A criatura mais graciosa da Terra não é o gato, nem a borboleta, nem a garça, nem a cheetah. A criatura mais graciosa do universo é a bailarina clássica.
p.s.: Notaram a frustração?
A criatura mais graciosa da Terra não é o gato, nem a borboleta, nem a garça, nem a cheetah. A criatura mais graciosa do universo é a bailarina clássica.
p.s.: Notaram a frustração?
Estamos à procura de um patrocinador para um revolucionário produto que com certeza vai mudar, para melhor, a vida de milhões de pessoas em todo o planeta. Trata-se do Super Hiper Mega Decapitador de Fumantes de Elevador, copyright pacamanca Inc. O funcionamento é simples, rápido, e infelizmente indolor: um sensor ultra-eficaz posicionado no teto do elevador* ativa, ao menor sinal de fumaça de cigarro, um jato de água direcionado a laser que apaga o cigarro imediatamente. Mas não é só isso! O sistema também ativa, imediatamente depois da apagação do cigarro, um machado afiadíssimo que cortará, com precisão cirúrgica, a cabeça do idiota. E na versão 2.0 Deluxe a lâmina já vem automaticamente coberta com um potente coagulante, que impede assim quaisquer jorros de sangue e consequentemente elimina o incômodo da limpeza pós-decapitação.
Também estamos tentando um acordo com o cadastro de cidadãos para eliminar possíveis cônjuges do idiota decapitado, para evitar assim a transmissão dos cromossomos da falta de educação às futuras gerações.
*O sensor, naturalmente, é invulnerável a qualquer tipo de agressão, seja ela de natureza química ou física.
Pois é, então, nem contei do maluco-beleza que está fazendo minhas massagens shiatsu. O cara é uma figuraça, todo descabelado, mas competente, pois já estou me sentindo melhor. Ontem foi a primeira sessão, e logo de cara ele sacou qual era o problema: ao sentir a rigidez do músculo, perguntou na cara dura se eu estava contente no meu emprego. Dei uma risada e deixei por isso mesmo. Ele respondeu com outra risada de quem entendeu tudo muito bem.
Hoje, durante a segunda sessão, botei meu bedelho pra funcionar e perguntei há quanto tempo ele faz massagem, e principalmente como foi parar nesse tipo de atividade. Resposta: desde 89. Antes disso ele administrava discotecas e pubs (tuuudo a ver), até que uma amiga a quem ele deve ter administrado uma bela massagenzinha erotico-básica disse que ele tinha “energia nas mãos”, coisa que eu considero uma balela ímpar, que seria melhor traduzível em “mãos boas pra massagem”. Ele resolveu ir adiante, e, não achando na Itália nenhuma escola séria de shiatsu, foi parar na Suíça, onde estudou por 3 anos (e eu que achava que era uma coisa simples…). Voltou à Itália, continuou sempre os estudos, acompanhou de perto um médico “alternativo” por 15 anos (esse guru dele hoje tem quase 90 anos), e resolveu abrir seu próprio consultoriozinho de massagem.
Perguntei tudo isso não só porque sou irremediavelmente curiosa, mas por um motivo muito down-to-earth: ele cobra 20 euros por cada sessão de 40 minutos. Eu levo 15 horas e meia como estagiária pra juntar 20 euros. Sacaram?
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A coisa curiosa nessa história toda é que ele pegou, compreensivelmente, o mesmo vício de todas as manicures que já fizeram minhas unhas: o de me dar tapas pra me fazer relaxar. Eu não consigo relaxar. Não tenho nenhum prazer particular com massagem, não me dá sono nem me tranquiliza, e eu fico rígida O TEMPO TODO. Detesto ter gente mexendo no meu corpo sem que eu saiba exatamente o que estão fazendo. Então volta e meia ele pergunta, beliscando meu ombro: “Por que você não está morta? Quero você morta, relaxada”. Ao que eu respondo: “Eu estou morta… só que em rigor mortis“. Que infame que sou.
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Segunda-feira, sempre às oito, a terceira e, espero, pro bem do meu bolso, última sessão. Mas sei que enquanto minha vida não se ajeitar por aqui e eu não me divertir mais um pouquinho vou continuar com o ombro duro, e todos os habitantes de Hokkaido podem vir massagear shiatsudamente meu músculo trapézio que o bicho vai continuar emperrado.
Estou devendo 300.000 emails, mas hoje estou irritada demais pra escrever. A minha incapacidade total e absoluta de ganhar dinheiro me deixa num estado de ódio tamanho que não consigo nem respirar sem sentir raiva. Esperemos que passe.
Então eu já tô de saco cheio dessa história do Maradona, e quero fazer uma pergunta aliás, várias: por que é que ainda dão espaço na mídia pra esse idiota? Um cara que é A imagem da decadência, da auto-destruição, da imbecilidade, da fraqueza de espírito? Por que é que ainda se fala dele? Que tipo de exemplo esse idiota pode dar aos outros idiotas que precisam de ídolos? Por que é que há tantos idiotas que precisam de ídolos? Por que esse mundo é tão ridículo?
Quando eu vejo gente embaixo de janela de hotel esperando que o cantor ou ator famoso apareça na janela, quando eu vejo gente na porta do hospital onde essa mula do Maradona está internado, com vela e santinho na mão, rezando por um idiota, quando eu vejo gente que chora quando vê o ídolo na televisão, eu sinto um desconforto tão forte que chega a incomodar fisicamente. Que poço de ignorância uma pessoa tem que ser pra idolatrar gente da qual só se conhece uma faceta! O que se sabe do Maradona, além dele ter sido um estupendo jogador de futebol? O que que esse cara acrescentou ao mundo? O que ele tem que poderia me fazer gostar dele? De maneira geral eu não gosto de artistas nem de esportistas; gosto do que eles fazem, o que é IMENSAMENTE diferente. Não posso gostar deles, porque não os conheço. A não ser que seja uma coisa muito gritante, tipo, eu não gostava nem das músicas da Cassia Eller, nem da sua voz, nem da sua aparência física que sempre considerei esculachada ao ponto de ofender terceiros. Também não gostava dela porque detesto gente vulgar e mal educada. Gostei menos ainda da novela que se criou em torno da morte dela, e gostei ainda menos da idolatria que se criou em torno dela. Porra, a mulher era mal educada pra caramba, morreu drogada e neguinho ainda tem admiração por ela? On the other hand, gosto do Oscar, do basquete. Gosto porque me parece ser um cara sensato, normal, não-estrelinha leiam bem, PARECE, não sei, não o conheço. Pensando bem, em vez de dizer gosto do Oscar, talvez seja mais seguro dizer tenho simpatia pelo Oscar. O resto é perfumaria.
Sou eu que estou ficando maluca ?
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E aí, falando no Maradona, entramos no assunto droga. Vocês, leitores espertos que são, devem ter lido a sensatíssima coluna da Cora falando da sua opinião sobre o assunto. Concordo em parte. Tenho certeza de que a predisposição à dependência é uma coisa biológica, genética, e, até o momento, “incurável”. Eu também sou viciada em chocolate e eu, como a Cora, não hesitaria em vender o videocassete pra comprá-lo de um traficante, se o chocolate fosse declarado droga ilegal. A diferença, no entanto, é que a droga te destrói muito rapidamente e é bem mais viciante, enquanto que o chocolate só faz engordar mesmo. E, sabendo o que a droga pesada faz com o seu corpo, e a dependência quase imediata que ela te causa, e os problemas que resultam do seu uso, porque é ilegal, só entra nessa quem é muito idiota. Como só quem é muito idiota começa a fumar. Vejam bem, o problema está no primeiro passo. Só dá o primeiro passo na direção do abismo, sabendo que ali está o abismo, quem é muito idiota. A fraqueza está no vício, porque quimicamente a nicotina, assim como a heroína e o chocolate, é viciante, e o cabo-de-guerra entre força de vontade e dependência química é meio complicado. Mas o primeiro passo é burrice mesmo, e é só por esse pequeno detalhe que eu não acho tão boa a idéia de legalizar a droga. Como também não acho legal o fato do cigarro ser considerado legal. Sou completamente contra oficializar a idiotice, e por mim o tabaco seria exterminado da face da terra. Abaixo o fedor e os dentes amarelos.
p.s.: leiam também os argumentos do Tom Taborda sobre o assunto. Interessante.
Empatado em primeiro lugar com fotógrafo da National Geographic, na minha lista de melhores empregos do planeta, está o de cenógrafo/figurinista do Cirque du Soleil. Quequeísso, minha gente.
Alinhás, o Cirque está na Itália pela primeira vez esse ano. No momento estão em Milão (Simone, franjuda linda do meu coração, que que cê tá esperando pra ir lá ver?), ou seja, completamente fora de mão, mas li numa entrevista com o italo-belga que comanda o batatal que em setembro chegam a Roma. Jacaré vai? O jacaré não sei, mas eu vou.
Vou também a Torino no próximo fim de semana, pra feira do livro lá deles. Pelo menos é o que estamos programando, mas como o futuro ao acaso pertence… ;)
Berlusconi anda contando vantagem por conta dos acidentes estradais, cujo número caiu muito depois da introdução do sistema de pontos pra carteira de motorista. Aí eu fiquei pensando numa coisa que de vez em quanto me fustiga o céLebro: por que é tão difícil pra maioria das pessoas fazer as coisas pelos motivos certos? Eu, hein!
O lance é que aparentemente não interessa a causa mas sim o efeito: se neguinho bota o cinto de segurança, aparentemente não faz diferença se bota porque se não botar e o guarda vir ele leva multa ou então se ele bota porque sabe que tem que botar, por motivos de segurança. Mas eu acho que faz toda a diferença do mundo. A diferença é a seguinte: eu, por exemplo, uso cinto desde pequena, o que quer dizer MUITO antes do cinto virar obrigatório no Brasil. Minha mãe não gosta, acha desconfortável, mas pra essas coisinhas técnicas da vida papai é rei e nos acostumou desde cedo. Hoje eu boto o cinto assim que entro no carro, não tiro nem pra manobrar, nem se tenho que ficar esperando no carro. Esqueço que o cinto existe, não me incomoda de jeito nenhum, nem no calor pelo contrário, se esqueço de botar (e só esqueço quando estou usando bolsa a tiracolo, porque a alça da bolsa atravessando o peito dá a sensação de que estou de cinto) sinto que fica faltando alguma coisa. Ou seja, eu não uso porque tenho medo de levar multa, mas porque SEI que, pra minha própria segurança, é melhor usá-lo.
Meu tutor, que como a maioria dos italianos tolinhos acha que é invencível e invulnerável, acha o cinto uma bobeira e só usa porque tem medo de levar multa. A diferença entre nós dois é que, se por acaso a lei do cinto terminasse, ele pararia de usar, e eu não.
Por isso insisto no fazer as coisas pelo motivo certo porque senão quando a motivação errada acaba, a gente pára de fazer. É como se eu só limpasse a casa quando tivesse visita. O resto do tempo a casa ficaria imunda. É claro que isso não acontece, porque eu sei que tenho que limpar a casa, por ene motivos óbvios. Não paro na faixa de pedestres pra velhinha atravessar só porque tem uma placa, ou porque tem um guarda parado a 50 metros de distância, ou porque senão a velhinha me xinga. Paro porque quando sou eu que estou atravessando também fico com raiva de quem não pára. Pago meu aluguel em dia não porque se eu não pagar o Stefano pode me mandar embora de casa, mas porque simplesmente tenho que pagar, se fosse eu a proprietária também ia ficar irritada se meu inquilino não pagasse. Posso ainda dar o exemplo da mãe idiota que diz pro filho parar de surrar o irmãozinho porque senão ela vai chamar o papai. Que ódio que essa frase me dá! O dia em que o pai morrer o filho vai achar que pode surrar quem quiser, porque a mãe não vai ter ninguém pra chamar.
Acho tão mais válido viver assim, sacando sozinho por qual motivo precisa fazer isso e não aquilo. Tão mais fácil ser capaz, mais ou menos, de distinguir o certo do errado, sem precisar ser condicionado pavlovianamente com multas, ameaças, leis. Na verdade só precisa de bom senso mesmo. O problema é que anda em falta no mercado…
Acordei hoje e vi na minha caixa postal um e-mail de uma amiga de faculdade muito querida, a Super Pediatra Sabrina, com quem há muito eu não falava. Fiquei muito feliz, não só por ter reativado esse contato, mas também por causa das boas notícias que ela deu. O engraçado é que eu sonhei com ela essa noite. Foi um sonho muito bizarro, cheio de casamentos simultâneos e amigos em comum correndo pra lá e pra cá pra assistir a todos. E aí a Sabrina hoje me escreve dizendo que tá pra casar. Transmimento de pensação :)
Uma das muitas diferenças entre o lanterneiro e eu é o fato de que ele, pra relaxar, gosta de sair de casa. Quando eu estou cansada ou irritada só quero ficar quieta, não quero ver ninguém, não quero conversar, não quero me arrumar, não quero sair de casa. Quero dormir e pronto. Outra coisa: ele consegue “desligar” a consciência de um ambiente desagradável, se a companhia for boa. Eu não.
Quinta-feira passada fomos a Assis encontrar Fabião e FeRnanda na Piazza del Comune (ali mesmo, onde eu trabalhava, na loja do Fabrizio, o Louco). Tava rolando um show com uns cantores que fizeram sucesso no último Festival di Musica di Sanremo (uma das coisas mais chatas que eu já vi na vida). Gente, eu ODEIO música italiana. Odeio. E não consigo simplesmente fingir que não tá acontecendo nada e curtir a boa companhia. A música fica martelando no meu ouvido, me irritando, me irritando, até que eu chego ao ponto no qual se alguém me perguntar as horas eu respondo rosnando. O Mirco bocejando, morto de cansaço depois de um dia de trabalho que começou às seis da manhã e terminou às oito da noite (pra mim também, porque tenho ficado direto na oficina substituindo a Elisabetta, a secretária, que só volta das férias amanhã), mas queria ficar lá, ouvindo aquela porcaria, vendo gente feia em pé na praça. Socorro!
Único ponto positivo da noite: conheci a Lisa, uma italiana da outra província da Umbria que fala Português perfeito e canta música brasileira. A FeRnanda nos apresentou e achei a garota muito gente boa.
Nem acreditei quando finalmente deitei na minha caminha e consegui fechar os zoinho.
Ontem fui relaxar os cabelos em Perugia. Aproveitei pra cortar também. Agora a casa inteira tá fedendo a soda cáustica.
Aqui os salões de beleza são completamente diferentes dos nossos. Não tem essa de cada cliente ser seguida por um profissional: todo mundo faz tudo. Hoje quatro pessoas diferentes mexeram no meu cabelo. Ninguém se veste de branco nem usa avental. As duas sócias desse salão dividem o tempo entre varrer o cabelo do chão, atender o telefone, cortar cabelo e fazer escova nas clientes, fumar, trazer salgadinho da padaria da esquina pras ajudantes. Não há manicures nem depiladoras especializadas e essas atividades são as menos populares do salão. Ninguém te traz água mineral nem cafezinho.
Essa minha cabeleireira, a Giuliana, foi uma descoberta e tanto, por dois motivos: ela não enche meu saco perguntando coisas da minha vida e contando coisas da vida dos outros, e faz exatamente e exclusivamente o que eu digo a ela pra fazer. Se eu digo que não é pra fazer assim mas assado, ela faz assado, sem lenga-lenga. E ainda por cima lembra do meu nome e do corte que eu gosto. E olha que eu só vou lá de três em três meses tem quase dois anos, tudo bem, mas elas têm tanta cliente que eu fico admirada dela lembrar de mim. A mulher é profissional pra caramba. É a Madonna dos salões de beleza.
Saio sempre satisfeita depois de pagar os 36 euros de sempre, pelo relaxamento, bálsamo e corte. O fedor de soda cáustica vem de brinde.