, vimos os Jardins de Bòboli (lindos), almoçamos super bem, fomos ao Duomo mas nao deu pra subir na cupula (sabe-se lah o motivo, mas tava fechada), e voltei pra casa. Eh claro que chegar a Chiavari nao foi assim tao facil, afinal de contas, o lema aqui na Italia eh, NADA FAZ SENTIDO. Ir eh sempre mais facil do que voltar. Resultado: cheguei aqui 11 da noite, absolutamente faminta, e cansadaça. Fui comer um macarrao basico e depois fui mimir.

Ontem entrou uma outra aluna na minha sala, uma japonesa que se chama Eriko (vai entender…). Pelo menos nao tenho mais que assistir aula sozinha. Pra variar, nao fizemos coisa alguma de tarde.

Hoje fiz menos ainda: tava chovendo de manha, e minha garganta doia, e minha cabeça idem, resolvi ficar em casa (o que nao eh muito diferente de sair de casa, jah que o que tem pra fazer eh basicamente nada). Segundo relatos da Syrlea, que foi à aula hoje, rolou um semi-barraco entre a Cheetarah (a secretaria do curso, loura, toda cheia de pintas) e os professores, que nao recebem hah meses. Notaram alguma semelhança?

Enfim, eu e Syrlea acabamos de comprar ‘coscette’ de galinha (nada mais do que a velha coxa de frango, soh que se pronuncia ‘co’chet’, acento no o), que comeremos amanha com pire de batata e ervilhas, pra fugir um pouco do macarrao.

Preciso comprar mais Nutella, a minha acabou.

Tao notando um certo tedio ou sou soh eu?

Esse fim de semana começa na quinta-feira. Vou encontrar Valeria em Pisa, no sabado vamos a Lucca, e no domingo a Siena. Uhu!

beijos coscettes,
leticia

Florenca Semana passada Mademoiselle Mumia

Florenca

Semana passada Mademoiselle Mumia (a inglesinha palida e quieta que mora com a gente) resolveu dar um upgrade no seu cardapio basico de spaghetti com molho de tomate enlatado, e inventou de fazer um risoto. Muito esperta, meteu metade do pacote de arroz na panela, com ervilhas (!), sem sal, e agua que dava pra irrigar o Piaui na epoca da seca. Nem eh necessario dizer que o negocio comecou a borbulhar e parecia que tava vivo. Ela, entao, doou aquele negocio pra gente (ela ve a gente comendo feito loucas e tudo que sobra de comida dela, tipo macarrao que ela faz demais e depois nao quer requentar, ela doa pra nos coitadas esfomeadas). Tentamos fazer um suppli’, mas saiu um negocio esquisito… Nao foi bom nao.

Sexta-feira em vez de aula de conversacao a escola toda (leia-se 6 alunos) foi visitar um predio historico da cidade. Bonito, uns quadros lindos, vasos chineses, mesas boniterrimas, cortinas desbundantes. Voltei pra casa, fizemos almoco (macarrao com um franguinho basico que eu fiz), fiz minhas unhas, que estavam em estado lastimavel, e me piquei pra Pisa. A conexao pra Firenze saiu rapido, e depois de uma horinha e uma lua linda e enorme por tras das montanhas encontrei a Valeria na estacao de Santa Maria Novella. Fomos pro apartamento dela, batemos papo, e (bem) mais tarde chega a Laura, a tal menina de Utah que conhecemos no albergue de Genova, que acabou se aboletando por duas noites no apartamento da Valeria. Saimos nos tres todas montadas pra night, encontramos uma outra americana que a Laura conheceu por aqui e que tinha sido chutada pelo namorado italiano, e fomos dancar. Dancamos pra burro, nos divertimos horrores, pegamos um taxi (eu e Valeria, as duas ficaram fofocando) e fomos mimir. Nove horas da manha, eu jah acordada, lendo Harry Potter e italiano, a Laura chega. Um pouco depois Valeria resolve fazer um cafeh da manha nababesco, estilo Mediterranee; saimos, deixamos a Laura na estacao (ela ia pra Veneza, e depois pra Croacia. Vai entender.) e fomos rodar. Vimos os basicos: Ponte Vecchio (ponte aqui eh masculino, acho engracadissimo), Santa Croce, Uffizi, etc. A cidade eh uma gracinhaaaaaaaaaaaaaa, e as papelarias quase me botaram malucas… Cada coisa linda de morrer! Jantamos num restaurante onde o garcom se mete na conversa dos patroes que jantavam no nosso lado, e ainda deu dicas de boate pra nos, sentado na nossa mesa. Uma lasagna show de bola. Mas as batatas fritas que eu comi depois tavam meio engorduradas e me deram digamos um certo desconforto intestinal de madrugada. Nada digno de nota.

Hoje temos um museu de roupas pra ver (vou ter filhos pelos ouvidos, apesar de serem roupas mais modernas, eu gosto do ano 1000 ateh 1300 mais ou menos, esse eh um pouco mais recente), uns jardins, blah blah blah. Gostei de Firenze :)

Mas, sem querer ser repetitiva mas jah sendo…
Nada como Roma.

baci a tutti
leticia

Chiavari Pois eh, depois de

Chiavari

Pois eh, depois de uma certa luta, chegamos. Mofamos uma meia horinha dentro da escola, porque a faxineira (indiana) abriu a porta pra gente, ateh o diretor chegar, um alemao cabeludo de oculos com cara de roqueiro. O apartamento eh bem legalzinho, apesar de nao ter lençois e nao termos ainda encontrado um lugar que venda lençois. Como faz falta uma filial das Lojas Americanas!

A cidade eh um ovinho (35.000 habitantes), e um tedio total. Pelo menos nao eh tao frio, tem feito algo em redor dos 15 graus. Hoje choveu (alias, no pais inteiro), mas amanha tem previsao de suave melhora. Pra mim nao faz diferença, a aula eh soh de manha, volto pra casa, cozinhamos (hoje comprei carne moida, fiz molho a bolognesa, mas acho que era carne de cavalo, a bichinha nao ficava dourada nem depois de horas fritando. Eu cozinho, Syrlea lava), e sou forçada a dormir, porque nada abre depois do almoço. Vidinha mais ou menos, neh naum?

A outra moradora do apartamento eh uma inglesa com um sotaque horripilante de um …fordshire qualquer da vida. Bonita pra caramba, 16 aninhos, super elegantinha mermo de jeans e camiseta… Aquele tipo que dah raiva, sabe? Ainda mais quando meu cabelo começa a se revoltar, como agora. Ele hoje me disse depois do banho que esse ar marinho de Chiavari nao faz bem pra ele, que ele tem que voltar a Roma. Fazer o que, neh… ;)

Esse fim de semana parece que rola um festival de vinho em Chianti (eh isso mermo, a propria), perto de Florença. Como aqui num tem xongas pra fazer, lah vou eu pra ficar na casa da Valeria em Firenze… Oh vida, oh ceus! ;)

Amanha vou fazer um franguinho com legumes. Como eh bom comer comida de gente! (mermo que seja carne de cavalo, palida que dah pena).

Achamos esse lugar de internet, loooonge que doi, mas razoavelmente barato. Como varios dias de tedio ininterrupto me aguardam por aqui, que eu jah percebi, vou ter tempo de responder tooodos os emails… Se tiver paciencia e se nao estiver chovendo lah fora.

Quinta-feira vamos a Luca, na Toscana, onde a Syrlea tem umas pesquisas malucas pra fazer. Uma amiga de uma amiga dela vai buscar a gente aqui (ela mora aqui perto), pelo menos nao vai ser uma tarde perdida dormindo!

Enfim… Sem mais no momento, despeço-me. Ou, como diria o cara que apresentou o ballet da Tailandia que eu e Syrlea vimos no Rio…
Atenciosamente (assim mermo, feito carta, uma despedida no ar)

Leticia

Genova Bom, como pode-se perceber,

Genova

Bom, como pode-se perceber, nao rolou Milao. Por varios motivos: primeiro, eh fria e cara. Segundo, nos disseram no albergue de Verona, que por sinal era uma bosta, que o de Milao era pior ainda. Depois de um mes carregando mala escada acima e escada abaixo, tomando banho em chuveiros horrorosos, e dormindo em camas desconfortaveis (o colchao e o travesseiro de Verona eram que nem os de S. Francisco, de pedra, duros feito uma rocha), resolvemos nos dar de presente algumas noites a mais em Genova, onde o albergue eh novo e considerado o melhor da Italia. Depois de muitas turbulencias ferroviarias, incluindo corridas na estacao pra pegar a conexao pra Genova, finalmente chegamos. O motorista de taxi era meio biruta, foi xingando da estacao ateh o albergue, que por sinal fica no alto de uma colina, tem uma vista linda. O albergue realmente eh bonitinho e confortavel, limpinho, tudo novo, o pessoal eh super legal. Gostamos :)

Pois eh, essa primeira noite foi a morte, dormimos feito cadaveres, o mundo poderia ter caido que a gente nao ia ter percebido. Soh que nao conseguimos pegar o trem das 8 pra Milao pra pegar a Syrlea. Tentamos de tudo pra ir pra lah, mas nao tem onibus (ninguem aqui anda de onibus intermunicipal, soh trem), tentamos alugar carro mas nao tinha. Ficamos desoladas e meio desesperadas, porque chegou a hora do voo dela chegar, passou da hora, passou MUITO da hora, e nada de noticias de Syrlea. Depois das tres e meia, hora em que o albergue abre, voltamos pra lah porque ainda estavamos exaustas. No final da tarde liga a Syrlea avisando que o voo demorou horas e coisa e tal. Ficamos mais calmas, principalmente porque ela resolveu ficar por lah na casa de amigos, e soh vai vir pra cah encontrar a gente no sabado ou coisa que o valha. Fomos dormir cedinho.

Ontem jah acordamos mais bem dispostas, embora os hematomas da minha perna ainda nao tenham desaparecido (a mala vai batendo na coxa quando desço ou subo escadas. Fora as mil vezes em que ela caiu no meu peh quando descia os degraus do trem), nem a dor no peh. Meus pehs, alias, estao meio assim peh de quadro de Portinari. Um cascao que num tem mais tamanho, de tanto andar. Eu precisaria de um mes soh andando de pantufas pra recuperar meus pobres pezinhos. Anyway, encontramos um restaurante brasileiro chamado Berimbau, os donos sao italianos mas compraram o negocio de uns brasileiros, e tem um garoto de Santo Andre que trabalha lah e tocou um Djavan pra gente no violao enquanto comiamos um feijaozinho basico (que nao tava lah essas coisas, mas aih era exigir demais) com arroz, uns franguinhos enrolados no bacon, umas carninhas malucas lah. Sentimos falta soh da farofa. Fechamos o almoço com um sorvete de nozes e chocolate, e ficamos rodando. Nao aguentamos bater muita perna e tambem voltamos cedo pro albergue, onde jantamos um tortellini de nada com molho tambem com sabor de nada. Muito legal.

Ontem de manha, depois de deixar filmes pra revelar e mais umas peruadas basicas pela cidade, fomos a um museu, Palazzo Ducale, onde tava rolando essa mostra de pintores russos que passaram aqui pela regiao da Liguria pra estudar artes e fizeram uns quadros bonitos, outros nem tanto. De lah, tocamos pro Aquario de Genova, o maior da Europa. Um pouco decepcionante, mas mesmo assim maneiro, e fugiu um pouco do nosso esquema de ver quadros de santos, que eu jah estou um pouco cansada. Como quando saimos do aquario jah nao tinha nenhum restaurante aberto pra almoço, terminamos comendo decadentemente no McDonald’s. Comprei uns livrinhos na Mondadori e nos picamos pro albergue. Dormimos cedo mais uma vez (estamos ficando velhas).

Comentarios nonsense variados:

– Em Florença tem um Rincao Gaucho (ouvimos a propaganda, com bom xi bom xi bom bom bom ao fundo) no radio, no carro do Guido, a caminho de Florença pra deixar as malas.

– Esse ar maritimo de Genova tah deixando meu cabelo meio assim estilo juba, feito o leao da Nemeia (aquele que o Hercules matou).

– No dia do almoço no restaurante brasileiro fizemos nossas sobrancelhas sentadas na praça, pegando sol pra esquentar os ossos.

– Guido achou um cabelo branco na minha cabeça, outro dia Valeria achou outro, enorme, todo cacheado. Guardei ateh na carteira.

– Nossos cabelos crescem feito erva daninha, tanto o meu quanto o da Valeria. Jah cresceram bem desde que saimos, vi as fotos de Pompeia e parecia que eu tinha acabado de cortar.

– Hoje de manha tinham uns portugueses HORROROSOSSSSSSSSSSSSSS no albergue, indo ver um jogo de futebol do time deles aqui, sei lah contra quem. Eita gente feia, so!

– Nossa programaçao para hoje eh: andar o menos possivel, pensar e falar o menos possivel, dormir o mais cedo possivel. Essas ferias deram uma canseira… Acho que vamos precisar de novas ferias.

baci a tutti

Ainda Verona Ontem foi soh

Ainda Verona

Ontem foi soh a gente botar o peh fora do lugar aqui de internet que comecou a chover. Chuva + frio = uma merda. Deu fome na Valeria, paramos num quiosque de batata frita e, surprise, a garota era brasileira! Chama Franciane, eh de Santa Catarina, lourinha, bonita e muito simpatica. Estao ela e o marido morando e trabalhando aqui, dizem que tem milhares de brasileiros em Verona (ainda nao encontramos nenhum que nao fosse turista). Confirmou o que a gente imaginava: trabalhar com italiano eh uma merda! Eles sao simpaticos e engracados, e a gente foi destratada por poucos ateh agora, mas sao super grossos, isso eh inegavel.

Bom, depois de caminhar na chuva ateh o albergue (descobrimos que o albergue foi casa do Paganini, tem uns jardins lindos!), chegamos no quarto e ta-daaaaaa o aquecedor estava desligadooooo! Lah fomos nos roubar cobertores dos outros quartos. Eu, que sou super calorenta, dormi com 3 cobertores. Eh obvio que acordei varias vezes durante a noite pra rearrumar os cobertores, que insistiam em sair de sua posicao inicial. Pra completar o martirio, o banho de manha foi assim meio friinho, sabe. Justo eu, que ODEIO agua fria em qualquer circunstancia, no inverno entao fica melhor ainda… Mas tomei banho assim mermo, questao de honra. O cafeh da manha foi bem pimba, mas ainda deu pra guardar um paozinho basico pra hoje à noite. Como nos ensinaram nossas avos, quem guarda tem, neh :)

Hoje aqui tah tudo fechado. Voce passa em frente às lojas e tah tudo escrito ‘lunedì chiuso’. O povo pra trabalhar pouco, credo! Ontem queriamos deixar filme pra revelar, perguntamos pra mulher se ela ia abrir hoje. Resposta: se nao chover…

Alias, falando em dialogos estranhos, ontem no trem pra cah tinha um casal sentado no banco em frente a nos. A menina era obviamente americana, loura, bonitinha. O cara era o cao chupando manga, e obviamente nao americano. Valeria chutou que era frances, e depois vimos que era mermo. O cara cheio de amor pra dar e a garota nada… Aih ele vira pra ela e pergunta:
– Que que foi, eu to fedendo?
Ao que ela prontamente respondeu:
– Tah.
Apos este dialogo bizarro segue-se a seguinte cena: o feioso enfiando a cara toda dentro da camisa, pela gola, pra confirmar o fedor.
Sem comentarios.

Como hoje tudo tava fechado, ficamos soh dando voltas e entrando em igrejas. O tempo ainda tah chuvoso, de vez em quando dah um chuvisco chato. As nossas falas mais comuns sao, em ordem de frequencia:
– Meus pes tao gelados.
– Os meus tambem.

– Minhas maos tao geladas.
– As minhas tambem.

– Meu nariz tah tao gelado que parece que vai cair.
– O meu tambem.

E Syrlea ainda escreve uma ultima mensagem antes de viajar (a gente tah indo pra Milao hoje pega-la no aeroporto):
– Meu amigo de Milao disse que lah jah tah 3 graus…

Prognostico sombrio, meus queridos. Sinto meus dedos do peh jah se mumificando e caindo com o frio, meu nariz e meus dedos da mao azuis, em cianose das extremidades. Meu couro cabeludo entao, quando eu saio de cabelo molhado do banho de manha, fica gelaaaaaado… Eu e Valeria fizemos uma ode ao frio, em Ravenna (estilo repente):

O meu couro cabeludo
Tah ficando geladinho
O vento congela tudo
Ateh nosso narizinho

Uma outra perola do cancioneiro nordestino:

Mas que chuva mais pentelha
Essa agua tah tao fria
Congela minhas orelha
A sua, a dele e da tua tia

Agora eh hora de juntar coragem pra, depois de umas outras igrejas, voltar pro albergue, pegar as malas (que saco carregar mala, to ficando que nem jogador de tenis, sarada de um braco soh, porque nao tenho coordenacao motora pra carregar a mala no braco esquerdo) e voltar pra estacao pra pegar o trem. Haja saco!

Eu to doida pro curso comecar logo, acabar logo e a gente voltar pra Roma de novo… Vamos tentar alugar um apartamento (seremos 4, vem mais uma amiga, a Luciana), e aih acaba aquela palhacada de ter hora pra voltar pro albergue. A gente doida pra sair pra dancar, pra um barzinho ouvir banda tocando, e as merdas dos albergues fechando onze da noite, onze e meia. Vamo cair na night de Roma! Todos os narizes de Roma serao poucos para nos!

Okay, chega.
Beijos da Julieta (aqui tem um doce, tipo um suspiro, que se chama Bacio di Giulietta),
Leticia.

Verona Pois eh, hoje saimos

Verona

Pois eh, hoje saimos cedo de Padova, ateh porque nao tinha mais nada lah pra ver, e viemos pra Verona. Na hora de entrar no trem me passa um cara e para pra falar com a gente:
– Eu sou da policia, se voces forem pegar esse trem aih, evitem os ultimos vagoes.
Muito bem, logo percebemos o porque (bota um acento circunflexo nesse porque aih) do aviso: tinha uma galeeeera pendurada pra fora das janelas, sacudindo cachecois e bandeiras e bones com a cor de um time de futebol qualquer, ou pelo menos foi o que achamos que fossem. Deviam estar indo pra Milao (pra onde ia o trem) ver um jogo, sei lah. Uma baderna que se ouvia de longe!

Mas enfim.Chegamos a Verona na hora do almoco, e ficamos pastando quase uma hora no ponto de onibus (hoje eh domingo, eles tem um esquema especial de transporte no domingo que deve envolver a reducao da frota a um onibus soh que fica dando a volta na cidade, esperamos seculos e nada do bicho vir, soh depois que jah estavamos dentro do taxi – eh claro.). Olhavamos em volta e soh tinha preto, eu tava me sentindo meio insegura (nada contra, mas eles tinham umas caras horriveis, de assaltante frio e calculista, sabe?). Aih chegamos no albergue… O albergue eh o seguinte, eh um predio historico de pedra maravilhoso, com cara de castelo – alias, acho que eh mermo um castelo – e um cara super simpatico na recepcao. Fomos meio que comendo pelo caminho, andando na direcao do centro da cidade. Uma coisa linda de morrer, totalmente conto de fadas, umas casinhas lindas, coloridinhas, uns jardins lindinhos, umas pracas escondidas, uma coisaaaaaaaaaaaaaa! Quer saber? Gostei MUITO mais daqui do que de Veneza. Pelo menos num tem aqueles barquinhos lerdos e barulhentos.

Hoje eh um dia comemorativo de Verona como patrimonio historico da humanidade, olha soh a cagada: todos os museus e exposicoes de graca! Vimos um monte de coisas: a casa da Julieta (sem graca, tadinha), a arena coliseu-like que tem por aqui, um museu no Castelvecchio, um outro museu arqueologico… A-DO-RO entrar sem pagar, oooooooo como adoro! ;) Pra completar, depois do pavor dos precos de Veneza, achamos esse lugar internetal bem legal, perto do tal Castelvecchio (um castelao antigo, com fosso e tudo), com precos bem razoaveis e teclados decentes. Aqueles teclados das maquininhas da Telecom Italia sao de dar doh (doh e dor na coluna, credo).

Uma coisa que eu esqueci de comentar sobre Murano: entramos numa loja pra compar brincos e a Valeria entrou num papo com o senhor vendedor bafudo, perguntou se era possivel ver alguem trabalhando. Ele indicou a oficina de um mestre vidraceiro que seria um dos ultimos grandes mestres de Murano. Fomos, e ao entrar damos de cara com um ajudante com uma camisa escrito Copacabana! Daquelas com arara e tudo! Daih pra ele gostar da gente foi um pulo, deixou a gente assistir ao velho trabalhando (fazendo umas folhas lindas de vidro, que iriam fazer parte de uns lustres com modelo do seculo qualquercoisa), e ainda deu dois cavalos de vidro pra gente. Tudo bem, sao cavalos tabajara, mas po, cavalos de vidro de Murano! Foram meio que um presente de grego, coitado do copacabanense, carregar esses bichos tem sido um parto. O meu estah dentro das meias de la, dentro de um gorro, no meio do pijama.

Comentarios gerais que eu venho esquecendo sempre de fazer:
– Com o frio, estamos virando mulheres-cebola: tem sempre mais uma camada de roupa por baixo. Um tarado teria muito trabalho pra chegar ateh a camada que interessa.
– Ontem em Padova, numa praca do lado da universidade, vimos uns cartazes esquisitos colados na parede. Depois de chegar mais perto e dar uma lida, entendemos que os cartazes devem ter sido feitos por amigos dos formandos, todos com caricaturas horrorosas, envolvendo sempre um penis, ou flatos, ou outras particularidades igualmente interessantes, e com poeminhas hilarios contando a vida do formando ateh o momento da formatura. Engracadissimo, riamos de rolar! Pena que nao dava pra tirar foto, as letrinhas iam sair ridiculamente pequenas e ilegiveis.

– Outros modelitos italianos: as meninas vestem saia por cima das calcas (que nem precisam ser legging), os rapazes usam o cabelo empastado de gel na testa e atras tudo espetado, tanto meninas quanto rapazes usam umas mochilas SUPER HIPER MEGA coloridas e obviamente ridiculas, e os piercings estao em absolutamente todos os lugares possiveis e imaginaveis. O mais engracado eh ver aquelas familias tradicionais italianas nas estacoes de trem – avo, avoh, mae, pai, tios, e os adolescentes todos de cabelos estranhamente coloridos e cortados, piercings variados, calcas com as bocas maiores que o sino de Belem, e sempre fumando. Muito esquisito.

– Todo mundo vive olhando pra minha mala pra tentar ler a etiqueta e descobrir de onde viemos (qualquer dia vou mudar a etiqueta e botar Planeta Marte).

– Todo mundo fica me olhando, segundo relatos de Valeria, quando eu sento no computador pra digitar. Serah que eh porque eu sou meio apressadinha?

– As japonesas tem um ritual de beleza que inclui muita maquiagem, muitos cremes, e muitos tapinhas massageadores no rosto. Coisa mais engracada do mundo. A gente tem dias que acorda com o barulho dos tapinhas das japas.

– Ontem fomos forcadas a fazer um varal à la Yasmine e Adriana: totalmente favelinha. Calcinhas, meias e toalhas, mais uma blusa que eu lavei no banho, penduradas no estrado do beliche (botaram a gente no beliche do lado do aquecedor, Valeria quase saiu com a bunda assada).

– Eu gostaria muito de saber de que eh que vivem os pretos que moram aqui. As unicas coisas que eu vejo eles fazendo eh vender imitacoes da Louis Vuitton, cachorrinhos e coelhos HORRENDOS com olhos vermelhos que piscam, alem de andar e latir/fazer barulho de coelho, castanhas, e posteres horriveis. Detalhe que ateh hoje a gente nao viu NINGUEM comprar NADA de nenhum deles. Vai ver que eles trocam os coelhos por castanhas e vivem soh de castanhas, quem sabe.

Bom, em breve retornaremos ao nosso castelinho. Espero que o tempo se mantenha bom e soh comece a chover/nevar em Milao, que nao tem nada de interessante mermo. Amanha ainda queremos dar uns roles por aqui, a cidade eh muito bonita.

Baci a tutti,
Leticia

Padova Saimos cedo (ateh porque

Padova

Saimos cedo (ateh porque o cafe da manha termina oito e meia). O dia tava lindo, mas um frio danado. Descobrimos uma feira aqui perto do albergue meio mercadao de Madureira, vende tudo, de brinquedos do Paraguai a roupas, artesanato, lava-roupas, aquecedores a lenha. Compramos algumas coisinhas e depois fomos andando ateh a Basilica de Santo Antonio.

A Basilica

Eu me sinto sempre absolutamente desconfortavel em igrejas quanto tem alguma coisa acontecendo (um culto, uma missa, uma liturgia etc). Nao soh nao sei como me comportar, como me sinto meio alienigena. Nao tenho essa necessidade de acreditar numa coisa ou forca maior, nao me sinto tocada espiritualmente, nao consigo separar o proposito bom da igreja catolica da historia sanguinolenta do passado nem das ideias retrogradas do presente, nao consigo deixar de pensar na hipocrisia da coisa toda. Dois exemplos do que eu chamo de palhacada: as velas eletricas (lampadas imitando velas) que acendem com moedas, e as tais ofertas que sao na verdade compulsorias: voce pega um santinho, e se nao der nada o cara vai atras de voce pedindo a tal ‘oferta’. Me poupe, neh.

Hoje, em particular, que tinha zilhoes de freirinhas simpaticas na igreja, tavam cantando uns negocios bonitos lah, e tinha alguem tocando um orgao extremamente apocaliptico, eu meio que entendi a sensacao ambigua de conforto e medo que as pessoas devem sentir em relacao a religiao. A Basilica de S. Antonio eh uma das mais bonitas que jah vimos ateh hoje, realmente belissima, embora nem de longe a mais opulenta onde jah entramos. As cupulas sao altissimas, os arcos atras do altar principais sao goticos, decorados ricamente, lindissimos. A Valeria entrou chorando, rezou e se emocionou muito, e eu me senti meio deslocada. A impressao que eu tenho, a cada vez que passamos pela nave de uma igreja pra ver o altar e todo mundo se benze menos eu, eh a de que as pessoas me olham com uma cara assim de ‘coitada, nao sabe o que estah perdendo’. Eh bastante desconfortavel. Eu gosto de entrar em igreja, desde que nao esteja rolando nada; choro se vir alguma coisa realmente bonita, mas as vezes imagino como deve ser ter um outro tipo de reacao que nao a puramente estetica, como a minha. Pra mim, entrar em S. Pedro em Roma foi uma das coisas mais bonitas que jah me aconteceu, mas foi soh isso – lindo. Pra quem eh do ramo, deve ser uma experiencia infinitamente mais significativa. Mas, apesar de tudo, toda essa minha experiencia nas igrejas da Italia soh serviu pra fortalecer minha crenca em crenca alguma.

Almocamos (bem) num restaurante onde soh tinha velho. Duzias de velhos serelepes mandando ver nos frutos do mar. Comida otima, os melhores precos que jah pagamos desde que aportamos na Italia. Depois ficamos rodando com calma, vendo a lerdeza da cidade, dando voltas, passeando, fazendo nada, depois compramos frios no supermercado, um queijo que soh existe na loja onde nos compramos (ha ha ha voce nao come-eeeeeeu), e voltamos cedo pro albergue. Ainda fechamos o dia com o tal queijo (que dah cocegas na gengiva), VinSanto, Valeria com creme no cabelo endurecido, e por aih vai. A chave de ouro foi o Lindt meio amargo. Soh lamento por voce que esta aih no conforto do seu lar, sem ter que desarrumar e arrumar mala a cada 36 horas, mas sem um VinSanto e uns cantucci pra te alegrar.

Beijos de santo antonio pra todos
leticia

Padova, terra de Sto. Antonio

Padova, terra de Sto. Antonio

Ontem quando voltamos pro albergue fomos supreendidas com um jantar barato que incluia um prato de massa (molho pomarola, mas tudo bem) em porcao generosa, mais hamburger de frango com fritas e salada, mais uma fruta (apple), mais um paozinho gostosinho que guardei pra hoje. Melhor jantar que comemos em semanas!

Hoje de manha fomos a Murano comprar aquelas coisas de sempre que tudo que eh mulher adora. Almocamos por lah mermo, ateh que bem (pra compensar a bosta de almoco de ontem), e voltamos todas serelepes, eu crente que ia conseguir ir ao museu de tecidos e roupas. Soh que nos esquecemos que os diabos dos barquinhos que funcionam como onibus sao MUITO lentos (bem do jeito que eu gosto…) e dao uma volta do cacete. Resultado: chegamos depois das quatro, e o museu jah tava fechado. Pra voltar pra igreja de N. S. da Saude, que nao tinhamos visto ainda, demoramos outro seculo. E depois outro seculo pra voltar pra estacao. Ah, me poupe, as gondolas sao lindas, a cidade eh linda, os arcos arabes sao lindos, os canais sao lindos, mas EH MUITO CHATO aquilo lah, credo! Mais um dia de enchente na praca e voltas pelos becos e horas num barco lento e barulhento, sem falar nos precos abusivos de TUDO, e a gente ficava maluca. Saimos de lah correndo. Comemos um negocinho na estacao mermo e viemos pra Padova. Estavamos tao desiludidas, veneziamente falando, que viemos de taxi pro albergue. A Valeria, que tava reclamando de frio, foi colocada numa cama do lado do aquecedor. Fora o fato de que o quarto tem *soh* 16 camas, o albergue eh ateh bem passavel. Pelo menos nao tem aquele bando de maluco que tinha em Roma e Veneza. Mas eu to traumatizada com as espanholas estragadoras de guarda-chuva; se eu ouvir alguem falando qualquer coisa do tipo ‘estoy muy decepcionada’ (atente para a pronuncia: muy dethepthionada) eu mato!

Como Syrlea soh chega dia 20, temos alguns dias pra matar por aqui. Talvez fiquemos mais um dia em Verona, que dizem que eh linda e que o albergue fica num castelinho antigo. Como nada aqui eh o que parece, vamos esperar pra ver.

Baci romani a tutti
leti