Hoje tava em casa de manhã, tomando coragem pra traduzir um troço chato aqui, e vendo o National Geographic Channel. Me aparece a história de um tibetano que, para se redimir dos erros de seu pai (a maluquice já começa por aí… se a culpa é do pai, por que ele tem que se sacrificar?), que abandonara a família muito cedo, ANDOU 2 mil quilômetros, durante mais de dois anos, até Lhasa – com um detalhe: a cada 3 passos ele se prostrava no chão e fazia uma oração a Buda. Acompanhando a figura, a coitada da mãe, a coitada da irmã e o coitado de um burro de carga. No caminho, iam comendo cogumelos silvestres, coisas que as pessoas davam a eles, carne seca de iaque e uma “iguaria” tibetana feita de farinha e manteiga de iaque (diliça…). Fiquei pensando, “putz, que força de vontade…”. Depois pensei: “putz, que DESPERDÍCIO de força de vontade!” Eu acho que esforço mal direcionado, sem um propósito claro, não tem valor nenhum. Minha mente científica e racional não entende o que se ganha com esse tipo de sacrifício, ainda mais assim, voluntário – e arrastando outras pessoas que nâo têm bissolutamente nada a ver com o problema. O que se aprende numa situação dessas? Que cogumelo silvestre é ruim pra caramba? Que estrume de iaque é bom combustível pra fogueira? Que andar por mais de dois anos seguidos acaba com os pés de uma criatura? Sei lá, acho isso tudo muito, MUITO estranho, e absolutamente sem sentido.
Fora que, na boa, NADA nesse mundo justifica mais de dois anos sem tomar banho.