Florença
Entao, voltando ao inicio da semana…
O tal jantar na casa da Eriko foi tipo festa estranha com gente esquisita. Ela fez uma carne com batatas que ela disse que era comida japonesa, mas parecia perfeitamente com o ensopado de carne com batatas que a minha avo faz; fez um frango ao curry que todos nos sabemos ser receita indiana, e uma salada maluca de vagem e berinjela que diz ela ser tipica do Japao. Tinha uma galera muito esquisita, um japones amigo dela que trabalha na loja da Prada de Chiavari (Chiavari tem ateh Prada, pra voce ver!) e mora ali na Liguria hah um ano e meio. Ele absorveu tudo dos italianos: fala gesticulando, se veste como eles, fala pra caramba, eh muito engraçado :)
No dia seguinte me deu uma preguiça baianerrima e nem ousei me levantar da cama. Soh saih da toca pra fazer o almoço, e tambem nao fizemos nada de tarde, soh saimos pra comprar banana. Explico: sexta-feira eh o ultimo dia da Eriko, e da Mademoiselle Mumia, e da sua prima mumia, entao resolvemos fazer uma microminifesta pra alegrar a galera do curso que andava muito borocoxo (os professores tao com o pagamento atrasado hah meses). Syrlea fez banana caramelada, vimos televisao, e fomos mimir.
Quinta-feira rolou a banana caramelada, Eriko levou uns doces japoneses MUITO estranhos (digo estranhos estilo doce de alga), ficou naquela desanimaçao horrivel e tal. Voltamos pra casa, fizemos batata assada no forno com recheio de sobras de ricota, sobras de parmesao e sobras de presunto (que beleza…) e me piquei pra estaçao. Peguei o trem de sempre, das tres e treze pra Livorno, que, como sempre, tava atrasado. Desci em Pisa, mudei de plataforma (que em italiano chama binario) e peguei o outro trem pra Firenze. Isso eu dormindo sentada, tava meio chumbada, mandei um Trimedal pra dentro, mas o bichinho me dah um sooooono… Encontrei Valeria e Mikako na estaçao em Firenze e fomos pra casa. Depois de uma rapida arrumaçao de tralhas, botamos os pes fora de casa pra ir ao teatro (Momix, belissimo): e nao eh que tava nevando? Uma neve bem bunda, eh verdade, mas era neve. Simplesmente desde quarta-feira à noite chegou uma frente fria da Siberia aqui na Italia. Podia ser uma coisinha mais light, Dinamarca, ateh Noruega eu aceitava, mas precisava ser SIBERIA? Putz grila… Chegamos em casa congeladas, mas felizes – o espetaculo foi lindo, lindo :) Comemos uns cantucci (eu dessa vez dispensei o VinSanto) e cama.
Hoje ainda tinham uns floquinhos de neve rebeldes voando pelos ares, e ainda MUITO frio, caramba! Um vento encanado no caminho da casa da Valeria que vou te contar, haja orelha pra aguentar. Aih demos umas rodadinhas, fomos almoçar num restaurante onde jah tinhamos comido antes, o garçom eh super hiper ultra Cepacol, totalmente metido, engraçadissimo. Ele senta na mesa da gente, fala mal das coisas que a gente escolhe pra comer, dah conselho, dah receita de sopa de verdura, tira foto com a gente, passa limoncello atras das nossas orelhas pra espantar o mau olhado… A desenvoltura dos italianos eh qualquer coisa ;)
Valeria ficou na aula de pintura e eu e Mikako fomos passear no bosque. Aquele programa tipico de japones: comprar. Pra variar, encontramos quilos de brasileiros espalhados por tudo que eh lugar, vendendo, comprando, varrendo. Aih começou a esfriar, e nos desistimos de pegar a Valeria na aula, que soh termina às seis, e resolvemos passar aqui na internet antes de voltar pra casa e esperar ela chegar :P
beijos siberianos
lele