Nada como um bom banho

Nada como um bom banho com shampoo cheiroso (andiroba, da Natura), meias coloridas novas, mascara Nivea anti-stress pra pele e um bom copo de vinho (Nobile di Montepulciano 1999) pra salvar uma tarde…

(e pra atrasar uma traduçao também)

Eu gosto da Italia. Gosto

Eu gosto da Italia. Gosto mesmo, tanto que nao quero ir embora daqui. Mas tem coisas às quais eu nao consigo me acostumar de jeito nenhum.

Esses chuveiros de merda deles. Tudo chuveirinho, eu nao sei tomar banho com uma mao soh, me desculpe.
E esse negocio de primo piatto, secondo piatto, contorno? Soh deixa mais prato pra lavar.
E a mania do pao nas refeiçoes? Eu amo pao, mas no café da manha ou num lanchinho vespertino basico.
E as crendices populares, primas da nossa manga com leite? Hoje eu ouvi dizer que aspargo tira o efeito dos antibioticos.
E lavar a cabeça uma vez por semana? Cruzes!

E entao é isso.

Baixando Alisha’s Attic, Janis Joplin,

Baixando Alisha’s Attic, Janis Joplin, Suzanne Vega, Alanis Morrissette. Ouvindo Creedence Clearwater Revival, Simply Red, Madredeus, Live (sempre, sempre), Ed Motta, Dido, Pentangle.

Po, Hunka, tu bem que podia me fazer uma Janis Compilation daquele CD bonzao que a gente ouvia em Valença, né nao…

E aih um dia que

E aih um dia que jah era um dia de merda se transformou em um dia super merda com o vento gelado que nos traz a neve do Subasio. Sim, nevou ontem à noite. Sim, fez muito vento, muito barulho, muito frio. Sim, dormi sozinha em casa, no sofah pra ver TV, mas soh consegui dormir depois de 2 comprimidos de Fenergan. O mesmo que o meu cachorro tomou pra ficar grogue no aviao.

Me dei de presente um

Me dei de presente um almoço sem parmesao.

Fiz quibe frito, batata ao forno com alecrim, descongelei e esquentei arroz e lentilha, lavei umas alfacinhas soh pra constar. Comi dois pratoes, pra compensar o nao-jantar de ontem e o nao-café da manha de hoje. Ainda sobrou quibe pra congelar, arroz e lentilha pro jantar. Pena que nao tem sobremesa nenhuma.

Uma pilha de roupa pra passar, e essa dor de garganta e esse mal-estar que nao vao embora. Acho que vou dormir.

Entao. Hoje felizmente aquele vento

Entao.

Hoje felizmente aquele vento maldito deu uma trégua e o dia foi lindo. Saih de casa antes das sete, sendo que acordei às 4:30 junto com Baldo que partiu pra Frankfurt pro fim de semana. Andei 40 minutos no frio até a estaçao de Bastia. Fora a expulsao de tres bolivianos/colombianos/coisa que o valha do trem porque estavam sem bilhete, sem dinheiro e sem documento, a viagem foi light, dormi um pouquinho e tudo, nada de atraso, milagre. Chego na estaçao em Firenze, encontro as meninas e vamos correndo procurar um banheiro porque tava todo mundo apertada. A soluçao, como sempre, foi o banheiro do McDonalds. Soh por oferecerem esse serviço higienico, digamos assim, eu jah sou contra o boicote ;)

Caminhando, caminhando, fomos parar em frente ao Palazzo Pitti,

onde tinha uma galera deitada pegando sol. Depois de muito fofocar, a fome bateu, e acabamos indo almoçar ali perto mesmo. Nada de mais: gnocchi al pesto pra uma, ravioli al ragù pra duas, risotto alla camponesa pra outra. Coelho assado pra mim e pra Fran, frango assado pra Anelise, batatas assadas pra todas. Tiramisù pra nos tres, morango com limao pra Adriana. E meio litro de vinho tinto.

Rodando pela cidade consegui fotografar algumas pérolas da moda italiana. Olha que sandalia mais tchutchuca (pra nao dizer anatomica…)

E, jah depois que o Alfredo da Ane tinha encontrado a gente na Piazza della Signoria,

onde continuavamos a sessao fofoca/assuntos transcendentais com a bunda no concreto gelado dos degraus, e depois de comprar tres meias coloridas na Calzedonia (fotos depois, nao to com saco), consegui fotografar as tais calças feitas exatamente pra entrar nas botas.

Mas o melhor mesmo foi esse lindissimo exemplo, que parece saido da pagina certo e errado da Capricho:

Demos a cagada de chegar na estaçao quando meu trem estava saindo (eu nao tinha olhado direito o horario e achava que saia lah pras 18:30, mas nao, bem antes), foi o tempo de subir no trem e partir.

Sento de frente pra um senhor que afagava os proprios bigodes ininterruptamente, ao lado de dois marroquinos produzidérrimos, e atras do senhor dos bigodes uma africana feia de doer, tao feia que eu pensei que fosse travesti. Tava cheia de malas e bolsas, e com um filhinho lindinho que ria e balbuciava sem parar e deixou todo mundo no vagao com um sorriso nos labios. O trem se aproxima de Perugia, ela tira de dentro de uma sacola um daqueles panos enormes coloridérrimos africanos, lindo, amarelo e vermelho. Bota o menino nas costas e o amarra com aquele pano. O menino, assanhadérrimo, começa a dançar. Ela pede ajuda aos marroquinos com as tralhas, eles também descem em Perugia e concordam em ajudar. A mulher é uma simpatia soh: diz que o menino tem oito meses (OITO MESES!, exclama o senhor de bigode. Mas é um bitelao!), que nao gosta de mamadeira e quando ve a bicha chegando fecha os olhos e a boca e se recusa a mamar, mas gosta de hamburger e spaghetti. Risada geral dentro do trem. Ela diz que é Nigeriana, e que o menino adora dançar, e que a dança tipica deles se chama samba (…). Os marroquinos pedem pra ela dançar, ela diz que sem musica nao é legal, mas dah uma sacudidinha basica e o menino começa a dar risada e a balançar os bracinhos. Descem todos em Perugia, fico sozinha no vagao, porque o trem prossegue até Foligno, e obviamente ninguém vai pra Foligno, o grosso dos passageiros desce em Perugia. Folheio uma revista que eu nunca tinha visto, deixada pelo velho dos bigodes. Leio rapidamente uma reportagem superficial sobre a Islandia, lembro que Baldo outro dia comentou que queria conhecer a Islandia. Nao levo a revista pra casa. A estaçao em Bastia é sempre deprimente, nao tem bilheteria, o bar fecha cedo, nao tem ninguém na rua. Viro à direita, subo a ladeira por tras dos correios, a ponte sobre o rio Chiascio, passo por baixo do viaduto da autostrada, vou seguindo pela Via Cipresso, carros passam a mil, ninguém para, nao tem luz, nao tem nada. Lembro que nao tem queijo nem presunto em casa, que merda de café da manha vou comer amanha, sem queijo e sem presunto. Penso no Legolas, que hoje nao ficou sozinho porque a mala do Ettore ficou lah o dia inteiro trabalhando, e levou os outros cachorros. Amanha vou dar um pulo a pé (mais 45 minutos ou mais) pra visita-lo. Pelo menos assim ficamos sozinhos juntos.

Mal deu pra agradecer às meninas pelo otimo dia, e ao Alfredo pelo suco de abacaxi… :) Me sinto menos sozinha depois desse dia todo falado em Portugues, embora a caminhada da estaçao tenha sido longa, cansativa, fria, e com um céu estrelado que deveria ser proibido de curtir sozinho, e embora o apartamento esteja vazio, frio e estranho.

Meus pés tao doendo PACAS. Jah tomei banho, nao comi porque nao to com fome (milagre!), estou entediada triste e com muita raiva, e vou dormir antes que eu comece a socar a parede.

Bas noite.