Posto agora um pedaço de Orlando Innamorato, de Boiardo, depois continuado por Ariosto como Orlando Furioso. Agora temos um professor de Literatura todo garotao, bonitinho se nao fosse pelos cabelos compridos (devia ter lei contra essas coisas), uma voz linda – as japonesas ficam suspirando a aula inteira. Ao contrario da nossa ex-teacher, uma dama aristocratica que se ofendia com palavras do tipo ‘traseiro’, ele hoje nos fez ler um pedaço dessa poesia que vou traduzir. Eh a historia do romance desencontrado entre Brandimarte e Fiordelisa (Flor-de-Lis pros intimos), que finalmente se reencontram durante uma batalha. Brandimarte deixa tudo de lado, porque nao a via ha séculos, e tasca-lhe um super beijo na frente de todo mundo. A danada da Fiordelisa, que nao era boba nem nada, se faz de envergonhada e convida o Brandimarte pra uma escapadinha ali no bosque.
Prese ben presto il cavallier lo invito,
E, forte caminando, forno agionti
Dentro a un boschetto, a un bel prato fiorito,
Che d’ogni lato è chiuso da duo monti,
De fior diversi pinto e colorito,
Fresco de ombre vicine e de bei fonti.
Lo ardito cavalliero e la donzella
Presto smontarono in su l’erba novella.
(Imediatamente o cavaleiro aceitou o convite,
E, andando bem rapido, chegaram
A um pequeno bosque, a um belo prado florido,
Que de cada lado é fechado por dois montes,
Pintado e colorido de flores diversas,
Fresco de sombras e belas fontes.
O ardido (entendam como quiserem) cavaleiro e a donzela (donzela my ass)
Rapidamente se deitaram sobre a grama nova.)
E la donzella con dolce semblante
Comincia il cavalliero a disarmare.
Lui mille volte la baciò, davante
Che se potesse un pezzo d’arme trare;
Né tratte ancor se gli ebbe tutte quante,
Che quella abraccia, e non puote aspettare;
Ma ancor di maglia e de le gambe armato
Con essa in braccio se colcò su il prato.
(E a donzela, com doce semblante (isso aqui é soh pra disfarçar um pouco)
Começa a desarmar o cavaleiro (reparem de quem é a iniciativa)
Ele a beijou mil vezes, antes que
Ela conseguisse tirar-lhe um soh pedaço de armadura;
Nem se importou se ainda tinha todas as partes da armadura,
Mas a abraçou, e nao conseguiu esperar;
Mas mesmo de cota de malha e as pernas cobertas pela armadura,
Com a donzela nos braços se deitou sobre o gramado.)
Stavan si stretti quei duo amanti insieme,
Che l’aria non potrebbe tra lor gire;
E l’uno e l’altro si forte si preme,
Che non vi seria forza a dipartire.
Come ciascun sospira e ciascun geme
De alta dolcezza, non saprebbi io dire;
Lor lo dican per me, poi che a lor tocca,
Che ciascaduno avea due lingue in bocca.
(Estavam de tal forma unidos os dois amantes,
Que nem o ar poderia passar entre eles;
E se abraçavam tao fortemente,
Que nao existiria força capaz de separa-los.
Como cada um suspira e cada um geme
De alta doçura (pra nao dizer outra coisa), eu nao saberia dizer;
Que o digam por mim, porque é do interesse deles,
que cada um dos dois tinha duas linguas na boca.)
Eh ou nao é espetacular? :)