No Brasil a mulherada é paranoica com as unhas. Aqui a mulherada é paranoica com roupas da moda, cabelos todos cheios de nove-horas, MUITA maquiagem, muito fio-dental (acho horripilantemente vulgar, além de me parecer extremamente incomodo). Por outro lado, nao usam muitas joias nem bijoux; dificilmente mudam brincos toda hora como nos gostamos de fazer no Brasil. Também tao cagando e andando pra coisas pra nos absurdas, como sutia e calcinha escuros sob roupa clara. Alça do sutia aparecendo, entao… aos montes. E blusa de uma alcinha soh, com sutia normal por baixo? E TOP TOMARA-QUE-CAIA COM SUTIA? Hein? Hein? Nem nos suburbios mais suburbanamente suburbanos e bregas voce acha uma coisa dessas, mas aqui na Italia, ou pelo menos na Umbria, é o que mais tem.
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Putz, que calor. Minha escrivaninha
Putz, que calor. Minha escrivaninha tah toda bezuntada de filtro solar proteçao 60 – que, jah percebi, nao adianta nada, porque infelizmente ainda estou bronzeada. Com esse cabelo ruim e a cara e os ombros queimados de sol, soh falta o bundao pra ficar parecendo exatamente o que eu nunca fui: mulatinha caça-gringos. Puta que pariu.
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Hoje à noite teoricamente assino o contrato de aluguel do apartamento show de bola em Bastia. Acendam velinhas, darlings.
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Domingo de madrugada vamos a Milao. O lanterneiro tem um curso de, bem, lanternagem (nao é tao simples quanto parece, mas é mais facil definir assim), pago pelo fornecedor de tinta, na capital lombarda, e eu vou na aba. Nao conheço Milao, entao acho que vai ser legal :) Chato vai ser passar direto pelo dia 15 de julho, quando eu, em teoria, estaria voltando pro Rio… Nao volto porque depois nao tenho mais dinheiro pra voltar pra cah. Mas perder bilhete marcado é muito desagradavel…
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Estou precisando URGENTEMENTE de uma boa dose de geléia de mocotoh Colombo, sabor natural. Ou de coxinha de frango com catupiry. Claro que banana passa também serve. Infelizmente nao tenho nada disso aqui, minha mae ficou de mandar mas até agora soh vieram sandalias, camisetinhas, sutias e calcinhas, e shampoos pra cabelo ruim, conteudo das duas ultimas caixas que mami me mandou através do endereço da Martinha. Mas daqui a um mes vou ter meu proprio endereço em Bastia, e nao vou precisar dar o endereço dos outros pra receber coisas legais, huahuahua
Melhor parar de pensar em comida e continuar a minha dietinha, que tava indo muito bem até hoje no almoço, quando entrei em crise de abstinencia de cacau e ataquei o Nesquick às colheradas. Mula. Pra queimar todas essas calorias agora, soh indo pra Milao de bicicleta.
Morar no exterior è, pelo
Morar no exterior è, pelo menos pra mim, um conjunto de flashes e de pontadas. Explico: as pontadas de dor sao agulhadas muito, mas muito dolorosas mas de curta duraçao que me vem quando vejo uma foto do Rio (ah, que falta me faz o Rio!), quando escuto o samba do aviao, quando penso nas risadas que davamos no Letras & Expressoes, na cara do japa quando via o sorvete que eu sempre fazia pras noitadas na casa da Newlands, na cara da Newlands quando descobriamos juntas alguma coisa bubu, quando penso na minha avoh e nas comidas gostosas que ela fazia pra mim, quando penso nas risadonas enormes imensas gigantescas que rolavam nos corredores do hospital com a Yasmine (a.k.a. Djésmine), com o Pfaender, com o Alexandre Queiroz que tah pra casar, com aquela louca da Patricia que nao fala mais comigo; quando penso no meu irmao cantando altissimo no banho, na risada da minha mae, no casamento da minha prima mais querida ao qual eu nao fui e nunca, nunca vou me perdoar por nao ter ido; e tantas outras coisas. Sao pontadas agudas, que incomodam MUITO, mas que logo passam. Passam porque a memoria fica; os momentos bons a gente carrega sempre, e nada nem ninguém consegue apagar.
Os flashes sao coisas estranhas que sinto de vez em quando toda vez que faço algo que aqui ja virou rotina, mas que è meio ou muito diferente de como era no Brasil. Como levar o lixo na lixeira. Nas grandes cidades os prédios tem uma lixeira por andar; voce sai no corredor com o saco na mao, abre a porta, abre a lixeira, joga o saco, e ele desaparecera misteriosamente o que significa que os porteiros vao juntar os saquinhos em sacoes que depois serao recolhidos pelo caminhao da Comlurb. Aqui a gente tem que levar o saco na caçamba la fora. Ja virou rotina, mas esse tipo de coisa tipicamente causa flashes estranhos; me vedo na minha casa, saindo no corredor pra botar uma sacola na lixeira, e pensando em uma outra eu levando o lixo na caçamba la fora, e aih pisca a pergunta na minha cabeça: MA CHE CAZZO STO A FARE DI QUI? (sim, a pergunta vem em italiano mesmo). Nao é uma sensaçao muito agradavel, mas essa também passa.
Alias, essa pergunta vive me perturbando. Nao se enganem, eu ADORO a Italia, adoro morar aqui, e apesar de estar com a vida em stand-by no momento (sem carteira de motorista nem de identidade nem de desconto no supermercado porque nao tenho endereço fixo, sem contrato regular de trabalho porque aqui ninguém faz nada antes de setembro, etc), estou feliz. Mas fico me perguntando se nao era possivel ser feliz la na minha casa, na cidade mais linda do mundo, com uma familia legal, falando a minha lingua e comendo as minhas coisinhas tipicas de sempre. Fico me perguntando do que foi que eu fugi, ou se parei de fugir, se encontrei o que eu queria aqui. Fico imaginando se na proxima vez em que eu voltar pro Rio e nao tenho a MENOR idéia de quando sera, por motivos puramente economicos as pessoas vao me achar diferentes, se eu vou achar tudo diferente, se vou me irritar com a sujeira e os mendigos nas ruas, se vou adotar a posiçao paranoica de quem se desacostumou a ser assaltado rotineiramente, se o fedor da cidade vai me chocar, se o transito da grande cidade vai me assustar, se vou sentir falta do salame umbro, do prosciutto crudo, se vou achar a massa cozida demais, se vou achar a mozzarella com gosto de nada, se vou achar o sorvete horrivel tanto quanto hoje acho horrivel o chocolate brasileiro (soh consigo comer o diamante negro e o serenata de amor, acho todo o resto com gosto de vela), se vou continuar esquecendo palavras da minha lingua e de vez em quando inserindo expressoes ou gestos italianos no meio da conversa, se meus amigos vao me achar chata e esnobe e metida a italiana, se a TV brasileira que eu acho que ainda seja um pouco melhor do que a italiana vai me decepcionar e ser muito pior do que eu imaginava. E aih fico imaginando o meu retorno à Italia, e me vejo irritada com o sistema bancario neanderthal deles, com a burocracia tao ridicula quanto a nossa, com a xenofobia alimentar deles, com os zilhoes de impostos que vou ter que encarar sozinha, com a falta de transporte publico nessa cidade pequena, com a ausencia total e absoluta do maracujah na dieta mediterranea, com as panelas italianas que sao TODAS de cabo curto e NENHUMA de teflon (eles tem medo de teflon, de microondas, etc) e que SEMPRE me queimam a mao e nao sao nada praticas.
E o pior é que essa situaçao nem lah, nem cah é irreversivel. Eu, que nunca fui muito cariocona, de praia, malandra, gostosa, que odeio tropicalidades, que tenho horror a Maria Bethania e nao gosto de Chico, me sinto menos brasileira do que nunca, e jamais vou retornar ao meu estado de quase-carioca antes da minha vinda à Italia. Mas também sou muito pouco italiana, apesar do que dizem por aqui. Nao vou mais ser uma coisa soh, nunca mais. Nunca mais.
E necessariamente uma coisa ruim? Nao. Culturalmente é uma experiencia fenomenal; morar fora abre os olhos e a cabeça em um modo indescritivel. Mas emocionalmente é destruidor. Eu nao sou nem uma coisa, nem outra, eu nao sou nada. Nao sou nada.
Por conta da orgia gastronomica
Por conta da orgia gastronomica do fim de semana, hoje o cardapio foi frugal, e vai continuar sendo, se a Suellen deixar. Vim de bicicleta trabalhar, ja bebi meus tres litros d’agua…
Sabe que eu ja to até me sentindo mais magra? ;)
O fim de semana foi
O fim de semana foi ótimo, tanto em termos gastronomicos como de companhia. Lá fomos nós a Faenza no sábado depois do almoço. A estrada é uma bosta: tem um pedaço que tá em obras há anos por conta de uma fraude descoberta na empreiteira responsável (opa!). A paisagem muda radicalmente quando se entra na Emilia-Romagna; difícil explicar exatamente o que muda, mas as plantações são diferentes, tem menos azeitona a Umbria é lotada de azeitona e mais pedregulhos, as colinas são menos suaves, sei lá. A viagem foi curta, umas duas horinhas e pronto, e sem imprevistos, além da quase dormida do Mirco no volante que nos levou a parar num beira-de-estrada pra ele tomar um café e dois picolés.
Já na periferia da cidade, o lanterneiro vê um caminhão encostado num estacionamento abandonado onde outros carros estão parados, e encosta. São poloneses vendendo coisas estranhas da ex-URSS ferramentas, instrumentos cirúrgicos, binóculos, capacetes de couro, ímãs, botas, e outras coisas igualmente interessantes. Os caras encostam, montam as barraquinhas ou melhor, mesinhas -, e ficam ali parados esperando neguinho passar e parar. E o pior é que neguinho passa e pára mesmo e não tinhamos só nós, mas váaarias outras pessoas, incluindo algumas senhoras cujo interesse nas pontas de furadeira e nos alicates e chaves inglesas eu não consegui entender. Saímos de lá com um porta-agulhas, dois pares de pinça de dissecção, duas coisas estranhas que achei geniais tipo canetas que se esticam e viram tipo uma antena daquelas que se usam pra apontar no quadro-negro, com a ponta magnetizada pra pescar parafusos e outras coisas metálicas que adoram se esconder em cantos escuros e inacessíveis e debaixo de móveis e carros -, quatro alicates poderosos, duas chaves inglesas idem, e aqueles negocinhos de ferro com números e letras em relevo na ponta, que você bate com um martelo pra marcar numeração em baixo-relevo em peças industriais, chassis de carro etc. Tudo muito interessante.
Depois de uma leve perda de direção lanterneiro, além de odiar dirigir, não tem o menor senso de direção, e eu não sou muito melhor que ele, ainda mais sem mapa na mão finalmente conseguimos chegar na casa da Fran, que mora bem no centro, num apartamentinho legal. Depois de uma volta na cidade, que é um pouco maior que Bastia e muito bonitinha, fomos jantar em um fim do mundo lindinho chamado Terra del Sole, num restaurante chamado Osteria del Capitano. O menu é todo confuso, escrito em dialeto com a tradução em italiano do lado. Comemos super bem: de aperitivo, uma coleção de bruschettas e pera em cubinhos com queijo pecorino derretido (eca); de primo piatto eu mandei ver de pappardelle (uma massa mais larga que o talharim, é a minha preferida) verde com molho bolonhesa e muito parmesão, o lanterneiro tortellini recheados com ricota e espinafre com molho de tomate-cereja e manjericão, Fran talharim verde e amarelo com legumes, e o Marco, o marido simpático e bonitão dela, massa curta com molho à bolonhesa. Depois eu e Mirco dividimos pedacinhos de filé no azeite com alecrim, e Fran e o Marco os mesmos pedacinhos em vinagre balsâmico. Infelizmente a casa não tinha NENHUMA sobremesa com chocolate, e por isso só eu fiquei sem sobremesa… Não como nem zabaione nem panna cotta (esse último um pudim meio tabajara), então fiquei só na vontade.
Ontem todo mundo levantou tarde eu acordei cedo mas tinha o Harry Potter me chamando, entao fiquei lendo e depois de passar na agência onde a Fran trabalha, pra conhecer (a casa é LINDA e fica num lugar LINDO! Só achei o banheiro, todo afrescado e grande pra caramba, assim meio esquisito; eu ficaria inibida de fazer xixi num banheiro assim tão espaçoso ;), fomos dar uma volta em Brisighella, cidadezinha ali perto. Tem uma fortaleza antiga que tava fechada, depois caminhamos um pouco numa trilha até a torre do relógio, e voltamos pra casa, todos já azuis de fome. Fran e Marco tinham feito feijoada no dia anterior e torta de frango com palmito de manhã cedo, então eu fiz o arroz, a farofa, o pão de queijo; o Marco fez a caipirinha com a Nega Fulô que eles acharam dando sopa em cima do armário, tiramos a cerveja da geladeira e comemos até morrer, porque tava tudo ótimo. Claro que depois do almoço só nos restou dormir, e depois nos mandamos.
Na volta ainda passamos no cinema pra ver Charlies Angels 2. Eu adoro esses filmes despretensiosos, e tenho que dizer que a Cameron Diaz tá cada vez melhor como atriz cômica. Morro de inveja desses filmes, que devem ser divertidíssimos de gravar, além das roupas delas serem bárbaras hehehe
E aí hoje de manhã me sinto ainda no domingo, estou toda lenta lesada lerda meio baiana, e isso tá me irritando. Ainda bem que sei que depois passa, meus ataques de lerdeza nunca duram muito.
E hoje vou a Faenza,
E hoje vou a Faenza, visitar a Fran*, que faz aniversario segunda-feira. As outras meninas de Roma nao podem ir, mas eu to precisando de uma social basica, to com saudade das meninas todas mas pelo menos as de Roma eu posso encontrar mais facilmente, jah que qualquer coisa é motivo pra me fazer ir a Roma (que é tudo na vida), e to doida pra comer a feijoada que o marido dela faz. Vou levar a farofa e preparado Yoki pra pao de queijo. Também to levando minha amiga Suellen, a solitaria mais faminta do planeta Terra. Volto amanha, e espero poder botar fotos no ar, assim que a Telecom Italia se dignar a reestabelecer a linha ADSL do lanterneiro.
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Enquanto isso, preciso resolver logo minha situaçao contratual com o Chefe Meio Idiota. A dona do apartamento tchutchuco em Bastia vive me ligando querendo fazer logo o contrato. A boa noticia é que os atuais moradores nao vao mais embora em setembro, mas em agosto! Obaaaaaaa casa novaaaaaaaaa soh minha e do Legolaaaaaaaaaaaas, em frente ao supermercado ao cinema ao bosque publico à casa da Marta perto da estaçao de tre-eeeeeeeeeeeeeem…
Tudo bem que eu e Suellen vamos passar uma certa fome, porque com o aluguel mais as contas pra pagar, mais todas as taxas absurdas de transferimento de morador (é rapaz, tah pensando que é mole?), vou ficar assim digamos na merda financeira total e absoluta. Favor acender velinhas pra aparecerem umas traduçoes de vez em quando senao vai ficar preta a coisa pro meu lado.
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Se essa dor de garganta e de cabeça passarem logo, eu agradeço muitissimo.
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*A Fran, além de ser um amor, escreve bem e tem uns vizinhos muito estranhos.
Eu tenho um defeito, que
Eu tenho um defeito, que muitas vezes é uma qualidade mas às vezes vira realmente um defeito: nao sei fazer nada devagar. Nao sou hiperativa ou superagitada, sou simplesmente rapida, e a lerdeza alheia me dah nos nervos.
Comecei a pensar nesse assunto quando vinha pra cah hoje, de bicicleta. Sou absolutamente incapaz de fazer um simples passeio de bicicleta. Qualquer movimentaçao bicicletal pra mim vira aula de spinning. Dependendo do que tiver tocando no walkman, entao, iiiiih… Resultado: cheguei toda suada e vermelha no escritorio hoje. Isso porque obviamente cheguei dez minutos antes da hora, e fiquei dando voltas em Rivotorto, aqui perto, pra passar o tempo. Voltas em alta velocidade, claro.
E aih fui desenvolvendo o assunto lerdeza na minha cabeça, e tenho que concordar com a minha mae: nosso maior medo em relaçao à velhice nao sao as rugas, o cabelo branco, a falta de saude, mas é a lerdeza. Vejo os velhos fazendo tudo em camera lenta, com a maiooooooooor calma do mundo, e me vem um pavor insano: serah que eu vou ficar assim também? Com certeza nao, no que depender da minha vontade, porque realmente nao sou capaz de ser lerda, mesmo que eu tenha todo o tempo do mundo pra fazer uma coisa, e nao tenha nada pra fazer depois. Mas e se (ou melhor, e quando) os musculos começarem a negar fogo, e se recusarem a manter o meu ritmo atual, nao-lerdo?
Se eu nao morrer de morte morrida ou de morte matada, vou morrer de morte lerdada. Ficar lerda vai ser a morte pra mim.
Meu Harry Potter e meu
Meu Harry Potter e meu Ken Follett (The Pillars of the Earth) chegaram hoje pela Amazon! Excrusive o HP está aqui ao meu lado sobre a escrivaninha do escritório, me tentando, me chamando… (Não trouxe o tijolo pra passear nem conhecer meu escritório, é que normalmente chego na pracinha antes da hora da Marta passar, e pra não ficar esperando sem fazer nada levo sempre um livrinho. Ou livrão. Ou tijolão, como é o caso do senhor Potter.)
[Curiosidade: como ficou a tradução de squib em Português, hein? E de Dementor?]
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Um termo que eles usam pra definir gente meio doida é fulminato. Já descobri que é uma coisa Umbra, desconhecida no resto da Itália, mas eu não consigo descobrir um termo que defina melhor a maluquice alheia! Um cara que leva um raio na cabeça ou seja, que é fulminado por um raio realmente não pode ser normal.
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Ontem fui jantar pizza na casa da tia do Fabio (namorado da FeRnanda). Essa tia tem um irmão que mora em Firenze, e as filhas dele de vez em quando vêm aqui visitar o resto da família, que continuou morando aqui na roça. A mais velha, Francesca, 18 anos, totalmente fashion e descolada, macérrima, barriga de fora, cabelos revoando pra lá e pra cá. A mais nova, Giulia, 13 anos, meio meninão, descabelada, engraçadíssima! Demos muita risada, principalmente por conta do sotaque fiorentino das meninas. Os toscanos transformam a C entre vogais em R. Então eles falam rasa em vez de casa, rorra-rola em vez de coca-cola, etc. Ficamos dando risada até quase meia-noite, quando então voltei pra casa a pé moro a dois passos de distância, como eles dizem aqui.
A coisa chata da noite foi a conversa com a tal tia do Fabio, que se chama Orietta. Começa já do nome, coitadinha. É nome de velha. É solteirona, sozinha, mimada os irmãos pagam aluguel, contas da casa, consertam tudo que quebra dentro de casa, etc. Tem quase 37 anos, e há praticamente 20 trabalha numa papelaria no centro de Assis do outro lado da praça em relaçao à loja onde eu trabalhei, aliás já fui comprar cartão lá algumas vezes, quando o doido do meu patrão precisava dar um presente a alguém. Como ela está sempre à disposição pra trabalhar, porque não tem nada melhor pra fazer, o patrão paga super bem, e o salário dela é muito além do que se esperaria pra uma pessoa na posição dela. Apesar disso, diz que vive sem dinheiro (e essa foi a primeira coisa chata da noite. Ora, me poupe, mora sozinha com o cachorro num apartamento todo pago pela família, não viaja, não tem carro, não se veste bem, não faz as unhas toda semana nem depilação, não faz escova dia sim dia não, não tem namorado, não vai ao cinema nem ao teatro nem às sagras aqui da zona [aliás, esse fim de semana tem sagra da torta al testo em Pila, perto de Perugia… nham nham] não tem porra nenhuma de despesa, comé que pode viver sem dinheiro? Isso me irrita assim MOOOOITO). Aí vem o pior: admite que não lava o cabelo quando está menstruada porque foi criada assim. Aaaaaaaaaaah, quer me botar doida é me dizer uma imbecilidade dessas. Viro bicho. Mas viro bicho com razão: já estive no porão do fundo do poço essa minha crise lanterneiral de abril/maio não foi NADA perto da minha época seriamente depressiva e sei que a gente só sai dessa quando quer sair, e que inventar desculpas ridículas é a coisa mais fácil e cômoda do mundo e também a coisa mais inútil. E essa falta de vontade de sair do buraco, essa resignação infinita e cheia de suspiros de e se… e mas eu…, essa desculpa esfarrapada de ter sido criada assim, isso vai me dando uma irritação absurda, uma vontade de dar porrada. Pombas, TRINTA E SETE ANOS e até hoje não criou vontade de sair do buraco! Quequeísso! Vi que a FeRnanda tava sentindo a mesma coisa. Como esse tipo de conversa não leva a lugar nenhum, porque o cego que não quer ver não vê mesmo e com gente teimosa não tem o que discutir (eu sou teimosíssima e sei do que estou falando), nos levantamos, nos despedimos e fomos embora. O ar fresco da noite me acalmou, fez passar a vontade de falar em toscano (eu pego sotaque fácil, fácil), me fez dormir muito bem.
Que bom que dormi bem e fiz um estoque de sono, porque essa noite vai ser Harry Potter na cabeçaaaaaaaaaa.ù
Se tem uma coisa que
Se tem uma coisa que eu odeio é gente termicamente desregulada. Um calor do cacete – quem nao concordar que 35 C sao um calor do cacete, eu mato – e neguinho fechando janela porque o vento é muito forte, botando casaquinho leve nos ombros… Até prova em contrario, vento nao é sinonimo de frescor – ou vento quente refresca alguma coisa? Ou entao um frio danado – 5 C SAO um frio danado, nao tem discussao – e neguinho saindo do escritorio e deixando a porta aberta. Nao é possivel! Vai ser desregulado assim na casa do chapéu!
Sim, eu sou preconceituosa às
Sim, eu sou preconceituosa às vezes. Mas vejam se nesse caso eu nao tenho razao: digam se voces comprariam um produto de limpeza chamado Mastro Lindo – sendo que o Mastro Lindo em questao é um careca fortao desenhado no rotulo – cujo jingle na propaganda televisiva inclui os seguintes versinhos:
contra a gordura causa furor
a magia é o seu poder
Pois é. Eu também nao compro.