E ontem vimos a segunda parte de La Meglio Gioventù. Lindissima, melhor ainda do que a primeira.

E a semana foi obviamente de caos total no escritorio e na vida em geral.

Chegou meu cartao do banco com o nome escrito errado, CLAAAARO.

Ja estah frio de novo e andar de bicicleta jah virou martirio.

Ha irritaçao escapando de mim por todos os poros.

Ontem à noite teve desfile em Bastia. Essa semana é de festa, tem o Palio di San Michele. Os bairros (“rione”), que sao quatro, competem de tres maneiras: tem o tal desfile, com direito a carro alegorico e tudo, os jogos medievais, e a corrida em torno da praça principal. A festa começou na sexta-feira; fui jantar na taverna do Rione San Rocco (onde eu moro) com a familia da Marta. Cada rione tem a sua taverna, com menu tipico umbro (pappardelle com ragu de javali, torta al testo com linguiça ou presunto cru com pecorino, bruschettas, sopa de trigo, etc). No sabado rolou um show na praça, um conjunto meio tabajara que cantou musicas anos 70 (leia-se musica gay) vestidos a carater, com direito a perucao black power e tudo. Soh nao dancei até me acabar porque o pessoal aqui nao tem aquela tendencia rebolativa que os brasileiros tem, e eu fico com vergonha de me empolgar sozinha. Faltava a Hunka; teriamos feito mil coreografias viadas juntas. De qualquer maneira, ri tanto que no dia seguinte tava sem voz.

Domingo foi dia de faxina: de manha cedo em casa, e mais tarde na casa do Mirco, pra pagar o favor que ele me fez dando banho no Leguinho no sabado ;) E à tarde fui trabalhar na loja do maluco do Fabrizio, com a Carmen. Passei em casa rapidinho pra trocar de roupa e lah fui eu pra praça ver o desfile.

Como a Marta comprou a “assinatura” dos bilhetes, ou seja, comprou bilhetes pros quatro desfiles, mas desfilava ontem, me cedeu o bilhete. E lah fui eu me sentar lah no alto da arquibancada do meio, com a minha landlady atras e uma vizinha ao lado. O desfile é uma coisa teatral misturada com numeros musicais, tudo extreeemamente tosco e amador, é claro. Eu tenho verdadeiro horror a teatro, de qualquer natureza e grau de profissionalidade, mas acabei me divertindo, principalmente quando um dos carros alegoricos, que soltava fogo, quase quase pegou fogo. Mas tudo bem, faz parte. A lenga-lenga durou quase uma hora e meia, ao fim da qual eu jah tava com dor na coluna e morrendo de sono.

Depois fiquei pensando na pequenez da cidade pequena. O pessoal aplaudiu e ficou maravilhado com um livro gigante tabajara colocado sobre o palco, que foi montado na frente da igreja, que se abria e fechava. Imagina se vissem uma aguia da Portela que soh falta revirar os olhinhos, ou um dos carros malucos da Mocidade com gente pendurada em tudo que é lugar e neon a dar com o pau, ou uma comissao de frente do Salgueiro, ou um casal de mestre-sala e porta-bandeira (que eu acho a coisa MAIS LINDA DO MUNDO). A qualidade de vida no interior é barbara, a tranquilidade é otima, mas a probabilidade de virar um idiota com antolhos é muito, mas muito grande.

(detalhe pra fantasia da Marta, que fazia o papel de uma das criadas de um estranho escritor ingles assolado por terriveis pesadelos. Marta de touquinhaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa)

Hoje nao fiz outra coisa que nao limpar, etiquetar, ensacar, encaixotar cartuchos, soh fui sentar a bunda no escritorio agora. To morta, e pretendo seriamente ir dormir às sete e meia da noite hoje.

Ontem à noite teve desfile em Bastia. Essa semana é de festa, tem o Palio di San Michele. Os bairros (“rione”), que sao quatro, competem de tres maneiras: tem o tal desfile, com direito a carro alegorico e tudo, os jogos medievais, e a corrida em torno da praça principal. A festa começou na sexta-feira; fui jantar na taverna do Rione San Rocco (onde eu moro) com a familia da Marta. Cada rione tem a sua taverna, com menu tipico umbro (pappardelle com ragu de javali, torta al testo com linguiça ou presunto cru com pecorino, bruschettas, sopa de trigo, etc). No sabado rolou um show na praça, um conjunto meio tabajara que cantou musicas anos 70 (leia-se musica gay) vestidos a carater, com direito a perucao black power e tudo. Soh nao dancei até me acabar porque o pessoal aqui nao tem aquela tendencia rebolativa que os brasileiros tem, e eu fico com vergonha de me empolgar sozinha. Faltava a Hunka; teriamos feito mil coreografias viadas juntas. De qualquer maneira, ri tanto que no dia seguinte tava sem voz.

Domingo foi dia de faxina: de manha cedo em casa, e mais tarde na casa do Mirco, pra pagar o favor que ele me fez dando banho no Leguinho no sabado ;) E à tarde fui trabalhar na loja do maluco do Fabrizio, com a Carmen. Passei em casa rapidinho pra trocar de roupa e lah fui eu pra praça ver o desfile.

Como a Marta comprou a “assinatura” dos bilhetes, ou seja, comprou bilhetes pros quatro desfiles, mas desfilava ontem, me cedeu o bilhete. E lah fui eu me sentar lah no alto da arquibancada do meio, com a minha landlady atras e uma vizinha ao lado. O desfile é uma coisa teatral misturada com numeros musicais, tudo extreeemamente tosco e amador, é claro. Eu tenho verdadeiro horror a teatro, de qualquer natureza e grau de profissionalidade, mas acabei me divertindo, principalmente quando um dos carros alegoricos, que soltava fogo, quase quase pegou fogo. Mas tudo bem, faz parte. A lenga-lenga durou quase uma hora e meia, ao fim da qual eu jah tava com dor na coluna e morrendo de sono.

Depois fiquei pensando na pequenez da cidade pequena. O pessoal aplaudiu e ficou maravilhado com um livro gigante tabajara colocado sobre o palco, que foi montado na frente da igreja, que se abria e fechava. Imagina se vissem uma aguia da Portela que soh falta revirar os olhinhos, ou um dos carros malucos da Mocidade com gente pendurada em tudo que é lugar e neon a dar com o pau, ou uma comissao de frente do Salgueiro, ou um casal de mestre-sala e porta-bandeira (que eu acho a coisa MAIS LINDA DO MUNDO). A qualidade de vida no interior é barbara, a tranquilidade é otima, mas a probabilidade de virar um idiota com antolhos é muito, mas muito grande.

(detalhe pra fantasia da Marta, que fazia o papel de uma das criadas de um estranho escritor ingles assolado por terriveis pesadelos. Marta de touquinhaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa)

Hoje nao fiz outra coisa que nao limpar, etiquetar, ensacar, encaixotar cartuchos, soh fui sentar a bunda no escritorio agora. To morta, e pretendo seriamente ir dormir às sete e meia da noite hoje.

numeros

Sabe uma coisa engraçada? Cada pais tem o seu jeito de ditar numeros de telefone. Eu to acostumada a ditar sempre dividindo o numero de forma que a segunda parte, depois do tracinho, tenha 4 digitos. Aqui na Italia nao soh eles nao usam tracinho nenhum (eu fico completamente zarolha tentando ler os numeros sem nem um tracinho no meio, pontinho, nada!), mas se o numero tem seis digitos, falam de dois em dois! Fico louca, nao consigo decorar de jeito nenhum! E quando eu falo do meu jeito, ou seja, dividindo em dois grupos de tres digitos, ninguém me entende.

Mistérios da vida.

Cineminha básico em Foligno ontem. Básico? São SEIS HORAS DE FILME, divididas em duas sessões de três horas. A próxima é semana que vem. O filme: La Meglio Gioventù. Eu gostei muito, apesar de ser fã declarada de cinema-boboca-americano-carro-que-cai-na-ribanceira-e-explode. Aprendi algumas lições:

. Certos homens ficam melhor com barba.
. TODO ATIVISTA é chato. Todo. Não interessa se a causa é justa ou não. São todos umas malas.
. Psiquiatria é linda nos livros, mas vai encarar os malucos na prática, vai. (Eu já encarei, digo por experiência própria).

Mas realmente, o filme é muito bonito. Os personagens são construídos direitinho, há alguns diálogos brilhantes, algumas (poucas) alfinetadas sutis à risível sociedade italiana. Bonito, bonito. Gostei. Fico muito feliz quando saio do cinema satisfeita.

(claro que o macarrão esperto que eu fiz pro jantar antes do filme pode ter ajudado a deixar tudo mais lindo. Comer bem é um dos grandes prazeres da vida. Fiz tagliatelle/talharim – massa com ovos, por favorrrrr, massa larga sem ovo não tá com nada – “saltato” com uns pedacinhos pequeniniiiinhos de bacon, espinafre, cenoura e pimenta-do-reino moída na hora. Nham nham.)

Cineminha básico em Foligno ontem. Básico? São SEIS HORAS DE FILME, divididas em duas sessões de três horas. A próxima é semana que vem. O filme: La Meglio Gioventù. Eu gostei muito, apesar de ser fã declarada de cinema-boboca-americano-carro-que-cai-na-ribanceira-e-explode. Aprendi algumas lições:

. Certos homens ficam melhor com barba.
. TODO ATIVISTA é chato. Todo. Não interessa se a causa é justa ou não. São todos umas malas.
. Psiquiatria é linda nos livros, mas vai encarar os malucos na prática, vai. (Eu já encarei, digo por experiência própria).

Mas realmente, o filme é muito bonito. Os personagens são construídos direitinho, há alguns diálogos brilhantes, algumas (poucas) alfinetadas sutis à risível sociedade italiana. Bonito, bonito. Gostei. Fico muito feliz quando saio do cinema satisfeita.

(claro que o macarrão esperto que eu fiz pro jantar antes do filme pode ter ajudado a deixar tudo mais lindo. Comer bem é um dos grandes prazeres da vida. Fiz tagliatelle/talharim – massa com ovos, por favorrrrr, massa larga sem ovo não tá com nada – “saltato” com uns pedacinhos pequeniniiiinhos de bacon, espinafre, cenoura e pimenta-do-reino moída na hora. Nham nham.)

Meu corpitcho é feinho mas não me deixa na mão: meu cotovelo já tá bom de novo. Movimentando-se muito bem, obrigada. Acho que nem hematoma vai ficar pra contar a história.

Gente auto-curante é isso aí.

**

Leiam. Além de ter um sorriso parecido com o da Hunka, é mal-humorada na dose justa, escreve bem e é engraçada. LEIAM.

**

Leiam a Flavinha também.

Meu corpitcho é feinho mas não me deixa na mão: meu cotovelo já tá bom de novo. Movimentando-se muito bem, obrigada. Acho que nem hematoma vai ficar pra contar a história.

Gente auto-curante é isso aí.

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Leiam. Além de ter um sorriso parecido com o da Hunka, é mal-humorada na dose justa, escreve bem e é engraçada. LEIAM.

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Leiam a Flavinha também.

Vocês não têm IDÉIA da cotovelada que eu dei na quina da janela da sala hoje de manhã cedo. Sabe aquela dor que te joga no chão chorando, o que automaticamente faz o seu cachorro entrar em pânico e vir correndo na sua direção, abanando o rabo, tentando te lamber, bufando, não entendendo nada? Então. Foi assim. Uma das janelas estava aberta pra entrar um arzinho (gélido, diga-se de passagem), e eu, Amélia matutina, fui passar pano úmido no chão depois de varrer os quilos de pêlo do Legolas que se acumulam por toda a casa. Numa dessas passadas, puxando o rodo na minha direção, o cotovelo subiu normalmente, mas encontrou a quina da janela. E foi aí que eu vi tudo preto e caí no chão chorando de dor. E foi aí também que meu braço direito morreu para o mundo, e agora se recusa a fazer qualquer movimento mais esdrúxulo ou pegar peso de qualquer natureza. TÁ DOENDO PRA CACETE. E nem posso passar Gelol, porque a pancada foi tão forte que passou pela camisa de manga comprida e pelo moletom, e me deixou um arranhão vermelhíssimo.

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O frio realmente chegou pra ficar, parece. Pra ir do escritório ao almoxarifado recomeçou a lenga-lenga do tira-e-bota casaco.

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Ontem sucumbi à vontade de junk food e tracei um cheeseburger com molho quatro queijos na nossa pizzaria preferida. Digo junk porque hamburger é mentalmente associado a junk, mas nem tava tão trash assim: hamburger sequinho, pouco molho, pão de dimensões razoáveis, uma porção de batatas fritas sequinhas dividida por dois. Matou a fome e a vontade, e não me deixou com consciência pesada. E hoje estou pronta pra mais um dia de atum e saladinha. Uhuu.

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Terminei Moby Dick! E comecei Regina’s Song, do casal Eddings (o que a Marta me deu de presente semana passada). Eu gosto do estilo deles, embora ultimamente eles tenham começado a se repetir demais, e a usar itálicos demais. O assunto também me interessa; uma coisa meio thriller, meio C.S.I., meio psiquiatria forense e não. O prognóstico é de uma semana de leitura. Veremos.

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Preciso dar um livro de presente de aniversário atrasado pra irmã do Mirco, yoga, zen, cozinheira e não falante de nenhuma outra língua diferente do italiano. Aceito sugestões.