Por falar em peixe (ou

Por falar em peixe (ou nao) … Quase pronto o brodo pra minha sopinha vegetal. Vai ser jantar frugal, nao to com saco de cozinhar: sopinha basica, hamburger, salada. E jah tah muito bom.

Ah, conselho de amiga: se voce comprar parmesao fresco, tire do plastico logo e deixe em lugar seco e arejado pra maturar e secar. Senao voce corre o risco de descobrir, semanas depois, um bloco de material mofado fungico e fedorento em algum recanto da sua cozinha. E pensar que o tal pedaço do que um dia foi o parmigiano reggiano custou algo em torno de 10 € por quilo, na promoçao, dah até dor no peito.

Olho o calendario do escritorio

Olho o calendario do escritorio e vejo escrito:
jantar à base de peixe, 15 de abril

Depois é que eu lembrei que isso foi uma aposta que o CMI fez com o engenheiro responsavel pelo galpao pra onde vamos nos mudar. Se ficar pronto antes da metade de abril, o CMI paga um jantar à base de peixe (nao esqueçam que a Umbria nao tem mar, por isso peixe é caro) pro engenheiro. E vice-versa.

O galpao tah quase pronto. Acho que o engenheiro vai morrer numa grana. Jah vi o CMI comendo, no rodizio de frutos do mar da Marius Crustaceos no Rio, e sei de quantas lagostas ele é capaz.

Acabo de saber que o

Acabo de saber que o meu processo de regularizaçao chegou às maos de uma conhecida que trabalha na Policia Federal daqui. Agora soh resta saber se posso mudar de chefe, ou seja, transferir a regularizaçao de doméstica pra funcionaria aqui da empresa onde to trabalhando.

De qualquer forma, é uma bela noticia :)

Aih hoje to eu escrevendo

Aih hoje to eu escrevendo emails pros portugueses tentando vender cartucho vazio, quando me estaciona um Passat na frente do escritorio. Era um fiscal do trabalho, que vinha saber se a nova estagiaria tah toda regularizada direitinho (nao vou escrever o nome dela aqui porque ela usa CALçA JEANS DOURADA, BOTA DE SALTO AGULHA E SOMBRA CINTILANTE PRA TRABALHAR, entao voces ainda vao ouvir falar muito dela aqui, e como a Martinha volta e meia abre o blog pra ver fotos e pra tentar aprender Portugues, é melhor nao dar bandeira. Nao pela Marta, que nao suporta ela, mas porque vai que a garota tah do lado e ve o nome escrito, sabe como é…). O Chefe Idiota (que daqui pra frente serah chamado carinhosamente de CMI, ou Chefe Meio Idiota – ele deu boa prova de sua somente meio idiotice depois daquela chuva de elogios ao meu trabalho, hehehehe, e nas aulas de Ingles, embora pronuncie Hai eite em vez de I Hate, pega tudo muito rapido) entra na sala e me diz:
– E agora voce vai ali dar um passeio no jardim…

Lah fui eu, saindo por uma porta enquanto o fiscal entrava por outra. Como semi-clandestina, corro de fiscais feito o diabo da cruz. Subi as escadas, indo bater papo com a micro-mulher da Sardenha (ela tem 1,20 m) que faz os cartuchos jato de tinta, o romeno que estah na mesma situaçao que eu (esperando os documentos), e o ucraniano velho que estah hospedado na casa do CMI pra aprender a fazer cartucho, porque depois o CMI vai passar a explorar mao-de-obra barata na Ucrania. Daqui a pouco ouço vozes lah embaixo: CMI e o fiscal subindo. Caraca! A micro-mulher me deu a dica: vai pro sotao… Lah fui eu pro sotao, subindo as escadas na ponta dos pés. Me abaixo pra passar pelo vao, vejo no chao velhas louças de banheiro, vara de pescar, botas de borracha, espingardas (caçar ainda é uma coisa frequente na Italia, infelizmente). Ouço os dois entrando na sala dos cartuchos – escapei na hora. Dali a pouco vem a mae do CMI, Annunziata, me chamando aos sussurros: Letì! Letì! Descemos pra cozinha da casa. Se o cara entrasse e perguntasse de mim, eu diria que era amiga da Annunziata (amigas de escola, eu sugeri. Ela caiu na risada). Ela toda atarefada fazendo café, ligando a tv, me dando uns jornais pra ler, pra ficar com cara de “estou à vontade aqui porque estou na casa da minha amiga, minha bolsa estah no escritorio porque vim checar email, que na casa dos meus patroes (sou doméstica) nao tem”.

Que horror! Soh quando o cara foi embora é que conseguimos respirar de novo.

Essa vida de extra-comunitaria é uma merda mermo.

Agora tchau que tenho traduçao pra fazer.

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Dah pra perceber quando tenho traduçao pra fazer: fico enrolando, escrevendo, fazendo faxina, brincando de me maquiar, em vez de sentar a bunda e trabalhar. Mas agora eu juro que vou. To soh esperando a Aretha Franklin terminar de cantar Rescue Me.

Ia responder ao ultimo post

Ia responder ao ultimo post da Ines, mas ia ficar tao comprido que resolvi postar aqui. Ela perguntava sobre a Pascoa na familia dos seus leitores. Eu, como leitora, respondo…

Olha, o nosso nucleo familiar é catolico nao-praticante (mamae) ou ateu (todo o resto), entao Pascoa sempre significou soh feriadao mermo. Vovoh nos ultimos anos passou a dar caixas de bombom Garoto em vez de ovo, que custa muito, e a caixa amarela da Garoto é tudo na vida, né nao :) Mas pra mim qualquer cacau basta, até cigarros de chocolate Pan. Tem cacau, eu to topando.

Esse negocio de nao comer carne nunca vingou lah em casa. Eu e meu irmao, além de ateissimos, somos carnivorissimos, e se nao tiver um bichinho morto e cozido na mesa parece que nao comemos. Alias, é uma das coisas de que sinto mais falta aqui na Italia, além do maracujah: nao ter carne em todas as refeiçoes. Mas voltando à Pascoa, aqui neguinho leva a sério a coisa. Outro dia a Nicoletta, ex-estagiaria ali do escritorio, tava comentando com a Martinha que tinha que sair mais cedo pra comprar presunto cru pro jantar. A Marta, toda séria:
– Ma è vigilia, Nicoleeee (esqueceram que aqui apelido é o nome pronunciado até a silaba tonica?).
Eu, monga:
– Ma vigilia di che cosa…?
As duas, horrorizadas, me explicando que do Carnaval até a Pascoa nao se come carne às sextas-feiras. Quase perguntei pra que servia essa restriçao alimentar, se mudava o mundo, ou as mandava mais perto de Deus, ou se fazia bem pra saude, mas achei melhor nao. Nem todo mundo precisa saber o quanto eu odeio e desprezo toda e qualquer tradiçao religiosa.

Po, neguinho aqui jah come pouca carne, se ainda ficar proibindo a bichinha em determinados dias da semana, acaba rolando um certo tédio alimentar, na minha humilde opiniao.

Eu queria muito que alguém

Eu queria muito que alguém me explicasse duas coisas blogais:
1. Por que a minha garotinha do blogchalk sumiu e nao deu mais noticias, deixando em seu lugar o famigerado quadradinho com o xizinho no meio; e
2. Por que o blogger se recusa a botar meu nome embaixo dos posts. Outro dia um me escreveu perguntando como eu me chamava, jah que nao tinha escrito em lugar nenhum do blog. Foi aih que eu me toquei, porque acho que em algum momento do passado jah teve meu nome aqui. O blogger gosta de mudar as coisas sozinho, isso eu jah percebi. Mas independencia tem limites, quero meu nomezinho direitinho lah!

Sugestoes?

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Hora de tirar a roupa do varal que parece que chove amanha cedo. E eu de bicicleta. Ui.

E esqueci de comentar o

E esqueci de comentar o jantar de domingo. Fomos a Perugia, eu, Mirco e Stefania, ao énonè, um lugar charmosérrimo que eu e Stefania descobrimos acidentalmente hah uns meses atras, quando voltavamos do cinema (o filme era 8 mulheres e um segredo, que alias eu recomeindo). Eu adoro o logo e principalmente o nome, que significa “é nao é”, mas brinca com o prefixo “eno” – vinho. Eh uma enoteca, é claro, mas também rolam belisquetes, e o restaurante é bem competente. Quem comanda a casa sao dois irmaos, Flaviano e o outro eu nao lembro o nome, e a mae deles, uma coroa enxutérrima. O Flaviano é um amor, alto, magro, careca, de oclinhos, uns olhos booooooooons! Todo timidozinho, ficou amigo da Stefania mas é sempre tao delicado que parece que conheceu dois minutos atras. Menu:

Stefania, que é vegetariana, foi de salada énonè, que incluia pompelmo rosa (eu acho fruta junto com comida uma heresia das maiores, mas tem quem goste), depois de tagliolini (primos dos spaghetti) feitos em casa com pesto, pinoli, batata e vagem – essa é a receita classica genovesa, mooooooooito boa. De doce, creme brulé, que nao sei se é assim que se escreve, mas nossa opiniao geral foi que nao tem gosto de nada.

Eu de batata rosti com queijo e presunto como entrada, depois tagliolini com ragù de javali (eu tinha pedido gnocchi de ervas com javali, mas tinha acabado a massa de gnocchi. Acabou que por conta disso o meu prato ele nem cobrou, hehehe). De doce, um bolinho de chocolate com recheio quente de creme de chocolate, montado em uma poça de creme cubano (tinha que ser cubano…), sendo que boiando na poça de creme havia gotinhas de chocolate amargo, distribuidas uniformemente em volta do prato… Uma lindeza.

Mirco, sempre famélico feito criança de Biafra, encarou um antipasto de frios (tudo muito light: salame, salame picante, presunto cru, capocollo…), depois gnocchi de ervas ao ragù de javali (tava um sonho!), depois filé de carne de porco em caminha de radicchio, depois um doce meio mascarpone, meio biscoito champagne.

De vinho, um Petit Verdot do Lazio, bem gostosinho. Queriamos variar do Rosso di Montefalco, e esse tava bem bom. Segundo o Flaviano, é um tipo de uva francesa (nota-se do nome) implantada com muito sucesso no Lazio. Deixa um gostinho de fruta na boca, baaaao…

Ainda bem que a minha carteira de motorista tah vencida e tenho que fazer 40 minutos de bicicleta pra ir pro trabalho e mais 40 pra voltar do trabalho. Senao essas tortinhas de chocolate todas onde iam parar? (pergunta idiota, iam parar onde sempre foram parar todas as calorias em excesso, e sao muitas: barriga, culote, costas… sabe celulite nas costas? eu tenho.)

n. da T.: botando link pro site o blogger me linka o texto todo, entao toma o URL: http://www.enone.it. Eh bonitinho, e quem quiser futucar vinhos (viu, seu Novello?) pode pesquisar por regiao da Italia.