Há um tempo atrás eu e Djésmine vivenciamos uma experiência sobre a qual eu esqueci de comentar. Cenário: Olaria, varanda do Alexandre. Eu e Djésmine esperando nem lembro o quê, debruçadas na varanda, conversando. Na casa ao lado, uma festa de aniversário daquelas de subúrbio, animadérrima, o povo sacudindo o esqueleto e comendo no quintal. Aí me pára na calçada uma Fiorino ou coisa que o valha, com sirene, luzes, e bolas de festa penduradas, tocando música de aniversário. De dentro me sai um ser obeso, de calça corsário obviamente totalmente inadequada à sua estética corporal, CHINELO DE DEDO, cabelos gordurosos, camiseta básica, com um microfone na mão. Chama a aniversariante, que se não me engano se chamava Joana, e começa com aqueles textos repetitivos de aniversário (há … primaveras nascia …, hoje aqui, rodeado (a) de amigos, querido (a) por todos, blah blah), obviamente com uma dose extra de cafonice (atente para o Kenny G no fundo). Juntou uma rodinha de convidados na calçada; o microfone foi parar na mão da Joana, que agradeceu e coisa e tal; depois passou pra outros convidados, cada discurso mais horrendo que o outro. Depois a gorda do microfone falou lá mais qualquer coisa, ligou as luzes do carro, tocou mais parabéns, foi um coro geral de “Aêeeeee Joanaaaaaaa”, ao qual eu, Djésmine e todos os vizinhos se juntaram, e depois acabou a coisa. Eu e Djésmine ficamos curtindo aquele Momento Subúrbio assim meio estarrecidas, ainda dando tchau pra Joana, boa companheira, ninguém pode negar.
Fico imaginando eu recebendo um presente de grego desses. Não só eu fugiria pelos fundos como posteriormente botaria chumbinho no café de quem tivesse me mandado.