Marais, Beauburg, Les Halles, Montmartre

Acordamos às 8:30 e descemos pra tomar café. Chafé, suco de laranja com gosto de plástico, chocolate quente delicioso, leite quente; pãezinhos com manteiga ou geléia. Nós trouxemos presunto e queijo de casa, principalmente porque as embalagens já estavam abertas e se deixássemos na geladeira a semana inteira, estragar-se-iam (linda mesóclise). Fomos de metrô até o Museu Picasso. Descobri que meu pé dói mais se eu ficar parada em pé, por isso tenho que ficar caminhando o tempo todo, ou então sentadinha com o pé pra cima. Quando gostava muito de um quadro tinha que ficar passeando pra lá e pra cá em frente a ele, pra poder admirar direito. Adorei, apesar de odiar arte extremamente abstrata. Dali demos um pulo até a Place des Vosges, pra decidir aonde ir. Fomos andando até o Beaubourg, demos uma volta no Centre Pompidou, depois no Les Halles e acabamos almoçando perto do Pompidou, num restaurantezinho charmoso, com um cartaz da Bebel Gilberto na porta do banheiro. Comemos bons ravioli de ricota com molho de dois queijos, e Mirco ainda encarou um entrecôte com salada e batata frita.

Dali pegamos o metrô até Montmartre. Conselho de amiga: não pegue o teleférico pra subir até a igreja. Não precisa, e pelo preço do bilhete, € 1,60, fica menos necessário ainda. A igreja, que obviamente é a Sacré-Coeur, é um desbunde de linda. Havia uma estranha mancha vermelha, enorme, na torre direita, que não descobrimos o que era. A vista lá de cima é bonita, e não dá pra deixar de comparar com a vista que se tem de Roma lá do alto daquele diabo de Bolo de Noiva na Piazza Venezia. Paris é clara, Roma é toda em tons de terra (eu particularmente gosto mais da vista de Roma).

A torre só dá pra ver descendo a escadaria e virando à direita, na direção do centro do bairro. A praça é cheia de artistas sujinhos que fazem caricaturas e retratos, alguns cafonas, outros lindíssimos. Mil lojinhas de crepe e de kebab espalhadas por todo o lugar. Paramos pra comer um crepe com Nutella, que ninguém é de ferro, e depois voltamos pro albergue, porque meu pé tava inchado, vermelho e dolorido, bem pimba mesmo. No nosso quarto, um casal de chilenos e um de americanos, todos recém-chegados. Todos na fila do banho. A americana, imensa de gorda, levou horas pra tomar banho. Depois foi o Mirco, que assim que acabou desceu pra preparar o jantar, e depois fui eu.

O que será que leva alguém a construir um banheiro com as seguintes características:

1. Chuveiro daqueles odiosos que você aperta o botão, a água cai por alguns segundos, e depois pára, e você tem que apertar de novo.
2. Pia microscópica com torneira de jato tão forte que depois de escovar os dentes você sai do banheiro parecendo que se mijou nas calças, de tanta água que espirrou na sua cintura e nos seus países baixos.
3. NENHUM gancho ou prateleira pra apoiar shampoo, sabonete, roupas secas, toalhas, nada.

Quando finalmente consegui terminar o banho, com o pé direito apoiado na pia e fazendo acrobacias pra me lavar sem molhar as feridas (e as roupas e a toalha, que eu acabei botando em cima da única cadeira do quarto, devidamente transferida pra dentro do banheiro), eu já tava morrendo de fome. Desci e felizmente o Mirco estava dando o toque final ao macarrão com molho de tomate e ervilha. Enquanto o macarrão cozinhava, fizemos amizade com o Alessandro, italiano de Monza que tava comendo uma lasanha congelada requentada no microondas, comprada no supermercado perto da estação de metrô ali da zona (Hoche). Claro que ele aceitou sem pestanejar a oferta de um segundo round de jantar preparado comme il faut. Uma coreana que já tinha comido dois potinhos de uma coisa muito, muito nojenta com consistência de paté e cor de uma coisa que eu não vou dizer o que é, rodava pra lá e pra cá, morrendo de curiosidade sobre o que o Mirco tinha na panela. Acabou sendo convidada pra jantar também, e ficou emocionadíssima por saber que todos os ingredientes tinham sido trazidos diretamente da Itália e eram genuinamente italianos! Ela já tinha visitado a Inglaterra, a Alemanha (ela também odiou Berlim, esqueci de perguntar se o diploma dela era comprado) e agora estava na França, mas no ano que vem tinha planos de fazer a Europa Meridional – Portugal, Espanha, Itália e Grécia. Meio biruta a menina, tagarela até não poder mais, e apaixonada por um cara que ela conheceu na Inglaterra. Depois do jantar fomos todos ver TV e jogar conversa fora. Conhecemos um argentino que mora na Itália há alguns anos, o Miguel, que é cardiologista e estava em Paris a trabalho – antes que alguém pergunte o que um cardiologista estava fazendo num molambento Albergue da Juventude, eu digo logo que se eu tivesse SEIS filhos também passaria o tempo todo tentando economizar cada centavo, inclusive dormindo em albergues molambentos. A coreana biruta continuava falando sem parar, mais ainda depois de tomar umas cervejas que o Mirco e o Alessandro foram comprar no boteco turco ali do lado, e acabou me emprestando um cartão telefônico pra eu ligar pra Flabb e tentar entender onde ela mora. Achei a voz dela idêntica à de uma amiga da minha mãe chamada Baixinha.

Ali na sala de TV também conheci um geólogo brasiliense que mora no Rio e é muito gente boa, uma paulistana boba que está só há três semanas em Paris aprendendo Francês mas já quer voltar pra casa (e isso porque ela é comissária de bordo e não fala uma palavra de Inglês), e uma oxigenada horrorosa de Fortaleza que está há três meses na França “só na putaria”, palavras dela, e acha que consegue transformar um não-visto de turismo em um visto de estudo na Sorbonne. Faz-me rir. Depois que essas duas mongas foram dormir eu fiquei batendo papo com o geólogo, cujo nome nem perguntei, por mais algumas horas. Até que deu uma canseira generalizada na galera e todo mundo foi dormir.

Chegando em Paris

Acordei sozinha às cinco da manhã. Fiquei vendo reprises das Olimpíadas até umas sete, quando consegui pegar no sono outra vez, mas fui acordada às oito com um telefonema: alguém procurando, como sempre, o Doutor Eros, veterinário que um dia já foi o dono do nosso número de telefone. Mirco acabou acordando também e cismou de ir tomar café na rua, coisa que nunca fazemos. Como quase tudo tava fechado, porque em Ferragosto o país inteiro pára, fomos parar lá em Santa Maria, na pasticceria Marinella. Comemos nossos croissants com presunto e queijo, tomamos nossos sucos de fruta, papeamos rapidamente com a Piera, sogra da FeRnanda, que encontramos por lá, e resolvemos dar uma volta na Basílica de S. Maria, porque lá dentro tem um roseiral que eu nem sabia que existia e o Mirco queria me mostrar. Não é nada de extraordinário, são rosas de alguma espécie sem espinho que provavelmente neguinho acha que é milagrosa exatamente por esse motivo. Fiquei impressionada com o tamanho da igreja. Eu só tinha visto a parte interna, normal, onde tem a Porziuncola e onde se celebram as missas, mas claro que nunca fiquei passeando lá pelas entranhas. O negócio é imenso, os corredores são largos, os blocos de pedra são gigantescos – e as portas são todas fechadas, obviamente. Hohoho.

Voltamos pra casa pra fazer as malas, fechar janelas, tirar tudo da tomada, essas coisas chatas pré-viagem. Voltamos a S. Maria, passamos na nossa padaria preferida pra comprar pão e fomos almoçar na Liliana, tia do Mirco. Massa curta com molho de bichos diversos (porco, carneiro e ganso), depois ganso assado com batatas ao forno, que eu dispensei porque tinham muita semente de funcho, que eu odeio com todas as minhas forças. Lá pras duas e quinze partimos. Fui dirigindo porque o Mirco tava morrendo de sono e veio roncando ao meu lado no carro, enquanto o CD player tocava os CDs de música anos 70 que eu gravei pro casamento da Renata.

Ciampino é um aeroporto ótimo. Pequeno, tranquilo, estacionamento idem e idem (mas custa a mesma fortuna que o Fiumicino). Nada de longas distâncias empurrando carrinhos, nada de saídas erradas e placas confusas. Fizemos logo o check-in e ficamos sentados vendo o povo passar.

Uma fila enorme de gente indo a Ibiza. Todos no estilo “fighettone”, óculos escuros da moda (ALGUÉM UM DIA VAI TER QUE ME EXPLICAR POR QUE NEGUINHO ACHA SUUUPERFASHION USAR ÓCULOS ESCUROS EM LUGARES FECHADOS), Havaianas com bandeirinha e tudo, calças Capri ou jeans e sandália ou tênis, algumas garotas de cabelo muito obviamente alisado, muita maquiagem, garotões tatuados e artificialmente bronzeados, porque afinal de contas é feio chegar branquelo na praia. Uma louca de saia jeans rasgada, camiseta preta e BOTAS COWBOY. Please. Na fila pro vôo pra Dortmund, um monte de turistas mal vestidos. Muitos policias rodando pelo aeroporto. As meninas sentadas ao nosso lado reclamavam que o vôo pra Ibiza estava atrasado em 4 horas. Crianças louras, inglesas e eslavas, faziam a maior bagunça, correndo ou desenhando com canetinhas coloridas. No banco em frente ao nosso, a Cenoura Celeste, uma ruiva alta e gorda vestida toda de um vaporoso tecido azul-céu. Mais à frente, a Família dos Japoneses Bizarros: a mulher imensa de gorda, com cara de suja e super mal vestida, todas coisas difíceis de ver no caso dos japoneses em geral; o marido macérrimo, de boné, com uma pequena mochila nas costas à qual estavam pendurados 5 chapéus daqueles que os japas adoram, uma caneca de metal e um rolo de fita adesiva transparente. O filho pequeno horroroso, coisa também estranha, porque filhotes de japoneses costumam ser foférrimos. Muitos italianos falando alto, alguns negros bem vestidos, muitos eslavos. Muita confusão.

O vôo saiu vinte minutos antes da hora. Descemos em Beauvais, que fica assim mais ou menos no fim do mundo. É nessas que a RyanAir te phode: a passagem pode até custar uma titica, mas com certeza você vai descer num aeroporto que fica lá no cu do Judas e vai morrer numa graninha de buzum até o centro. Não deu outra: € 10/cabeça pra ir ao centro em um ônibus caindo aos pedaços, apertado, entupido de gente, fedorento, dirigido por um negão educadíssimo que no entanto demonstrava uma certa relutância em pisar direito no acelerador e foi se arrastando até o ponto final, em Porte Maillot.

Deveria ser relativamente simples: pegar o metrô em Porte Maillot, mudar de linha duas vezes e chegar até o Albergue da Juventude de Cité des Sciences. Foi simples, jacaré? Claro que não. As máquinas automáticas de bilhetes estavam quebradas, e àquela hora não havia mais ninguém trabalhando na estação. Voltamos todos pra rua, eu, Mirco e mais um monte de mochileiros irritados e sem saber o que fazer. Passou um ônibus amarelo com um M imenso igual ao M da estação do metrô; subimos sem nem nos perguntarmos pra onde ia, deduzindo que, como a estação de metrô era impraticável, o ônibus nos levaria até a próxima estação. Ledo engano. Ia pro camping, totalmente nada a ver. O motorista foi bonzinho e na volta ao centro parou no meio da rua pra chamar um motorista de táxi que ele conhecia, e explicou aonde queríamos ir. Já era meia-noite e meia e meu pé latejava horrivelmente, pra não falar na incrível necessidade de tomar banho. Vocês acham que o motorista sabia onde tinha que ir? Nãaao, seria simples demais. A bosta do albergue fica lá no fim do mundo, fora do centro, num bairro super baixo-nível, e o motorista nunca tinha passado por lá. Conseguimos chegar mais ou menos perto do albergue, com a ajuda de muitos mapas e do sistema de localização satelitária do carro, mas as ruas nas quais deveríamos virar estavam fechadas pra obras. Levamos séculos pra chegar ao albergue, eu nem sabia mais onde estava de tanta dor no pé. Mas conseguimos nos ajeitar no único beliche livre dos três que ocupam o quarto 304, tomar banho no chuveiro completamente nonsense que só alguém que toma banho uma vez na vida e outra na morte é capaz de projetar, e fui dormir. Mirco ainda arranjou forças pra descer à cozinha pra fazer um sanduíche de atum (a gente sempre viaja com comida na mala). Eu, que sucumbo facilmente à gula mas não à fome, dormi de estômago vazio mesmo. No meio da noite caiu um temporal desgraçado. Alguém levantou pra fechar a janela e evitar uma inundação, mas não sei quem foi.

rumo a Parrí

Muito obrigada a todo mundo que me escreveu desejando melhoras. Não vou responder um por um, pelo menos não agora. Também não vai ter cartão-postal pra ninguém, porque eu não tenho UM TOSTÃO FURADO pra gastar. Vamos almoçar na Arianna e zarpar pra Roma. Nosso vôo sai de Ciampino às sete da noite. Volto sábado que vem, com relatos e fotos, como sempre.

Ciao!

jogos

Eu sempre adorei Olimpíadas. Não porque sou suuuuper fã de esportes ou suuuuuper nacionalista – muito pelo contrário, em ambos os casos. Não sou uma pessoa competitiva e fico sempre contente por quem ganhou e, ao mesmo tempo, triste por quem perdeu (mesmo que quem tenha perdido tenham sido os argentinos ;) Gosto dos Jogos Olímpicos pela estética. Começa pela logomarca. A da Grécia esse ano eu achei tão bonitinha! Simples, clean, clássica. Gosto da abertura, mas ontem eu não vi porque saímos pra jantar em Sant’Egidio com FeRnanda, Fabião e os pais da FeRnanda e voltamos tarde. Gosto de ver caras tão diferentes, gosto de ler nomes tão estranhos, países dos quais normalmente não ouvimos falar, bandeiras desconhecidas. Gosto de ver os corpos modelados, os movimentos fluidos, as cores dos uniformes, as expressões nos rostos.

É a primeira vez que vejo os Jogos de um outro país. É muito estranho, primeiro porque quase não se falou das Olimpíadas aqui. Eu nem sabia direito quando começava, e não sei quando termina. E olha que os italianos participam de zilhões de esportes dos quais nunca ouvimos falar ou pelo menos não nos interessamos. E esse é o segundo motivo da estranheza: além das clássicas competições às quais todo mundo assiste, como as de atletismo, futebol e ginástica olímpica, aqui também mostram outras coisas “estranhas” nas quais a Itália tem atletas participando: esgrima (que eu acho lindo. Há uma atleta “azzurra” que é aaaaaaa fodona); carabina, cuja final feminina em ar comprimido eu acabei de ver, enquanto passava roupa sentada, e não entendi NADA, só sei que foi a primeira medalha dos Jogos e a de ouro foi pra uma chinesa; remo, que eu gosto à beça de ver, até porque fiz alguns meses de remo ali no Botafogo, na curva do Calombo, na Lagoa, e adorava, apesar de ter quase levado umas peixadas assassinas mais de uma vez; entre outras coisas.

Também mostram muito a natação, que pra mim é o mais lindo de se ver. Adoro ginástica olímpica, acho lindo, mas as meninas são deformadinhas, admitamos. Os nadadores são divinos, altos, lisos, corpos perfeitos. Os italianos são lindos e sempre com algum tchan ridículo: cabelos descolorados, cavanhaques bobos, penteados absurdos moldados com muitos quilos de gel, ali mesmo à beira da piscina. As meninas também são interessantes, fora as de borboleta, que têm ombros assustadores. Os uniformes são fabulosos. As tomadas dos movimentos dentro d’água quase fazem chorar de tão belas.

Pra não falar na vontade de pular numa piscina fresquinha, em vez de ficar passando roupa nesse calor que tá rolando hoje.

o tombo

Quarta-feira de manhã cedo fui dar minha corrida habitual de meia hora, tomei meu banhinho, troquei de roupa e sentei no sofá pra ver Everybody Loves Raymond, que acaba mais ou menos às nove e dez. Quando terminou, enfiei os pés nos sapatos e saí. A programação era: Assis, ao albergue da juventude pra fazer a carteirinha, porque vamos dormir em albergue em Paris, depois passaria na casa da Arianna pra mostrar a ela o novo scooter e pra dar de presente ao Leguinho uma bolinha tabajara que encontramos no chão do estacionamento da festa de Colcaprile, em Santa Maria, onde jantamos na terça, e por fim o correio de Bastia, pra pegar o pacote que minha mãe mandou e chegou na terça, mas como eu não estava em casa o carteiro deixou um recibo dos correios com o qual eu deveria ir à agência no dia seguinte e retirar o pacote.

Minha primeira memória depois da minha partida foi: eu no chão, toda ralada, ainda de capacete, chorando de ódio por ter levado um tombo tão idiota. Eu dizendo a alguém que eu tinha me assustado com o carro dele, que foi muito à frente no cruzamento, e eu achei que ele fosse passar direto, sem parar, e me atropelar. Por isso meti a mão no freio e caí, feito um saco de batatas. Lembro que o carro era uma SUV Mercedes preta e que o motorista era homem. Não lembro do rosto de nenhuma das muitas pessoas que me socorreram. Lembro que me perguntaram de onde eu era, lembro de ter pensado “eu devo estar falando em Português, por isso estão perguntando de onde eu sou” e de ter respondido “abito a Cipresso”, lembro de alguém perguntando se eu conseguia mover o ombro e eu respondi que sim.

Minha próxima memória sou eu na garagem do meu prédio, estacionando o scooter e dando bom dia a um vizinho que saía com o seu próprio scooter.

Subi, lavei a perna ralada com o chuveirinho na banheira, sentei no sofá e fiquei pensando, tentando descobrir por que é que eu tinha saído de casa. Finalmente desisti e resolvi abrir a bolsa pra ver se descolava uma pista. Vi o recibo dos correios e lembrei. Desci de novo, peguei o carro e fui aos correios, ao albergue em Assis e à casa da Arianna, que estava no quintal podando a cerca-viva e quis me levar ao hospital. Falei que estava bem e voltei pra casa. Liguei pro Mirco, que ficou furioso por eu não ter telefonado antes pra ele, e me perguntou onde tinha acontecido. Eu não lembrava (e ainda não lembro). Como foi? Contei que me assustei com o carro e coisa e tal, mas não sabia de onde o carro estava vindo. Ele me ordenou de ir ao hospital com a Arianna. Ligou a Arianna dizendo que estava saindo de casa, eu disse pra ela sossegar o facho que já era quase hora do almoço, iríamos à tarde. Mirco chegou, almoçamos, ele brigou com a Arianna no telefone e me levou ao hospital – ele ODEIA hospital, doença, ferida; fica nervoso e com vontade de vomitar e desmaiar.

Perugia tem dois hospitais: o Monteluce, que fica no centro e tem consequentemente um acesso infernal, e é onde vamos doar sangue, e o Silvestrini, que fica fora da cidade, na zona industrial, e é super bem equipado e moderno. Em algum momento no futuro vão juntar os dois hospitais na estrutura do Silvestrini, que está sendo ampliada. Fomos ao Silvestrini. Duas da tarde, ninguém na fila de espera. Fui atendida por um médico ruivo muito antipático que depois de apalpar minha perna inteira e me fazer morrer de dor, me mandou à Radiologia. Fiz radiografias do tornozelo direito, muito machucado, e da mão esquerda, que doía muito na parte carnosa logo abaixo do polegar. Nenhuma fratura. O médico mandou um enfermeiro botar uma tala no meu polegar. Achei meio estranho, porque a dor era muscular e não articular e por isso a imobilizaçao não tinha sentido, mas fiquei quieta. Ele perguntou se eu lembrava onde tinha sido o acidente, como tinha sido e coisa e tal, respondi que não. Não tinha nenhum sintoma de traumatismo craniano: nem tontura, nem vômitos, nem escotomas luminosos (leia-se luzinhas coloridas que dançam na sua frente), nem confusão mental, só essa amnésia relativa ao acidente. Ele resolveu me internar e nos mandou a uma sala de espera, pra aguardar a ambulância. Era uma espécie de depósito de macas. Mirco começou a ficar nervoso e o mandei embora, e ele foi, muito aliviado. Logo depois chegou um outro paciente, um rapaz novinho, bonitinho mas algo afeminado, braço direito todo tatuado, de camiseta regata, bermuda e chinelo, coisa que achei muito estranha, porque italiano nenhum do mundo desfila por aí nesse nível de molambice. No braço esquerdo, um algodãozinho estancando um buraquinho de injeção. Entrou um enfermeiro e o rapaz perguntou se podia dirigir; o enfermeiro disse que não, porque a medicaçao dá um pouco de sonolência. Pensei logo: tomou anti-histamínico. Perguntei se era crise alérgica, ele respondeu que foi uma picada de abelha e que uma vez ele quase morreu de choque anafilático pelo mesmo motivo, por isso agora ficou esperto e basta uma picadinha de nada pra ele correr pro hospital. Estava na piscina e a abelha, moribunda, estava numa dobra da toalha. Sentou em cima e o ferrão entrou. Ah, pensei, tá explicada a molambice. Ele perguntou o que tinha me acontecido, contei rapidamente, ele contou um acidente de moto que teve há anos e que o fez vender a moto, perguntou se eu estava correndo quando caí, falei que não, começamos a falar de acidentes e contei a história do Mario, que trabalhou comigo no escritório do Chefe Idiota e uma vez, depois de uma batida aparentemente boba, teve que ser operado às pressas de uma fratura de cervical que por um milímetro não o deixou aleijado, e ainda por cima passou 3 meses com imobilizador externo na cabeça. Contei que ele passou tanto tempo em casa mofando que assistia a toda a horripilante programação televisiva da tarde, inclusive o Al Posto Tuo, uma coisa hedionda estilo Jerry Springer que todo mundo sabe que é armado mas assiste mesmo assim.

Pronto! Lá vem ele dizer que foi convidado pra fazer um dos episódios, que é tudo armado mesmo, mas que não tem um roteiro fixo; eles só te dão uma idéia do papel que você tem que representar. Contou que foi uma atriz de Carabinieri que deu a dica, contou como a conheceu, contou fofocas do elenco da série (que eu adoro), contou quem cheira cocaína e quem não cheira, quem é piranha/viado e quem não é, falou sem parar até que o enfermeiro voltou pra me chamar, pois a ambulância tinha chegado. Me despedi e fui mancando atrás do enfermeiro.

Subi na ambulância, onde já estava, numa maca, um gordo muito simpático que tinha se envolvido num acidente de 4 carros e quebrado o úmero em 8 pedaços e o fêmur em 3. Todo enfaixado, volta e meia ele fazia uma careta de dor. Com a gente, lá atrás, uma enfermeira simpática e brincalhona; ao lado do motorista, uma amiga do gordo. Partimos pro Monteluce. O percurso é horrível, cheio de sinais de trânsito e com asfalto esburacado, e a cada sacolejada o gordo gemia e chamava o motorista: O’ Marioooooooo! Va’ piano, cazzo! A enfermeira ria, a amiga dele ria, eu ria também. O gordo sacaneava a enfermeira, que depois descobriram que era amiga da família, a enfermeira sacaneava o motorista, o motorista sacaneava o gordo, e eu ria, ria, ria.

Chegamos ao Monteluce e descarregaram o gordo. Depois foi a minha vez: fui direto à entrada do PS, onde felizmente não havia ninguém esperando. Com as radiografias e o pedido de internação na mão, fui mandada direto pra Astenteria, que é uma enfermaria provisória dentro do PS onde ficam internados os pacientes à espera de novos exames ou de novos sintomas. Meu quarto tinha três camas, uma desocupada e outra ocupada por uma cinqüentona loura muito tagarela que me disse estar lá desde sábado, pelo mesmo motivo que eu: tinha caído no chão dentro de casa, batido a cabeça, e não lembrava de nada. Chegou um médico manco muito antipático e me mandou fazer uma tomografia. A essa altura meu calcanhar direito já estava muito inchado e eu não conseguia caminhar. Um enfermeiro veio me pegar de cadeira de rodas e lá fui eu de ambulância pra um outro setor do hospital pra fazer a bendita tomo. O enfermeiro-motorista era um grisalho gatíssimo e muito simpático que fez mil perguntas sobre a minha vida e mil piadas sobre a vida dele. A enfermeira que ficava lá atrás comigo era meio mulher-macho e muito séria e depois que o grisalho me descarregou ela me largou no meio de um corredor, meio que virada pra parede. O grisalho chegou e perguntou se ela tinha me deixado daquele jeito sem nenhuma explicação; respondi que sim e ele comentou que “há enfermeiros e enfermeiros”. O radiologista me chamou, era um moreno alto e corpulento todo sorridente. Deitei na máquina e fiquei lá ouvindo aquele vruuuum, vruuuum, vruuuuuuum, quietinha, quase dormindo. O exame acabou e o radiologista veio dizer que “nella cabeza non hai niente”. O grisalho gatíssimo me empurrou pra ambulância de novo e voltamos à Astenteria. Mais tarde o Mirco chegou com a tralha: talheres (os do hospital são de plástico), água mineral, suco de laranja, tijolinhos de suco de banana com maçã, barrinhas de Muesli, xícara, copo, guardanapo, adoçante, pijama, necessaire, toalha, livros. Minha vizinha de leito recebeu a visita dos dois filhos e saiu pra tomar um café no bar com eles. Mirco disse que refez o trajeto que eu fiz naquela manhã mas não viu nenhuma marca de borracha queimada no chão. Ficamos batendo papo um tempo e ele foi embora. Eu descobri que a TV funciona a moedas. Cada moeda de 50 centavos dá direito a uma hora e meia de TV. Enfiei uma moedinha e fiquei vendo telejornal e documentários. Minha vizinha loura voltou do passeio e logo depois chegou o jantar: sopinha de macarrão estrelinha (sem sal), depois peito de peru grelhado com jardineira de batata, ervilha e cenoura. Batemos um pouco de papo, viramos pro lado e dormimos.

Dormi muito mal. Minhas pernas são tortas, sou completamente dez pras duas, e quando durmo elas também continuam tortas, obviamente. Como eu me ralei na lateral da perna direita, cada vez que relaxava as pernas elas giravam lentamente pra fora e pronto, os ralados encostavam no lençol e eu sentia dor. O tornozelo também latejava. Acho que tive febre, ou então sonhei que tive. Sei que acordei muito cansada. Comi uma barrinha de muesli e tomei um tijolinho de suco e logo depois passou o enfermeiro com o café da manhã: leite quente, café com leite ou chá. Não gosto de nada disso e dispensei. Depois veio a Claudia, enfermeira gordinha de olhos doces que veio tirar sangue e me pediu uma amostra de urina. Minha vizinha de leito tinha ido tomar café no bar e quando voltou a Claudia tirou sangue dela também. Troquei de roupa, lavei o rosto (não tinha chuveiro no nosso banheiro) e logo depois voltou o enfermeiro do café, um napolitano engraçado que veio me chamar pra fazer um ECG e um eletroencefalograma. A Claudia fez o ECG ali mesmo no PS, e depois o napolitano me levou de cadeira de rodas até um outro prédio pra fazer o EEG. Esse quem fez foi uma médica ou técnica, não sei, meio masculina, muito atenciosa. O exame é bobo, bobo: ela bota aqueles trequinhos no couro cabeludo, presos àquela rede de borracha, depois fica lá da outra sala falando fecha os olhos, abre os olhos, uma respiraçao profunda, pronto, tá ótimo. Meia hora disso e eu quase dormi. Ela ligou pro PS e o napolitano veio me buscar.

Voltei pro quarto e minha vizinha não estava. Tinha ido fazer um Doppler das carótidas no Silvestrini. Abri meu Roald Dahl mas depois de dois contos já tava caindo de sono e dormi. Acordei com duas meninas entrando no quarto, acompanhadas de uma enfermeira loura. Uma era de Hong Kong e a outra da Tunísia. Ambas estudavam na Università per Stranieri em Perugia. A de Hong Kong tinha úlcera gástrica e depois de ter vomitado sangue no meio da aula perdeu a consciência. A enfermeira loura botou a menina no soro e sumiu. Chegou meu almoço: sopa de arroz com molho de tomate e ervilha, depois bife com espinafre no alho (tudo completamente sem sal, mas encarei assim mesmo) e uma maçã. Transferiram a menina pra Gastro e fiquei sozinha de novo. Chegaram o marido e a cunhada da minha vizinha, que aparentemente já estavam esperando há séculos, mas desistiram e foram embora, deixando recado comigo. Lá pra uma da tarde voltou a minha vizinha, traçou o almoço frio, eu disse que tinham vindo visitá-la. Ela ligou pra cunhada, depois virou pro lado e dormiu. Mais tarde entraram duas lourinhas falando Inglês. Uma era inglesa mesmo, a outra, muito bonita mas baixinha demais, tinha um sotaque estranho e era muito antipática. Também estudavam em Perugia. A inglesa estava com dor de barriga há dias, teve diarréia mas não sabia dizer se tinha tido febre também. Será apendicite, pensei. Chegou um médico feio e antipático e disse que os exames de sangue preliminares mostravam leucocitose. Provavelmente era apendicite, mas ainda em estágio inicial. Dava pra ela ir pra casa pegar umas coisas, se quisesse, e voltar depois ao hospital pra aguardar o momento da cirurgia. A coitada da garota começou a chorar, não entendia direito o que acontecia, eu traduzia e a coisa só ia piorando, eu me sentindo mal por ela, a vizinha loura perguntando se a garota não falava Italiano, uma confusão danada. No final ela foi pra casa pegar suas coisas e depois iria diretamente à Gastro. Tadinha, se despediu com as lágrimas escorrendo.

Mirco ligou dizendo que tinha feito o trajeto outra vez de manhã, parando pra perguntar se alguém tinha visto o acidente. Acabou descobrindo onde foi: na saída Bastia-Torgiano da SS 75, direção Foligno – Perugia. Disse que os operários do prédio em construção bem em frente, as velhinhas da casa ao lado desse prédio e o motorista do carro pararam pra me socorrer, mas eu, que sou chata e teimosa até quando estou em estado confusional, recusei terminantemente qualquer tipo de ajuda, do copo d’água à ambulância, e cismei de voltar pra casa sozinha. Anta.

Mudou o turno dos enfermeiros. Entrou um magrelo, de pálpebras caídas, cheio de colares e pulseiras rastafari. Minha vizinha loura já o conhecia. Ele foi ler meu prontuário e voltou mais tarde, quando a vizinha tinha ido dar umas voltas com o irmão, todo animado porque eu era brasileira. Ele trabalha pra uma ONG que atua na África, em Moçambique e em Angola. Começou a contar todas as suas aventuras em Maputo e em Luanda, a descrever as cidades, eu já não entendia mais de qual delas ele estava falando. Contou o episódio do roubo do carro, dos porteiros dos prédios que andam armados, dos guardas corruptos, da comida, do mercado na rua. Depois perguntou se eu não faria uma tradução pra ele. Toda vez que algum amigo ia a Luanda ele mandava uma graninha às freiras que ajudavam nessa ONG dele e dessa vez queria mandar um cartão escrito em Português. Eu fiquei lendo e mais tarde ele voltou com a mensagem pra eu traduzir. Me mostrou também uma foto das crianças e das freiras, e me deu um jornalzinho anti-Berlusconi. Voltei pro meu livro e comecei a ficar inquieta. Mais tarde o médico feio e antipático voltou com nossos prontuários e dispensou a loura e depois a mim. Liguei pra Arianna, que uma hora depois veio me buscar com a Stefania. Assim que cheguei em casa tomei um banho tabajara de chuveirinho na banheira do banheiro grande, botei água no fogo pro macarrão, sentei no sofá com o pé pra cima e fiquei vendo TV. Mirco chegou, jantamos macarrão com gorgonzola, ficamos vendo TV e depois chapamos.

Dormi melhor essa noite, mas o tornozelo ainda dói e ainda está inchado (na verdade dói porque está inchado). De manhã dirigi até Perugia pra pegar umas tintas no fornecedor do Mirco, mas depois do almoço não saí mais de casa. Não tenho força no pé pra pisar no freio de repente, se necessário, nem força no braço direito pra engatar a ré, por causa da dor no ombro.

Resumindo as consequências diretas da compra do scooter:

1 – Mirco aprendeu a falar “capacêtchi pratchiado”
2 – Estou com a marca da sandália de dedo nos pés, depois de só 15 minutos de scooter na terça-feira, debaixo do sol das 5 da tarde
3 – Meu trapézio dói, meu ombro direito dói e está ralado, minha mão direita não tem força porque o ombro dói, tenho dois hematomas na lateral da coxa direita, uma escoriação horrível por todo o comprimento da batata da perna direita, um ralado HORRÍVEL no maléolo lateral direito, outro horrível no peito do pé direito, tornozelo inchado com movimentação reduzida, e um capacete levemente arranhado no lado direito. E amnésia relativa ao acidente.

Hoje vamos jantar na Sagra della Torta al Testo em S. Egidio, não muito longe da casa da FeRnanda. Os pais dela ainda estão aqui e já foram comer na festa do javali de Petrignano e adoraram a caipirice.

Acabo de voltar do hospital. Nada grave, estou bem, mas dormi la de anteontem pra hoje e estou de saco cheio demais pra escrever. Mas aguardem, porque tanto o acidente (cai do scooter, logico) quanto a internaçao foram, digamos, bizarros.

Acabo de voltar do hospital. Nada grave, estou bem, mas dormi la de anteontem pra hoje e estou de saco cheio demais pra escrever. Mas aguardem, porque tanto o acidente (cai do scooter, logico) quanto a internaçao foram, digamos, bizarros.

voltou (a vontade de escrever)

O scooter.

Sábado Mirco interrompeu minha conversa com a Hunka no MSN mandando eu descer que iríamos juntos até a oficina, eu pegaria o scooter e voltaria pra casa já devidamente motorizada. Fui, né.

Meu Zip é realmente uma gracinha, como vocês podem ver na foto abaixo. O problema é que eu não tenho a menor intimidade com ele ainda e morro de vergonha de parecer uma retardada montada numa máquina que tem vontade própria. Claro que ninguém nem olha pra mim na rua; há zilhões de outros scooters pela cidade, das mais variadas idades e dos mais diversos estados de conservação. Muitos são pilotados por velhinhas de saia comprida, meia-calça cor da pele e salto. Muitos outros por extra-comunitários. Mais outros ainda por adolescentes de blusinha de alça e mini-saia, ou de óculos escuros estilo vespão, camiseta mamãe-sou-forte e calça jeans D&G. Ninguém olha pra mim no meu Zip, mas eu me sinto breguérrima.

O capacete é de ótima qualidade e protege o queixo também, coisa pouco comum pra quem anda de scooter. Só que 1) amarfanha a minha juba, 2) espreme as orelhas, de modo que não posso usar brinco quando piloto, 3) quando dá coceira no nariz tenho que encostar, abrir o visor e coçar, 4) faz um calor desgraçado lá dentro, e 5) eu fico A CARA do Ultraman. Só falta o uniforme colante com o zíper aparecendo nas costas.

Desnecessário dizer que quem pedir foto minha de Ultraman montada no Ultrascooter vai levar porrada, já vou logo avisando.

Ainda não aprendi direito a regular o acelerador. Dou cada arrancada monstruosa e às vezes tenho que tocar o pé no chão pra me equilibrar. Não consigo desacelerar devagarinho. Tenho que lembrar de usar o freio da mão esquerda, que é o freio de trás, pra não sair voando à frente do scooter se usar o da direita, da roda anterior. Se relaxar a mão direita do acelerador, o scooter perde velocidade, obviamente.

O mecânico que deu uma ajeitada no scooter botou um barulho piiiii piiiiiiii piiiiiiii quando eu ligo a seta, senão correria o risco de deixá-la acesa eternamente, já que não fica à mão, como num carro, nem desliga automaticamente depois da curva. Só que o barulho é muito alto, e igual ao que fazem os ônibus quando a marcha a ré está engatada, e quando paro no sinal com a seta ligada o pessoal dos carros em torno fica procurando a fonte do barulho. Nessas horas eu acho ótimo estar de Ultraman, irreconhecível.

A coisa mais estranha é que você fica se achando aaaaaa poderosa, como qualquer ciclista que pode passar com a magrela entre os carros e se enfiar em qualquer buraco e fazer qualquer manobra bizarra, bastando apoiar os pés no chão se vir que a coisa ficou preta. Só que não é bem assim: por menor que seja o scooter, ele é pesado, e não basta a pontinha do pé no chão quando se pára no sinal (ou pra esperar o trem passar). Não dá pra ir me enfiando entre os carros (ainda), porque ainda não entendi direito as medidas do Zip, não aprendi direito a calcular as consequências do deslocamento do seu peso pra um lado e pro outro. Sei que isso vai vir com o tempo, oras, se meninos e meninas de 14 anos pilotam esses trecos, não sou eu que não vou ser capaz. Mas essa mistura de sensação de liberdade, que é DELICIOSA, e o medo de estar tão exposta ao chão em caso de queda e tão perto dos outros veículos na rua é muito bizarra.

No sábado eu fui até o centro de Torgiano botar gasolina (4 € o tanque cheio, e faz 130 km. MA-RA-VI-LHA) e depois fui dar uma volta por lá mesmo (na verdade errei a direção no cruzamento mas vamos fingir que foi uma coisa voluntária). Voltei pra casa felizona, e no retão de Cipresso meu pobre scooterzinho tabajara fez 70 km/h numa boa, e contra o vento! Domingo não levei o coitado pra passear, mas agora à tarde fui a S. Maria fazer cópias da chave e pagar o seguro, e apesar da atolação foi muito agradável. Por enquanto ainda dá medinho, mas quando ele estiver devidamente domesticado, ninguém me segura. Vou virar centaura.