panqueca de arroz com lentilha

Mirco tem mania de comprar. Ontem ele saiu rapidinho pra comprar vassoura pra oficina com a Carolina pra eu poder malhar e voltou uma hora e meia depois com um caixote de cerveja, quatro livrinhos pra Carolina e quatro livros de receitas pra mim. Livros tabajara, daqueles vagaba de supermercado, mas fuçando sempre dá pra achar alguma coisa interessante. Um é sobre risotos, outro sobre tapas, um é uma enciclopédia de azeites e vinagres (tenho HORROR a vinagre, só um whiff é suficiente pra me fazer vomitar) e o último sobre comida indiana. Peguei esse pra folhear enquanto ele dava banho na Carolina e achei uma receita que me chamou a atenção, que é essa do título do post. Porque eu não posso ver uma lentilha que me assanho toda, e o mesmo vale pra palavra panqueca (ou crêpe). O detalhe é que a lentilha e o arroz não são o recheio, senhores, mas os ingredientes da massa!

Achei sensacional. Estou de saco cheio de trigo e tenho a impressão de que ele é o culpado de todos os problemas ponderais da minha vida, porque tudo o que leva farinha é gatilho de compulsão pra mim (e não só pra mim). Ultimamente ando com o comedor aberto, um desespero alimentar só experimentado quando eu estava grávida (não estou, tá) e que está difícil de segurar. Como estou com outros sintomas de descontrol hormonal, essa semana marquei endócrino pra ver o que pode ser exatamente, e enquanto isso vou tentando eliminar o trigo da minha vida. Felizmente a Barilla tem uma linha de massas feitas com outros grãos, inclusive lentilha, e são deliciosas. Também felizmente eu não tenho um apego gustativo particular a carboidratos brancos e realmente prefiro as coisas integrais, o que prepara a minha linguinha pra esses sabores “alternativos” sem trigo. Quem sabe assim eu consigo desligar o comedor. Porque entre batata, arroz e macarrão, sou fã incondicional do macarrão, que por sinal é muito mais prático também.

De qualquer maneira, fiquei doida pra fazer as tais panquecas. Vou dar a receita, mas atenção: não testei ainda, portanto não garanto.

200 g de lentilhas
15 g de fermento em pó
50 g de arroz (o livro diz pra usar basmati, mas acho que o nosso branco vai bem também)
páprica doce em pó
óleo

Deixe a lentilha de molho por pelo menos 4 horas e o arroz por pelo menos 30 minutos, separados.
Bata os dois ingredientes no liquidificador ou triturador até obter uma massa homogênea. Junte o fermento e uma pitada de páprica e deixe a massa descansar por 30 minutos.
Cozinhar como crepes normais na panela com pouco óleo, só pra não grudar, e depois enrole-as em uma colher de pau para que formem tubos.

Pela foto não dá pra saber direito que textura que fica, mas esse conselho final de formar tubos me leva a pensar que elas ficam mais pra durinhas, e portanto não exatamente recheáveis. O livro diz que são ótimos acompanhamentos pra pratos de peixe e carne, coisa mais ambígua impossível, mas vai depender muito da textura final. Quando testar a receita eu aviso aqui como ficou.

s.o.s. sono

Preciso de ajuda. Não estou conseguindo regularizar o sono da Carolina, e o resultado óbvio é que estou à beira de um colapso nervoso.

Vou descrever a situação só pra dar uma ideia.

Ela toma a mamadeira da manhã às 6 (mas ultimamente acorda sempre um pouco antes; fico enrolando até as 6). Meia mamadeira, troco a fralda com ela em pé pra que ela arrote, termina a mamadeira, outro arroto enquanto dou uma enxaguada básica na mamadeira e jogo a fralda fora, vamos pro quarto, ela encosta a cabeça no meu ombro imediatamente, logo depois se deita no colo mesmo, ganha um beijo e vai pro berço. Vira de bruços, eu saio, fecho a porta e ela dorme sem dar um pio até as 11:30, com picos de 12:30. Esse soninho da manhã é que me salva, porque consigo dormir se não tiver dormido à noite, malhar, deixar o almoço engatilhado, tomar banho, dar uma geral na casa, trabalhar quando estou a fim. Perfeito, porque eu sou totalmente antivampiro, só funciono de dia e por mim iria pro caixão dormir assim que o sol se põe.

Acorda, troco a fralda, troca de roupa, brincamos um pouco, vamos na rua levar o lixo na caçamba, voltamos, almoço (normalmente vendo Aladdin). Quando o Mirco chega pra almoçar mais tarde ela fila um pouco da comida dele também. Depois começa a ficar agitada, de modo que ou fico brincando com ela até ela sentir sono ou, quando o sol não está esturricando, vamos dar uma volta, ela brinca à sombra das árvores do Percorso Verde e talz. Voltamos, rola um lanche – fruta, iogurte ou biscoito, dependendo da vontade da madame – e aí sinto muito mas é hora de dormir. Normalmente a coisa rola lá pras quatro: vamos pro quarto, ela começa a se agitar porque não quer dormir mesmo estando cansada, seguro firme no colo, ela fica quieta rapidinho, vai pro berço acordada, saio e fecho a porta, ela chora por tipo 10 segundos e capota. Dorme mais ou menos uma hora e meia, às vezes mais.

Acorda de novo, brincamos, lemos historinhas, tento evitar que ela destrua todas as plantas da varanda, jantar. Quando o Mirco chega ela fila o jantar dele de novo, ele dá banho nela, pijama, historinhas. Ela entra num estado de agitação extrema até as dez, quando toma a mamadeira e vamos dormir. Às vezes capota no meu colo e vai pro berço sem traumas; às vezes não tem santo que a faça dormir e eu tenho que deitar na cama-fouton ao lado do berço, com a mão dentro do berço pra ela ficar beliscando e arranhando. Lógico que depois de uns 40 minutos dessa palhaçada eu começo a me irritar e ficamos as duas loucas no escuro, ela rolando na cama tentando dormir sem conseguir, apertando os nós dos meus dedos com as unhas, e eu gritando/sussurrando PELAMORDEDEUS PARA COM ISSOOOOO! FECHA O OLHO E DORME! FICA PARADA, COMO E’ QUE VOCE VAI CONSEGUIR DORMIR FAZENDO DOWN DOG, SUA MALUCA?

Alternativamente, eu dou banho rápido depois do jantar (dela) e saímos pra jantar fora. Ela fila o jantar da gente no restaurante também, e dependendo do lugar corre pra lá e pra cá feliz da vida rindo e dando gritinhos de alegria ou então fica irritada na cadeirinha dela resmungando sem parar e querendo pegar tudo o que está na mesa, obviamente ignorando todos os seus próprios brinquedos e livrinhos. Pijama no próprio restaurante. Se estiver muito cansada, dorme no carro; em casa vai direto pro berço enquanto eu boto o pijama, escovo os dentes, faço xixi, boto o relógio (pra saber que horas são quando acordo de madrugada com ela, vocês sabem que eu fico nervosa se acordar e não souber que horas são), preparo a mamadeira. Tiro a madame do berço, ela muito puta da vida, mas termina a mamadeira, arrota e capota imediatamente.

De madrugada as possibilidades são três.

1) Ela dorme a noite inteira sem acordar nunca, coisa que acontece tipo por uma semana a cada dois meses, mais ou menos.

2) Ela acorda de madrugada, quase sempre mais de uma vez, porque perdeu o raio da chupeta. Entro no quarto, rechupeto a menina e ela dorme de novo rapidinho. Essas noites assim são pouco traumáticas pra mim porque faço tudo em modalidade zumbi e nem lembro direito de ter me levantado da cama de madrugada.

3) Ela acorda uma vez, sempre num horário que não é mais tarde da noite nem cedíssimo de manhã, ou seja, o horário que mais me deixa destruída no dia seguinte (das 2 às 4 da manhã, digamos), e fica naquela loucura de me beliscar.

Não sei o que fazer. Já tentei tudo, menos deixar ela chorando (na verdade deixei uma vez, mas depois de 2 minutos, quando eu já estava quase tendo um treco, ela vomitou de tanto se esgoelar). Já chegamos à conclusão que a qualidade/quantidade do sono dela não tem absolutamente nada a ver com o cansaço ou com o nível de atividade durante o dia. Tem dias em que ela não dorme à tarde (normalmente é na Arianna que isso acontece), passa o dia na horta com a avó ou brincando com os cachorros ou na casa da vizinha da Arianna, uma prima deles, comendo cereja e correndo na rua (não passa carro), e mesmo assim não dorme. Tem dias em que ela faz tudo isso e dorme feito uma pedra. Tem dias em que não saímos de casa porque realmente não tenho forças e ela capota; em outros dias semelhantes ela dorme mal.

Vejam bem, não é que ela não queira dormir. Ela quer; fica rolando na cama, esfregando os olhinhos, não fala, não ri, não levanta, não pede coisas, nada disso. Ela não quer brincar, quer dormir mas não consegue. Não consigo entender o motivo.

Qualquer sugestão é bem-vinda.
Grata,
leticia