Genova Bom, como pode-se perceber,

Genova

Bom, como pode-se perceber, nao rolou Milao. Por varios motivos: primeiro, eh fria e cara. Segundo, nos disseram no albergue de Verona, que por sinal era uma bosta, que o de Milao era pior ainda. Depois de um mes carregando mala escada acima e escada abaixo, tomando banho em chuveiros horrorosos, e dormindo em camas desconfortaveis (o colchao e o travesseiro de Verona eram que nem os de S. Francisco, de pedra, duros feito uma rocha), resolvemos nos dar de presente algumas noites a mais em Genova, onde o albergue eh novo e considerado o melhor da Italia. Depois de muitas turbulencias ferroviarias, incluindo corridas na estacao pra pegar a conexao pra Genova, finalmente chegamos. O motorista de taxi era meio biruta, foi xingando da estacao ateh o albergue, que por sinal fica no alto de uma colina, tem uma vista linda. O albergue realmente eh bonitinho e confortavel, limpinho, tudo novo, o pessoal eh super legal. Gostamos :)

Pois eh, essa primeira noite foi a morte, dormimos feito cadaveres, o mundo poderia ter caido que a gente nao ia ter percebido. Soh que nao conseguimos pegar o trem das 8 pra Milao pra pegar a Syrlea. Tentamos de tudo pra ir pra lah, mas nao tem onibus (ninguem aqui anda de onibus intermunicipal, soh trem), tentamos alugar carro mas nao tinha. Ficamos desoladas e meio desesperadas, porque chegou a hora do voo dela chegar, passou da hora, passou MUITO da hora, e nada de noticias de Syrlea. Depois das tres e meia, hora em que o albergue abre, voltamos pra lah porque ainda estavamos exaustas. No final da tarde liga a Syrlea avisando que o voo demorou horas e coisa e tal. Ficamos mais calmas, principalmente porque ela resolveu ficar por lah na casa de amigos, e soh vai vir pra cah encontrar a gente no sabado ou coisa que o valha. Fomos dormir cedinho.

Ontem jah acordamos mais bem dispostas, embora os hematomas da minha perna ainda nao tenham desaparecido (a mala vai batendo na coxa quando desço ou subo escadas. Fora as mil vezes em que ela caiu no meu peh quando descia os degraus do trem), nem a dor no peh. Meus pehs, alias, estao meio assim peh de quadro de Portinari. Um cascao que num tem mais tamanho, de tanto andar. Eu precisaria de um mes soh andando de pantufas pra recuperar meus pobres pezinhos. Anyway, encontramos um restaurante brasileiro chamado Berimbau, os donos sao italianos mas compraram o negocio de uns brasileiros, e tem um garoto de Santo Andre que trabalha lah e tocou um Djavan pra gente no violao enquanto comiamos um feijaozinho basico (que nao tava lah essas coisas, mas aih era exigir demais) com arroz, uns franguinhos enrolados no bacon, umas carninhas malucas lah. Sentimos falta soh da farofa. Fechamos o almoço com um sorvete de nozes e chocolate, e ficamos rodando. Nao aguentamos bater muita perna e tambem voltamos cedo pro albergue, onde jantamos um tortellini de nada com molho tambem com sabor de nada. Muito legal.

Ontem de manha, depois de deixar filmes pra revelar e mais umas peruadas basicas pela cidade, fomos a um museu, Palazzo Ducale, onde tava rolando essa mostra de pintores russos que passaram aqui pela regiao da Liguria pra estudar artes e fizeram uns quadros bonitos, outros nem tanto. De lah, tocamos pro Aquario de Genova, o maior da Europa. Um pouco decepcionante, mas mesmo assim maneiro, e fugiu um pouco do nosso esquema de ver quadros de santos, que eu jah estou um pouco cansada. Como quando saimos do aquario jah nao tinha nenhum restaurante aberto pra almoço, terminamos comendo decadentemente no McDonald’s. Comprei uns livrinhos na Mondadori e nos picamos pro albergue. Dormimos cedo mais uma vez (estamos ficando velhas).

Comentarios nonsense variados:

– Em Florença tem um Rincao Gaucho (ouvimos a propaganda, com bom xi bom xi bom bom bom ao fundo) no radio, no carro do Guido, a caminho de Florença pra deixar as malas.

– Esse ar maritimo de Genova tah deixando meu cabelo meio assim estilo juba, feito o leao da Nemeia (aquele que o Hercules matou).

– No dia do almoço no restaurante brasileiro fizemos nossas sobrancelhas sentadas na praça, pegando sol pra esquentar os ossos.

– Guido achou um cabelo branco na minha cabeça, outro dia Valeria achou outro, enorme, todo cacheado. Guardei ateh na carteira.

– Nossos cabelos crescem feito erva daninha, tanto o meu quanto o da Valeria. Jah cresceram bem desde que saimos, vi as fotos de Pompeia e parecia que eu tinha acabado de cortar.

– Hoje de manha tinham uns portugueses HORROROSOSSSSSSSSSSSSSS no albergue, indo ver um jogo de futebol do time deles aqui, sei lah contra quem. Eita gente feia, so!

– Nossa programaçao para hoje eh: andar o menos possivel, pensar e falar o menos possivel, dormir o mais cedo possivel. Essas ferias deram uma canseira… Acho que vamos precisar de novas ferias.

baci a tutti