Finalmente encerraram o assunto da feiura dos alemaes no tal forum dos patetas, que nao soh insistem no fato de que eu sou neguinha, morei na Rocinha, comprei meu diploma e atualmente moro no bairro pobre de Assis, mas também ainda nao entenderam que escrevo sem acento porque meu teclado nao os tem, e quando boto acentos é porque tenho tempo pra ficar acentuando na mao, no Word. To cagando e andando: nasci em Botafogo, morei na Lagoa desde que nasci, sou branca feito vela, Assis nao tem bairro pobre porque é um comune riquissimo (Bastia idem), meu diploma continua sendo foda, e o idiota que “corrigiu” minha falta de acentos cometeu um erro horrendo de concordancia verbal. Entao ficamos combinados: eu continuarei achando Berlim e os alemaes horrorosos, e esses ultimos, além de antipaticos, mal-vestidos, molambentos, e nao falam ingles. Pronto.

(Dos alemaes tenho pena porque sao feios, molambentos, sisudos e nao falam Ingles, mas desses brasileiros que se acham OOOOOS germanicos porque estao morando lah eu tenho é nojo mermo.)

Então vamos ao exercício de hoje:

Relacionar as colunas, onde a primeira coluna representa mais ou menos (não tô com saco de procurar no post e copiar igualzinho) o que eu disse nos posts sobre a feiura dos alemães, e a segunda coluna representa o que os patetas do forum de brasileiros na Alemanha interpretaram:

(a) Como os alemães são feios!
(b) Tenho horror a brasileira caça-gringo
(c) Almoçamos no Burger King…
(d) Ninguém fala Inglês em lugar nenhum!

( ) Odeio os alemães
( ) Freqüento o Burger King
( ) Falo Inglês tão mal que ninguém me entende
( ) Toda brasileira é caça-gringo

Outro exercício, dessa vez relacionando os contra-argumentos dos patetas com os meus comentários:

(a) Como os alemães são feios!
(b) Como os alemães se vestem mal!
(c) Berlim é feia, suja e cheia de punks esquisitos
(d) Os alemães não sorriem jamais

( ) Os italianos têm pernas tortas
( ) Os italianos são filhinhos de mamãe
( ) Por que tantos travestis brasileiros vão trabalhar na Itália?
( ) O trânsito nas cidades italianas é louco por causa das lambretas, enquanto que na Alemanha o trânsito é super
organizado

Agora analisem comigo: mesmo que os argumentos da segunda coluna forem verdadeiros, Berlim torna-se, aos meus olhos, mais bonita, os alemães mais belos, simpáticos e bem-vestidos? Não, né. Então tá.

**

Ontem eu e Claudia trabalhamos na loja desde as onze da manhã. Só nós duas, sem o louco do Fabrizio, que é super gente boa mas absolutamente biruta e cansativo. Super light, poucos e bons clientes, gente disposta a pagar € 8,50 por um pacote de biscoitos de amêndoas, € 25 por uma garrafa de bom vinho umbro, € 28/kg de presunto de javali. No meio da tarde, quando o movimento tinha caído bastante, aparece uma americana meio mendigona, amiga do Fabrizio (ele é amigo de tudo que é maluco em Assis. Acho que ele se sente culpado porque nos paga mal e não nos dá presente nem bônus de Natal, nem adicional por trabalhar no feriado, e porque acha ruim que nós comamos na loja, então faz caridade pra quem não faz nada da vida. Bem do jeito que eu gosto.). Perguntei como é que ela foi parar em Assis, vindo da Pensilvânia, e ela começou a contar toda a história da sua vida, sua vocação para o claustro, suas duas expulsões de dois conventos das Clarissas, o tempo passado colhendo algodão no Novo México, entre outras coisas. Isso tudo bebendo uma cervejinha Moretti, que ninguém é de ferro (eu não, ela; não bebo cerveja). Quando viu uma procissão passando pela praça, indo na direção da Basilica di S. Francesco, foi pra porta da loja se benzer e pensar se deveria ir atrás ou não. Resolveu que não, porque o pessoal andava rápido demais, e suas pernas velhas não aguentavam. Então deu um longo suspiro e me perguntou se eu rezava. Respondi que não. Ela perguntou se eu sentia a presença de demônios. Levantei uma sobrancelha e disse que não só não sentia nada, como não acreditava em demônios. Então ela deu a sentença final: então, minha filha, você está de bem com Deus, e não precisa nem de reza, nem de psicólogo.

Mesmo ela tendo botado Deus no meio, adorei a velha.

**

Estou no pior dos humores hoje. Esse tempo nublado ACABA comigo. Acho que vou fazer uma sopinha de ervilha básica pra ver se eu melhoro, jah que nao posso contar com o lanterneiro, que estah de cama com febre alta e amigdalite.

ainda!

Olha que essa historia dos alemaes tah é rendendo. A coisa mais legal que jah saiu disso tudo foi o fato de que eles acham impossivel uma pessoa ter todas aquelas qualidades que eu listei ali no final do mes passado, quando conseguiram me irritar realmente. Sabendo que eu tenho realmente todas essas qualidades, me senti AAAAAAAAA poderosaaaaaaaaaaaaaaa… Just too good to be true! E’ ou nao é uma suuuper massagem no ego? Hm, agora fiquei me achando.

Ainda nao encerrei o assunto Alemanha. Mais tarde escrevo mais. Estou me sentindo ludica e gostaria de propor um exercicio simples aos meus leitores.

Giovanni, que é como chamamos o Ion, romeno que trabalha fazendo os toners pra impressora a laser, voltou das merecidas férias na Romenia trazendo o filho pequeno, que ele nao via hah tres anos (porque sem documento nao podia voltar pra casa, e o permesso di soggiorno dele soh saiu no inicio de agosto). O garoto se chama Andrei e é uma gracinha, olhoes azuis como os da mae, que também trabalha aqui empacotando cartuchos. Fala pra caramba; logo logo vai aprender italiano. Virou logo o xodoh da empresa: a mae do Chefe Meio Idiota acaba de sair com ele na Mercedona do Chefe pra fazer compras. Ela é uma mulher microscopica, sabe quando a gente ve uns carros na rua que parece ter motorista invisivel, e depois olhando melhor vemos que tem alguém muito pequeno dirigindo? E’ assim. Ela dirigindo (e fumando, que chaminé, putz grila) e o garoto atras; ela falando italiano e ele romeno. Que espetaculo :)

Giovanni, que é como chamamos o Ion, romeno que trabalha fazendo os toners pra impressora a laser, voltou das merecidas férias na Romenia trazendo o filho pequeno, que ele nao via hah tres anos (porque sem documento nao podia voltar pra casa, e o permesso di soggiorno dele soh saiu no inicio de agosto). O garoto se chama Andrei e é uma gracinha, olhoes azuis como os da mae, que também trabalha aqui empacotando cartuchos. Fala pra caramba; logo logo vai aprender italiano. Virou logo o xodoh da empresa: a mae do Chefe Meio Idiota acaba de sair com ele na Mercedona do Chefe pra fazer compras. Ela é uma mulher microscopica, sabe quando a gente ve uns carros na rua que parece ter motorista invisivel, e depois olhando melhor vemos que tem alguém muito pequeno dirigindo? E’ assim. Ela dirigindo (e fumando, que chaminé, putz grila) e o garoto atras; ela falando italiano e ele romeno. Que espetaculo :)

peixe

Deu a louca no lanterneiro e demos uma de paraibas italianos, indo ao lago pra comer peixe: jantamos no Da Massimo ontem, famoso restaurante de frutos do mar no Lago Trasimeno. O lugar fica lá na casa do chapéu, mas vive entupido de gente, e sem reserva não tem jeito, não se acha lugar, e o maître exige pontualidade, além de se irritar se você não gostar do que ele te sugerir. Entao às oito e meia da noite lá estávamos nós sentadinhos à mesa, num cantinho perto de uma das janelas do restaurante. Menu da noite:

Antipasto frio:
– Mariscos refogados com farinha de rosca dentro de uma concha tipo aquela da Shell.
– Salada de lula, polvo e camarão com repolho roxo. A lula e o camarão eu tracei, mas meu relacionamento com o polvo é como meu relacionamento com Berlim: vi, provei, não gostei, e não pretendo voltar.
– Camarões em molho rosé, dentro de outra concha tipo Shell.
– Mariscos esquisitos, de concha retangular e comprida, refogados com farinha de rosca e servidos dentro da própria concha. Deliciosos.
– Uma salada de feijão branco e camarão, DIVINA.

Antipasto quente:
– Mariscos, de diversos tipos (eu prefiro os pequenininhos), em água e sal e com salsinha picada.
– Novamente mariscos de diversos tipos, refogados em molho de tomate. Ótimos!

Primo piatto:
– Gnocchi ao molho de lagostim. Cada gnocchinho pequenininho, redondinho, lindinho! E deliciosos, levíssimos, o molho é delicadíssimo! A porção pra dois é enorme, então levei pra casa uma quentinha sem o menor pudor, e hoje meu almoço será chiquerricamente gnocchetti de lagostim. Uhu!

Secondo piatto:
– Grigliata di crustacei. Camarões enormes e uns primos dos camarões, também enormes, na grelha.

Dispensei a sobremesa porque não tinha espaço pra mais nada, mas o Mirco ainda tomou um sorbetto al limone, e eu tomei uma meletta (mela = maçã), que é uma grappa aromatizada com uma maçãzinha amarela e pequenininha, do tamanho de uma cereja. O copinho é pequeninho também; você vê o copo chegando com aquela micro-maçã nadando em grappa, o perfume da maçã é delicioso!

Tudo isso, obviamente, regado a vinho branco gelado (esqueci o nome), DELICIOSO.

Mas, darlings, sinceramente… Give me a steak any time. Pode ser o marisco mais lindo e delicioso do mundo, o Mister Universo dos camarões, mas naaaada substitui a boa e velha carne de vaca no meu não tão delicado paladar…

***

Atenção: estamos todos terminantemente proibidos de não gostar de Berlim. Porque senão neguinho que não tem o que fazer começa a afirmar que você:
1) é negra (hahahahaha)
2) morava na Rocinha e agora mora no bairro pobre de Assis (mal sabem eles que nao ha bairro pobre em Assis… Hohoho)
3) comprou o diploma (quaquaraquaqua!)
4) é subdesenvolvida e não entende que punk significa liberdade, política social (mas hein?)
Entre outras coisas.

Então ficamos combinados: é proibido não gostar de Berlim. Entendidos?

O sol que semana passada queimava até quem usava filtro solar 50 essa semana esquenta quem o vento frio congela. Hah menos de dez dias a temperatura à noite chegava aos 30 graus. Ontem à noite, 18 graus, e com o vento frio a sensaçao térmica provavelmente era muito mais baixa. CLARO que imediatamente todo mundo ficou doente: o lanterneiro, Martinha, Antonietta, e eu jah estou com dor de garganta e um ligeiro mal-estar. Como odeio ficar doente, amanha vou acordar melhor porque nao tem coisa mais chata do que ficar em casa mofando se sentindo mal.

Alias, amanha é o aniversario do Chefe. Vai ter festança aqui na casa, e é logico que nos meninas nao fomos convidadas.

O sol que semana passada queimava até quem usava filtro solar 50 essa semana esquenta quem o vento frio congela. Hah menos de dez dias a temperatura à noite chegava aos 30 graus. Ontem à noite, 18 graus, e com o vento frio a sensaçao térmica provavelmente era muito mais baixa. CLARO que imediatamente todo mundo ficou doente: o lanterneiro, Martinha, Antonietta, e eu jah estou com dor de garganta e um ligeiro mal-estar. Como odeio ficar doente, amanha vou acordar melhor porque nao tem coisa mais chata do que ficar em casa mofando se sentindo mal.

Alias, amanha é o aniversario do Chefe. Vai ter festança aqui na casa, e é logico que nos meninas nao fomos convidadas.

madrugar é bom e eu gosto

Jamais entendi esse lance de “não conseguir acordar”. Como todo mundo lá em casa já acorda acordado, só fui conhecer esse lado da humanidade, essa parcela da população que não funciona de manhã cedo, quando fui estudar em Valença, onde dividi quarto com a que hoje é a doutoríssima Hunka. A Hunka acorda mas não desperta, fica lá sentada na cama piscando, esfregando os olhos, meio apoplética, e leva um bom tempo pra recobrar a consciência. Como ela, milhões de amigos meus. Eu jamais consegui entender. Quer dizer, entendo que provavelmente é uma coisa constitucional, que você nasce com tendências matutinas ou não, mas caramba, deve ser muito ruim levar esse tempo todo pra despertar! O dia rende tanto quando você acorda cedo; é impressionante. Eu, por genética ou por hábito familiar, acordo já acordada e não preciso nem de tempo pra me ambientar, nem de café, nem de banho frio pra começar a funcionar. Acordo sabendo onde eu estou, onde está a porta, o que tenho que fazer; não fico me espreguiçando na cama, tenho pavor de ficar mofando na cama antes de levantar: acordo e levanto logo. Meu dia começa cedo; minhas manhãs são produtivas. Em compensação, depois do almoço minhas habituais rapidez e eficiência caem notavelmente. Depois que o sol se põe eu já fico meio depressiva. E não me chame pra nada depois das dez da noite, que meu sono vem cedo, e nada me destrói mais do que não dormir quando sinto sono! Até porque não consigo acordar tarde pra compensar, e se durmo depois do almoço me sinto O bagaço da laranja depois. Sou vampira ao contrário, completamente alérgica à noite…