E hoje vou a Faenza,

E hoje vou a Faenza, visitar a Fran*, que faz aniversario segunda-feira. As outras meninas de Roma nao podem ir, mas eu to precisando de uma social basica, to com saudade das meninas todas mas pelo menos as de Roma eu posso encontrar mais facilmente, jah que qualquer coisa é motivo pra me fazer ir a Roma (que é tudo na vida), e to doida pra comer a feijoada que o marido dela faz. Vou levar a farofa e preparado Yoki pra pao de queijo. Também to levando minha amiga Suellen, a solitaria mais faminta do planeta Terra. Volto amanha, e espero poder botar fotos no ar, assim que a Telecom Italia se dignar a reestabelecer a linha ADSL do lanterneiro.

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Enquanto isso, preciso resolver logo minha situaçao contratual com o Chefe Meio Idiota. A dona do apartamento tchutchuco em Bastia vive me ligando querendo fazer logo o contrato. A boa noticia é que os atuais moradores nao vao mais embora em setembro, mas em agosto! Obaaaaaaa casa novaaaaaaaaa soh minha e do Legolaaaaaaaaaaaas, em frente ao supermercado ao cinema ao bosque publico à casa da Marta perto da estaçao de tre-eeeeeeeeeeeeeem…

Tudo bem que eu e Suellen vamos passar uma certa fome, porque com o aluguel mais as contas pra pagar, mais todas as taxas absurdas de transferimento de morador (é rapaz, tah pensando que é mole?), vou ficar assim digamos na merda financeira total e absoluta. Favor acender velinhas pra aparecerem umas traduçoes de vez em quando senao vai ficar preta a coisa pro meu lado.

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Se essa dor de garganta e de cabeça passarem logo, eu agradeço muitissimo.

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*A Fran, além de ser um amor, escreve bem e tem uns vizinhos muito estranhos.

Eu tenho um defeito, que

Eu tenho um defeito, que muitas vezes é uma qualidade mas às vezes vira realmente um defeito: nao sei fazer nada devagar. Nao sou hiperativa ou superagitada, sou simplesmente rapida, e a lerdeza alheia me dah nos nervos.

Comecei a pensar nesse assunto quando vinha pra cah hoje, de bicicleta. Sou absolutamente incapaz de fazer um simples passeio de bicicleta. Qualquer movimentaçao bicicletal pra mim vira aula de spinning. Dependendo do que tiver tocando no walkman, entao, iiiiih… Resultado: cheguei toda suada e vermelha no escritorio hoje. Isso porque obviamente cheguei dez minutos antes da hora, e fiquei dando voltas em Rivotorto, aqui perto, pra passar o tempo. Voltas em alta velocidade, claro.

E aih fui desenvolvendo o assunto lerdeza na minha cabeça, e tenho que concordar com a minha mae: nosso maior medo em relaçao à velhice nao sao as rugas, o cabelo branco, a falta de saude, mas é a lerdeza. Vejo os velhos fazendo tudo em camera lenta, com a maiooooooooor calma do mundo, e me vem um pavor insano: serah que eu vou ficar assim também? Com certeza nao, no que depender da minha vontade, porque realmente nao sou capaz de ser lerda, mesmo que eu tenha todo o tempo do mundo pra fazer uma coisa, e nao tenha nada pra fazer depois. Mas e se (ou melhor, e quando) os musculos começarem a negar fogo, e se recusarem a manter o meu ritmo atual, nao-lerdo?

Se eu nao morrer de morte morrida ou de morte matada, vou morrer de morte lerdada. Ficar lerda vai ser a morte pra mim.

Meu Harry Potter e meu

Meu Harry Potter e meu Ken Follett (The Pillars of the Earth) chegaram hoje pela Amazon! Excrusive o HP está aqui ao meu lado sobre a escrivaninha do escritório, me tentando, me chamando… (Não trouxe o tijolo pra passear nem conhecer meu escritório, é que normalmente chego na pracinha antes da hora da Marta passar, e pra não ficar esperando sem fazer nada levo sempre um livrinho. Ou livrão. Ou tijolão, como é o caso do senhor Potter.)

[Curiosidade: como ficou a tradução de “squib” em Português, hein? E de Dementor?]

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Um termo que eles usam pra definir gente meio doida é “fulminato”. Já descobri que é uma coisa Umbra, desconhecida no resto da Itália, mas eu não consigo descobrir um termo que defina melhor a maluquice alheia! Um cara que leva um raio na cabeça – ou seja, que é fulminado por um raio – realmente não pode ser normal.

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Ontem fui jantar pizza na casa da tia do Fabio (namorado da FeRnanda). Essa tia tem um irmão que mora em Firenze, e as filhas dele de vez em quando vêm aqui visitar o resto da família, que continuou morando aqui na roça. A mais velha, Francesca, 18 anos, totalmente fashion e descolada, macérrima, barriga de fora, cabelos revoando pra lá e pra cá. A mais nova, Giulia, 13 anos, meio meninão, descabelada, engraçadíssima! Demos muita risada, principalmente por conta do sotaque fiorentino das meninas. Os toscanos transformam a C entre vogais em R. Então eles falam rasa em vez de casa, rorra-rola em vez de coca-cola, etc. Ficamos dando risada até quase meia-noite, quando então voltei pra casa a pé – moro a dois passos de distância, como eles dizem aqui.

A coisa chata da noite foi a conversa com a tal tia do Fabio, que se chama Orietta. Começa já do nome, coitadinha. É nome de velha. É solteirona, sozinha, mimada – os irmãos pagam aluguel, contas da casa, consertam tudo que quebra dentro de casa, etc. Tem quase 37 anos, e há praticamente 20 trabalha numa papelaria no centro de Assis – do outro lado da praça em relaçao à loja onde eu trabalhei, aliás já fui comprar cartão lá algumas vezes, quando o doido do meu patrão precisava dar um presente a alguém. Como ela está sempre à disposição pra trabalhar, porque não tem nada melhor pra fazer, o patrão paga super bem, e o salário dela é muito além do que se esperaria pra uma pessoa na posição dela. Apesar disso, diz que vive sem dinheiro (e essa foi a primeira coisa chata da noite. Ora, me poupe, mora sozinha com o cachorro num apartamento todo pago pela família, não viaja, não tem carro, não se veste bem, não faz as unhas toda semana nem depilação, não faz escova dia sim dia não, não tem namorado, não vai ao cinema nem ao teatro nem às sagras aqui da zona [aliás, esse fim de semana tem sagra da torta al testo em Pila, perto de Perugia… nham nham] não tem porra nenhuma de despesa, comé que pode viver sem dinheiro? Isso me irrita assim MOOOOITO). Aí vem o pior: admite que não lava o cabelo quando está menstruada “porque foi criada assim”. Aaaaaaaaaaah, quer me botar doida é me dizer uma imbecilidade dessas. Viro bicho. Mas viro bicho com razão: já estive no porão do fundo do poço – essa minha crise lanterneiral de abril/maio não foi NADA perto da minha época seriamente depressiva – e sei que a gente só sai dessa quando quer sair, e que inventar desculpas ridículas é a coisa mais fácil e cômoda do mundo – e também a coisa mais inútil. E essa falta de vontade de sair do buraco, essa resignação infinita e cheia de suspiros de “e se…” e “mas eu…”, essa desculpa esfarrapada de “ter sido criada assim”, isso vai me dando uma irritação absurda, uma vontade de dar porrada. Pombas, TRINTA E SETE ANOS e até hoje não criou vontade de sair do buraco! Quequeísso! Vi que a FeRnanda tava sentindo a mesma coisa. Como esse tipo de conversa não leva a lugar nenhum, porque o cego que não quer ver não vê mesmo e com gente teimosa não tem o que discutir (eu sou teimosíssima e sei do que estou falando), nos levantamos, nos despedimos e fomos embora. O ar fresco da noite me acalmou, fez passar a vontade de falar em toscano (eu pego sotaque fácil, fácil), me fez dormir muito bem.

Que bom que dormi bem e fiz um estoque de sono, porque essa noite vai ser Harry Potter na cabeçaaaaaaaaaa.ù

Se tem uma coisa que

Se tem uma coisa que eu odeio é gente termicamente desregulada. Um calor do cacete – quem nao concordar que 35 C sao um calor do cacete, eu mato – e neguinho fechando janela porque o vento é muito forte, botando casaquinho leve nos ombros… Até prova em contrario, vento nao é sinonimo de frescor – ou vento quente refresca alguma coisa? Ou entao um frio danado – 5 C SAO um frio danado, nao tem discussao – e neguinho saindo do escritorio e deixando a porta aberta. Nao é possivel! Vai ser desregulado assim na casa do chapéu!

Sim, eu sou preconceituosa às

Sim, eu sou preconceituosa às vezes. Mas vejam se nesse caso eu nao tenho razao: digam se voces comprariam um produto de limpeza chamado Mastro Lindo – sendo que o Mastro Lindo em questao é um careca fortao desenhado no rotulo – cujo jingle na propaganda televisiva inclui os seguintes versinhos:

contra a gordura causa furor
a magia é o seu poder

Pois é. Eu também nao compro.