Rimbambito = meio bobo. Essa noite dormi mal, ou então, Ontem bebi demais, hoje tô toda rimbambita (toda retardada).
Arquivo do Autor: leticia
E a palavra italiana de hoje é…
Scombussolato = atolado, confuso. Mas não no sentido de SER atolado, mas de ESTAR atolado.
Exemplo: Pô, fulano entrou aqui morrendo de pressa, falou 400 coisas diferentes, deixou um monte de papel na mesa, fez a maior zona, agora ficou todo mundo scombussolato!
Firenze e outras coisas
A visita a Firenze foi meteórica mesmo. Trabalhei de manhã; Martinha me deixou na estação em Assis às 13:10, comi meu sanduichinho básico com suco de banana e maçã, peguei o trem das 13:30 direto pra Firenze (direto quer dizer que em vez de ir direto, ele vai parando em tudo que é lugar, feito cata-jeca). Cheguei a Firenze com um pouco de atraso por causa do trem, como sempre. Meia hora depois o shuttle do Sheraton passou na estação de S. Maria Novella pra me pegar. Fomos batendo papo, eu e o motorista (que é filho do dono da empresa de shuttle, que serve vários hotéis em Firenze), até o hotel ? o cara me contou a vida dele toda, já que eu não quis contar a minha. Desço do microônibus e vejo papai descendo do buzão com mais vários portugueses engravatados. Fizemos o check-in, subimos, batemos papo e lá foi ele sair de novo, pro jantar de apresentação do novo Fiat Idea (vi os depliants, é bem bonitinho). Eu fiquei no quarto, apesar do não frio, porque o hotel fica longe do centro. Fiquei vendo TV, coisa que não fazia há meses, e fazendo a tradução pro fotógrafo sem mão, usando o laptop do papai. Pedi jantar no quarto (filé mignon ao molho de pimenta rosa com arroz selvagem; vieram vários pãezinhos fresquinhos com manteiguinha, e grissini. Tudo acompanhado de uma Coca-Cola daquelas de garrafinha pequenininha), vi um filme chato com o Tommy Lee Jones e a orelhuda da Ashley Judd na TV, e dormi. Papai chegou lá pra meia-noite, eu acordei, ficamos batendo papo até quase duas da manhã. Depois custei muito pra dormir, com muita dor de cabeça, como aliás vem me acontecendo frequentemente ? a raiva e a irritação constantes me fazem fechar a mordida com muita força, o que me dá dores de cabeça e nuca lancinantes. Acordei destruída hoje. Tomamos um super café da manhã, como faço sempre que durmo em hotel, e logo às nove papai já foi pra reunião, eu peguei o shuttle de volta pra estação, fui aos correios pagar meu INPS, comprei mais meias coloridas na Calzedonia*, peguei o trem das 11, que veio parando em tuuuuuuuuudo que é estação, até umas mixurucas que eu nem sabia que existiam, andei a pé debaixo da chuva até em casa, desfiz a bolsa, sentei no sofá e fiquei parada olhando pra parede até a Marta chegar. Levamos a avó dela ao hospital de Assis pra fazer um Doppler venoso das pernas e viemos trabalhar.
Estou AAAAA MASSA FALIDA hoje, cansada, mental e fisicamente, com uma cara de quem voltou da guerra, com dor de barriga, cólicas menstruais que eu nunca tive, a dor de cabeça dentária de sempre, e nenhuma vontade de fazer nada. Meno male que o chefe hoje está fora.
Outra coisa que fiz e não fazia há muito tempo foi me olhar num espelho de corpo inteiro. Explico: essa modernidade de ter o espelho colado dentro da porta do armário, como no Brasil, aqui ninguém nunca nem ouviu falar. Quem quer espelho de corpo inteiro compra aqueles com apoio pra ficar em pé, pra ocupar bastante espaço, sabe. Desde agosto que só me vejo do peito pra cima, no espelho do banheiro. E me assustei. Tinha percebido, claro, que as calças estavam mais largas, e que várias outras nas quais eu não entrava há muito tempo me estavam caindo pelas pernas abaixo. Mas me assustei anyway. Os anéis também me caem, mas basta que me fiquem os dedos…
Hoje à noite rola um boliche com os meninos de Città di Castello. E eu com toda essa vontade de socializar?
*Agora, além das meias azul-marinho com vaquinhas malhadas, das meias azul turquesa com caranguejos laranja, da meia creme com ursinhos brancos, das múltiplas meias listradas, também tenho uma meia vermelha com patinhos laranja, uma preta com fantasminhas e abóboras halloweenescos, e mais três listradas pra coleção. Pena que a que eu mais queria, a dos patinhos abaixados mostrando a bunda pra nós, estava em falta. Que puxa.
fds
O fim de semana foi meio barro, meio tijolo. Sábado tava um frio desgraçado, eu aqui no escritório fazendo um orçamento chato cheio de códigos estranhos, com os dedos congelados, o vento uivando lá fora. Almocei rapidinho, fui ao supermercado e aos correios, e depois fui a pé até S. Maria pegar o ônibus pra ir pra loja trabalhar. Lá pras sete já não tinha ninguém na rua, por causa do frio e da chuva, e fechamos e fomos pra casa. Dormi super cedo.
Já ontem o dia começou horripilante como sábado. Num intervalo da chuva levei o Leguinho pro parque, voltamos pra casa e dormi de novo. Acordei às oito e meia com o sol brilhando lá fora, não entendi nada. Lá pra meio-dia o Ettore passou, fofocamos, ele levou o Leguinho embora pra passar o dia com ele; eu almocei uma coisinha qualquer, o Fabrizio ligou dizendo que tava estressado e não queria trabalhar e por isso eu deveria ir trabalhar às 13:30 em vez das 16, e que vinha me pegar em casa. Beleza, ultimamente os domingos são meus dias preferidos da semana, exatamente porque trabalho na loja sem aquele louco fulminado do Fabrizio. Ficamos eu, Claudia e Carmen fofocando, rindo, trabalhamos super bem, é ótimo, me dá uma baita levantada no astral. E foi assim mesmo; muitos clientes simpáticos, muitas risadas, algumas gorjetas, muitos americanos, uma venda de 573 euros a um casal do Michigan, comemos muita torta al testo com queijinhos bons e molho de tartufo, o fotógrafo da mostra do outro lado da praça entrou na loja 500 vezes só pra me ver (além de velho coroco ele não tem uma mãooooooooooooooooooooooooooooooooo, mas tadinho, ele é SUPER gentil e no sábado me deu de presente uma fotografia que eu escolhi, e que ele estava vendendo a 50 euros cada) mas as fotos que ele fez de mim não ficaram prontas ainda, a Claudia foi embora às 17:30, lá pras 19 chegaram os meninos de Città di Castello, aqueles que vieram uma vez comer e desde então voltam todo domingo porque um deles, o Massimo, dá em cima da Carmen, vendemos ainda umas coisinhas, fechamos a loja e fomos pra um barzinho novo em Bastia. Rimos muito, comemos pouco, eu e Massimo detonamos uma garrafa de vinho sozinhos porque a Carmen não tava no clima e o Samuel não tava a fim, e fui dormir às onze e meia da noite, sem o Leguinho, que ficou com o Ettore.
E amanhã vou a Firenze encontrar papai, que vem em visita-relâmpago de negócios. Uhu!
Estou mais tranquila. Ontem de manhã conversei com o dono do apartamento, que me garantiu que arruma um outro inquilino rapidinho. Se tudo der certo, estou em casa pro Natal. Agora é só juntar grana pra passagem, achar passagem, achar uma passagem com cachorro, renovar o passaporte, e arrumar um jeito de mandar minha tralha pra casa pagando pouco.
Ou seja, preciso do carro do atum.
aham…
Ih, olha, eu hoje bem ia falar da minha teoria de que é a raiva que move o mundo, e a Bia jah falou tudo. Vao lah ler, vao.
p.s.: aquele lance da preguiça parece escrito pra mim…. meus genes de Itabuna nao sao faceis de combater, vou te dizer.
nada x nada
Uma das revistas que a Marcinha me mandou foi a Marie Claire. É claro que ver as calças com elástico no meio da perna e sapatos brancos como última moda não me surpreendeu nada; afinal, essa moda já tava rolando aqui há muito tempo. Mas putz grila, que moda feiaaaaaaaaaaaaaaaaa! Blusas estilo morcego, calça com gancho lá embaixo feito MC Hammer, scarpin branco, socoooooorroooooo scarpin branco também entra na lista de coisas que deveriam ser proibidas, ali do ladinho do dente de ouro…
Meu cabelo cresce que nem capim. Não tem nem 3 meses que relaxei e cortei e já estou com um arbusto amorfo na cabeça de novo. Semana que vem, depois que eu receber (ô coisa de pobre!), dou um jeito de amansar o bicho.
Hoje fomos premiados, eu e Leguinho, com um lindo nascer do sol. Como vou dormir às oito e meia da noite por falta de coisa melhor pra fazer, acordo ainda mais cedo do que normalmente já acordo. Fico enrolando, tirando lentamente a roupa do varal, cortando devagarzinho as abobrinhas pro almoço, limpando a casa, até dar um horário mais assim de gente, tipo quinze pras sete. Hoje botei a luzinha pisca-pisca da bicicleta presa na coleira do Legolas, porque ainda estava escuro quando saímos e ser atropelada às quinze pras sete da manhã não deve ser uma coisa muito legal. Botei minha música gay nos ouvidos e lá fomos nós, eu correndo, o Legolas trotando e piscando, e o sol nascendo. Lindo! Lindo e frio, porque já tá um frio do cacete.
Ontem almocei risoto de aspargos, daqueles prontos, de saquinho. Fiquei esperando pra ver se o xixi depois ficava com cheiro de aspargo, como dizem que fica, mas não ficou! Devo ter alguma enzima maluca que metaboliza o cheiro do aspargo…
oba
Conteúdo, sempre eclético, do pacotão que chegou hoje do Brasil:
– 1 twin-set preto
– 1 blusinha decotadinha cor-de-burro-quando-foge
– 1 par de mocassins vermelhos
– 1 Bubaloo sabor morango
– 2 pastilhas Garoto
– 2 pacotinhos de sopa tabajara, uma de feijão com macarrão e couve, a outra de galinha com macarrão e verdura, 6 porções cada pacote (ou seja, 3 porções por pacote…)
– 1 pacote de banana passa
– 2 pacotes de absorvente
– 1 lençol pro Leguinho
– 2 pacotes de courinho digerível pra cachorro, tipo batata frita
– 1 pote de meio quilo de Toddy (lá em casa é todo mundo anti-Nescau)
– váaaarias bijouterias em prata que a Carmen e a irmã vão vender pra mim
– 1 escova de dentes
– 2 caixinhas de cotonete
E hoje pro jantar fiz uma sopa de ervilha show de bola. Eu AMO ervilha :)
repito:
Preciso do carro do atum…
…
E hoje o tempo tá uma bosta, contribuindo pra minha melancolia. Um vento horroroso que já derrubou todos os vasos de planta que cercam o escritório, e que já me esta dando dor de ouvido (a família do meu pai tem algum defeito de fabricação nos ouvidos, que anatomicamente são meio tabajara, mal ventilados, e vivem inflamando. Não sou exceção. Com o passar dos anos fui aprendendo a ignorar zumbidos, pontadas, dorezinhas, mas quando rola um vento assim não tem jeito, doem mesmo).
***
Ontem acordei tão cansada! Lembro de ter tido vários sonhos estranhos, onde eu estava discutindo com alguém que eu sei muito bem quem é. Devo ter falado e gesticulado horrores enquanto dormia, porque acordei exausta e com a boca seca, e com uma sede danada. Acordei até o Legolas, coitado, que por sua vez me acordava com patadas no braço. Tadinho do bicho. Dormimos mal, eu e ele.
modéstia à parte – mesmo.
E já que estamos nos assuntos polêmicos, e respondendo a um e-mail muito legal da Julie, vamos falar de modéstia hoje.
Em vez de fazer aqueles adesivos a inveja é uma merda, eu faria um escrito a modéstia é uma merda. Modéstia é um daqueles sentimentos que, como a piedade, não serve pra coisa nenhuma. Quem tem pena fica depenado, e ter pena mas não tomar uma atitude não adianta nada, entao é melhor poupar seu sistema límbico e nem sentir essas coisas. Na minha opinião, acontece o mesmo com a modéstia, que não serve pra bissolutamente nada. Se você nao tem nem o direito de curtir um talento especial, ou o resultado de um esforço hercúleo, qual é a graça da coisa?
Sempre achei que quem é bom em alguma coisa tem mais é que se achar bom mesmo. Acho que o Romário tem todo o direito do mundo de dizer eu sou foda, porque ele é mesmo, oras. Acho a arrogância um defeito super light, desde que justificado. Há defeitos piores, muito piores.
Claro que não ser modesto não significa achar que não se pode melhorar. Perfeição não existe, e sempre há espaço pra melhoras. Saber que você é ótimo em alguma coisa e ao mesmo tempo saber que pode ser ainda melhor não é modéstia, nem humildade. É coerência. Admitir que não sabe uma coisa nao é humildade, é sinceridade. Humildade é outra coisa que eu detesto. É coisa de pobre, seja de bolso que de espírito, e a pobreza é sempre, sempre uma coisa ruim, limitante. A humildade é limitante. Dizer pô, cara, não sei, não entendo nada disso não é humildade, é honestidade. Assim como admitir que se é bom em alguma coisa também é um sinal de honestidade.
Eu sou honesta comigo mesma. Sou ótima em um monte de coisas, e horripilante em milhões de outras. Quando me perguntam alguma coisa que não sei, primeiro penso bem, porque pode ser que eu saiba mas ache que não sei, e se não sei mesmo digo que não sei e pronto (ficou meio Rolando Lero essa frase, mas é isso).
Pior que a modéstia é a falsa modéstia. Essa, então, é de lascar! Você sabe que o sujeito se acha o ó do borogodó, você elogia, e ele fala, aaah, mas são seus olhos… Seus olhos o escambau! É como dizer a uma modelo lindíssima (estou falando de bonita mesmo, não esses varapaus de rosto horroroso que vemos nos desfiles famosos, mulheres que só desfilam porque são secas de corpo, mas têm orelhas de abano, pouco cabelo, cara de cavalo, dentes tortos, enfim. Feias.), você se acha bonita? E ela dizer, não, não me acho bonita. Ora, faça-me o favor! Tá querendo enganar quem, jacaré? Claro que ninguém se acha linda todo dia, o tempo todo; todo mundo tem dias em que acorda com cara de sei lá, mas sejamos coerentes, né. Ou então uma magricela, como a menina da calça dourada, que de repente diz estou tão inchada hoje! Eu agora aprendi a responder é, tá mesmo.
É como quando entram americanos na loja do Fabrizio o Louco e perguntam de qual parte dos EUA eu venho. Quando respondo que sou do Brasil, a reação é invariavelmente a mesma: nooooooooossa, mas seu ingles é óooooootimo! Vou responder o quê? Ah, não, impressão sua, depois que eu começo a falar mais se percebe que não sou americana? Eu falo, falo, falo e ninguém percebe coisa nenhuma, então eu respondo brigada e já tá muito bom. Só me faltava ter que ficar arrumando desculpas por ser boa em alguma coisa! E não faz diferença nenhuma o fato de que eu ter jeito pra línguas é independente do meu esforço, porque eu realmente não me esforço nada, tenho facilidade e pronto, assim como escrevo bem sem fazer esforço; me vem naturalmente. Deveria me sentir culpada por isso? Eu não, acho é muito bom, detesto estudar e sempre tive uma enorme vantagem sobre meus colegas de escola que era não precisar estudar nem português, nem inglês, nem literatura, nem redação. Sobrava mais tempo pra ler Tolkien e outras coisas.
Já pra outras coisas sou uma negação total. Dê-me seu ano de nascimento e eu levarei no mínimo 5 minutos pra calcular quantos anos você tem. Retardada numérica total e absoluta. E não tenho a menorrrrrrr intenção de mudar isso, porque detesto calcular, detesto fazer continhas, meu modo de pensar é totalmente anti-matemático.
E pra fazer esportes? Nossa, eu sou AAAAA prega. Fora que não tenho o menor espírito competitivo, e mesmo quando ganho fico com pena de quem perdeu e não consigo nem curtir a vitória. E quando perco fico com pena de mim mesma, então não é legal. A única coisa que eu gosto de jogar é conversa fora…