Mini-texto inédito.
Arquivo mensais:maio 2004
Mini-texto inédito.
Ah, um pedido: a Renata, irmã da FeRnanda, casa no final de julho. Eu me ofereci pra gravar uns CDs de música dançante, já que por aqui o pessoal é desanimado pacas. Ela também gosta de anos 70, música gay etc. Eu tenho muitos mp3 disso aqui, mas queria mais idéias de música anos 70, 80 e 90, inclusive brasileiras. Qualquer sugestão é bem-vinda.
Ah, um pedido: a Renata, irmã da FeRnanda, casa no final de julho. Eu me ofereci pra gravar uns CDs de música dançante, já que por aqui o pessoal é desanimado pacas. Ela também gosta de anos 70, música gay etc. Eu tenho muitos mp3 disso aqui, mas queria mais idéias de música anos 70, 80 e 90, inclusive brasileiras. Qualquer sugestão é bem-vinda.
momento diarinho
Fim de semana mais light, impossível.
Sexta-feira fomos ao cinema com o Moreno, debaixo de MUUUUITA chuva, ver The Day After Tomorrow. Eu adoro o Dennis Quaid e adoro filme catástrofe, bem mentiroso, cheio de clichês e lugares-comuns. Adoro. Mas devo admitir que aquele frio todo me deu um nervoso danado. Só me acalmei quando o mendigo negão conseguiu entrar na biblioteca com seu cachorro lindo que, aliás, é a cara do Demo.
Sábado Mirco trabalhou de manhã, como sempre, e eu fiz minha faxininha; depois do almoço rolou aquela dormidinha básica que ninguém é de ferro, e depois fomos enfrentar as hordas de peruginos que tiveram a mesma idéia de jerico que nós tivemos a de fazer compras no Ipercoop. A gente nem tava precisando de nada, porque eu tenho ido ao supermercado praticamente dia sim, dia não, pra ter sempre tudo fresco em casa, mas nós adoramos fazer compras, então fomos. Dali fui deixar meu currículo na Libreria Grande se tiver que ser emprego de vendedorazinha de merda, que seja numa livraria e voltamos correndo pra casa pra fugir do trânsito. Jantamos na festa da primavera aqui embaixo, voltamos pra casa, e não conseguimos nos animar pra sair. Às dez e meia estávamos roncando.
E ontem foi outro dia de lerdeza total. O dia amanheceu lindo de morrer, com sol brilhando forte e uma brisa deliciosamente fresca o tipo de clima que poderia perfeitamente se repetir diariamente por anos inteiros que ninguém iria reclamar. Ficamos em casa de bobeira de manhã, e depois íamos almoçar na Arianna, mas quando chegamos vimos o o carro do tio do Mirco estacionado, sinal que a namorada piranha dele também estava lá. Eu não a conheço mas sei que ela fez umas coisas horríveis, além de ser maluca de carteirinha, com passado de internações psiquiátricas, e deve estar constantemente sob a ação de psicotrópicos. O fato de que a família do Mirco ache super normal botar uma maluca dessas dentro de casa depois de tudo o que ela fez também seria, na minha opinião, suficiente pra requerer internação psiquiátrica pra todo mundo, mas enfim, non sono cazzi miei. Assim que vimos o carro demos meia-volta e picamos a mula. Acabamos indo almoçar no Toscanino, um restaurante famoso lá pros lados de Torgiano, onde fica a oficina do Mirco. Comi bem direitinho: um primo de tagliatelle com molho de tomate com frango e creme de leite (o lanterneiro foi de pappardelle ao javali, ma-ra-vi-lho-so), e depois filezinhos de porco num molhinho de alecrim, alcaparras e pimenta-do-reino. Diliça. Comportamo-nos muito bem e não tomamos refrigerante nem comemos doce, ficamos só no vinho branco seco mesmo.
Depois fomos pra oficina pra ajeitar os latões pra raccolta differenziata do lixo. Acho que finalmente o sistema de reciclagem de lixo aqui na Umbria vai pegar, coisa que me deixa muito feliz. O comune vai dar um incentivinho de 25 euros às famílias que alcançarem os 150 kg de lixo reciclável. A gente vai lá na tal isola ecologica (já falei dela num outro post), pesa as coisas e eles inserem os dados no cartão magnético. Se em fevereiro do ano que vem você tiver chegado aos 150 quilos, eles dão o tal incentivo. Claro que eu faria do mesmo jeito, mesmo sem o incentivo, até porque 25 euros é uma merreca, mas acho que é uma indicação de que a coisa vai funcionar de verdade. Por isso o Mirco lavou quatro latões enormes, originalmente cheios de solvente, e eu escrevi o rótulo pra cada um deles: papel, plástico, vidro e latinhas de aço e alumínio. Botamos tudo na garagem, que é bem grande, e quando estiverem cheios levo a tralha pra pesar.
Bom, acontece que ontem também era dia de Cantine Aperte aqui na Umbria. No ano passado fui com FeRnanda e Fabião, e esse ano resolvemos ir também. Nem estávamos sabendo de nada, porque a publicidade praticamente não existiu; por acaso ouvimos no rádio que a coisa rolava até as seis e resolvemos dar uma zoiada. F & F nos encontraram na oficina e de lá fomos pra Lungarotti, ali pertinho mesmo. Eles fazem vinhos muito bons (mas não excepcionais), e nessas ocasiões também dão sempre alguma coisa pra beliscar com a degustação de vinho. Ontem tinha bruschetta (porque eles também produzem azeite e o melhor modo de degustar azeite é com pão tostado), frios fatiados, cubinhos de pecorino. Enquanto Mirco e Fabião foram fazer a visita guiada das cantinas, eu e FeRnanda ficamos batendo papo. Dali fomos pra uma cantina pequena em Cannara, onde o Fabio já tinha comprado uns vinhos ótimos uma vez. Eles tinham fava e pecorino, e o Mirco deve ter comido tipo uma tonelada de fava.
Degusta aqui, degusta ali, no final das contas terminamos com sete taças de vinho, que, junto com a outra que ficou do ano passado, formam um conjunto de 8 peças. Ano que vem temos que lembrar que o modelo de bolsinha não muda, e se levarmos a bolsinha desse ano economizamos a entrada…
[Pra quem não sabe como funciona o Cantine Aperte (Cantinas Abertas): as cantinas da zona abrem as portas ao público. Você escolhe onde começar; nós começamos da Lungarotti. O ingresso custa 5 euros. Te dão uma bolsinha ridícula com uma taça de vinho dentro, e com essa bolsinha, que você deve pendurar no pescoço, entra-se em todas as cantinas que quiser, tendo pagado só uma vez. Só que cada vez que a gente muda de vinho, pega outra taça, e resolvemos não devolvê-las mas levá-las pra casa. Simples assim.]
Tem um castelo do século X ali perto de Bettona, chamado Rosciano, que o Fabio cismou que a gente tinha que ver. O bicho fica no alto de uma colina e a estrada pra subir até lá é incrivelmente íngreme. A probabilidade de encontrar um javali no bosque adjacente em teoria era grande. Eu adoraria ver um, embora tenha plena consciência do perigo são bichos agressivos e, pior, pesadíssimos, fortíssimos. A cabeçada de um javali adulto é capaz de destruir a lataria de um carro. Infelizmente não vimos nenhum, até porque tava rolando uma bagunça danada porque tinha uma festa de casamento no castelo. Eu acho tão estranho essas festas assim, tão cedo! Aqui neguinho casa às 4, 5 da tarde e a festa acaba cedinho. Eu particularmente não consigo conceber casar durante o dia. Festa de dia não é festa, é no máximo um get-together desanimado! Não gosto não. Bom, no final das contas não conseguimos entrar no castelo, obviamente, e voltamos pra casa. F & F tinham e-mails pra checar e escrever, e depois que foram embora eu e lanterneiro ficamos vendo Stealing Beauty no vídeo. Pergunta se conseguimos sair depois? É ruim, hein. Dormimos como duas pedras.
E hoje acordei cedo, estendi a roupa no varal, fui dar minha corridinha, e agora no final da manhã vou encontrar a Marcia em Assis. Marcia é a mãe de um amigão do meu irmão, que vem passar uns dias na Itália e gentilmente se ofereceu pra me trazer umas roupas das quais eu tava precisando. Minha mãe preparou uma sacola e lá vem a Marcia trazer meus bagulhos pra mim. Ótima desculpa pra não ir trabalhar.
Seu Franjinha, torta al testo e altre cose
Pois então, agora começa o período das sagras, as festas de cada cidade. No começo de maio rola o Calendimaggio em Assis, festa na qual o povo se veste com roupas medievais, há representações de cenas da época, desfile, provas físicas, etc. A disputa é entre a Nobilissima Parte di Sopra e a Magnifica Parte di Sotto (a cidade alta contra a cidade baixa). Esse ano ganhou a Parte di Sotto.
Anteontem começou a Festa della Primavera aqui em Cipresso. Armaram um palco e umas barraquinhas no jardim bem aqui atrás de casa assistimos à festa de camarote! Quarta-feira FeRnanda e Fabião vieram jantar com a gente na festa. Essas festas têm sempre uma cantina de pratos típicos, que funciona quase sempre do mesmo jeito: um grande menu informa o cardápio daquela noite, você pega uma folha pré-impressa com todos os nomes dos pratos, e marca ao lado de cada prato a quantidade que quer. Enquanto isso alguém do seu grupo vai pegar uma mesa no galpão. As mesas são numeradas e, depois de pagar, você vai ao balcão de pedidos pra entregar o seu, com o número da sua mesa escrito bem grande no alto da folha pra neguinho não errar. Depois é só esperar que alguém vem te trazer o jantar. O menu também varia pouco, a não ser quando o tema da festa é alguma comida ou ingrediente em particular (como a festa da cebola em Cannara, ou a sagra do javali em Petrignano). Quarta-feira comemos antipasto primavera (salame, presunto, capocollo, azeitonas, feijão branco frio, flores de abobrinha, berinjela e alcachofra fritas, e outras coisinhas), Mirco comeu penne alla norcina (sempre presente em qualquer menu umbro) e nós mortais fomos direto ao secondo e comemos a igualmente onipresente torta al testo com linguiça, linguiça e verdura, presunto, presunto e pecorino, etc.
Ontem Marco e Michela vieram, e comemos de novo na festa dessa vez fui de tagliatelle com molho de ganso. O mais engraçado é ver o pessoal todo arrumado pra essas festinhas bobas. E fica tudo ainda mais hilário quando tem banda tocando. Quarta-feira foi um festival de bandas iniciantes, então rolou muito rock pesado, mas ontem foi o Mario Riccardi (o site não tá no ar ainda, acho) quem cantou música de salão pra fazer a velhacaria sacudir o esqueleto. Os jardins pipocando de gente, como um grande salão de baile ao ar livre; velhos e velhas super emperiquitados dando seus dois passinhos pra cá, dois passinhos pra lá, todos juntos se movendo em sentido anti-horário ao som do Franja Crespa Riccardi. De chorar de rir. Principalmente porque o seu Riccardi é um mito da dança de salão aqui no centro da Itália. Toda hora vejo cartaz anunciando Riccardi cantando em algum lugar. Não tenho mais nada a comentar sobre ele, já basta o fato de que ele tem cabelo crespo E usa franja, mas o figurino do resto da banda é de arrepiar também. Ontem tavam todos de terno bordeaux, e as cantoras (sim, porque Riccardi fez nome e deitou na fama, quase não canta mais, só vai marcar presença), todas gordas de mini-saia, bota de camurça rosa, cabelos amarelos, bem naquele estilo chacrete de ser.
O bom é que tanto eu quanto o Mirco dormimos sem problema mesmo com a orquestra do Riccardi se esgoelando lá embaixo. Só que essa noite eu tive uns sonhos muito esquisitos (minha mãe casava de novo e o Mirco não podia ir à festa comigo porque estava jogando na seleção italiana de futebol), me revirei a noite toda e dormi muito mal. Hoje estou super borocoxô, ainda mais que perdi a manha inteira na agência fazendo bissolutamente nada – e eu cheia de roupa pra passar em casa! E agora à tarde lá vou eu a Cannara, terra da cebola, visitar um cliente novo, com a mala do Pino do meu lado pra ver se eu tô fazendo direito. Ainda por cima o tempo fechou e acabou de cair um aguaceiro danado bem na hora em que eu tava estendendo as roupas de lã no varal pra secar e poder guardar na garagem com todo o resto da roupa de inverno. Que bosta isso.
Então hoje fui fazer mais uma sessão de massagem. Angelo constatou aumento do fígado. Segundo ele, a causa é a raiva, a irritação. Jura, catatau?
Então hoje fui fazer mais uma sessão de massagem. Angelo constatou aumento do fígado. Segundo ele, a causa é a raiva, a irritação. Jura, catatau?
Estou vendo o segundo e último capítulo de Nerone (Nero, em italiano), microssérie de produção americana, penso, com alguns atores italianos infiltrados. Sempre vejo essas porcarias porque adoro figurino de época, mas nem sempre é bom negócio. Por exemplo: até onde eu sei, Nero era uma bicha louca, não sei se mais bicha que louca ou mais louca que bicha, e mau que nem pica-pau. Nessa série ele é bonzinho, tem um corte de cabelo super moderno, defende a plebe, salva gladiadores da morte, casa por amor, tem remorsos e escrúpulos. Será que a irritação de ver essas incongruências históricas é compensada por meia dúzia de armaduras legais, tecidos deslumbrantes e brocados fabulosos? Sei não.
Estou vendo o segundo e último capítulo de Nerone (Nero, em italiano), microssérie de produção americana, penso, com alguns atores italianos infiltrados. Sempre vejo essas porcarias porque adoro figurino de época, mas nem sempre é bom negócio. Por exemplo: até onde eu sei, Nero era uma bicha louca, não sei se mais bicha que louca ou mais louca que bicha, e mau que nem pica-pau. Nessa série ele é bonzinho, tem um corte de cabelo super moderno, defende a plebe, salva gladiadores da morte, casa por amor, tem remorsos e escrúpulos. Será que a irritação de ver essas incongruências históricas é compensada por meia dúzia de armaduras legais, tecidos deslumbrantes e brocados fabulosos? Sei não.