Arquivo de junho de 2007

o pulso ainda pulsa

sexta-feira, 29 de junho de 2007

Segunda-feira cheguei em casa do trabalho como um zumbi. Eu sou hipotensa por natureza mas nunca tenho crises de pressão baixa que me derrubam; a última vez foi há muitos anos, depois de doar sangue em um dia particularmente quente na Tijuca. Então quando cheguei em casa meio morta daquele jeito achei que era queda de pressão. Só que depois comecei a sentir dores no corpo todo e uma fraqueza tremenda – logo eu, que trabalho tanto e faço tantas coisas (porque eu sou preguiçosa, mas depois do empurrão inicial ninguém me segura). Fui dormir cedíssimo e acordei na terça banhada de suor e com uma pontinha residual de febre. Fui trabalhar assim mesmo porque a J. estava de férias até quarta-feira e tinha muito trabalho a ser feito. Fiz tudo o que eu precisava entregar durante a semana, porque já previa que não conseguiria sair de casa no dia seguinte.

De fato, na quarta tive que sair pra resolver umas burocracias urgentes mas bastava dar dois passos pra eu me sentir cansada e com falta de ar (falta de ar!!! Nunca soube o que é isso!). Fui à minha médica vesguinha e ela diagnosticou uma virose, e deu o veredito final tipicamente europeu: deve ter sido uma “ariata”, um golpe de ar, porque eu devo ter dormido com a janela aberta. Tipo assim, eu entendo a Arianna, que mal sabe escrever, soltar uma coisa dessas, mas uma médica dizer que eu peguei vírus porque dormi com a janela aberta dá vontade de chorar. Mas ela me mandou ficar em casa até sexta, então aqui estou eu.

Ontem de manhã liguei pro escritório pra avisar que não volto antes da próxima segunda, e pedi às meninas do Planning pra me mandar a tradução que eu deveria entregar na segunda e que eu já tinha começado na terça. Avisei que iria tentar fazer em casa, devagarzinho, porque quando fico muito tempo na mesma posição os músculos doem muito, e ficar olhando pro computador por horas também não ajuda. O dia passou e nada do e-mail chegar. Às oito da noite me liga o D. dizendo que me botou a tal tradução e mais duas, num total de quase 50 laudas, pra segunda. Fiquei passada: se eu estivesse em condições de fazer as 30 laudas por dia que faço em média no escritório, eu não estava em casa, estaria no escritório, né, fofo! Eles acham que pra compensar os meus três dias de férias por doença, aos quais tenho direito por lei, eu tenho que trabalhar no fim de semana. Vai tomar no cu! Que gente, que nojo, que tudo! Não vejo a hora de mandar tudo à merda.

novas

quinta-feira, 21 de junho de 2007

Então tipo assim. Domingo passado almoçamos na IKEA, compramos uns negocinhos (poucos, poucos mesmo) e fomos pegar mamãe no aeroporto. Eu tirei essa primeira semana de férias, mas arrumei outro trabalho temporário justamente nesses dias e acabou que ela ficou conhecendo Foligno inteira enquanto eu dava aula meio período. E nesse exato momento estou trabalhando de casa, orientando minhas alunas online enquanto elas fazem os exercícios que eu preparei. Vejam bem: a Comunidade Européia está me pagando pra chatar com as minhas alunas em inglês. Eu adoro isso. Tomara que dê frutos, porque o clima lá no trabalho tá cada vez mais pesado.

Sexta-feira passada fui jantar com os outros tradutores, só os que não estão no lado negro da força, lá em Foligno mesmo (tava tendo a Quintana, a festa da cidade, com torneio a cavalo etc). Fofocamos tanto que não me surpreenderia se a chefa tivesse amanhecido morta na cama só de mau olhado, coisa que infelizmente não aconteceu. Acontece que no mês passado o tradutor de espanhol e a de francês fizeram MIL LAUDAS, vou repetir, MIL LAUDAS, com 80 horas extra, vou repetir, OITENTA HORAS EXTRA, e a chefa pagou CINCO EUROS POR HORA, vou repetir, CINCO EUROS POR HORA. Se eu tivesse feito esse trabalho todo e me tivessem oferecido cinco euros por hora eu juro que dava um tapão daqueles que estalam. Cacetes estrelados, cinco euros por hora é quanto ganha o aprendiz de faxineiro do Mirco, do Uzbequistão, que mal fala italiano e mal sabe varrer o chão. Vai ser filha da puta assim na casa do chapéu. Então rolaram vários estresses, dos quais estou relativamente imune visto que trabalho sozinha no andar de baixo, mas fiquei tão, tão, tão irritada quando soube da história que passei o dia inteiro rangendo os dentes. Eu é que já deixei bem claro desde sempre que não faço hora extra de tradução nem que a vaca tussa, e se quiserem que eu faça qualquer coisa depois das seis ou nos fins de semana quero ser paga por lauda e não por hora (lógico que nunca me ofereceram). Sei é que eu tenho que sair correndo dali antes que exploda de tanto ódio por aquela vaca.

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Mudando de pato pra ganso, mas não tanto, aqui na Bota os escândalos são tantos e tão ridículos que nem parece que eu saí do Brasil. Pra vocês terem uma idéia, não consigo nem escolher um pra comentar. Vou deixar pra Daíza que ela adora essas comédias botenses.

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Os hominhos estão instalando o ar condicionado aqui em casa nesse exato momento. Tínhamos encomendado o serviço pra um amigo de um conhecido há TRÊS MESES, mas ele simplesmente parou de atender o telefone e não respondeu a nenhuma mensagem que lhe mandamos. Mirco recorreu à loja que nos forneceu os eletrodomésticos da cozinha, e no dia seguinte o tal amigo do conhecido ligou dizendo que os aparelhos tinham chegado e perguntando quando poderia vir instalar. Só lamento, quérido, quem mandou não saber trabalhar. Custava ligar pra dizer que tava ocupado e que não sabia quando iria poder vir? Ô raça…

hohoho

terça-feira, 12 de junho de 2007

Vocês sabem que o mundo do rádio se abriu pra mim depois que botei um CD tabajara no carro que pulava com os buracos na estrada. Mudei de rádio e a estrada foi recapeada, mas eu tomei gosto pela coisa. E hoje voltei pra casa às gargalhadas ouvindo Caterpillar, meu programa preferido. Os apresentadores são inteligentíssimos e hilários, e os assuntos que eles escolhem são do cacete. Essa semana tem CaterRaduno, raduno sendo uma espécie de encontro, de reunião gigante, em Senigallia, e o programa está sendo transmitido ao vivo. Estavam anunciando há semanas que o ponto alto seria a batalha pra escolher a pior praga italiana dos últimos dez anos. Os candidatos (quando ouvi o primeiro anúncio não conseguia parar de rir):

. os bancos
. as apresentações de fim de ano (balé, música, judô, o escambau)
. bandejões e cantinas de colégio
. os SUV
. o lobby da água mineral (aqui não existe beber água da torneira, mesmo sendo potabilíssima)
. os engarrafamentos de verão e não
. o retorno dos Savoia
. a faculdade de Ciências da Comunicação

Não é de rolar no chão rindo? Aí chamaram pessoas mais ou menos relacionadas a essas pragas pra defendê-las (defender sua candidatura como as pragas da década), e os argumentos são fenomenais. O cara que “defende” os bancos é uma figura que aparece toda hora na televisão, com sua fala mansa, dizendo que quando entramos no banco deveríamos dizer “isso é um assalto! E a vítima sou eu!” porque os bancos italianos são os mais caros do mundo. A que defende a água mineral organizou uma espécie de páginas amarelas só com nomes de restaurantes que servem água da torneira grátis em vez de vender água mineral. O cara do partido verde deles aqui classificou os SUV como antipáticos ocupadores de espaço e poluidores, e que se um SUV te ultrapassa na estrada e mais à frente se envolve num acidente, você faz hohohoho bem feito. A advogada que defendeu a candidatura da família Savoia relembrou todos os podres que apareceram na imprensa nos últimos anos. E por aí vai. Vim rindo feito uma doida no carro, até porque são os comentários deles que ajudam a apimentar o programa.

Pra quem quiser: Caterpillar
(em italiano)

after duduzão

segunda-feira, 11 de junho de 2007

Sete coisas que faço bem:
. cozinhar
. ensinar
. escrever
. falar línguas
. educar cachorro
. ler rápido
. programar videocassete

Sete coisas que não faço e não sei fazer:
. fumar
. calcular – NADA, nem coisas muito, muito básicas
. beber café
. trocar pneu
. competir
. comer grapefruit
. andar de moto

Sete coisas que me atraem no sexo oposto:
. senso prático
. senso de humor
. óculos
. risada gostosa
. altura
. responsabilidade
. atitude topa-tudo no-fuss

Sete coisas que não suporto no sexo oposto:
. tabagismo
. burrice
. burrice
. burrice
. tom de voz alto demais
. B.O.
. maldade gratuita

Sete coisas que digo com freqüência:
. putz!
. mavaffanculo, va’
. aaaaaahn? (quando o aluno faz um erro idiota)
. boh
. TESTA DI CAZZO, MA VA A LAMPEGGIARE DA MAMMA TUA!
. ma non me ne frega proprio niente
. hohohohoho

Sete atores/atrizes que admiro:
. Johnny Depp
. Juliette Binot
. Ed Harris
. Guy Pearce
. Ian McKellen
. Sandra Oh
. Jack Nicholson na cena do museu em Batman

Sete filmes favoritos:
. Todos os LotR
. Todos os X-Men, apesar do 3 ser uma bosta
. 28 dias
. Tootsie
. The Silence of the Lambs
. Todos os Star Wars
. Todos os Indiana Jones

Sete livros favoritos:
. LotR
. High Fidelity (Nick Hornby)
. White Teeth (Zadie Smith)
. How the Irish Saved Civilization (Thomas Cahill)
. The Blind Watchmaker (Richard Dawkins)
. Io Non Ho Paura (Niccolò Ammaniti)
. House of Mirth

Sete lugares favoritos:
. Roma, que é tudo na vida
. Lagoa, no Rio
. Paris, porque é impossível não
. Siena
. Spello
. a sala da minha casa
. o alto do Monte Subasio

cousas

domingo, 3 de junho de 2007

Estou numa fase ballet. Não lembro mais o que eu tava traduzindo no trabalho que tinha uma expressão de balé clássico, e voltou a mania de balé.

PARÊNTESES
Fiz uns poucos anos de balé clássico quando era novinha, mas, sendo gorda e automaticamente não graciosa, é lógico que não deu em nada. Às vezes fico pensando em quanto da minha vida foi e é condicionada pelo fato de ser gorda e feia – digamos que cem por cento. Eu tenho ótima noção de ritmo, tenho boa memória pra coreografia, sou MUITO flexível (quando fazia caratê, no aquecimento, em pé encostada na parede enquanto um colega levantava uma das pernas, o pé dessa perna levantada encostava na parede acima da minha cabeça), mas gorda e ainda por cima com uma quantidade de cabelo (ruim) que não cabe em redinha nenhuma do mundo não dá, né. Na verdade também sou muito preguiçosa e disciplina não é comigo, jamais agüentaria não sei quantas horas por dia ensaiando nem esporro de professor histérico, então é óbvio que a carreira de bailarina não era pra mim. Mas quando eu era muito pequena freqüentava o Municipal e assistia a praticamente todos os espetáculos da temporada de balé, porque um tio da minha mãe trabalhava lá e arrumava ingresso pra gente. Conheço a história de todos os grandes balés em todos os detalhes. E nunca, nunca deixei de gostar de dança clássica. Só que aqui não tem nada disso e ninguém nunca ouviu falar de bailarino nenhum nem de balé nenhum nem de compositor clássico nenhum nem de Bolshoi nem de Kirov, então esse assunto acabou ficando enfurnado num canto empoeirado da minha cabeça. Até eu bater os olhos naquele parágrafo que nem era sobre balé, mas usava uma metáfora com uma expressão conhecida.
FIM DOS PARÊNTESES

Então. Voltei pra casa e comecei a baixar coisas. Dei a cagada de conseguir baixar um Lago dos Cisnes, de longe o meu preferido, justamente com Nureyev e Margot Fonteyn. Agora há pouco estava passando roupa e revendo o balé pela enésima vez, enquanto o penúltimo capítulo de Lost não termina de baixar (tenho o último mas vou resistir e deixar pra assistir tudo em ordem direitinho). Vou te dizer, mesmo maquiado praticamente como a Isabelita dos Patins aquela mala do Nureyev era de cair o queixo. Vai dançar bem assim na casa do chapéu! E eu sei que a Fonteyn é isso e aquilo, uma das melhores bailarinas do século e tal, mas eu ainda prefiro as russas. Pelo menos em termos de “cisnidade” eu já vi coisa melhor (e ela não deu as famosas 32 piruetas).

Também é engraçado pensar em como tantas músicas de balé foram e são até hoje usadas pra desenhos animados, propagandas etc. A propaganda chata do leite Granarolo, com um mordomo ridículo e um garoto que, sendo italiano, grita uma frase incompreensível no final, tem um pedaço de Coppélia, por exemplo. A música do primeiro pas de deux de Giselle é manjadíssima. E a coreografia do Petipas é o que há, lógico. Quem nunca viu aquele pas de quatre das cisnezinhas de mãos dadas levanta a mão.

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Comprei um iPod Shuffle de presente pra mim mesma. Meu mp3 player velho tem só 128 Mb de espaço e é grande, chato de carregar quando vou correr, e come pilha de uma maneira assustadora. Então na quinta aproveitei que Fabiola cancelou a aula particular e fui do trabalho direto pro Ipercoop. Comprei o último, da vitrine, e ainda ganhei um desconto que eu nem sabia que tava rolando, porque os cupons não chegaram aqui em casa. Sessenta e quatro euritos por uma coisinha pequetitinha, bubuzíssima, onde posso enfiar facilmente todas as minhas músicas-de-correr, com bateria que dura 12 horas e tão leve que eu penduro na camiseta e não incomoda. Diliça.

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Por que é que todo bailarino é feio? Tipo assim, é pré-requisito? De bonito eu só consigo pensar no Roberto Bolle, que é um pedacinho de mau caminho, mas é só. Alguém me explica?