Bananão

Tá rolando uma propaganda no rádio que me faz rolar de rir.

O produto é um suco de frutas tropicais/exóticas que se chama, vejam quanta originalidade, Brazil. Eu adoro suco de frutas e aqui, na falta de uma boa loja de sucos na esquina, neguinho se arranja com sucos de caixinha mesmo. Os sabores são os mais variados, e na maioria das vezes são bem gostosos. Esses tropicais normalmente têm tanta fruta misturada que não dá pra sentir o gosto de nada direito – é o caso desse Brazil, que eu já experimentei e não entendi bem o que tinha lá dentro. Deve ter umas dezoito frutas juntas, o sabor fica confuso, o céLebro não entende direito o que está rolando. Mas enfim, só de ver uma foto de um maracujá na embalagem eu já fico feliz.

A propaganda do rádio é assim: um homem, supostamente brasileiro, desfia um rosário de nomes de frutas.

– Ah, bananao, papaiao, ananasao (eles não conhecem abacaxi, só ananás), maracujá, laranjao…

(os italianos acham que todas as palavras em espanhol terminam com S e todas as palavras em português terminam com ão. Como eles não conseguem fazer o ão anasalado, deixei a fala do homem sem til mesmo, como eles pronunciam aqui)

Um outro, supostamente amigo desse brasileiro, diz, em italiano:

– Tá, já entendi, é o suco do seu paisao!

Eu sei que parece bobo, mas é muito engraçado. Bananão é MUITO engraçado.

ganso

Ontem fomos jantar na festa de Bettona, a Sagra dell’Oca (festa do ganso). Bettona é uma cidade muito gostosinha, no alto de uma colina. Era uma das três cidades umbro-etruscas, juntamente com Todi e Civitella d’Arno, que foram cedidas à Etruria depois que etruscos e umbros entraram em acordo e usaram o rio Tevere pra marcar os limites entre os dois territórios.

No inverno Bettona é geladíssima, mas no verão é uma maravilha. Aqui embaixo, em S. Maria e em Bastia, tava um calor desgraçado, mas lá no alto soprava um vento fresco delicioso. Tive até que botar uma jaqueta. Enfim, fomos jantar na festa com Marco e Michela, nossos companheiros de sagra no domingo. Diferentemente da maioria das outras sagras, quando normalmente a festa é feita sob tendões armados em algum campo aberto na periferia da cidade, essa é na praça principal de Bettona, e totalmente a céu aberto. E eles também fazem um menu diferente a cada dia, enquanto que normalmente, nas outras sagras, o menu é praticamente fixo todos os dias, com um prato a menos ou a mais de vez em quando. Dá vontade de voltar todos os dias, pra experimentar pratos diferentes.

Claro que a estrela da festa é o ganso, presente nos primi (gnocchi e tagliatelle ao molho de carne de ganso, que eu ADORO) e nos secondi (ganso assado, ganso ensopado, espetinho de ganso), mas também tem as onipresentes torte al testo (a clássica com linguiça e verdura cozida, com presunto, com linguiça sozinha, com rúcola e queijo), carneiro em diversas preparações, javali, carne de porco, mil tipos de pasta. Ontem comi um risoto delicioso de radicchio e provolone, depois ensopadinho de javali acompanhado de torta al testo. Ficamos horas sentados à mesa, batendo papo e observando a gente que passava, as crianças que brincavam, os velhos que ajudam na cozinha, um ou outro turista, todo mundo aproveitando “il fresco”. Não tinha música alta, o barulho das conversas misturadas não era ensurdecedor porque se perdia no céu aberto, a comida estava ótima e os preços também eram bons, a piazza é lindinha, aaaaah… Una serata veramente piacevole.

chuveiro

Semana passada tive que comprar um chuveiro novo. Sempre culpa desse maldito calcário que está presente na água de toda a Itália central (tirando Roma, que tem fontes espalhadas pela cidade inteira, com água de ótima qualidade). Um porre, UM PORRE. Tudo que você lava fica manchado de branco: copos, talheres, a própria pia. Se você ferver água numa panela e depois deixar esfriar, se forma uma película branca na superfície da água, e a panela fica toda branca por dentro. Torneiras e canos entopem frequentemente. Há pastilhas anti-calcário no mercado pra proteger as partes e os encanamentos de máquinas de lavar louça e roupa. Pra limpar metais e louças do banheiro e da cozinha, tem que usar produtos anti-calcário que normalmente destroem as mãos se você não usar luvas de borracha.

A torneira do banheiro estava tão entupida de pedrinhas de calcário que a água saía em mil direções diferentes, e quando escovávamos os dentes ou lavávamos as mãos ficávamos todos molhados com a água que espirrava. Mirco trouxe da oficina um desincrostante superpower que ele usa pra limpar as pistolas de tinta, e que normalmente não ataca superfícies plásticas. Desaparafusei a torneira e deixei de molho no desincrostante. Mirco teve a idéia de aproveitar o ensejo pra botar o chuveiro de molho também, porque a situação já começava a ficar crítica. Deixamos tudo ali quietinho e fomos comer na Arianna. Quando voltamos, as partes de plástico preto do chuveiro tinham simplesmente dissolvido! No dia seguinte lá fui eu comprar o maldito chuveiro, que é ótimo. A água sai não diretamente dos furinhos, mas passa por minifunis de borracha, digamos assim. O cara da loja explicou que, em teoria, quando começar a acumular muito calcário basta passar a mão rapidamente sobre as borrachinhas que as pedrinhas saem. Vamos ver.