Ainda Verona
Ontem foi soh a gente botar o peh fora do lugar aqui de internet que comecou a chover. Chuva + frio = uma merda. Deu fome na Valeria, paramos num quiosque de batata frita e, surprise, a garota era brasileira! Chama Franciane, eh de Santa Catarina, lourinha, bonita e muito simpatica. Estao ela e o marido morando e trabalhando aqui, dizem que tem milhares de brasileiros em Verona (ainda nao encontramos nenhum que nao fosse turista). Confirmou o que a gente imaginava: trabalhar com italiano eh uma merda! Eles sao simpaticos e engracados, e a gente foi destratada por poucos ateh agora, mas sao super grossos, isso eh inegavel.
Bom, depois de caminhar na chuva ateh o albergue (descobrimos que o albergue foi casa do Paganini, tem uns jardins lindos!), chegamos no quarto e ta-daaaaaa o aquecedor estava desligadooooo! Lah fomos nos roubar cobertores dos outros quartos. Eu, que sou super calorenta, dormi com 3 cobertores. Eh obvio que acordei varias vezes durante a noite pra rearrumar os cobertores, que insistiam em sair de sua posicao inicial. Pra completar o martirio, o banho de manha foi assim meio friinho, sabe. Justo eu, que ODEIO agua fria em qualquer circunstancia, no inverno entao fica melhor ainda… Mas tomei banho assim mermo, questao de honra. O cafeh da manha foi bem pimba, mas ainda deu pra guardar um paozinho basico pra hoje à noite. Como nos ensinaram nossas avos, quem guarda tem, neh :)
Hoje aqui tah tudo fechado. Voce passa em frente às lojas e tah tudo escrito ‘lunedì chiuso’. O povo pra trabalhar pouco, credo! Ontem queriamos deixar filme pra revelar, perguntamos pra mulher se ela ia abrir hoje. Resposta: se nao chover…
Alias, falando em dialogos estranhos, ontem no trem pra cah tinha um casal sentado no banco em frente a nos. A menina era obviamente americana, loura, bonitinha. O cara era o cao chupando manga, e obviamente nao americano. Valeria chutou que era frances, e depois vimos que era mermo. O cara cheio de amor pra dar e a garota nada… Aih ele vira pra ela e pergunta:
– Que que foi, eu to fedendo?
Ao que ela prontamente respondeu:
– Tah.
Apos este dialogo bizarro segue-se a seguinte cena: o feioso enfiando a cara toda dentro da camisa, pela gola, pra confirmar o fedor.
Sem comentarios.
Como hoje tudo tava fechado, ficamos soh dando voltas e entrando em igrejas. O tempo ainda tah chuvoso, de vez em quando dah um chuvisco chato. As nossas falas mais comuns sao, em ordem de frequencia:
– Meus pes tao gelados.
– Os meus tambem.
– Minhas maos tao geladas.
– As minhas tambem.
– Meu nariz tah tao gelado que parece que vai cair.
– O meu tambem.
E Syrlea ainda escreve uma ultima mensagem antes de viajar (a gente tah indo pra Milao hoje pega-la no aeroporto):
– Meu amigo de Milao disse que lah jah tah 3 graus…
Prognostico sombrio, meus queridos. Sinto meus dedos do peh jah se mumificando e caindo com o frio, meu nariz e meus dedos da mao azuis, em cianose das extremidades. Meu couro cabeludo entao, quando eu saio de cabelo molhado do banho de manha, fica gelaaaaaado… Eu e Valeria fizemos uma ode ao frio, em Ravenna (estilo repente):
O meu couro cabeludo
Tah ficando geladinho
O vento congela tudo
Ateh nosso narizinho
Uma outra perola do cancioneiro nordestino:
Mas que chuva mais pentelha
Essa agua tah tao fria
Congela minhas orelha
A sua, a dele e da tua tia
Agora eh hora de juntar coragem pra, depois de umas outras igrejas, voltar pro albergue, pegar as malas (que saco carregar mala, to ficando que nem jogador de tenis, sarada de um braco soh, porque nao tenho coordenacao motora pra carregar a mala no braco esquerdo) e voltar pra estacao pra pegar o trem. Haja saco!
Eu to doida pro curso comecar logo, acabar logo e a gente voltar pra Roma de novo… Vamos tentar alugar um apartamento (seremos 4, vem mais uma amiga, a Luciana), e aih acaba aquela palhacada de ter hora pra voltar pro albergue. A gente doida pra sair pra dancar, pra um barzinho ouvir banda tocando, e as merdas dos albergues fechando onze da noite, onze e meia. Vamo cair na night de Roma! Todos os narizes de Roma serao poucos para nos!
Okay, chega.
Beijos da Julieta (aqui tem um doce, tipo um suspiro, que se chama Bacio di Giulietta),
Leticia.