o retorno

Bom.

A viagem foi ótima. Resolvi umas coisinhas burocráticas, me contive razoavelmente nas compras (mas o roupocídio na Sacada, que acontece todos os anos, rolou de novo), comi quase tudo o que eu queria comer. Mas além da minha epopéia, que descrevi no post abaixo, houve outra, que vou contar porque merece.

O Gianni e a Chiara deveriam ter saído daqui na terça passada e chegado na quarta. O Mirco sairia na quarta e chegava na quinta. Só que o Gianni e a Chiara ODEIAM voar. Normalmente é só um medinho, que passa tomando um calmantinho ou viajando com outras pessoas. Dessa vez a crise de pânico foi forte: palpitações, pernas tremendo, a menina achando que ia morrer, um horror. Fez o Gianni dar meia-volta; não chegaram nem ao anel rodoviário de Roma. Foram direto ao médico pegar um certificado pra conseguir o reembolso, e depois rumaram pra casa totalmente jururus. O Gianni me mandou um SMS super baixo-astral, porque eles tavam planejando ir ao Rio há séculos, e quando finalmente a coisa tava rolando, deu nisso, mas fobia não tratada não dá pra controlar e coisa e tal.

À noite, o Mirco, que sempre é adotado pelos nossos amigos quando eu não estou e dificilmente janta sozinho, foi comer na casa deles. Entramos no Skype pra conversar e pela cara deles dava pra ver a tristeza generalizada. O Mirco, sempre otimista, me confessou de soslaio que eles nem tinham desfeito as malas pois o Gianni não queria nem ver as ditas cujas, e disse que no dia seguinte iria botar uma certa pilha pra ver o que rolava.

No dia seguinte os meninos foram almoçar na casa da mãe do Gianni. Estavam a poucos metros de casa quando o Mirco liga no celular: estou saindo do trabalho, podem descer. Como assim, Bial, perguntaram. Ué, vamos comigo até o aeroporto, quem sabe vocês não se animam. Eles pensaram um pouquinho, voltaram pra casa, desceram com as malas e rumaram pra Roma. Vendo que a Chiara estava calma, começaram a considerar a hipótese maluca de comprar novas passagens e partirem. Já perto do aeroporto, a Chiara começou a ficar pilhada pra viajar, e o Gianni saiu ligando pras companhias aéreas pra ver se achava passagem. Achou com a Air France, mais cara do as de antes mas ainda viável. Reservou pelo telefone, entraram no aeroporto pra ver como a Chiara reagia, ela ainda calma e pilhada, compraram pelo telefone a dois metros do balcão (comprando diretamente no balcão era mais caro), pegaram as passagens e embarcaram. O Mirco tinha pego um certificado médico pro caso de ter que cancelar o vôo dele pra viajar com os meninos em caso de pânico, mas não foi preciso. Viajaram como dois anjinhos. Chegaram na quinta pela manhã, e o Mirco duas horas depois.

O Gianni e a Chiara são ótimos companheiros de viagem, e amigos que nós adoramos, mas quando ele cisma com alguma coisa, não tem santo que dê jeito. Pois desde que ele ouviu do Mirco a descrição do Frescão que ele cismou que queria pegar. Tinha dito inclusive que não precisava ir pegá-los no aeroporto, que eles iriam de Frescão até a Zona Sul. Ahã, falei, vou mesmo deixar dois gringos pegarem ônibus sozinhos no Rio, atravessando favelão… Espera sentado, disse, e fui lá buscá-los com meu pai. Só que não cabíamos nós todos e mais as malas, e acabei mandando os meninos de Frescão mesmo. Desceram na Vieira Souto com a Vinícius, tomaram água de coco na praia e foram pra casa da minha mãe a pé, achando tudo ótimo. Eu e Chiara ficamos tomando guaraná no sofá de casa, esperando os machos.

A outra cisma foi Paraty. Cara, quatro horas de viagem na ida, quatro na volta, mais o adorável percurso até a rodoviária, que normalmente é uma coisa bem traumatizante, tudo isso pra passar um dia (ou parte dele) num lugar. Eu pessoalmente não iria, mas quando o Gianni encafifa, não tem jeito. Então foram, e gostaram.

A terceira cisma foi Búzios. Tipo, você está planejando ir a uma cidade de praia cuja única atração é a praia. Chove e a previsão é de chuva até o fim da viagem. O que você faz? Não vai, né. Mas ele tinha enfiado na cabeça que queria ver Búzios, e acabou indo. Ainda não sabemos o que acharam porque eles não telefonaram depois da chegada em Roma, hoje na hora do almoço, mas pelo último SMS que mandaram de lá parece que não estavam arrependidos da viagem.

Acabou que eles adoraram a viagem, surpreendentemente. Fiquei surpresa porque o Rio não é pra amadores; o Mirco fica exausto com tanta gente, tanta bagunça, tanto trânsito, tanta atenção que a gente tem que prestar pra não ser assaltado, tanta falta de estrutura. E apesar do Gianni ser muito esperto, eles são todos caipirérrimos, e nesse caso a viagem tinha tudo pra não dar muito certo. Mas deu. Não só eles adoraram tudo, como pretendem voltar pra ver as coisas que não conseguiram ver. E coisa inédita: Gianni disse que nem sentiu falta da comida italiana, o que me fez cair o queixo, já que ele é chatíssimo pra comer. Ficaram enlouquecidos com as vitaminas de frutas, com o pão de queijo, com o arroz com feijão. Acharam tudo lindo e interessante, apesar deu ser uma péssima cicerone que se perde na própria cidade e não sabe nada de história (ele me mostrou no mapa a Praça 15 de Novembro e eu só fui entender que era a Praça XV quando chegamos lá. Anta…). Não vou dizer que fiquei orgulhosa, pois não sou de patriotismos e vocês sabem, mas é bom ver que a minha opinião sobre a minha cidade não é biased: o Rio é um desbunde mesmo, apesar.

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Como sempre, não consegui ver todo mundo. Ficaram faltando os colegas da faculdade, por motivos logísticos (leia-se criança pequena). Faltaram as meninas do colégio, pras quais não tive tempo de ligar. Ficou faltando o Duduzão, idem. Mas teve reunião de família com primos e tios que eu não via há muito tempo, com direito à feijoada FENOMENAL do meu tio Alfredo (que Gianni e Chiara adoraram, por sinal). Conheci a Lulu, filha do meu primo de terceiro grau, que eu ainda não conhecia e que é uma figurinha (nos seus tenros 9 meses ela já fica tão contente depois de comer que vira outra pessoa, toda pimpã, afetuosa e risonha. Tenho a impressão de que vamos nos dar muito bem). E de bônus ainda consegui encontrar o Hiro, que calhou de estar no Rio na mesma época e que foi almoçar no Porcão com a gente.

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Achei tudo caríssimo, como a Barbara. Os meninos também. Fora isso, a outra coisa que mais me impressionou (além da feiúra generalizada dos brasileiros, lógico) foi o número incrível de pessoas que trabalham nos lugares, coisa na qual o Hiro também reparou. Em qualquer loja de qualquer lugar tem sempre um monte de vendedores parados esperando chover cliente. No aeroporto há muito mais pessoas trabalhando do que seria realmente necessário. Na Itália a incompetência (porque italiano não sabe trabalhar) é compensada com horas de trabalho a mais. No Brasil, onde a mão-de-obra não custa nada, compensa-se empregando mais gente. Não só nenhuma das duas soluções é a ideal como acho bem difícil escolher qual é a pior, viu.

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Hunka chegou hoje. Yay!